julho 16, 2026

Nasce o primeiro raio X da TIP no Brasil

Dados preliminares de um levantamento inédito feito pela Apta-Colina mostram que a atividade já apresenta resultados zootécnicos próximos aos do confinamento.

Um sistema de engorda genuinamente brasileiro, a Terminação Intensiva a Pasto (TIP) tem conquistado adeptos Brasil afora nas últimas duas décadas, desde que foi criada por pioneiros inspirados (técnicos e produtores) do Mato Grosso e São Paulo, na primeira metade dos anos 2000.

Hoje, segundo estimativas da Athenagro Consultoria, 9,4 milhões de animais já são engordados anualmente a pasto, com níveis superiores a 1% do peso vivo em ração. Pelo menos metade desse total seria de TIP.

Não se trata de um censo, mas tais números indicam o potencial evolutivo do sistema, que, até recentemente, não dispunha de mapeamento técnico detalhado no País.

Para preencher essa lacuna, a Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta), unidade de Colina (SP), decidiu lançar uma iniciativa inédita, em dezembro de 2025: o Projeto TIP Brasil, cujos resultados preliminares estão aqui em primeira mão.

O levantamento – verdadeiro raio X do sistema no País – está sendo realizado por meio de questionários respondidos voluntariamente por produtores de Norte a Sul, abrangendo áreas como sistema de produção, perfil dos bovinos, infraestrutura, nutrição, sanidade, gestão, indicadores zootécnicos e operacionais.

O objetivo do levantamento é obter informações sólidas sobre o sistema em todo o Brasil, que possam não apenas orientar futuras pesquisas, mas, também, servir de parâmetro para os pecuaristas. O slogan do projeto “Transformando dados em desempenho” expressa bem essa proposta.

Como surgiu a ideia

Segundo o pesquisador Flávio Dutra Resende, da Apta-Colina, a ideia de fazer um levantamento técnico-econômico da TIP no Brasil surgiu com a evolução da tecnologia, que é estudada pela instituição desde 2007.

“Não temos muita informação confiável de como esse sistema intensivo de engorda a pasto é aplicado pelos produtores no Brasil. Conhecemos vários projetos, mas faltavam dados suficientes para traçar perfis e fazer diagnósticos”, explica Dutra.

A atividade de confinamento possui balanço semelhante, feito junto a nutricionistas que atendem grandes e médios projetos no País, mas a TIP é bem mais pulverizada e, nem sempre, conta com apoio de nutricionistas. Era preciso ir direto à fonte: o pecuarista.

“Nossa ideia é fazer um mapeamento contínuo, ou seja, manter os questionários sempre disponíveis online. Queremos montar um banco de dados robusto sobre a TIP, que todos os agentes da cadeia possam acessar”, informa o pesquisador.

No momento da elaboração desta reportagem, na primeira quinzena de junho, a homepage do TIP Brasiljá havia acumulado mais de 1.500 acessos.

Somente uma parte deles resultou em questionários respondidos de forma completa, mas, segundo Dutra, esse número deverá aumentar significativamente após a divulgação do projeto no Beef Day, evento bianual da Apta-Colina, marcado para o dia 12 de agosto, com público esperado de 2.000 pessoas.

Dados de sistema

Os dados preliminares mostram que a TIP está presente em boa parte do País (veja mapa), incluindo cinco Estados do Nordeste, região pouco lembrada quando se pensa em terminação intensiva a pasto. Entretanto, a maior concentração foi  no Centro-Oeste e Sudeste.

“Isso já esperávamos. O que nos surpreendeu mesmo foi a diversidade da amostragem obtida, que incluiu desde produtores com engorda de 50 cabeças até projetos com mais de 100.000. E há grande confiança no sistema: o índice de aprovação foi de 87,5%, com 77% demonstrando interesse em aumentar o número de animais e 20,5% em manter”, salienta o pesquisador da Apta-Colina.

O balanço preliminar mostra ainda que a TIP, normalmente, faz parte de sistemas de produção como a recria/engorda (52,3%) ou o ciclo completo (26,4%), sendo pouco explorada sozinha (8,3%).

“Quem intensifica a recria caminha naturalmente para a TIP, porque é um sistema de engorda mais acessível e flexível do que o confinamento, podendo ser usado conforme o mercado”, explica Dutra.

  • A maioria dos participantes do levantamento (66,7%) informou engordar machos inteiros; 1,7%, castrados; 27,5%, novilhas, e 4,2%, vacas, com forte predominância de zebuínos (67,2%).
  • São animais de porte grande (19,3%) a médio (72,3%) e, em sua maioria, jovens (64,8% com até 2 dentes).
  • Outra informação interessante é que 69,5% dos produtores que preencheram o questionário afirmaram fazer TIP o ano inteiro, o que indica baixa sazonalidade da tecnologia (veja gráfico).
  • Em relação à reposição, 42,3% trabalham com bezerros (próprios ou adquiridos de terceiros) e 35,8% compram bois magros. A venda é feita, majoritariamente, num raio de 300 km (75% dos respondentes).
  • Nesta primeira etapa do TIP Brasil, que contou com expressiva participação de pequenos produtores, o sistema de pastejo mais relatado foi o rotacionado (40,8%), segundo Dutra, porque muitos usam os módulos já existentes na fazenda para fazer TIP.

“Não é o que nós recomendamos, porque dá muita oscilação no consumo de ração. Teremos de bater mais nessa tecla com os produtores. Uma alternativa é trabalhar com pastejo alternado, que dá fôlego às pastagens e não afeta tanto o consumo”, diz ele.

O que dizem os números?

O levantamento daApta-Colina mostrou que muita gente faz TIP usando poucos recursos: 40,2% dos respondentes ainda trabalham com cochos de bombona ou borrachão; 62,9% não dispõem de cochos com cobertura e 43,9% ainda distribuem o alimento de forma manual (carroça).

“Embora isso indique necessidade de melhoria em infraestrutura, também confirma que a TIP é democrática, podendo ser adotada por produtores que não têm nem trator”, afirma Dutra, salientando, porém, que 42,2% já usam vagão com balança, o que permite mensurar consumo e calcular eficiência biológica, como no confinamento.

A maioria dos produtores (62,7%) usam bebedouros de concreto e 72,8%, modelos de tamanho pequeno a mediano (até 2.000 litros). Dutra alerta, contudo, para a importância da vazão, que deve ser alta, para se ter água de qualidade.

Mais da metade dos participantes (56,4%) disse trabalhar com peso de entrada entre 361 e 420 kg (no caso dos machos) e 65% informaram abater os animais com 501 a 580 kg; uma pequena parcela (28,6%) entrega bois ainda mais pesados.

O ganho médio diário variou de 700 g a 1,6 kg/cab/dia. No caso dos machos, uma parte significativa dos participantes (48,7%) relatou GMD superior a 1,3 kg/cab/dia, com ganho em carcaça superior a 1 kg/cab/dia, o que é positivo, segundo Dutra. Quanto às fêmeas, 45,2% dos produtores informaram GMD entre 700 g e 1 kg/cab/dia.

No quesito rendimento de carcaça, 68,4% enquadraram os machos na faixa de 54%-58% e 43,8% mencionaram percentuais de 52% a 54% nas fêmeas.

Potencial de melhoria

A lotação apresentou perfil diverso, porém a maior concentração de respostas (47,9%) caiu na faixa de 2 a 5 cab/ha, durante as águas. Apenas 26,9% disseram alojar mais de 6 cab/ha.

“Quando tivermos mais participantes no levantamento, talvez esses dados mudem bastante, mas, neste momento, é fundamental alertar que a baixa lotação na TIP significa menor produção de arrobas/ha, ou seja, quem faz isso está tirando menos proveito da tecnologia”, diz o pesquisador.

Da mesma forma, se o nível de suplementação for baixo, explora-se menos o potencial do animal. No levantamento, 24% afirmaram fornecer menos de 1,2% do peso vivo em ração aos machos, nas águas, mas a boa notícia é que 71% suplementam acima disso. No que diz respeito à produtividade, 33,9% colheram mais de 35@/ha/ciclo nas águas.

Na seca, 25,2% dos produtores disseram praticar lotações de até 2 cab/ha; 12%, de 2 a 3; 18%, de 3 a 4; 12,6%, de 3 a 5 cab/ha, mas 12,6% já fazem TIP com alta lotação (7 cabeças ou mais).

Como era de se esperar, devido à baixa oferta e qualidade forrageira das pastagens, o nível de suplementação foi maior nesse período do ano (54,3% fornecem mais de 1,8% do peso vivo em ração para os machos).

A produção de arrobas na seca varia de menos de 20@/ha (41% dos participantes) até mais de 35@/ha (31,1% dos produtores).

A eficiência biológica foi um pouco menor (43% dos pecuaristas disseram gastar menos de 125 kg de ração por arroba produzida, ante 54,3% no período das águas). Esses dados foram comemorados pelos pesquisadores. “Eles mostram que estamos caminhando rumo à eficiência”, diz Dutra.

Na parte nutricional, o ingrediente energético mais importante (citado por 80,3% dos produtores) foi o milho, seguido pelo sorgo (7,7%), como mostra o gráfico, mas o processamento desses grãos limita-se à moagem com moinho de martelo (52,6%).

A grande maioria (87,4%) ainda não usa grão úmido ensilado; segundo Dutra, por dificuldades operacionais. A lista de ingredientes proteicos é mais variada, com destaque para o farelo de soja (43,9% das respostas) e pelo DDG (28,9%).

“A participação de grãos destilados nas dietas de TIP está crescendo muito, devido à presença de usinas em várias regiões do País”, ressalta Dutra.Dentre os aditivos, domínio absoluto da monensina, citada por 67% dos participantes. Outra informação interessante: 71,4% dos produtores fazem apenas um trato diário e 22,%, dois tratos.

Gestão e sanidade

Conforme o levantamento da Apta-Colina, 49,2% dos produtores participantes não usam software na condução da TIP. O emprego dessa ferramenta para gestão nutricional e econômica somente foi relatado por 15,6% deles.

Além disso, 40,9% não possuem assessoria técnica, 33,6% recebem orientação de empresas de insumos e somente 25,9% contam com consultoria independente. “A falta de controles é preocupante, porque o produtor fica muito exposto ao risco”, alerta Dutra.

A TIP também não parece contar com um protocolo sanitário definido. Conforme o levantamento, 23,7% dos respondentes apenas aplicam vacinas contra clostridioses + botulismo nos animais antes de iniciar a engorda; outros 22,8%, além dessas vacinas, usam endectocida. Somente 7,9% fazem prevenção contra doenças respiratórias e 6,1% não têm protocolo sanitário de entrada.

Problemas de casco são raros na TIP, ocorrendo em menos de 1% do lote, conforme relataram 87,7% dos participantes. O índice de mortalidade informado por 83,3% dos pecuaristas foi de 0,5%. A grande maioria deles (77,9%) disse que as mortes não tinham causa conhecida.

A ideia da Apta-Colina é, futuramente, fazer parcerias com frigoríficos para obter também informações sobre carcaças dos animais abatidos.

“Queremos que o Projeto TIP Brasilestabeleça referências zootécnicas para os produtores, identifique quem mais precisa de transferência de tecnologias, caracterize sistemas regionais (a TIP do Nordeste é diferente da praticada no RS, por exemplo) e respalde pesquisas. Para isso, contamos com a participação de todos e agradecemos imensamente a quem já respondeu ao questionário”, diz Dutra.

Case: Grupo Sheffer na dianteira

Em 2005, o Grupo Scheffer, de Cuiabá (MT), uma das maiores empresas agropecuárias do País, com 230.000 ha cultivados em duas safras, decidiu apostar na Terminação Intensiva a Pasto (TIP) como estratégia de engorda em solos de textura mais arenosa. Porém, o que seria apenas uma alternativa possível para áreas de baixa aptidão agrícola tornou-se um negócio tão rentável quanto o cultivo de grãos.

Em pouco mais de uma década, a TIP garantiu ao grupo mais de 200 @/ha/ano, com índices zootécnicos semelhantes aos do confinamento – um bom exemplo do perfil mais tecnificado de produtores identificado pelo Projeto TIP Brasil, da Apta-Colina. Neste ano, o grupo pretende abater 40.000 bois engordados no sistema.

A trajetória do grupo na pecuária começou quando Elizeu Zulmar Maggi Scheffer, patriarca da família, passou a fazer recria/engorda na Fazenda Rafaela, localizada no município de Sapezal (MT), onde está o principal núcleo agropecuário do grupo. A troca do grão pelo boi se deu por necessidade.

Essa propriedade de 16.000 ha é altamente produtiva (planta soja, algodão, milho), mas tem 20% de solos arenosos, com baixo teor de argila (inferior a 20%) e, portanto, com menor capacidade para retenção de água, o que dificulta o cultivo, especialmente em 2ª safra, sujeita a frustrações, em caso de veranico.

A opção pelo sistema de engorda intensiva a pasto coube ao filho, Gilliard Scheffer, que é diretor de planejamento da empresa e passou a demonstrar interesse pela pecuária por influência do tio, Fernando Maggi, do Grupo Bom Futuro, um dos pioneiros da TIP no Brasil.

Gilliard enxergou no sistema uma série de vantagens. Além da sinergia com a produção agrícola, ele permite produzir uma arroba mais barata, em comparação com a do confinamento, especialmente nas águas, devido ao maior aproveitamento de forragem e ao menor uso de concentrado.

“A TIP também nos trouxe a oportunidade de fazer um ciclo contínuo de engorda ao longo do ano, algo que não seria possível com confinamento, porque chove muito na região, principalmente de dezembro a março, o que torna a operação muito complicada”, justifica Eduardo Catuta de Rezende Ferreira, diretor adjunto de pecuária da empresa.

Fazendo 2,4 ciclos de terminação por ano, o Grupo Scheffer começou a operação produzindo carne para o mercado premium. Depois que a bonificação deixou de ser atrativa, voltou-se para o boi-China.

Crescimento gradual

A área destinada à TIP, na Fazenda Rafaela, em Sapezal, é de 1.400 ha, hoje alojando 11.000 cabeças; outros 2.320 ha são destinados a 10.000 animais em pré-engorda (processo de adaptação). O projeto está em constante expansão, mas começou pequeno.

No início, os piquetes eram grandes (até 40 ha), a taxa de lotação não passava de 4-5 cab/ha e o ciclo de engorda oscilava entre 120 e 135 dias, alcançando até os 150 dias. A partir de 2010, a operação começa a ganhar tração e dar sinais de que poderia se consolidar como uma atividade rentável do grupo.

Para aumentar a capacidade de suporte das pastagens, a empresa começou a adubar os piquetes duas vezes por ano, em dezembro e março. As braquiárias foram substituídas por capins do gênero Panicum, especialmente o Mombaça, que é mais produtivo. Os piquetes foram subdivididos para favorecer a engorda (hoje têm média de 8-10 ha).

A taxa de lotação subiu gradativamente até atingir, neste ano, 10 cab/ha (a meta é chegar a 15 cab/ha em 2026). O ciclo de engorda, por sua vez, encurtou. “Descobrimos que a janela de máxima eficiência, ou seja, onde tínhamos a melhor relação ração/forragem, era de 95 a 115 dias de engorda, principalmente no caso de animais Nelore”, diz Catuta.

A maior parte dos animais engordados a pasto vem da RIP, realizada, principalmente, em outras quatro fazendas do Núcleo Sapezal (Simoneti, Adriana, Natureza Feliz e Bom Jesus). Hoje, são 15.000 animais de recria em cerca de 7.200 ha, mas a meta é chegar a 20.000 até o final do ano. A empresa também aproveita oportunidades de mercado para a compra de bois magros, que vão direto para a engorda a pasto.

Os módulos de recria medem 40 ha e o sistema de pastejo é alternado. A partir do próximo período chuvoso, no entanto, cada módulo será dividido em quatro piquetes, em sistema rotacionado, para aumentar a lotação. A recria dura entre seis e 10 meses, dependendo do peso de entrada e do momento de aquisição dos animais.

Fluxo contínuo

Visão aérea dos módulos de TIP na Fazenda Rafaela, em Sapezal (MT)

No período das águas, os animais de recria recebem suplementação proteico-energética na proporção de 0,3% do peso vivo (PV). Nos meses de seca, quando já não tem mais forragem, eles vão para uma remanga (sequestro), onde recebem um aporte de fibra (capulho de algodão) e proteico-energético.

Quando atingem entre 350 kg e 380 kg, seguem para a pré-engorda, em pastos perenes e de safrinha (Brachiaria ruziziensis semeada após a colheita da soja, onde os animais permanecem por 40-60 dias até alcançarem, em média, 420 kg). Eles ficam na “fila” para entrar na TIP, à espera dos lotes saírem para abate, o que garante fluxo contínuo à operação.

Na TIP, os animais recebem ração na proporção de 1,6% do PV, nas águas. À medida que diminui a disponibilidade de capim, a partir de maio-junho, o capulho de algodão entra na dieta como substituto da fibra da forragem.

“O capulho é um ingrediente bem aceito pelos animais, tem bastante proteína e é melhor do que a silagem de capim”, explica Catuta. Além de manter a taxa de lotação, o objetivo é preservar a pastagem, sempre deixando um resíduo de 30-40 cm. De meados de agosto a outubro (60-65 dias), a forragem é 100% substituída pelo capulho, e a suplementação sobe para 2,2% do PV.

O ganho de peso diário é de 1,4 kg/cab, em média, e o de carcaça, 1,08 kg/cab, para um período de engorda de 115 dias. “Trabalhamos, em média, com 120 kg de ração/@ produzida, uma boa eficiência biológica”, informa. O peso de abate médio é de 21,5@, para um rendimento de carcaça de 57,5%.

São índices top, tendo-se como referência o levantamento da Apta-Colina. Neste ano, até o dia 15 de junho, já foram abatidos 16.000 animais. Além da meta de alcançar 40.000 abates até o final de 2026, o grupo pretende aumentar o investimento em cria, nos próximos anos.

Atualmente, o plantel se concentra na Fazenda Agrosam, no município de Juara (MT). A propriedade, arrendada, já contava com matrizes Nelore e estava há mais de 20 anos dentro do programa CEIP (Certificado Especial de Identificação e Produção), o qual foi retomado após uma breve interrupção.

“Por meio da rastreabilidade, verificamos que os animais com melhor desempenho na TIP são dessa fazenda; por isso, nosso planejamento estratégico é explorar mais essa genética, além de oferecê-la a parceiros, de quem já compramos bezerros todos os anos”, diz.

Redução de custos

Além de aumentar a produtividade, o Grupo Scheffer também promoveu mudanças na infraestrutura da TIP e na logística de distribuição de trato para reduzir os custos e aumentar a margem da receita.

Os bebedouros antigos, capazes de armazenar grandes volumes de água, foram substituídos por modelos menores (2.000 l), porém com maior capacidade de renovação de água (alta vazão). Os cochos de concreto foram trocados por opções mais baratas. Agora, são de borrachão (esteiras descartadas de mineradoras).

Bebedouro pequeno, mas com alta vazão de água

As coberturas, antes sustentadas também por postes de concreto, com pé direito alto, suficiente para garantir a passagem do caminhão por debaixo do telhado, foram trocadas por postes de eucalipto, oriundos da própria fazenda.

A única estrutura mantida foram as telhas de zinco. No entanto, graças a uma pequena adaptação no vagão misturador (alongamento da bica de descarga), os caminhões não precisam mais passar por baixo da cobertura, o que permitiu reduzir a altura do pé direito e também a largura do telhado, que ficou mais estreito e, portanto, mais barato.

“Com todas essas mudanças, diminuímos quase pela metade o custo de implementação dos módulos de engorda”, afirma Catuta.

Para otimizar a logística do trato, a empresa construiu corredores que ligam a fábrica de ração e os piquetes. Neste novo layout, os cochos, que antes ficavam na divisa entre dois piquetes, obrigando os caminhões a entrar nos pastos, foram instalados à margem dos corredores.

Além disso, os piquetes de TIP, que exigem uma frequência de abastecimento dos cochos maior, ficaram mais próximos da fábrica, reduzindo o desgaste do maquinário e economizando combustível. Enfim, o projeto, hoje, é funcional e altamente competitivo.

TIP é altamente sustentável

O Grupo Scheffer iniciou um projeto de crédito de carbono em parceria com Rabobank na fazenda Agrosam, em Juara, para mensurar o carbono armazenado no solo nas atividades agropecuárias.

Nesta propriedade, a empresa faz agricultura regenerativa, modelo que preconiza menor uso de herbicidas e fertilizantes para favorecer o equilíbrio do ecossistema do solo, o que se traduz numa atividade agrícola mais sustentável. A fazenda também abriga a atividade de cria e um pequeno módulo de terminação intensiva a pasto (336 ha).

Dados preliminares mensurados pela empresa argentina Ruuts mostram que o sequestro de carbono foi maior nas áreas de TIP (79 t de CO2eq/ha) do que nas glebas de agricultura regenerativa e plantio direto. Mais surpreendente ainda é a vantagem sobre as atividades agropecuárias nos bioma cerrado (média de 41 t de CO2eq/ha) e amazônico (48 t de CO2eq no solo/ha).

“Os números mostram que a TIP é um modelo de engorda tropicalizado e sustentável, por isso se encaixou muito bem na operação agropecuária do grupo, que tem, no DNA do seu negócio, a sustentabilidade ambiental”, afirma Eduardo Catuta.

Fonte: DBO

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