• Nutrição
  • Suplementação de bezerros de corte em fase de aleitamento

    27/10/2016
    A pecuária de corte nacional vem passando por inúmeras transformações nos últimos anos.

    Marcos Vinicius Biehl*

    A redução da duração do ciclo de produção vem se tornando uma necessidade constante para o incremento da produção de arrobas por hectare. A suplementação de bezerros ao pé (fase de aleitamento) pode ser considerada uma alternativa de manejo que proporciona um maior ganho de peso ao desmame (FAULKNER et al. 1994), aumento do escore de condição corporal das matrizes (PRICHARD et al. 1989), redução do estresse e possibilidade de expressão do potencial genético dos animais.

    O bezerro neonato, devido à funcionalidade dos pré-estômagos, pode ser considerado um monogástrico, pois possui uma estrutura anatômica chamada de goteira esofágica, que envia o alimento líquido diretamente para o seu estomago verdadeiro (abomaso). Porém, com o início da ingestão de alimentos sólidos, a goteira começa a perder sua função, possibilitando, assim, o início do desenvolvimento dos pré-estômagos e papilas ruminais, influenciados pela ação dos ácidos graxos de cadeia curta provenientes da fermentação. Por causa disso, devemos fornecer o suplemento para o bezerro em cochos especiais, chamados de creep feeding, que possibilitam o acesso unicamente dos bezerros, em função da altura da proteção ao redor da estrutura.

    A desmama tradicional, realizada por volta do sétimo mês de idade, segue a curva de lactação da vaca de corte. Além da raça ou grupo genético, a produção de leite de vacas sob pastejo depende tanto da qualidade e quantidade da forragem disponível quanto da reserva de nutrientes que armazena antes do parto, o que influenciará diretamente o peso à desmama (RODRIGUES & CRUZ, 2003). Em sua pesquisa, Robison et al. (1978) verificaram que até o quarto mês de lactação a energia para manutenção e ganho de peso dos bezerros é suprida exclusivamente com o leite; porém, apresenta déficit a partir do quinto mês de idade.

    Os bezerros intuitivamente procuram a suplementação após 40 dias de vida, sendo que o consumo médio de suplemento até a desmama irá variar de acordo com o produto utilizado (250 a 500 g/dia). No experimento realizado por Nogueira et al. (2006), o consumo médio de suplemento pelos bezerros foi de 610 g/dia, perfazendo um consumo total de 82,3 kg até a desmama, sendo que o consumo médio diário mensal foi de 0,11, 0,25, 0,56, 1,01 e 1,20 kg para os meses de janeiro, fevereiro, março, abril e maio, respectivamente, aumentando com a idade dos bezerros. Contudo, o peso à desmama poderá variar de 15 a 30 kg superior à desmama dependendo do suplemento utilizado e do potencial genético dos bezerros.

    Procópio et al. (2015, dados não publicados), avaliaram o Programa Suplementar Alimentar Intensivo (PSAI) em bezerros desmamados aos 7 meses de idade e obtiveram uma diferença de 33 kg para os machos (229 vrs. 196 kg) e 27 kg para as fêmeas (206 vrs. 179, para suplementados e não suplementados, respectivamente). Outro fato importante observado foi a distribuição dos pesos, onde 84,2% dos machos suplementados apresentaram um peso à desmama superior à 210 kg, enquanto 73,8 % das fêmeas foram desmamados com peso superior à 200 kg.

    Com o objetivo de testar estratégias de manejo nutricional durante o aleitamento de bezerros F1 (Angus x Hereford), Faulkner et. al. (1994) avaliaram o impacto da utilização do creep feeding sobre o desempenho destes animais. Os autores observaram um efeito linear para o ganho de peso (p<0,001) e para peso ao desmame (p<0,05), sendo que, à medida em que foi maior o aporte de suplemento, o desempenho foi superior.

    Ao avaliar o consumo de pasto de bezerros suplementados no sistema creep feeding, ou não suplementados, Fernandes et al. (2012) concluíram que o consumo de matéria seca da pastagem foi menor para os animais suplementados, evidenciando um efeito de substituição do pasto pelo concentrado. A substituição média foi de cerca de 0,78 g de consumo de pasto por g de concentrado ingerido e isso comprova que cerca de 78% do consumo de concentrado foi compensado pela redução no consumo de pasto dos animais.

    A suplementação ainda na fase de aleitamento demonstra ser uma importante ferramenta complementar nos projetos que visam antecipar a idade ao abate de machos e a idade ao primeiro parto das fêmeas destinadas à reposição. Os dados aqui demonstrados sugerem que a suplementação de bezerros pela técnica do creep feeding pode ser utilizada para melhorar ou garantir o desempenho dos animais, pelo efeito aditivo ou pelo aporte satisfatório de nutrientes, no momento que a produção de leite começa a não mais atender as exigências nutricionais dos bezerros.

    *Marcos Vinicius Biehl é Médico Veterinário, Doutor em Ciências e Gestor Nacional de Cria da Premix

    Fonte: Premix / News Prime

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