• Genética
  • Protocolo de nascimento: 5 pilares para uma cria produtiva

    20/10/2020
    *Por LUCAS MARQUES - ANALISTA TÉCNICO DA OUROFINO SAÚDE ANIMAL
    Foto: Divulgação.
     
    A criação de bezerros é o pilar que sustenta a pecuária de corte e é também um dos gargalos da produção. Os bezerros são frágeis e estão sujeitos a doenças que podem comprometer sua vida produtiva significativamente, reduzindo seu desempenho. Um correto protocolo de nascimento diminui a incidência de doenças na fase de cria e aumenta a lucratividade da fazenda com bezerros mais sadios e, consequentemente, que ganham mais peso.
     
    O primeiro desafio que o bezerro encontra em sua vida após o parto é a ingestão do colostro. Como a placenta bovina não permite a transmissão de imunoglobulinas para o bezerro, o colostro funciona como fonte de nutrientes e proteção nos primeiros meses de vida. Porém o período em que os bezerros são capazes de absorver as células de defesa presentes no colostro é limitado. Por isso, devemos garantir que o animal mame o colostro nas primeiras seis horas de vida para obter a proteção adequada.
     
    Após garantir que os bezerros mamaram o colostro, o próximo passo para uma cria produtiva é voltar às atenções para o protocolo de nascimento.
     
    Protocolo de nascimento
     
    Um protocolo de nascimento ideal é baseado em 5 pilares:
     
    Queima de umbigo
     
    O primeiro desafio sanitário que os bezerros enfrentam é relativo ao umbigo. O umbigo é composto basicamente por três estruturas: veia, artérias e o úraco. Estas estruturas possuem função de nutrição e oxigenação do feto, além de eliminar catabólitos por ele criados. Após o nascimento e o rompimento do cordão umbilical durante o parto, o umbigo perde sua função e as estruturas se retraem e se fecham conforme o processo de cicatrização que pode durar alguns dias.
     
    Até que o umbigo seja completamente cicatrizado ele se comporta como uma porta de entrada para sujidades e bactérias que representam um grande risco para a saúde geral destes animais e podem causar prejuízos de desempenho e, em casos extremos, levar o animal à morte. Dentre as doenças que um umbigo mal curado pode causar temos onfaloflebites, diarreias, pneumonia e artrite séptica (caroara).
     
    A correta queima de umbigo deve ser realizada cortando os cordões que estiverem muito longos com uma tesoura limpa até por volta de quatro dedos de comprimento. Depois devemos embeber todo o umbigo por volta de 30 segundos em solução de iodo a 10%. Em sistemas em que seja possível, é recomendável que a queima do umbigo seja feita diariamente até completa secagem do umbigo, que ocorre aproximadamente após três dias.
     
    Prevenção de bicheiras
     
    A miíase, também conhecidas por bicheira, é uma infestação de larvas da mosca Cochliomyia hominivorax. As moscas são encontradas em todo o Brasil e são atraídas por ferimentos abertos, onde depositam seus ovos. Após eclodir, as larvas se alimentam de tecido vivo causando dor e também predispondo os animais a infecções secundárias.
     
    A prevenção contra as bicheiras é feita com a aplicação de um endectocida, a Ivermectina OF, que é capaz de prevenir essas bicheiras. Já para o tratamento podemos associar o uso de Lepecid BR Spray.
     
    Prevenção de infecções no umbigo
     
    Como já foi dito, o umbigo é muito susceptível a infecções, causando onfalites e onfaloflebites.
     
    Para prevenção é recomendável o uso de um antibiótico com amplo espectro de ação e com ação rápida e prevalente, como o Lactofur.
     
    Prevenção de coccidiose
     
    A coccidiose é uma doença silenciosa causada por um protozoário gastrointestinal e onde apenas 5% dos animais acometidos apresentam o sinal clínico clássico: diarreia negra. É uma doença onde a maioria dos bezerros apresentará perda de peso e terá a saúde intestinal comprometida, mas sem demonstrar sinais clínicos. A doença causa lesões no intestino que diminui a área de absorção de alimentos e também abre portas para infecções secundárias que podem causam baixo desempenho e diarreias.
     
    A prevenção é feita pela administração de Isocox Ruminantes na dosagem de 10ml/30kg, que promove uma melhor saúde intestinal para os animais.
     
    Estudos realizados mostraram que o Isocox foi capaz de reduzir em 45% a taxa de diarreia em bezerros em uma fazenda em Três Lagoas/MS e animais tratados com Isocox apresentaram um ganho de peso de 18kg em comparação ao grupo Controle em outra fazenda em Itiquira/MS.
     
    Identificação, pesagem e registro
     
    Como não podemos melhorar o que não medimos, é essencial que a fazenda possua um sistema de registro de animais contendo a identificação do bezerro e de sua mãe, o peso ao nascimento e também o registro de doenças e tratamentos que o bezerro receber durante a fase de cria.
     
    A adoção destes cinco passos contribuirá para que o protocolo de nascimento seja eficaz e também aumentará a lucratividade da fazenda com bezerros mais saudáveis e pesados.
     
    LUCAS MARQUES - ANALISTA TÉCNICO DA OUROFINO SAÚDE ANIMAL
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