• Genética
  • Touro sem frescura

    14/02/2017
    A pecuária de corte vem passando por várias mudanças e, acredito, para melhor. O pecuarista está ávido por informações e tecnologia, buscando conhecimento para melhorar índices produtivos e, claro, seus lucros.

    Gabriela Giacomini*

    A busca por tecnologia e consequentes avanços passam, necessariamente, pelo cruzamento entre raças. Cruzar é a maneira mais simples de se obter um salto de produtividade com muito pouco esforço. A heterose é uma ferramenta que vem sendo explorada há décadas no mundo e vem sendo subutilizada no Brasil.

    Inúmeras são as raças disponíveis para fazer cruzamento e a experiência em desenvolver bovinos compostos, o Montana, me ensinou que não existem melhores raças. Existem raças, ou suas combinações, que se adequam melhor ao nosso clima tropical.

    Durante os anos 90 e 2000, o cruzamento industrial foi visto pelos pecuaristas como negativo, reflexo do uso desastrado de determinadas raças e de falta de informação aos pecuaristas. Mal usadas, causaram frustração, prejuízo e fizeram que com o criador se refugiasse no bom e seguro zebu.

    Nos últimos anos, o cruzamento voltou com força. Tanto raças já bem conhecidas do produtor brasileiro como raças novas vêm sendo usadas nos quatro cantos do País. Ponto para o cruzamento!

    Programas de qualidade de carne vêm surgindo e a melhor remuneração pelas carcaças de qualidade já é uma realidade, com carne marmorizada e boa cobertura de gordura, itens que o bom cruzamento atende na íntegra. Mais um ponto para o cruzamento!

    Um assunto que me causa certo desconforto é a grande procura por determinado cruzamento, o que pode fazer crescer o olho de alguns. Quando a demanda é grande, machos apenas registrados nas associações passam a ser oferecidos como touros, sem avaliação genética e sem nenhuma pressão de seleção. O comprador desavisado pode estar levando um animal inferior, que não trará os resultados esperados e voltaremos a amargar os péssimos exemplos da década de 1990. Esse mesmo comprador desavisado também poderá comprar um animal sem adaptação mínima para trabalho em sua região.

    Touro bom tem que ter avaliação genética. Atestados de vacinação e exame andrológico positivo já nem tinham mais que ser mencionados. Já deveria estar subentendido que se é touro tem andrológico positivo.

    Avaliação genética é outro quesito que vivo mencionando. Touro sem melhoramento genético sério, processado por pesquisadores sérios, é um retrocesso.

    Junto com a avaliação genética, todo touro deveria ter o Certificado Especial de Identificação e Produção (CEIP). O CEIP é a garantia oferecida pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento de que o touro pertence a um programa de melhoramento genético sério e que faz parte da cabeceira do rebanho.

    Touro bom tem que trabalhar a campo e trabalhar direito. Estamos no Brasil e a nossa temperatura média anual é alta. O touro tem que estar preparado para encarar os pastos, as distâncias, o calor e ainda tem que querer saber de vaca. No Brasil tem carrapato, mosca, berne e o touro tem que estar preparado para isso.

    Touro bom tem que produzir bezerro bom. Bezerros adaptados, ganhadores de peso, precoces e com carne de qualidade. Tem que deixar novilhas boas na fazenda para a reposição. Essas novilhas devem ser interessantes para o produtor, pois manter dois rebanhos na fazenda, um de zebu para fazer reposição e outro para fazer cruzamento, só serve para dar trabalho e desestimular o cruzamento.

    Antes de escolher determinada raça para cruzar sua vacada, pesquise, avalie todas as possibilidades sem preconceitos e sem modismos. É importante lembrar que o investimento em touros é baixo perto do benefício que um bom touro traz ao rebanho. Desconfie dos “preços de ocasião”. Lembre-se sempre que a sua fazenda é o seu negócio.

    *Gabriela Giacomini é Gerente de Operações do Programa Montana.

    Fonte: Rural Centro

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