• Nutrição
  • Tecnologia na produção de sementes de forrageiras

    15/10/2016
    A escolha da melhor semente forrageira para ser plantada na propriedade é um ponto fundamental para se formar uma boa pastagem.

    Eng. Agr. Alberto Takashi

    Essa escolha, entretanto, é muitas vezes, relegada ao segundo plano, embora seja importante ressaltar que os gastos com sementes de boa qualidade representam menos de 10% do custo total da formação da pastagem. O preço médio para se formar uma boa pastagem é calculado em R$ 1 mil por hectare, mas que pode variar conforme os níveis de fertilidade do solo, exigências da forrageira e o nível de produtividade desejado.

    O problema maior é que a chamada "semente pirata" está sempre presente no mercado de sementes de forrageiras. Mesmo que o custo da semente em uma reforma represente menos de 10% no custo total, muitos produtores procuram comprar esse insumo verificando apenas o preço do quilo do produto e não o custo por área. E isso se explica pelo mau planejamento da formação ou da reforma, onde ocorre gastos excessivos no preparo de solo, compra de calcário e adubos, reforma de manutenção de máquinas e equipamentos, e quando chega o momento de negociar a compra das sementes, com o "caixa baixo", o pecuarista é obrigado a negociar sementes de péssima qualidade, que sempre é oferecida por um preço menor por quilo.

    Essas sementes necessitam de uma grande quantidade por hectare, pois a quantidade de semente pura é menor, comprometendo todo o plantio, pois também é maior a porção de sementes de ervas daninhas introduzidas na área. Mas o aparente custo reduzido de sementes de baixa qualidade pode acarretar grande prejuízo ao produtor, como queda de produtividade e proliferação de pragas e doenças.

    O Mapa - Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, tem alertado que a comercialização de sementes sem registro é crime para quem vende e quem utiliza. Infringir as leis de Proteção de Cultivares e de Sementes e Mudas implica no pagamento de multas que podem chegar a 125% do valor do produto apreendido. Em 2008, o Mapa intensificou a fiscalização de sementes piratas no Brasil. A ação gerou a suspensão da comercialização de pouco mais de 22,3 mil toneladas de sementes, com R$ 19,3 milhões em multas aplicadas. Por esse motivo, a orientação é para que a escolha das sementes e a maneira correta de utilizá-las devam ser um cuidado que todo produtor deve levar em consideração.

    No momento de escolha da espécie ou cultivar, o produtor deve levar sempre em consideração os fatores que limitam a sua produção e qual a finalidade dessa pastagem, pois a espécie ou cultivar que se adaptar melhor a esses fatores é o que deve ser escolhido. E há, também, alguns fatores limitantes, como a fertilidade do solo, tipo de solo (argiloso, arenoso, etc.), topografia do terreno, grau de drenagem, ataque de insetos e doenças, espécie e categoria animal, tipo de manejo e utilização. A nova lei de sementes impõe novos valores culturais para as sementes em geral. No caso das forrageiras, a legislação de sementes e mudas extingue o valor cultural (VC) como padrão de sementes.

    A partir de agora os padrões estabelecidos para sementes de forrageiras válidos são os da Instrução Normativa nº 30, que estabelece os índices mínimos que cada categoria de sementes de forrageiras devem apresentar na sua pureza e germinação ou viabilidade. Esses dois padrões mais a qualidade sanitária, níveis de ervas daninhas, é que indicam a qualidade que as sementes apresentam. Para exemplificar, Takashi cita a Brachiaria brizantha, que deve apresentar no mínimo uma pureza de 60% e uma viabilidade de 60% e Panicum maximum pureza de 40% e viabilidade 40%. A sofisticação da pirataria é tanta que, agora, estão pirateando até as sementes incrustadas.

    E chega a ser absurdo chamá-las de "incrustadas", pois utilizam material de agregação (cola) tão forte que a radícula da semente não consegue romper esta camada de revestimento no momento da germinação. Além disso, algumas dessas sementes são incrustadas com palha de milho, cola de farinha e cobertas com grafite, para deixá-las bonitas e brilhantes. Servem até para escrever, mas jamais para plantar, pois a maioria possui, dentro do revestimento, apenas terra. Além disso, esse tipo de revestimento é um atrativo eficaz para fungos e nematóides. O tratamento de sementes deve ser feito por empresas com conhecimento da tecnologia, utilizando materiais que não interfiram na germinação, que contêm fungicidas para proteção das sementes durante a germinação. E, ainda, podem conter inseticidas que protegem contra os insetos e polímeros que controlam ou facilitam a absorção de água pelas sementes. A incrustação é um processo que objetiva elevar o padrão de qualidade da semente e permitir o estabelecimento de uma boa pastagem.

    Sementes "piratas": à esquerda, semente tratada com cola como material de agregação e, à direita, sementes que receberam grafite no revestimento. Em ambas, a radícula da semente não consegue romper essa camada de revestimento no momento da germinação.

    Portanto, o alerta é para que o produtor deva se precaver contra sementes de má qualidade e, principalmente, evitar as "sementes piratas". Primeiro não deixando a semente ser o último insumo a ser adquirido quando se toma a decisão de se reformar ou formar uma nova pastagem. No momento da aquisição sempre verificar se a empresa apresenta em sua embalagem endereço, CNPJ e número no Renasem, aderido na embalagem deve ter uma etiqueta que contenha o nome do cultivar que está se adquirindo, índice de pureza, viabilidade ou germinação dentro do padrão exigido por lei, categoria, safra que foi produzida a semente, prazo de validade do produto e peso da embalagem.

    No ato da aquisição também o produtor deve exigir nota fiscal e o termo de conformidade da semente, já que este é a garantia do produto, está nele especificado realmente o que o produtor está levando para sua casa. Outra dica é retirar uma amostra em acordo com a legislação vigente e enviar a um laboratório para que proceda a análise para verificar se o que está no rótulo (etiqueta e termo de conformidade) está correto. E por último, tomar muito cuidado com valores muito abaixo do que está correndo no mercado. E deixar claro, sempre, que no mercado de sementes não existem milagres.

    As sementes incrustadas

    A incrustação é uma tecnologia de aplicação de material inerte nas sementes, juntamente com o polímero e fungicida. Há ainda a opção de se aplicar também o inseticida. O desenvolvimento desta técnica de revestimento nas sementes de forrageiras da Matsuda aconteceu conjuntamente com a empresa Incotec, uma das líderes mundial no mercado de tratamento e revestimento de sementes, aliando o conhecimento da Matsuda em produzir sementes de qualidade com os conhecimentos da Incotec nesta tecnologia.

    Esquema da incrustação em semente forrageira.

    Esta tecnologia está disponível para sementes de Brachiaria brizantha (Marandu, MG-4 e MG-5), B. decumbens, B. humidicola e B. ruziziensis, além das sementes de Panicum maximum (Áries, Mombaça e Tanzânia-1). As principais vantagens da incrustação são: - Facilidade no manuseio das sementes - Eliminação do pó - Facilidade de regulagem dos equipamentos de plantio - Facilidade no plantio - Diminui o problema com a deriva em plantio a lanço e aéreo - Menor risco de intoxicação do trabalhador pelo tratamento com fungicida e inseticida O tratamento conferido às sementes durante o processo de incrustação não interfere na qualidade das sementes.

    Podemos citar como outra vantagem destas sementes o cumprimento da legislação de semente vigente, onde a porcentagem de sementes puras para a Brachiaria mudou de 40% para 60% (exceto a B. humidicola) e nos P. maximum de 30% para 40%. Há projetos dentro do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento para aumentar ainda mais estes padrões, em um deles citam a pureza mínima de 95%. Por isso é importante a adaptação a estes novos padrões, o uso de novas tecnologias, novos tratamentos, porque a tendência do mercado é este, principalmente com a entrada de empresas multinacionais no mercado de sementes de forrageiras.

    Tecnologia de Incrustação

    Na metodologia de incrustação desenvolvida pela Incotec é necessário o uso de sementes de alta pureza, que são submetidas ao tratamento de escarificação química com ácido sulfúrico a 98% de concentração. Essas sementes são lavadas com água e o ácido sulfúrico é neutralizado com cal. Neste processo já temos a primeira diferença das demais sementes incrustadas concorrentes no mercado. O processo de escarificação química necessita de conhecimentos técnicos e equipamentos para ser realizado, na Matsuda isso é rotina, pois isso é feito nas sementes exportadas. Muitas empresas não o fazem, porque além de tudo, é um processo muito perigoso e a compra de ácido sulfúrico é controlada pela Polícia Federal e pelo Ministério do Exército.

    Sementes escarificadas quimicamente, que seguem para a incrustação.

    No processo de escarificação química todas as sementes "meia-grana", ou seja, aquelas sementes que não completaram a maturação fisiológica, são eliminadas. Estas sementes meia-grana são consideradas sementes puras e normalmente germinam, mas originam plantas de baixo vigor e muitas vezes morrem antes de se tornarem plantas adultas. Algumas empresas fazem a escarificação em suas sementes antes de incrustar, mas a escarificação é mecânica (sementes brunidas), e neste processo os danos mecânicos são muito grandes (há muitas rachaduras nas sementes).

    Portanto, somente sementes de alto vigor e que completaram a maturação fisiológica toleram a escarificação química. Somente as melhores sementes é que sofrem o processo de incrustação. É normal eliminarmos cerca de 10% de sementes de Brachiaria na escarificação com ácido sulfúrico. Todos os lotes de sementes são analisados e somente aqueles com boa porcentagem de germinação e viabilidade em tetrazólio são encaminhados para a incrustação. As matérias primas utilizadas neste processo são todas fabricadas pela Incotec, que também analisa as sementes, fazendo o seu próprio controle de qualidade.

    Tratamento das sementes incrustadas

    A semente incrustada, a semente inteligente, pode ser tratada com fungicidas e inseticidas. Normalmente as sementes incrustadas são tratadas com Tiram e Carbendazim e no caso de tratamento com inseticida é recomendável consultar o Departamento Técnico Matsuda que é o responsável por essa tecnologia, para saber da necessidade ou não deste tratamento.

    Etapas da incrustação (da esquerda para a direita, no sentido horário): 1 - sementes de alta pureza. 2 -  sementes escarificadas. 3 - sementes incrustadas. 4 - sementes tratadas com polímero, fungicida e inseticida.

    Situações onde não é indicado o plantio das sementes incrustadas:

    - Em plantio a lanço ou aéreo em locais com o solo compactado;

    - Em áreas onde utilizou métodos mecânicos e fogo, como forma de limpeza, onde a chuva já compactou as cinzas, provocando uma crosta na superfície do solo; - Em áreas novas onde não houve mecanização do solo, onde há risco de rápida brotação da vegetação natural;

    - Em locais onde o solo é muito argiloso (barrento).

    Além disso, temos sempre que lembrar que todas as sementes, necessitam de temperatura (no mínimo 18ºC no solo), umidade e luminosidade, para que germinem satisfatoriamente. A profundidade de plantio é outro fator que influência diretamente na germinação das sementes. A profundidade ideal de plantio é entre 1 a 3 cm. Sementes não incorporadas no solo têm dificuldade em absorver água (absorve somente da superfície em contato), estão mais expostas às variações de temperatura (quente durante o dia e frio a noite), etc, podendo comprometer a germinação. O inverso também é ruim, ou seja, quando as sementes são plantadas muito profundas, a germinação também é afetada, porque que as folhas primárias não conseguem atingir a superfície.

     

    *O Eng. Agr. Alberto Takashi integra o Departamento Técnico Matsuda.

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