• Nutrição
  • Suplementação mineral é essencial para rebanho mas exige medida específica

    02/10/2018
    Não existe receita de sucesso e é preciso fazer análise real de cada caso

    Há muitos anos, existem “receitas” milagrosas para a salvação dos mais diversos problemas que acompanham a lida diária e induzem a tomadas de decisão imprecisas e, por muitas vezes, errôneas.

    O zootecnista formado pela Universidade Estadual Paulista “Julio de Mesquita Filho” (Unesp, Jaboticabal/SP), Adriano Gomes Pascoa, ressalta que muitos fazem dimensionamentos pré-recomendados sem analisar a peculiaridade de cada rebanho. “Quatro centímetros é mais que suficiente, segundo alguns ‘especialistas’, outros falam ‘Ah, mas tem que contar os dois lados’, e a grande verdade é a de que não existe receita”, explica Pascoa.

    A suplementação mineral, além de essencial para a sanidade dos bovinos, tem grande importância nos resultados produtivos como ganho de peso e taxas de prenhez. Em um experimento realizado na Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), em Colina, interior de São Paulo, o zootecnistas afirma terem avaliado três medidas distintas (4, 8 e 12 cm/animal) de cocho para novilhas Nelore, sem chifres, com 300 kg em média, recebendo um suplemento de 0,1%. O experimento contou apenas com um dos lados (já que o cocho deveria ser bem largo ou com uma barreira visual para ser capaz de permitir que os bovinos se alimentem frente a frente).

    “Durante o teste, os resultados foram que o número de relações agonísticas entre os animais caiu pela metade quando aumentamos a disponibilidade de cochos de 4 para 8 cm/animal, mas que essa relação se manteve quando aumentamos novamente de 8 para 12 cm/animal. Se analisássemos apenas esta informação, a recomendação seria a de que a distância de 8 cm/animal seria suficiente para uma boa suplementação”, conta o especialista.

    Por outro lado, afirma Pascoa, quando analisado o tempo total para a ingestão, os animais gastaram 5 horas para consumir totalmente o suplemento na menor disponibilidade, 3 horas na disponibilidade média e apenas 1 hora na maior disponibilidade pesquisada. “Usando esse resultado 12 cm seria, portanto, a melhor recomendação, pois permite que os animais ingiram o suplemento o mais rápido possível retornando assim à sua rotina de pastejo e diminuindo a necessidade de gastos com cochos cobertos”, diz. Desta forma, há um veredicto, certo? Ainda não.

    Mesmo na máxima disponibilidade, ou seja, 12 cm/animal, entre 30 e 40% dos animais não acessam o cocho em momento nenhum das avaliações (que foram de 72 horas ininterruptas com o uso de câmeras e em 5 repetições). Isto é, pode-se eternamente aumentar o número de cochos (e aumentando os custos de implementação) e ainda assim não haveria um resultado positivo. Os animais muito submissos, mesmo com muita disponibilidade, ainda podem se sentir “oprimidos” pelos dominantes, simplesmente por estarem dividindo a mesma área.

    Na opinião do zootecnistas, nada substitui as próprias observações. Cochos separados por alguns metros podem ajudar a diminuir a lacuna entre os animais que têm muito acesso aos comedouros e ingerem a maior quantidade de suplemento e os que, por medo, não acessam e se distanciam do ganho médio ideal.

    “Temos que lembrar ainda que até este resultado difere de raça para raça. Por exemplo, um gado da raça Guzerá e com chifres teriam recomendações bem distintas de fêmeas, mochas e de cruzamento industrial, tanto no que se refere a comportamento quanto à estrutura corporal”, explica Pascoa.

    Como na política, o profissional sugere que as conclusões que são baseadas em suas próprias experiências e observações são melhores que receitas prontas de técnicos gratuitos que não têm responsabilidade com seus resultados. “Lembrem-se sempre: O barato muitas vezes pode estourar o seu orçamento!”, finaliza.

    Fonte: GTPS / revista feed&food.



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