maio 13, 2026

Planejamento forrageiro antecipado reduz impactos da seca na pecuária

Estratégias como armazenamento de volumosos e manejo correto das pastagens ajudam produtores a evitar perdas produtivas e econômicas na transição águas-seca

Alimentação do rebanho à base de pastagem aumenta a produtividade e reduz custos de produção na pecuária

Com a chegada do período seco, o planejamento alimentar do rebanho se torna decisivo para evitar perdas produtivas e econômicas na pecuária de corte. A recomendação é iniciar as estratégias ainda na transição entre águas e seca, garantindo disponibilidade de forragem e manutenção do desempenho animal nos meses de menor crescimento das pastagens.

Entre abril e maio, período de transição entre as chuvas e a estiagem em muitas regiões do país, especialistas recomendam que o produtor aproveite o bom desenvolvimento das pastagens e das lavouras destinadas à alimentação animal para formar reservas estratégicas.

Segundo o nutricionista e pesquisador da Embrapa Gado de Corte, Luiz Orcírio Fialho de Oliveira, o primeiro passo é avaliar a quantidade de forragem armazenada nas pastagens e dimensionar corretamente a demanda do rebanho durante a seca.

De acordo com o pesquisador, a produção das pastagens reduz significativamente nesse período. As cultivares de braquiária podem produzir apenas até 40% do volume anual estimado, enquanto os panicuns chegam a cerca de 20%.

“O produtor precisa entender que a capacidade de suporte das pastagens diminui bastante na seca. Estudos conduzidos pela Embrapa mostram a necessidade de redução da carga animal entre 30% e 50% para manter ganhos positivos de peso”, explica.

Quando a estratégia da fazenda é manter o número de animais acima da capacidade das pastagens, torna-se necessário investir na produção e armazenamento de volumosos ou na compra de suplementos concentrados. Entre as principais alternativas recomendadas estão a vedação de parte das áreas de pastagem ainda no fim do período chuvoso, a produção de silagem e feno e a venda antecipada de animais excedentes, evitando perda de desempenho e desvalorização do gado.

Decisões tardias comprometem resultado econômico

Luiz Orcírio, nutricionista e pesquisador da Embrapa

Para Luiz Orcírio, um dos problemas mais recorrentes nas propriedades não está exatamente em erros técnicos, mas no atraso das decisões de manejo.

“Muitos produtores acreditam que as chuvas vão continuar, que não haverá seca ou geada e acabam adiando medidas importantes”, afirma.

Segundo ele, mesmo quando ainda ocorrem precipitações, fatores como redução do fotoperíodo e queda de temperatura limitam o crescimento das forrageiras. Com isso, adiar a vedação das pastagens, a produção de volumosos ou até mesmo a comercialização de animais pode comprometer diretamente a rentabilidade da atividade.

“O produtor que espera demais corre o risco de enfrentar preços menores de venda e rebanhos perdendo condição corporal”, destaca.

Silagem deve ser planejada com antecedência

No caso da produção de silagem, o pesquisador ressalta que o período ideal depende da cultura utilizada.

Lavouras de milho e sorgo plantadas na safrinha, geralmente em fevereiro, podem ser colhidas a partir de maio, conforme a região. No entanto, o alimento só estará disponível para uso cerca de 30 dias após o fechamento do silo.

Além disso, cuidados como ponto correto de corte, teor de matéria seca, compactação e vedação adequada do silo são fundamentais para garantir qualidade do volumoso.

Já na silagem de capim, o momento do corte deve acompanhar o desenvolvimento da forrageira, evitando perdas nutricionais.

“O importante é que a silagem esteja pronta antes da chegada efetiva da seca”, reforça.

Fenação pode ser alternativa estratégica

Outra opção para suplementação alimentar é a produção de feno, embora o sistema exija maior rigor operacional e investimentos em equipamentos.

Segundo o pesquisador, gramíneas e leguminosas como estilosantes e amendoim forrageiro podem ser utilizadas na fenação. No entanto, o período ideal de corte geralmente coincide com épocas chuvosas, o que aumenta os riscos operacionais.

Uma alternativa apontada é a terceirização do serviço de fenação, reduzindo a necessidade de investimento em maquinário próprio. Ainda assim, o planejamento prévio é indispensável para garantir disponibilidade das equipes no momento adequado da colheita.

Vedação de pastagens reduz custos na seca

Entre as estratégias mais acessíveis, a vedação de pastagens aparece como uma das mais viáveis economicamente. A técnica consiste em reservar áreas da fazenda para acumular forragem destinada ao período seco.

“A vantagem é que o capim fica armazenado no próprio campo, sem necessidade de operações adicionais”, explica Luiz Orcírio.

Ele alerta, porém, que a vedação deve ser acompanhada de ajustes no manejo do rebanho. Caso contrário, as áreas restantes podem sofrer superpastejo e degradação.

O pesquisador também destaca o uso de forrageiras de safrinha como alternativa complementar, incluindo braquiárias, panicuns, milheto, aveia e leguminosas, dependendo da região e do sistema produtivo adotado.

Redação Boi a Pasto – Jornalista Camila Gusmão MTB: 63035/SP

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