Mais de 100 milhões de proprietários serão afetados

O agronegócio, importante para subsistência humana na Terra, poderá perder metade do pasto utilizado para criação de bois e ovelhas até 2100, por conta das mudanças climáticas.
Ao mesmo tempo em que sofrerá o impacto, no Brasil é um dos setores responsáveis pela maior quantidade de emissão de gases do efeito estufa, principal causador do aquecimento global.
A mudança afetará mais de 100 milhões de fazendeiros, com impacto na vida de até 1,6 bilhão de animais. Os cientistas do PIK (Instituto Potsdam de Pesquisas sobre o Impacto Climático, tradução livre) descobriram que o sistema de pastoreio de animais, que atualmente cobre um terço da superfície do planeta, sofrerá a perda de espaço entre 30% e 50%, dependendo do cenário proposto.
Os dados foram revelados, no dia 9 de fevereiro, por uma pesquisa publicada na revista científica PNAS.
Com os dados do tempo atual, os ambientes de pastagem ao redor do mundo têm conseguido se desenvolver dentro de faixas específicas de temperatura, variando de -3 a 29º C, com chuvas entre 50 e 2627 milímetros por ano, e outras especificações de umidade e vento.
“As mudanças climáticas irão alterar e reduzir significativamente esses espaços globalmente, deixando menos áreas para os animais pastarem. É importante ressaltar que grande parte dessas mudanças será sentida em países que já sofrem com fome, instabilidade econômica e política e níveis mais altos de desigualdade de gênero”, observa Chaohui Li, autora principal do PIK e membro do Centro de Supercomputação de Barcelona.
África será uma das regiões mais afetadas
O estudo observa que a África será uma das regiões mais afetadas, com a redução de até 16% das pastagens, num cenário otimista de mudança climática, ou podendo chegar em até 65%, em um futuro em que os combustíveis fósseis continuem a crescer.
Apenas no começo de 2026, o país africano Moçambique enfrentou chuvas que causaram uma das maiores enchentes do país no século. Ao todo, foram mais de 120 mortos e até 800 mil pessoas foram afetadas, segundo a ONU.
O impacto à população pode gerar uma crise aguda de fome, porque os rebanhos são a base da economia dessas regiões, assim como a lavoura.
Fonte: Thiago Félix, da CNN Brasil, São Paulo





