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  • Segura, peão

    25/08/2016
    O peão de Boiadeiro é uma figura marcante, muito bem explorada pela literatura, tipo humano verdadeiramente legendário.

    O boi em pé foi o primeiro produto exportado por Goiás, tão logo secaram-se seus veios auríferos. A economia estadual girou, por longos anos, em torno da pecuária, cuja influência ainda é marcante.

    No transporte das boiadas de Goiás para Minas, o peão de boiadeiro assume posição de grande importância. Sua função consiste na doma, ou encilhamento de burros e cavalos xucros para o primeiro galope ou acerto.

    O rodeio era a festa que coroava o término bem sucedido de uma dessas longas caminhadas, assinalando a chegada da comitiva ao ponto de entrega da boiada. Hoje, o peão tornou-se o artista indispensável nos programas de rodeio realizados em quase todo território nacional, o centro das atenções do evento, uma vez que a ele cabe montar e dominar o animal xucro.

    O rodeio deixou de ser parte apenas do lazer popular, e se tornou também um acontecimento urbano notável, autônomo e consagrador do peão de boiadeiro e dos domadores, transformando-se num evento cheio de atrativos, com lances espetaculares e milionários, prova de que a tradição não se extinguiu.

    Com o tempo adquiriu estilo e caráter próprios, inclusive no que concerne às vestimentas dos participantes e espectadores.

    Até mesmo a linguagem utilizada nesses eventos tem características peculiares, começando a penetrar no linguajar do povo, como no caso da expressão “Segura, peão!”, marca registrada dos narradores de rodeio, e que nos últimos tempos tem sido usada genericamente como brado de apoio e incentivo em qualquer circunstância que exija esforço ou perícia.

    Rodeios

    O rodeio originou-se na Espanha, foi adotado pelos mexicanos e logo após a guerra com os norteamericanos, no século XIX, adaptou-se à América colonial inglesa.

    No Brasil, o rodeio é um sincretismo do esporte importado dos EUA na década de 1950. Esta última versão do rodeio que hoje convive com a vaquejada - um jogo tradicional praticado desde o século XVI em todo o país - consiste em montar touros e cavalos não domados, com o cavaleiro permanecendo no mínimo oito segundos na montaria segurando apenas com uma das mãos, e se apoiando em uma corda, presa ao animal.

    Nos EUA, a primeira competição de rodeio aparece em 1869 e desde 1975 esta manifestação tem sido interpretada como um esporte com regras de aceitação internacional, provas credenciadas e profissionalismo.

    Tal tendência estendeu-se em épocas subsequentes ao Canadá, Austrália, Nova Zelândia e Brasil, com adaptações locais em termos de organização e práticas. Daí a versão brasileira manter traços de uma outra modalidade de esporte equestre, isto é, a vaquejada, e clima de festa, associando-se a disputas artísticas, jogos de futebol, desfiles, danças, músicas e comidas típicas.

    Enquanto tal, o rodeio brasileiro é hoje um modelo de conciliação de folclore com marketing e competição esportiva, distinguindo-se, todavia, da influência norte-americana por não ter uma entidade central de filiações mas um polo de radiação do esporte (cluster) representado pela cidade de Barretos-SP.

    Dia do Peão de Boiadeiro

    Nesta origem, o rodeio assumiu uma postura de festa associando-se a disputas artísticas, jogos de futebol, desfiles, danças, músicas e comidas típicas, segundo a cultura de Barretos, considerada, na época, a capital da pecuária nacional.

    1955 - Um grupo de jovens da cidade de Barretos funda um clube batizado de “Os Independentes”, que tinha como regra inicial para participação, a exigência do interessado ser independente economicamente, solteiro e ter mais de 21 anos.

    1956- Por iniciativa do clube de jovens “Os Independentes” tem lugar o primeiro rodeio oficial na cidade de Barretos, então denominado de “Festa do Peão de Boiadeiro de Barretos”, realizada no mês de agosto em um velho picadeiro de circo de touradas. A partir deste ano, sempre no mês de agosto, as festas passaram a fazer parte do calendário oficial de festividades da cidade, e a mobilizar adesões nos municípios vizinhos.

    Década de 1960 - A festa de peões e boiadeiros de Barretos assume progressivamente alcance e renome nacional.

    1964- A fama dos rodeios começa a atrair turistas do Chile, Peru, Bolívia, Paraguai e Uruguai. Neste ano o evento foi declarado como de utilidade pública em Barretos, em função de sua contribuição para o desenvolvimento econômico do município e benefício a várias entidades assistenciais.

    Década de 1980- O local da festa em Barretos foi se revelando insuficiente para atender ao crescimento do número de seus participantes. Fez-se, então, um projeto para uma nova arena em contrato com Oscar Niemeyer. Em 1986, inauguravase o Parque do Peão em formato de ferradura e capacidade para 35 mil pessoas sentadas, hoje considerado uma das maiores arenas de rodeio do mundo.

    1993 - Na cidade de Barretos realizou-se o primeiro “Rodeio Internacional”, com presença de cowboys americanos e canadenses.

    1994 - A internacionalização da “Festa do Peão de Boiadeiro de Barretos” incluiu também peões da Nova Zelândia, Austrália e Cuba. Ainda neste ano, o país conhece seu primeiro campeão mundial de montaria em touros, o brasileiro Adriano Moraes que teve seu nome gravado no Guinnes Book, por ter “parado” em 10 touros seguidos, um em cada dia, na final mundial de rodeios realizados nos EUA.

    1998 - No último domingo do mês de agosto, data do encerramento da 43ª Festa de Barretos e do 16º “Freio de Ouro”, realizado em Esteio, no Rio Grande do Sul, o número de assistentes totalizou 45 mil, superando naquele dia o público dos estádios de futebol, em quatro jogos de campeonato brasileiro, realizados em São Paulo, que contabilizaram um número de 33.448 torcedores. Neste mesmo ano empresários americanos do Texas visitaram no mês de setembro o Jaguariúna Rodeio Festival, em São Paulo, a fim de observar a organização e o mercado em expansão do rodeio brasileiro.

    Interpretação do Desenvolvimento – anos 1990

    Nesta década consolidou-se o rodeio no Brasil como festival esportivo popular a partir do cluster de Barretos. A evidência deste fato foi o crescimento da cobertura de revistas, jornais, rádios e TV aos rodeios organizados em todo o sudeste e sul do Brasil. Além do reforço dado pela internacionalização de eventos, gerou-se nesta década um estilo de roupas, objetos de uso pessoal e música popular relacionada tanto ao rodeio como ao mundo rural – e sertanejo – brasileiro em geral, com grande apelo mercadológico.

    A estes eventos e produtos típicos associaram-se feiras de equipamentos e veículos já resultantes do importante impulso econômico pelo qual passava o meio rural do país na década em foco. Outras cidades de referência do rodeio surgiram neste período seguindo o impacto de Barretos. Em consequência, também surgiu uma nova fonte de turismo interno e externo com impacto na arrecadação de vários municípios até então sem notoriedade.

    Além de Barretos, outras cidades como Jaguariúna, Americana, São José do Rio Preto, Presidente Prudente e outras ficaram conhecidas como pontos de referência de rodeios fora do interior do Estado de SP, como localidades de Mato Grosso do Sul, Paraná, Minas Gerais e Goiás.

    Situação atual

    O Brasil pode ser identificado, no momento, como o segundo país do mundo no tocante ao nível técnico e organizacional de rodeios, considerando-se a reconhecida liderança neste esporte exercida pelos EUA. Tal posição é frequentemente relacionada ao número de eventos por ano produzidos no país, estimado em cerca de 1300 festivais de competição, sobretudo concentrados nas regiões sudeste e centro-sul. O número de arenas já ultrapassa 140, num mercado avaliado em US$ 2,2 bilhões por ano entre negócios diretos e indiretos. Somente no ano de 2000, o rodeio de Barretos atraiu em torno de 1,2 milhões de visitantes movimentando US$ 90 milhões, segundo cálculos do Sebrae-SP.

    O público pagante por temporada nos rodeios apresenta-se em torno de 26 milhões e gera aproximadamente 240 mil empregos diretos e indiretos por ano. Seus patrocinadores são bancos, seguradoras, agências de turismo, fabricantes de automóveis, bebidas, confecções, calçados, eletrônicos etc., que compõem a “Indústria Brasileira do Rodeio” já considerada como a segunda maior do mundo. A credibilidade e a valorização do rodeio em relação aos demais esportes ficou evidente no ano de 2001, quando da regularização da profissão do peão de boiadeiro. Uma segunda lei regulamentou a realização dos rodeios no Brasil a partir de 17 de julho de 2002, determinando que haja uma fiscalização sanitária; que todos os animais sejam vacinados; e que nenhum material utilizado pelos peões e animais ponham em risco a integridade física dos touros e cavalos.

    Fonte: www.atlasesportebrasil.org.br



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