abril 20, 2026

Capim-capeta avança sobre pastagens e pode reduzir produtividade em até 40% no Brasil

Disseminação acelerada da planta daninha preocupa pecuaristas e exige adoção de manejo mais tecnológico

A planta é amplamente reconhecida por sua capacidade de competição com gramíneas forrageiras cultivadas, como o capim braquiária e o capim mombaça, prejudicando diretamente a alimentação do rebanho.

O avanço do capim-capeta (Sporobolus spp.) tem intensificado a pressão sobre a pecuária brasileira, com impactos diretos na produtividade das pastagens e na rentabilidade das propriedades. Considerada uma das plantas daninhas mais agressivas do campo, a espécie pode reduzir em até 40% a capacidade de lotação das áreas infestadas, comprometendo a produção de carne e leite.

Na prática, os prejuízos são significativos. Em uma fazenda com capacidade inicial de 2,0 unidade animal por hectare (UA/ha), a presença da planta pode provocar perdas de até 0,8 UA/ha. Com base em uma produção média de 16 arrobas por animal ao ano e preço de R$ 250 por arroba, a redução pode chegar a cerca de R$ 3.200 por hectare ao ano em receita.

Disseminação rápida agrava o problema

A velocidade de propagação do capim-capeta é um dos principais fatores de preocupação. Uma única touceira pode produzir até 200 mil sementes por ano, com viabilidade no solo por até dez anos. Além disso, a dispersão ocorre com facilidade por meio de máquinas, pneus, fezes de animais e até pela água da chuva.

De acordo com Gustavo Corsini, engenheiro agrônomo e gerente de Marketing Regional da IHARA, a infestação tende a avançar rapidamente, especialmente em áreas já fragilizadas. “Em três a quatro anos, o capim-capeta pode dominar grandes extensões, principalmente em pastagens degradadas ou com falhas de cobertura vegetal. Embora não seja a causa inicial da degradação, é consequência do manejo inadequado e passa a agravar ainda mais o problema”, afirma.

Impacto ganha escala na pecuária nacional

O cenário é ainda mais preocupante diante da dimensão da pecuária no país. Segundo dados da Embrapa, o Brasil possui cerca de 213,7 milhões de bovinos, sendo que aproximadamente 90% da carne produzida é oriunda de sistemas a pasto. Ao todo, são cerca de 160 milhões de hectares de pastagens que sustentam mais de 200 milhões de animais.

Nesse contexto, a degradação causada por plantas invasoras representa um risco direto à base produtiva do setor.

Controle exige estratégia e inovação

Especialistas apontam que o enfrentamento do capim-capeta passa pela adoção de estratégias mais eficientes de manejo e pelo uso de tecnologias específicas. Para Iuri Cosin, gerente de produtos Herbicidas da IHARA, o momento exige modernização no campo. “É fundamental incorporar soluções que ainda não apresentam resistência e que garantam maior eficácia no controle da planta”, destaca.

Entre as alternativas disponíveis, o herbicida pós-emergente Targa Max HT, da empresa, é apontado como uma ferramenta para o controle da espécie em pastagens, com formulação que dispensa o uso de adjuvantes e apresenta seletividade à forrageira.

Ensaios conduzidos em 2025 por instituições como a Embrapa, a UNEMAT e a HERBAE indicaram eficácia no controle da planta daninha em diferentes regiões produtoras.

Manejo do pasto é decisivo

Para o setor, conter o avanço do capim-capeta vai além do controle de uma planta invasora. Trata-se de preservar a capacidade produtiva das pastagens, garantir a lotação adequada dos rebanhos e manter a sustentabilidade econômica da atividade.

“Cuidar do pasto é investir na base da produção. Isso se reflete em rebanhos mais saudáveis e maior rentabilidade para o pecuarista”, conclui Corsini.

Fonte: Redação Boi a Pasto com informações da IHARA

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