maio 1, 2026

Guerra no Oriente Médio pode levar ureia a US$ 500 por tonelada

O pano de fundo da valorização está no papel estratégico do Irã na
cadeia global de nitrogenados

A escalada do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã no Oriente Médio pode provocar uma nova disparada nos preços da ureia no mercado internacional. A tonelada do fertilizante, que já vinha em trajetória de alta, pode testar o patamar de US$ 500 nos próximos dias, caso o cenário de tensão persista.

Atualmente negociada em torno de US$ 475 por tonelada, a ureia pode consolidar um novo nível de preços diante das incertezas geopolíticas, avalia Maísa Romanello, analista de fertilizantes da Safras & Mercado. Segundo ela, não há, no curto e médio prazo, fatores que indiquem recuo nas cotações.

O pano de fundo da valorização está no papel estratégico do Irã na cadeia global de nitrogenados. O país é um dos principais produtores de gás natural do mundo — insumo essencial para a fabricação de ureia — e figura como exportador relevante do fertilizante, abastecendo parte significativa do Oriente Médio, região que concentra grandes fabricantes do produto.

Dados compilados pela consultoria indicam que, em 2025, o Brasil importou 35% da ureia adquirida no exterior de países do Oriente Médio. Desse total, 2,4% tiveram origem no Irã.

Antes mesmo da intensificação do conflito, o mercado de nitrogenados já operava com oferta ajustada. O Irã enfrentava restrições de produção e limitações no fornecimento de gás natural, o que reduziu sua participação no mercado e sustentou os preços em níveis elevados. Havia expectativa recente de retomada das operações iranianas, o que poderia aliviar as cotações — cenário agora descartado diante da crise.

Além do risco de interrupções na oferta, o avanço do conflito pressiona os custos de produção. A alta do petróleo e do gás natural encarece a fabricação de fertilizantes e a logística internacional, podendo ainda limitar o fornecimento de gás e reduzir as taxas de operação da indústria de nitrogenados.

No Brasil, os impactos tendem a ser moderados no curto prazo, já que boa parte dos produtores está abastecida para a segunda safra. Ainda assim, os efeitos indiretos preocupam. A valorização do dólar encarece os fertilizantes em reais e altera as relações de troca com as commodities agrícolas, enquanto o aumento do petróleo eleva os custos logísticos.

O câmbio já reflete o ambiente de incerteza. Após encerrar fevereiro cotado a R$ 5,13, o dólar comercial subiu mais de 1,5% frente ao real na última segunda-feira (02), alcançando R$ 5,21 no fim da manhã. No mesmo período, o petróleo tipo Brent avançava mais de 8%, reforçando o cenário de pressão sobre insumos estratégicos para o agronegócio.

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