Vendas externas do agronegócio avançaram 6,2% em receita e 7,5% em volume, com China concentrando 35% do faturamento; embarques de carnes também ganharam força

As exportações do agronegócio brasileiro atingiram o recorde de US$ 87 bilhões no primeiro semestre de 2026, crescimento de 6,2% em relação ao mesmo período do ano passado. O desempenho foi sustentado principalmente pelo aumento dos volumes embarcados, com destaque para produtos como soja, milho, algodão e carnes.
Os dados são do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, com base em informações do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
Entre janeiro e junho, o volume total de produtos do agronegócio enviado ao exterior aumentou 7,5%. O avanço foi suficiente para compensar a queda de 1,2% no preço médio em dólar e garantir o crescimento da receita.
O resultado mostra que o setor conseguiu ampliar sua presença no mercado internacional mesmo diante de um cenário marcado por custos de produção e fretes elevados, além de incertezas geopolíticas e comerciais.
Carne bovina amplia embarques em 15%
As proteínas animais estiveram entre os segmentos que contribuíram para a expansão das exportações brasileiras no semestre.
O volume de carne bovina exportada cresceu 15% na comparação com os primeiros seis meses de 2025. A carne de frango registrou aumento de 14% nos embarques, enquanto a carne suína avançou 10%.
Outros produtos também tiveram expansão expressiva. As exportações de óleo de soja aumentaram 30% em volume, seguidas por milho, com alta de 22%, algodão, com 21%, farelo de soja, com 11%, e soja em grão, com 7%.
A diversificação dos produtos com crescimento nos embarques ajudou a sustentar o desempenho do agronegócio brasileiro mesmo em um período de redução das cotações médias internacionais.
China concentra 35% das receitas
A China permaneceu como principal destino dos produtos agropecuários brasileiros. O mercado chinês respondeu por aproximadamente 35% de todo o faturamento das exportações do setor no primeiro semestre.
As compras chinesas ultrapassaram US$ 30 bilhões entre janeiro e junho, registrando crescimento de cerca de 10% em relação ao mesmo período de 2025.
O complexo soja respondeu por 66% desse faturamento. Além da oleaginosa, a carne bovina in natura, a carne suína e a celulose tiveram participação relevante nas compras realizadas pelo país asiático.
China, Índia, União Europeia e países do Golfo estiveram entre os principais destinos das exportações brasileiras no período.
A forte presença chinesa, entretanto, mantém em evidência a concentração das vendas brasileiras em poucos produtos e em um grande mercado comprador. Somados, os complexos soja, carnes e produtos florestais responderam por mais de 90% das exportações do agro brasileiro destinadas à China no semestre.
Essa concentração aumenta a exposição do setor a eventuais mudanças nas políticas comerciais chinesas, incluindo adoção de cotas, tarifas ou outras restrições às importações.
Exportações para os Estados Unidos recuam
Enquanto as vendas para a China avançaram, as exportações do agronegócio brasileiro destinadas aos Estados Unidos apresentaram movimento contrário.
A receita obtida com as vendas ao mercado norte-americano caiu 25% no primeiro semestre. O desempenho ocorreu em meio a tarifas adicionais e tensões comerciais envolvendo os dois países.
Dados da Amcham Brasil apontam ainda que os Estados Unidos receberam 9,4% das exportações brasileiras totais no período. Produtos como madeira, arroz, uva, ovos e açúcar estiveram entre os afetados por sobretaxas, enquanto carne e café ficaram fora da cobrança adicional de 25%.
Mercado de carnes exige atenção
Apesar dos resultados positivos registrados no primeiro semestre, o setor agropecuário acompanha as mudanças nas regras de acesso aos principais mercados internacionais.
Para a pecuária brasileira, a atenção está voltada especialmente às condições estabelecidas pelos grandes compradores de carne bovina. Medidas comerciais adotadas pela China e exigências sanitárias e regulatórias da União Europeia podem interferir no ritmo dos embarques nos próximos meses.
O cenário externo também permanece sujeito aos efeitos de conflitos geopolíticos, custos logísticos e condições climáticas nas principais regiões produtoras.
Ainda assim, o desempenho dos primeiros seis meses de 2026 reforça a competitividade do agronegócio brasileiro no comércio internacional. Mesmo com queda dos preços médios em dólar, o crescimento dos volumes permitiu ao setor alcançar US$ 87 bilhões em receitas e estabelecer um novo recorde para o período.
Fonte: Deuseane Queiroz / Agro Em Campo
Curadoria: Camila Gusmão para o portal Boi a Pasto






