julho 23, 2024

Darcy Ribeiro quis unir floresta e escola em um Brasil inclusivo

Nascido h√° 100 anos, pensador encarnou utopia de pa√≠s que foi travada pela estupidez Darcy Ribeiro dedicou-se a¬†incont√°veis tarefas em sua riqu√≠ssima trajet√≥ria pessoal¬†e profissional, todas unidas por sua paix√£o pelo Brasil. Filho da gera√ß√£o modernista de 1922, ele norteou seu projeto inclusivo de pa√≠s pelo desejo de combinar natureza e cultura, a contribui√ß√£o ind√≠gena e a europeia, f√≥rmula ut√≥pica e poderosa hoje sob ataque nas celebra√ß√Ķes do centen√°rio do pensador. Quando ocorreu¬†o vel√≥rio de Glauber Rocha em 1981, no Parque Lage, no Rio de Janeiro, a como√ß√£o foi enorme. Morria ali n√£o apenas o cineasta de “Deus e o Diabo na Terra do Sol” (1964) e “Terra em Transe” (1967), mas uma rara for√ßa de imagina√ß√£o cr√≠tica sobre o Brasil. Em meio √† consterna√ß√£o, um homem aparentando cerca de 60 anos, perto do caix√£o, come√ßou a falar, com semblante concentrado e s√©rio, olhos apartados, n√£o sei se por causa da tristeza do momento ou pela luminosidade do dia. Pode-se ver a cena no¬†belo document√°rio de Silvio¬†Tendler. O homem tem no tom de sua voz e no conte√ļdo das palavras uma firmeza certeira que est√° √† altura do significado do acontecimento para o pa√≠s. Dizia que Glauber foi capaz de gozos e excessos, por√©m mais ainda de dor, da nossa dor. Conta que um dia Glauber passou a manh√£ inteira chorando junto a ele, um choro que todos dev√≠amos chorar: a dor de todos os brasileiros, as crian√ßas com fome, o pa√≠s que n√£o deu certo, a brutalidade, a estupidez, a mediocridade, a tortura. Diz que¬†os filmes de Glauber s√£o um lamento, um grito, um berro¬†e que esta √© a heran√ßa por ele deixada: indigna√ß√£o. Ele foi o mais indignado de n√≥s. Indignado com o mundo tal qual √©. Isso porque, tamb√©m mais que n√≥s, Glauber podia ver o mundo que podia ser. O homem que dizia tudo isso era Darcy Ribeiro ‚ÄĒe, se o dizia com seguran√ßa, √© porque as palavras poderiam descrev√™-lo tamb√©m. Darcy foi muitas coisas na sua vida, e ele mesmo confessava isso:¬†antrop√≥logo, etn√≥logo indigenista, professor, educador, reitor, militante, ministro, senador, romancista. Nada disso, entretanto, dava-lhe, ao olhar no espelho, a imagem difusa de quem n√£o se identifica. O que conferia unidade √† variedade era, √† semelhan√ßa do que enxergara na imagem de Glauber, a paix√£o e a luta pelo Brasil, que, sem renunciarem a gozos e alegrias,¬†sabem sentir a dor e a tristeza do pa√≠s, por tudo o que √© e poderia ser: “O Brasil como Problema” (1995), como diz o t√≠tulo de um livro seu. Tamb√©m ele viveu a modernidade do s√©culo 20, como observava sobre Glauber, oscilando em um p√™ndulo entre desespero e esperan√ßa. Darcy nasceu em Minas Gerais em outubro de 1922, poucos meses ap√≥s o evento mais famoso do movimento cultural do modernismo no Brasil,¬†a Semana de 22, em fevereiro daquele ano. Curiosamente, ele encarnou, com tons heroicos ao longo da vida, um ide√°rio modernista que juntava o esfor√ßo intelectual te√≥rico a um projeto de na√ß√£o para o Brasil. Como M√°rio e Oswald de Andrade, mas tamb√©m como Glauber, sua vida criativa esteve em estreita rela√ß√£o com sua terra. O projeto de Brasil pensado por Darcy poderia ser resumido ‚ÄĒconfirmando que pelo nome modernismo pode-se entender tanto apenas o movimento art√≠stico de vanguarda paulista dos anos 1920 quanto um pensamento de que ele √© parte e diz respeito, mais amplamente, ao processo de moderniza√ß√£o do pa√≠s‚ÄĒ na¬†sucinta f√≥rmula escrita por Oswald de Andrade em seu “Manifesto da Poesia Pau-Brasil”¬†(1924): a floresta e a escola. Cifrava-se, a√≠, a expectativa de que a forma√ß√£o do Brasil aproximasse a natureza da cultura e combinasse a contribui√ß√£o ind√≠gena nativa da floresta √† contribui√ß√£o europeia urbana da escola. Darcy Ribeiro foi¬†a tentativa veemente de fazer no Brasil esse projeto inclusivo de forma√ß√£o. E o foi n√£o apenas em suas pesquisas e seus livros, mas nas falas e na vida. Sua trajet√≥ria te√≥rica foi dedicada a refletir, apaixonadamente, sobre “o povo brasileiro”, t√≠tulo de seu √ļltimo livro (1995); povo gestado “da conflu√™ncia, do entrechoque e do caldeamento do invasor portugu√™s com √≠ndios silv√≠colas e campineiros e com negros africanos, uns e outros aliciados como escravos”. Empenhou-se, de acordo com um evolucionismo de tons ut√≥picos,¬†em construir na materialidade social um pa√≠s √† altura dessa mistura, na combina√ß√£o de floresta e escola. Viveu quase dez anos junto a aldeias ind√≠genas do Pantanal e da Amaz√īnia, entre 1947 e 1956. Teve contato com os kadiw√©us, no sul do Mato Grosso, e os urubu-ka√°por, no norte. Sua curiosidade sobre eles era mais que um mero of√≠cio ou trabalho, enraizando-se em uma sensibilidade est√©tica rara. “Eu queria compreender seu veemente desejo de beleza, expresso em cada um dos seus artefatos, feitos com muito mais primor que o necess√°rio para cumprir sua fun√ß√£o utilit√°ria”, dizia, porque “a fun√ß√£o verdadeira que os √≠ndios buscam em seus fazimentos √© a beleza”. Romanticamente, Darcy via nos √≠ndios mais carinho que briga e mais harmonia que viol√™ncia, na rela√ß√£o entre si e com a natureza. Nos t√≠tulos de seus livros antropol√≥gicos dessa √©poca, fica evidente o que chamava sua aten√ß√£o: “Kadiw√©u: Ensaios Etnol√≥gicos sobre o Saber, o Azar e a Beleza” (1950), “Culturas e L√≠nguas Ind√≠genas do Brasil” (1957) e “Arte Plum√°ria dos √ćndios Kaapo” (1957). H√° saber, beleza, cultura, l√≠ngua e arte. Para Darcy, os povos ind√≠genas n√£o eram um objeto de estudo somente,¬†mas um motivo de encantamento e de fascina√ß√£o. Sua produ√ß√£o n√£o seria despersonalizada ou mercantilizada. Manteria a criatividade. Em uma formula√ß√£o emblem√°tica, Darcy v√™ se expressar nas rela√ß√Ķes sociais entre os √≠ndios e deles com a natureza uma “vontade de beleza”. Essa rela√ß√£o dos povos ind√≠genas com a natureza, que Darcy identificou e valorizou desde a d√©cada de 1940, ganha ainda mais relev√Ęncia no s√©culo 21, ou seja,¬†quando o modelo civilizat√≥rio da modernidade ocidental consuma sua destrui√ß√£o do meio ambiente, amea√ßando a vida de toda a humanidade. Sem o alarde que s√≥ poderia aparecer depois da conscientiza√ß√£o sobre o aquecimento global e o colapso clim√°tico, Darcy enaltecia o contato dos √≠ndios com

Empresas precisam de uma nova cultura de sustentabilidade; leia o artigo

J√° se criou at√© o termo inovabilidade para se referir √† inova√ß√£o que busca a sustentabilidade O conceito da sustentabilidade e o ESG (governan√ßa ambiental, social e corporativa, na sigla em ingl√™s) t√™m dominado grande parte da pauta de encontros empresariais, semin√°rios e congressos de neg√≥cios. O discurso garante n√£o ser apenas mais um modismo, como tantos outros no passado, e sim um conceito que teria vindo para ficar, at√© porque n√£o ter√≠amos escolha, se quisermos salvar o planeta. Para maior compreens√£o e melhor avalia√ß√£o da sigla, √© importante entender a amplitude do conceito de sustentabilidade, que pode ser olhado em tr√™s horizontes. No primeiro, no extremo, dever√≠amos repensar valores da sociedade, padr√Ķes de consumo, o conceito da obsolesc√™ncia planejada, e nos perguntarmos at√© quando o planeta suporta esse modelo, que √© hoje o motor do crescimento. No segundo, num plano intermedi√°rio, as empresas passam a redefinir os seus modelos de neg√≥cios, com mudan√ßas importantes direcionadas pela tecnologia, onde a sustentabilidade seja um vetor relevante. Um exemplo √© o da Volkswagen, que divulgou recentemente que agora considera como concorrentes as empresas de tecnologia, e n√£o mais as outras montadoras. Nesse horizonte est√£o as tecnologias disruptivas, como a intelig√™ncia artificial, a internet das coisas, a computa√ß√£o qu√Ęntica, o blockchain e o metaverso, que v√™m permitindo inova√ß√Ķes transformadoras em processos, produtos e modelos. √Č um card√°pio que permite variadas combina√ß√Ķes e distintas abrang√™ncias. Num terceiro horizonte, uma realidade mais pr√≥xima e mais difundida, est√£o os esfor√ßos crescentes para desenvolver solu√ß√Ķes e iniciativas que olhem o ESG. √Č a inova√ß√£o incremental que permite essa evolu√ß√£o. A pauta ambiental, por exemplo, oferece in√ļmeras dores e oportunidades para a busca de solu√ß√Ķes novas. J√° se criou at√© o termo inovabilidade para se referir √† inova√ß√£o que busca a sustentabilidade. A inova√ß√£o aberta, parcerias com startups, como as ESG Techs, podem ajudar as empresas. E aqui √© necess√°rio frisar a import√Ęncia da aprova√ß√£o da Lei das Startups (Lei Complementar n.¬ļ 182/2021) em 2022. As empresas precisam transformar essa pauta em cultura para que ela permeie os novos modelos de neg√≥cios. Os setores p√ļblico e privado devem trabalhar juntos para evitar excessos na legisla√ß√£o, buscar efici√™ncia nos licenciamentos, equil√≠brio e pondera√ß√£o nas fiscaliza√ß√Ķes e oferecer est√≠mulos √† inovabilidade. √Č a melhor maneira de transformar o que muitas vezes ainda √© visto como moda, ou como um fardo a carregar, em um compromisso espont√Ęneo e duradouro. Fonte: O Estad√£o Curadoria: Boi a Pasto

Energia solar: governo analisa programa para facilitar acesso da população aos painéis de geração

Proposta do grupo de transi√ß√£o √© de formular um modelo diferente para permitir o acesso a cada tipo de consumidor O governo Luiz In√°cio Lula da Silva analisa a cria√ß√£o de um programa para facilitar o acesso da popula√ß√£o, sobretudo os mais pobres, √† chamada gera√ß√£o distribu√≠da – modalidade em que o consumidor gera a pr√≥pria energia el√©trica a partir de fontes renov√°veis. O principal foco √© a¬†energia solar, com a instala√ß√£o de pain√©is fotovoltaicos nas resid√™ncias. Segundo apurou o¬†Estad√£o/Broadcast, a proposta foi apresentada pelo grupo de transi√ß√£o ao ministro de Minas e Energia,¬†Alexandre Silveira, em reuni√£o nesta semana e foi bem recebida. A sugest√£o foi inclu√≠da no relat√≥rio final do Grupo de Trabalho de Minas e Energia da Transi√ß√£o como uma das medidas priorit√°rias a serem tomadas pelo novo governo. No documento, o grupo explica que o programa tem como objetivo permitir que popula√ß√Ķes vulner√°veis tenham acesso √† energia renov√°vel de baixo custo. O prazo previsto para a implementa√ß√£o √© de 100 dias. A ideia, ainda em discuss√£o, seria formular um modelo diferente para permitir o acesso a cada tipo de consumidor. O programa poderia envolver, por exemplo, linhas de cr√©dito com juros mais baixos para fam√≠lias de classe m√©dia e outras fontes de financiamento para comunidades mais vulner√°veis. Contudo, ainda n√£o h√° um formato fechado. ‚ÄúPrioritariamente o programa dever√° contemplar escolas e postos de sa√ļde p√ļblicos, consumidores de baixa renda, daqueles atendidos pelo Minha Casa, Minha Vida; favelas e corti√ßos, popula√ß√Ķes tradicionais, agricultura familiar, popula√ß√£o atingida por barragens e assentamentos de programas de reforma agr√°ria.‚ÄĚ Nos √ļltimos anos, a modalidade cresceu exponencialmente no Pa√≠s gra√ßas aos descontos nos custos de distribui√ß√£o e transmiss√£o concedidos para quem instala os sistemas. A avalia√ß√£o, contudo, √© que o alto custo ainda impossibilita que grande parte da popula√ß√£o tenha acesso a essa modalidade de gera√ß√£o. ‚ÄúA implanta√ß√£o do programa possibilitar√° a redu√ß√£o do custo da energia el√©trica para os consumidores a serem priorizados pelo programa. O resultado dessa economia poder√° ser utilizado para aplica√ß√£o em atividades produtivas e de subsist√™ncia‚ÄĚ, explicou o GT no relat√≥rio. Alerta Tamb√©m est√° no radar do GT o projeto de lei que prorroga, por seis meses, subs√≠dios para novos projetos de gera√ß√£o distribu√≠da, classificado como um ponto de alerta no relat√≥rio entregue ao¬†Minist√©rio de Minas e Energia¬†(MME). O texto chegou a ser aprovado pela C√Ęmara no final do ano passado, mas o GT de Minas e Energia articulou para barrar a vota√ß√£o no Senado. O relat√≥rio aponta que a proposta tem risco de impactar em mais de R$ 25 bilh√Ķes as tarifas dos consumidores at√© 2045. A proposta altera o novo marco legal da micro e minigera√ß√£o distribu√≠da, sancionado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro no ano passado. A lei determina que os consumidores que protocolarem pedidos de acesso √† rede de distribui√ß√£o at√© esta sexta-feira, 6, ter√£o direito a manter os subs√≠dios, conforme a regra atual. Para os demais, que solicitarem ap√≥s esse prazo, a cobran√ßa pelo uso dos sistemas de transmiss√£o e distribui√ß√£o, hoje bancados pelos demais consumidores, ser√° gradual. A Ag√™ncia Nacional de Energia El√©trica (Aneel) estima que o subs√≠dio √† gera√ß√£o pr√≥pria de energia custar√° R$ 5,4 bilh√Ķes em 2023. Esse valor ser√° pago pelos demais consumidores de energia, ou seja, por aqueles que n√£o geram a pr√≥pria energia. Fonte: O Estad√£o Curadoria: Boi a Pasto

Alckmin fala em criar Secretaria de Economia Verde e retomar ‚Äėreindustrializa√ß√£o‚Äô

Vice-presidente toma posse como Ministro da Ind√ļstria em cerim√īnia concorrida no Pal√°cio do Planalto O vice-presidente,¬†Geraldo Alckmin¬†(PSB), tomou posse nesta quarta-feira, 4, como ministro do Desenvolvimento, Ind√ļstria e Com√©rcio (MDIC) e prometeu retomar a pol√≠tica de ‚Äúreindustrializa√ß√£o‚Äô alinhada com pr√°ticas de¬†economia verde¬†como condi√ß√£o para o crescimento sustent√°vel do Pa√≠s. Ele disse que vai criar uma Secretaria de Economia Verde, Descarboniza√ß√£o e Bioind√ļstria para dar apoio na retomada da agenda da competitividade. A √°rea trabalhar√° em parceria com o¬†Minist√©rio do Meio Ambiente, comandado por¬†Marina Silva. ‚ÄúEssa √© uma agenda priorit√°ria, inclusive para assegurar competitividade do produto nacional. A politica precisa estar em sintonia com necessidade da economia mundial. A sociobiodiversidade ser√° ponto de partida da nova pol√≠tica industrial, algumas frentes nessa natureza incluem complexo industrial da sa√ļde, energias renov√°veis,¬†hidrog√™nio verde¬†e mobilidade‚ÄĚ, disse. Numa das cerim√īnias de posse mais prestigiadas a ocorrer no Pal√°cio do Planalto, com filas que se formaram √†s 9 horas para o evento que s√≥ ocorreria √†s 11h, Alckmin prometeu tocar a agenda de interesse dos empres√°rios, que inclui financiamento, simplifica√ß√£o tribut√°ria e redu√ß√£o do custo Brasil. Ap√≥s a posse, foi cercado por dezenas de convidados que se espremiam em busca de fotos, apertos de m√£o e uma chance de falar com o ministro. At√© mesmo apoiadores do governo com bon√©s do¬†Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST)¬†entraram na disputa para se aproximar dele. Segundo Alckmin, os desafios relacionados √†s cadeiras de fornecimento e preserva√ß√£o do meio ambiente se proliferam e impactam nos fluxos internacionais de com√©rcio. O vice-presidente ainda afirmou que o Pa√≠s dar√° exemplos positivos no processo de desenvolvimento verde. Para isso, a Secretaria de Economia Verde deve funcionar como um anteparo a san√ß√Ķes internacionais por causa do desmatamento, assim como ter√° a atribui√ß√£o de atrair investimentos internacionais no que Alckmin chamou de ‚Äúprotecionismo‚ÄĚ a partir da quest√£o clim√°tica. ‚ÄúO Brasil pode ser e ser√° o grande protagonista no processo de descarboniza√ß√£o da economia global‚ÄĚ, disse Alckmin. ‚ÄúOs desafios relacionados √†s cadeias de fornecimentos se proliferam e impactam fluxos de com√©rcio.O Brasil de agora dar√° exemplos positivos, enfrentar√° riscos de maneira construtiva. Estamos seguros de uma maior integra√ß√£o do com√©rcio exterior brasileiro no mundo. O com√©rcio exterior √© fundamental para fortalecer ind√ļstria e servi√ßos no Pa√≠s‚ÄĚ, completou. De acordo com Alckmin, o¬†Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES)¬†ser√° a principal alavanca do minist√©rio na retomada da industrializa√ß√£o e da pol√≠tica de desenvolvimento social no Pa√≠s. O ministro-presidente disse ainda que o banco deve atuar como um vetor da economia verde no Pa√≠s com investimentos. Ele ainda apontou a reforma tribut√°ria a ser desenhada pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), como um dos pontos de interesse da sua gest√£o no minist√©rio por permitir a eleva√ß√£o do Produto Interno Bruto (PIB) e a efici√™ncia econ√īmica. O vice-presidente e agora ministro ainda elogiou uma das primeira medidas do novo governo na √°rea, que, segundo ele, deve ditar o ritmo das articula√ß√Ķes na pasta: a cria√ß√£o do Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial (CNI), que criar√° uma mesa de discuss√Ķes e negocia√ß√Ķes entre os setores p√ļblico e privado. Alckmin ainda reservou uma parte do discurso para criticar a pol√≠tica econ√īmica do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que foi tocada pelo ex-ministro da Economia Paulo Guedes. O antigo titular da economia acumulou fun√ß√Ķes no seu chamado ‚Äúsuperminist√©rio‚ÄĚ que estrutura do MDIC. O ministro-presidente disse que ser√° necess√°rio ‚Äúreconstruir‚ÄĚ a a√ß√Ķes industriais. ‚ÄúReconstru√ß√£o porque depois de 4 anos de descaso, de m√° gest√£o e de desalinho dos reais problemas brasileiro, o presidente¬†Lula, com acerto, determinou a recria√ß√£o do MDIC como uma medida fundamental para ao Brasil retomar o caminho do desenvolvimento, como j√° aconteceu em seus governos bem sucedidos‚ÄĚ, afirmou. Na disputa plateia formada no Sal√£o Oeste do Planalto estivem nomes influentes no mercado financeiro, como o presidente do Conselho de Administra√ß√£o do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco. O presidente Luiz In√°cio Lula da Silva (PT), o presidente em exerc√≠cio do Senado, Veneziano Vital do R√™go (Uni√£o Brasil-PB), e o ex-presidente Jos√© Sarney (MDB) tamb√©m estiveram presentes, numa das poucas cerim√īnias de posse de ministros com autoridades dessa estatura pol√≠tica. A nomea√ß√£o de Alckmin para comandar a pasta do Desenvolvimento se deu ap√≥s dificuldades do presidente Luiz In√°cio Lula da Silva (PT) em convencer outros nomes a assumir o posto. Em dezembro, o petista convidou o presidente da Federa√ß√£o das Ind√ļstrias de S√£o Paulo (Fiesp), Josu√© Gomes, para integrar o governo, mas recebeu negativa diante da crise que o industrial enfrentava dentro da organiza√ß√£o por tentativas do ex-presidente Paulo Skaf de tentar demov√™-lo da presid√™ncia. Como alternativa, ainda em dezembro Lula convidou o presidente do Conselho de Administra√ß√£o do grupo Ultra, Pedro Wongtschowski, que tamb√©m declinou da proposta por diverg√™ncias com o posicionamento econ√īmico anunciado pelo governo de transi√ß√£o at√© aquele momento. O executivo √© um √°vido defensor de pol√≠ticas de concess√£o e privatiza√ß√£o, numa toada liberal, que foram recha√ßadas pelo plano de gest√£o petista. Durante a forma√ß√£o dos minist√©rios, Lula chegou a dizer que em seu novo mandato ‚Äúv√£o acabar as privatiza√ß√Ķes‚ÄĚ no Pa√≠s. Sem um homem forte e com aceita√ß√£o do mercado para ocupar o posta, Lula indicou o seu vice para a pasta, num recuo da posi√ß√£o adotada ainda na primeira leva de an√ļncios de ministros. Durante o per√≠odo de transi√ß√£o de governo foi especulada a possibilidade de Alckmin assumir a pasta da Defesa, ao que Lula respondeu com a assertiva de que seu companheiro de chapa nas elei√ß√Ķes n√£o acumularia fun√ß√Ķes. ‚ÄúEu fiz quest√£o de colocar o Alckmin como coordenador para que ningu√©m pensasse que o coordenador vai ser ministro. Ele n√£o disputa vaga de ministro porque √© o vice-presidente‚ÄĚ, disse Lula. Como mostrou o Estad√£o, o MDIC ser√° um dos minist√©rios mais fortes do terceiro governo Lula. A pasta sob o guarda-chuva de Alckmin coordenar√° as a√ß√Ķes do BNDES e a Ag√™ncia Brasileira de Promo√ß√£o de Exporta√ß√Ķes e Investimentos (Apex). O vice-presidente ainda pode acumular no minist√©rio as atribui√ß√Ķes de planejar e elaborar metas de longo e m√©dio prazo. O BNDES ser√° presidido pelo ex-ministros de gest√Ķes petistas Alo√≠zio Mercadante (PT).

BNDES financia R$ 3,5 bilh√Ķes em energia renov√°vel

O Banco Nacional do Desenvolvimento Econ√īmico e Social (BNDES) aprovou em financiamento de R$ 3,5 bilh√Ķes para projetos de gera√ß√£o de energia renov√°vel nas fontes e√≥lica e solar fotovoltaica, para os grupos Pan American Energy, Atlas Renewable Energy e Engie Brasil Energia. O cr√©dito ser√° por meio da linha BNDES Finem Gera√ß√£o de Energia, com prazo de 24 anos. Somadas, as usinas ter√£o capacidade instalada de 1,5 gigawatts (GW), energia suficiente para atender 2,6 milh√Ķes de resid√™ncias. Dos projetos que ser√£o financiados, R$1,1 bilh√£o indexado em d√≥lares americanos ser√° para o complexo Solar Boa Sorte, que o grupo Atlas e a Hydro Rein est√£o implantando em Paracatu (MG). A usina ter√° 438 megawatts (MW) de capacidade instalada e fornecer√° parte da energia gerada para a Albras, por meio de acordos de autoprodu√ß√£o. O complexo contar√° com 778 mil pain√©is solares e deve entrar em opera√ß√£o comercial em janeiro de 2025 Empreendimentos da Engie e da Pan American ser√£o na Bahia Outros R$ 900 milh√Ķes ser√£o destinados a oito das dez usinas do Complexo E√≥lico Novo Horizonte, do Grupo Pan American Energy. O empreendimento de 423 MW de capacidade ficar√° entre os munic√≠pios baianos de Novo Horizonte, Boninal, Brotas de Maca√ļbas, Ibitiara, Oliveira dos Brejinhos e Piat√£. Ainda na Bahia, o banco financiar√° R$ 1,5 bilh√£o do Complexo E√≥lico Serra do Assuru√°, que a Engie Brasil Energia est√° construindo em Gentio do Ouro. O complexo √© formado por 24 parques e√≥licos com 188 aerogeradores da Vestas e ter√° capacidade instalada total de 846 MW. A entrada em opera√ß√£o comercial acontecer√° de forma escalonada entre julho de 2024 e junho de 2025. Fonte: O Estad√£o Curadoria: Boi a Pasto