• Conjuntura
  • Setor aposta na melhora da demanda interna

    29/11/2017
    Apesar da expectativa de maior oferta de animais no próximo ano, analistas estimam um 2018 positivo para a indústria de carnes amparados no mercado doméstico e exportações aquecidos

    Estoques ajustados, expectativa de demanda firme por carne bovina no mercado externo e perspectiva de incremento das vendas internas devem proporcionar um ano favorável para a indústria de carnes em 2018, projetam especialistas. Para a cotação da arroba, a estimativa é de estabilidade.

    "Há uma grande aposta na retomada da demanda do mercado interno, com um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) estimado em até 2% para o ano que vem, o que seria um cenário positivo para o setor", avalia o superintendente do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (IMEA), Daniel Latorraca Ferreira.

    O cenário foi debatido no Encontro de Analistas da Scot Consultoria, em São Paulo, no dia 17 de novembro.

    Segundo Ferreira, esse aumento de demanda poderá manter a arroba estabilizada em relação aos patamares atuais, mesmo considerando a perspectiva de uma oferta maior de animais para abate no ano que vem. "Em Mato Grosso, por exemplo, temos mais plantas abatendo bovinos e a expectativa é de que outras unidades reabram, o que deve manter a cotação firme", projeta Ferreira.

    Para o proprietário da Scot Consultoria, Alcides Torres, o fato de 2018 ser um ano eleitoral favorece o aumento do consumo em geral - o que inclui carnes - perspectiva compartilhada pelo analista Leandro Bovo. "Tradicionalmente, ano de eleição tem demanda 25% maior de carne, em média."

    No entanto, o pesquisador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), Sérgio De Zen, alerta que, ao contrário de anos anteriores, o atual presidente não está envolvido na corrida eleitoral. "[Michel Temer> é impopular e não deve lançar candidato, então a gente não deve esperar esse choque de demanda no Brasil. Vamos depender mais do mercado externo para que as perspectivas de um ano positivo se concretizem", avalia o pesquisador do Cepea. "Mas se houver alguma crise de confiança lá fora em relação à carne brasileira, nós vamos para o buraco", destacou De Zen.

    Para o analista Ivan Wedekin, o cenário para a pecuária no próximo ano dependerá mais da oferta de animais para abate do que mudanças no ritmo da demanda. "O retorno ao consumo de carnes não deve ser a prioridade do brasileiro, embora eu acredite que as vendas no mercado interno deverão avançar", observa.

    Nesse sentido, a expectativa do analista da Scot Consultoria, Alex Lopes, é de uma maior oferta de bezerros e de um maior abate de fêmeas no ano que vem, especialmente no primeiro trimestre, com o descarte de fêmeas e a entrada dos animais de confinamento.

    Ainda assim, conforme o sócio-consultor da MB Agro, Alexandre Mendonça de Barros, a perspectiva é otimista para o setor em 2018. "A gente já detecta um cenário macroeconômico mais positivo neste fim de ano em relação ao mesmo período do ano passado e ao começo de 2017", pondera. "A intensidade da recuperação da carne vermelha pode ser mais lenta que de outros tipos, mas ela virá", assegurou.

    Para De Zen, o pecuarista deve ter cautela e evitar correr riscos em 2018. "É fundamental que o produtor não tome decisões precipitadas."

    Qualidade

    Na avaliação de De Zen, o mercado de carne bovina passa por uma transformação no Brasil. "O consumo da carne commodity caiu, mas a de maior qualidade não", argumenta o analista.

    O CEO do Frigol, Luciano Pascon, concorda. "Essa mudança é notória. No ano passado, 90% da nossa produção era de carne commodity. Hoje, esse produto representa 65% do total", afirmou.

    Para ele, o avanço da produção de carne de maior qualidade impulsionará o consumo. "A partir do momento em que se oferece um produto melhor ao consumidor, ele tende a consumir mais, mesmo com preço mais elevado."
    A companhia anunciou na semana passada o arrendamento de unidade de abate em Cachoeira Alta, Goiás, que pertence ao Rodopa, ampliando a capacidade de abate para 60 mil cabeças por mês e o faturamento para algo próximo de R$ 2 bilhões no ano que vem. "Nós avaliamos e buscamos outras oportunidades para 2018", destacou o CEO.

    Fonte: DCI-SP



  • Por uma nova pecuária brasileira

  • O livro Carne e Osso lançado em 2015 pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne traz um relato inédito sobre as origens e a evolução da indústria da carne brasileira, a reboque da

    + leia mais
  • Agro tem papel de destaque na preservação ambiental

  • Cálculos do Grupo de Inteligência Territorial Estratégica (Gite) da Embrapa, a partir das análises de dados geocodificados do Cadastro Ambiental Rural (CAR), mostram significativa participação da agri

    + leia mais
  • iLPF proporciona estabilidade da oferta de forragem na propriedade leiteira

  • A região de Unaí, no Noroeste de Minas Gerais, é uma das principais bacias leiteiras do estado. Além do período da seca, a forte influência de veranicos e as altas temperaturas durante as águas são um

    + leia mais


  • Escreva um comentário



  • *

    *
    *





  • Comentários (0)



  • Criação de sites