Pesquisas apontam impacto da irregularidade de chuvas na produtividade e indicam estratégias para reduzir perdas no campo

O avanço das mudanças climáticas tem imposto novos desafios à produção agropecuária, especialmente na formação de forrageiras para silagem. Em meio a esse cenário, o Instituto de Zootecnia (IZ–APTA), ligado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, conduz estudos para avaliar o desempenho de diferentes cultivares e o uso de tecnologias que possam amenizar os efeitos do clima sobre a produtividade.
As pesquisas ganham relevância no contexto do Dia de Conscientização das Mudanças Climáticas, celebrado em 16 de março, que reforça a necessidade de adoção de práticas mais sustentáveis no campo.
Desde 2023, o IZ analisa a performance de forrageiras cultivadas na safrinha, como milho, sorgo gigante, sorgo podium e aveia, com foco na produção de silagem. Segundo o coordenador da pesquisa, Enilson Ribeiro, o objetivo é identificar alternativas mais adaptadas ao plantio tardio, cada vez mais impactado pelas condições climáticas adversas.
“Nosso objetivo é avaliar a adaptabilidade de diferentes plantas forrageiras e a qualidade das silagens produzidas em condições de plantio fora da época ideal”, explica o pesquisador.
Os resultados já evidenciam os impactos da irregularidade climática. Na região de Campinas, onde os experimentos são conduzidos, o volume de chuvas durante o período experimental apresentou queda expressiva nos últimos anos: foram 233,86 mm em 2023, 145,53 mm em 2024 — além de má distribuição — e apenas 66,04 mm em 2025.
Esse cenário afetou diretamente a produtividade das culturas. O milho, embora tenha se mantido como a forrageira mais produtiva, registrou redução significativa, passando de 30 toneladas por hectare em 2024 para cerca de 21 a 22 toneladas nos anos seguintes. As demais culturas avaliadas também apresentaram queda de rendimento.
Além do desempenho das cultivares, o Instituto iniciou, em 2025, um novo estudo para identificar a melhor época de plantio associada ao uso de fertilizantes foliares organominerais com efeito bioestimulante. O experimento contempla diferentes janelas de semeadura, entre fevereiro e março, com e sem a aplicação do insumo, em culturas como milho, sorgo, trigo e aveia.
Os primeiros resultados indicam que o plantio realizado na primeira quinzena de fevereiro apresentou maior produtividade. O uso do bioestimulante também demonstrou efeito positivo no desenvolvimento das plantas.
De acordo com Ribeiro, as avaliações terão continuidade nas próximas safras, mas os dados iniciais já sinalizam caminhos promissores para reduzir os impactos das mudanças climáticas na produção de forrageiras.
“A antecipação do plantio e o uso de bioestimulantes despontam como estratégias importantes para minimizar perdas e garantir maior estabilidade produtiva”, conclui.
Fonte: Instituto de Zootecnia com edição pela equipe do Boi a Pasto






