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  • Sustentabilidade na medicina veterinária

    05/09/2017
    A degradação do meio ambiente acontece desde a antiguidade, em que os homens começaram a explorar a natureza sem se preocupar com os problemas que isso causaria no futuro.

    Jhany Vieira de Souza *

    No Brasil, isso ocorre desde o seu descobrimento, em que os portugueses retiravam a árvore Pau-Brasil, que tinha um corante que era utilizado no tingimento de tecidos e na produção de tintas para desenho e pintura.

    No decorrer do tempo até a atualidade a situação se agravou muito mais, não só por causa da exploração do Pau-Brasil (que já está em risco de extinção há décadas), mas por um conjunto de problemas ambientais, dos mais variados, como, a poluição de rios, mares, lagos e do ar, impactação de solos, diminuição e extinção de outras espécies de plantas e animais, queimadas, escassez de água potável, aquecimento global, diminuição da Camada de Ozônio, dentre inúmeros outros.

    Frente a esses males, o homem, nas últimas décadas tem se preocupado cada vez mais com o meio ambiente. Desse modo, foi criado o termo “Sustentabilidade” para tentar minimizar ao máximo os impactos ambientais. Assim, a Medicina Veterinária tem papel importante nessa tarefa.

    A Medicina Veterinária pode contribuir de diversas formas para o sucesso da sustentabilidade. Uma vez que, áreas dessa profissão causam problemas ambientais, como a pecuária, que é responsável por contribuir em grande quantidade para o aquecimento global. Mas não é só isso, na formação desse profissional estão incluídos estudos que de forma direta cooperam para a preservação e melhor utilização dos recursos naturais.

    Sustentabilidade: definições e conceitos

    O conceito de desenvolvimento sustentável surge para enfrentar a crise ecológica. A sustentabilidade é a condição de que o homem deve conciliar desenvolvimento econômico com o ambiental. Desse modo, tem-se a tarefa de reduzir ao máximo os impactos ambientais, causados pelo desenvolvimento econômico, incluindo tudo que há no ambiente, como os animais, os humanos, as plantas, as suas relações e papéis no planeta.

    A interdependência entre desenvolvimento socioeconômico e as transformações do meio ambiente foi por muito tempo ignoradas. No entanto, nas últimas décadas, devido aos problemas ambientais bem visíveis no planeta, governos de várias partes do mundo se mostraram preocupados com o mesmo.

    Em 1992, aconteceu a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento – a Rio 92 –. A conferência foi o primeiro passo de entendimento entre as nações sobre o que fazer para resolver os problemas relacionados a economia e ambiente. Visava reconciliar as atividades econômicas com a proteção do planeta e assegurar um futuro sustentável para todas as gerações.

    Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), a sustentabilidade envolve: conservação dos recursos genéticos animais e vegetais, da água e do solo, além de não degradar o ambiente, ser tecnicamente apropriado, economicamente viável e socialmente aceito (GIORDANO, 2005).

    A noção de sustentabilidade incorpora uma clara dimensão social e implica atender também as necessidades dos mais pobres de hoje, outra dimensão ambiental abrangente, uma vez que busca garantir que a satisfação das necessidades de hoje não podem comprometer o meio ambiente e criar dificuldades para as gerações futuras. Nesse sentido, a ideia de desenvolvimento sustentável carrega um forte conteúdo ambiental e um apelo claro à preservação e à recuperação dos ecossistemas e dos recursos naturais (BUAINAIN, 2006, p. 47).

    A sustentabilidade tem ações em cada dimensão de si. Existem três dimensões básicas da sustentabilidade, são elas: Ambiental, Econômica e Social. A Dimensão Ambiental visa a redução das emissões de gases nocivos, de efluentes líquidos e de resíduos sólidos; consumo consciente dos recursos água e energia; Conformidade com as normas ambientais; Exigência de um posicionamento socioambiental dos fornecedores; Uso racional dos materiais utilizados na produção; Investimentos na biodiversidade; Programa de reciclagem e Preservação do meio ambiente.

    A Dimensão Econômica pretende o aumento ou estabilidade do faturamento; Tributos pagos ao governo; Folha de pagamento; Maior lucratividade; Receita organizacional; Investimentos; Aumento das exportações (relacionamento com o mercado externo).

    A Dimensão Social requer o desenvolvimento da comunidade/sociedade; Segurança do trabalho e saúde ocupacional; Responsabilidade social; Treinamento; Cumprimento das práticas trabalhistas; Seguridade dos direitos humanos; Diversidade cultural.

    Assim, é possível perceber que os três pilares básicos da sustentabilidade são complementares para uma empresa ou sistema ser considerado sustentável. Portanto, para avaliar se uma empresa ou estabelecimento é sustentável se faz necessário avaliar se a mesma respeita as dimensões da sustentabilidade.

    A sustentabilidade na medicina veterinária

    O Médico Veterinário é um profissional em contato direto com os animais e seus habitats. Portanto, é substancial a sua contribuição para a sustentabilidade. E essa colaboração não se restringe apenas a determinadas áreas de atuação do veterinário, como o agronegócio e sistemas de produção, mas também, uma temática que engloba quase, senão todas, as áreas que esse profissional pode executar.

    Desde a colonização do Brasil, os recursos naturais, inclusive os animais foram explorados de forma intensiva e isso se estende até os dias atuais. A interação do homem/animais com a natureza é fundamental, não só para o desenvolvimento social, como também para a melhoria da qualidade de vida. Nesse contexto, profissionais das áreas de ciências agrárias e da saúde são extremamente importantes, no caso, a medicina veterinária.

    Novas tendências e tecnologias vão surgindo no âmbito da medicina veterinária, porém há problemas que surgem no decorrer desses processos (que contribuem para a degradação do ambiente), como a escassez de água e de alimentos, crescimento da população em ritmo acelerado, poluição da água, do ar e do solo, aquecimento global, dentre outros. Depreende-se, que o profissional da área deve procurar meios de desenvolver técnicas novas e crescer profissionalmente, mas sempre visando a preservação dos recursos naturais e o bem estar dos animais, contribuindo assim para a sustentabilidade do planeta.

    A medicina veterinária em 1980 foi classificada como uma das ciências agrárias e era simplificada nos seus princípios elementares, que realizava suas atividades apenas com a intervenção na clínica, saúde dos animais e humana, com a saúde pública e inspeção. Isso levou a preparação de profissionais mais direcionados à produção de alimentos de origem animal e seus derivados para atender a acelerada demanda naquele momento. Esquecendo-se, portanto, de que os recursos naturais são limitados e insubstituíveis. O que acarretou no agravamento de todas as consequências do aquecimento global.

    O profissional da medicina veterinária tem papel fundamental no espaço que envolve inclusive o agronegócio. Nesse século se espera que os profissionais das ciências agrárias e outros, um conhecimento pleno de todos os meandros que envolvem o seu trabalho, assim, caracterizando a construção de um mundo cada vez mais saudável no presente e que isso se estenda as gerações futuras, tanto de homens como de animais.

    Para o exercício da medicina veterinária, o profissional deve estar atento a diversas questões ambientais, como: a impactação do solo, a desertificação, salinização, erosão, extinção de espécies, destruição da fauna e flora, contaminação dos recursos hídricos, dejetos orgânicos, agrotóxicos, inseticidas, medicamentos, dentre vários outros.

    O médico veterinário apresenta um amplo leque de competências em atividades diretamente ligadas ao meio ambiente, como a área das zoonoses, fiscalização e inspeção sanitária, que envolve a higiene das tecnologias industriais e dos alimentos de origem animal. Sua importância é relevante também na prática da clínica, assistência sanitária e técnica dos animais, na pecuária, defesa da fauna, como no controle da exploração das espécies de animais silvestres e seus subprodutos. É substancial também no âmbito das pesquisas relacionadas a produção animal, da zootecnia, biologia geral, zoologia, dentre outros.

    O desempenho sustentável em medicina veterinária compreende um processo de participação que pode: propiciar a conscientização dos veterinários envolvidos, com mudanças de atitudes na busca pela integração entre os diversos setores da sociedade, em sintonia com os preceitos da sustentabilidade para a consolidação de uma cultura profissional de desenvolvimento e inovação biotecnológica; contribuir para melhorar as relações humanas entre si, com a sociedade e os animais, exercitando a ética, o bem-estar e seus hábitos em saúde, para higiene pessoal e alimentar; adoção de tecnologias voltadas a gestão ambiental, tanto no agronegócio quanto em todas as áreas da profissão.

    O profissional também pode fazer a gestão estratégica do conhecimento em medicina veterinária e áreas afins, consultoria de áreas do agronegócio que fazem a rastreabilidade de produtos e insumos agropecuários; podem elaborar novas regras para tratamento e reciclagem de lixo na agropecuária, boas práticas de reprodução animal assistidas para criações sustentáveis; papel estratégico do profissional em auditorias frente aos desafios da governança corporativa, dentre inúmeros outros. Considerações finais

    A sustentabilidade se apresenta como uma solução para minimizar os impactos ambientais causados por diversas atividades do meio econômico. A mesma visa conciliar o desenvolvimento econômico com a preservação ambiental. Essa, foi ignorada durante épocas até que o ser humano começou a sentir os efeitos causados pela sua má utilização dos recursos naturais.

    O profissional da medicina veterinária pode contribuir de diversas formas em quase ou todos os âmbitos da sua profissão. Uma vez que, esse profissional está diretamente ligado aos animais, o homem e o meio ambiente. Assim como também, várias atividades ligadas a seu trabalho agridem de forma direta e indiretamente o meio ambiente. Então, para retribuir os recursos que a natureza fornece, nada mais justo do que o médico veterinário preservá-la ao máximo que puder. No entanto, não só a medicina veterinária é necessária para acabar ou minimizar os problemas ambientais, é necessário um conjunto de profissionais de todas as áreas do conhecimento e também de cada cidadão unidos nessa causa.

    REFERÊNCIAS

    Adriana M. de Amorim; Fernando F. Carneiro. A participação do médico veterinário nas questões ambientais. Disponível em: http://coral.ufsm.br/enev/docs/questoesambientais.pdf Acesso em: 08 nov. 2014
    André Luiz Assi, Carolina G. Zampar, Juliana F. de Araújo, Tatiane P. P. Dos Santos, Augusto H. Gameiro. Sustentabilidade e o Papel do Médico Veterinário. Disponível em:::https://uspdigital.usp.br/siicus/cdOnlineTrabalhoVisualizarResumo?numeroInscricaoTrabalho=2229&numeroEdicao=17 Acesso em: 09 nov. 2014. Animal Business. Sustentabilidade é o novo campo para medicina veterinária. Disponível em: http://sna.agr.br/uploads/AnimalBusiness_008_23.pdf Acesso em: 08 nov. 2014.

    BUAINAIN, A. M. et al. Peculiaridades Regionais da Agricultura Familiar Brasileira. In: SOUZA FILHO, H. M.; BATALHA, M. O. (Orgs.). Gestão Integrada da Agricultura Familiar. São Carlos: EdUFSCar, 2005.
    Carine O. Alves; Ricardo P. Oaigen; Felipe N. Domingues; Augusto S. Miranda; Janaina T. da S. Maia; Gabrielle V. Ferreira - Tecnologias e programas de fomento em prol da sustentabilidade na bovinocultura: revisão de literatura. Disponível em: http://www.ulbra.br/medicina-veterinaria/files/revista_v9_n2.pdf Acesso em: 09 nov. 2014.

    Devanildo B. Da Silva. Sustentabilidade no Agronegócio: dimensões econômica, social e ambiental. Disponível em: http://www.unigran.br/mercado/paginas/arquivos/edicoes/3/3.pdf Acesso em: 09 nov.2014

    FRANCO NETTO, Guilherme; CARNEIRO, Fernando Ferreira. A Vigilância Ambiental em Saúde e a promoção de ambientes saudáveis. Revista da Saúde: o Brasil falando como quer ser tratado. Ano 4, n.4, p.31-32, abr, 2003.

    GIORDANO, S. R. Gestão Ambiental no Sistema Agroindustrial. In: ZYLBERSZTAJN, D.; NEVES, M. F. Economia e Gestão dos Negócios Agroalimentares: indústria de alimentos, indústria de insumos, produção agropecuária, distribuição. 1. ed. – 3. reimpr. – São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2005. p. 255-281.

    Pedro Jacobi. Meio Ambiente e Sustentabilidade. Disponível em: http://www.ulbra.br/manaus/wp-content/uploads/2013/10/Meio-Ambiente-e-Sustentabilidade.pdf Acesso em: 09 nov.2014

    Veterinária e Zootecnia - EDITORIAL - Sustentabilidade da pecuária e inovação tecnológica – p.538. Disponível em: http://revistas.bvs-vet.org.br/rvz/article/view/19897/20735 Acesso em: 09 nov.2014

    *Jhany Vieira de Souza é estudante, cursando Medicina Veterinária pela Universidade Estadual do Maranhão (UEMA).



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