• Nutrição
  • Suplementação alimentar continuada é alternativa para ganho de peso nos rebanhos

    05/09/2017
    Além da nutrição, manejo e lotação por hectare podem beneficiar condição corporal dos bovinos

    Animais em fazenda de Mato Grosso do Sul. Foto:Ériklis Nogueira

    As condições da fazenda, as pastagens disponíveis e os objetivos da produção pecuária são fatores que devem orientar a opção por suplementar ou não a nutrição bovina, diz o professor e pesquisador Luís Ítavo, da Universidade Federal de MS. Ele foi um dos palestrantes do 3º Simpósio Repronutri - Reprodução, Produção e Nutrição de Bovinos: a pesquisa aplicada ao campo, organizado pelo Grupo Repronutri, Embrapa e parceiros -- realizado em  Campo Grande (MS) nos dias 31 de agosto e 1 de setembro --, e conversou com os participantes sobre o uso da suplementação para o aumento da produtividade do gado de corte e leite.

    Segundo Ítavo, a suplementação alimentar animal é oferecida apenas durante os períodos de seca e escassez de pasto em muitas fazendas. O ideal, porém, seria que o suplemento fosse disponibilizado o ano todo (ou durante o maior período possível). “É um ajuste do sistema de produção. A suplementação vem como uma ferramenta para ajudar a atingir alguns objetivos produtivos, que precisam ser bem definidos. É um investimento que o produtor faz para manter o desempenho constante do rebanho”, afirma.

    Objetivos e métodos

    A suplementação bovina pode ser utilizada para que os machos atinjam a idade de abate aos 24 meses, chegando a aproximadamente 480 kg – cerca de 17 arrobas – nesse período, reduzindo em até um ano o tempo levado para o abate (em comparação com animais não suplementados, diz Ítavo). É possível usá-la também para aumentar a precocidade das fêmeas, permitindo que elas cheguem ao peso e tamanho corporal adequados para a reprodução (o que, de acordo com o pesquisador, ficaria em torno de 350 kg ou 12 arrobas) aos dois anos de idade. “Se, ao final da estação de monta, a vaca estiver vazia, a estratégia é mandá-la para o abate, já que o animal vai ter a condição corporal adequada”.

    Ítavo ressalta que é preciso estudar a produção como um todo para se definir se o objetivo é promover o ganho de peso dos animais ou aumentar sua precocidade. Depois, é necessário avaliar as alternativas para atingi-los, que envolvem não só a suplementação, mas técnicas como o manejo dos animais, disponibilidade de alimento e lotação nas pastagens. Caso a suplementação seja uma opção adequada, o pesquisador sugere o uso de um suplemento proteico energético mineral (como a mistura entre o milho, farelo de soja, amireia e um núcleo mineral) para corrigir o que falta no pasto para os rebanhos e garantir um lote uniforme, bem-acabado.

    “Hoje, uma prática comum é o uso de sal com ureia na suplementação, mas o sucesso disso depende muito da quantidade e da qualidade do pasto”, afirma. Ele sugere a amireia como alternativa. De acordo com o documento “Utilização da amireia na alimentação de ruminantes”, publicado por Ana Karina Dias Salman, pesquisadora da Embrapa Roraima (disponível neste link), a ureia é uma fonte importante de nitrogênio não-proteico, mas possui limitações como a baixa aceitabilidade dos animais e alta solubilidade no rúmen, que a transforma muito rapidamente em amônia. A amireia é o produto resultante da extrusão do amido com a ureia. Acredita-se que esse processo melhore o valor nutritivo da ração, aumentando a disponibilidade de amido.

    Entretanto, a quantidade e o tipo de suplementação devem variar de acordo com a disponibilidade alimentar em cada época do ano, diz Ítavo. Os suplementos a serem oferecidos no inverno, por exemplo, levam menos fontes proteicas e mais milho na composição. Para escolher as melhores alternativas, é preciso realizar um diagnóstico da propriedade e planejar a execução das ações. “Todo investimento em suplementação deve voltar em forma de arrobas. A escolha do que usar depende do preço do insumo e do desempenho que o animal vai ter com ele. Mais que o preço da arroba, importa o quanto eu gasto e o quanto o animal vai ganhar com aquele investimento”, diz o pesquisador.

    “Uma arroba – que tem cerca de 30 kg de peso corporal – custa cerca de R$ 120, atualmente. Ou seja, cada quilo vale aproximadamente R$ 4. Mesmo se eu descontar um gasto de, digamos, R$ 1 para que o animal ganhe um quilo por dia, ainda estou recebendo cerca de R$ 3 em retorno. Ao mesmo tempo, podemos pensar que, em um ano, conseguimos produzir metade do peso de um animal – aproximadamente 10 arrobas em um animal por hectare. Se colocarmos dois animais por hectare, conseguimos menos ganho de peso com a suplementação em cada um: ao invés de ganhar 10 arrobas por ano, eles ganhariam cerca de 7, mas somariam 14 arrobas juntos. É preciso ver o que compensa mais em cada caso”.

    Os custos com manutenção da propriedade, funcionários e impostos também devem entrar na conta dos investimentos escolhidos para aumentar a produtividade dos rebanhos, diz Ítavo. Com planejamento e tecnologia, o pesquisador afirma que é possível chegar ao ganho de 30 arrobas por animal/por ano. Porém, esse estágio mais avançado exige ações como adubação do pasto e um manejo mais intensivo da propriedade. “Para o produtor começar esse processo, ele pode colocar uma meta de 10, 15 arrobas ganhas por animal/ por hectare e galgar novos aumentos depois”, afirma. De acordo com Ítavo, é importante contar com o apoio de técnicos e profissionais que apoiem a tomada de decisão planejada, continuada e personalizada para cada propriedade como forma de otimizar os recursos.

    Fonte: Embrapa Pantanal



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