Soluções apresentadas pela IHARA durante a Expodireto Cotrijal destacam novas moléculas e estratégias de manejo para controlar plantas daninhas, percevejos e doenças da soja, em um cenário de custos elevados e margens mais apertadas

O cenário da agricultura brasileira mudou nos últimos anos. Se antes o foco estava apenas em ampliar a produtividade, hoje o desafio do produtor é garantir rentabilidade em meio ao aumento dos custos e à maior pressão de pragas e doenças.
Durante a Expodireto Cotrijal, uma das principais feiras do agronegócio do país, especialistas destacaram que a gestão da lavoura exige cada vez mais equilíbrio entre conhecimento técnico e planejamento financeiro.
Segundo Fernando Socolovski, gerente comercial distrital da IHARA, a realidade do produtor mudou nos últimos anos.
“Nos últimos 15 anos a margem da agricultura era muito grande e a palavra era produzir mais. Com o cenário atual, o produtor precisa olhar a atividade de duas maneiras: a visão técnica e a visão financeira”, afirma.
Fundada em 1965, a IHARA atua como ponte entre a tecnologia japonesa e a agricultura brasileira. O Japão, inclusive, responde por cerca de 60% das novas moléculas desenvolvidas globalmente para proteção de cultivos.
Entre os principais problemas nas lavouras brasileiras estão as plantas daninhas resistentes, especialmente espécies como o caruru e o capim-amargoso.
Essas invasoras competem diretamente com as culturas por água, nutrientes e luz, podendo causar perdas expressivas de produtividade. Em situações mais severas, os prejuízos podem chegar a 90%.
De acordo com o engenheiro agrônomo Rudimar Spannemberg, o avanço dessas espécies tem sido acelerado.
“O caruru hoje é uma das plantas daninhas que mais cresce no Brasil e já está presente em praticamente todas as regiões produtoras”, explica.
Uma das estratégias apresentadas para o controle é o herbicida Yamato herbicide, desenvolvido para atuar em pré-emergência, ou seja, impedindo a germinação das plantas daninhas.
Segundo a empresa, o produto possui efeito residual entre 30 e 40 dias, reduzindo a competição inicial e permitindo melhor desenvolvimento das culturas como soja, milho e trigo.
Percevejo continua sendo uma das principais ameaças à soja
Entre os insetos que mais preocupam os agricultores está o percevejo, praga que ataca diretamente os grãos e pode comprometer a produtividade.
De acordo com Spannemberg, mesmo baixas populações do inseto podem gerar perdas relevantes.
“A presença de apenas um percevejo por metro quadrado pode representar a perda de quase uma saca por hectare”, afirma.
Para enfrentar o problema, a IHARA apresentou o inseticida Zeus insecticide, que utiliza o princípio ativo Dinotefuran, uma molécula relativamente recente no manejo de percevejos.
Segundo a empresa, o produto apresenta níveis de controle superiores a 90% e efeito residual prolongado, características importantes no manejo de populações resistentes.
O desenvolvimento de uma nova tecnologia agrícola, porém, exige altos investimentos. O processo pode ultrapassar US$ 250 milhões e levar mais de uma década entre pesquisa, testes e registro.
Manejo preventivo é chave contra ferrugem asiática
Entre as doenças que mais ameaçam a soja brasileira está a Ferrugem asiática da soja, considerada uma das mais agressivas da cultura.
Em condições favoráveis ao fungo, as perdas podem atingir até 90% da produção.
Por isso, especialistas destacam que o controle precisa ser preventivo, com aplicações realizadas antes da instalação da doença.
Entre as soluções apresentadas estão os fungicidas Save fungicide, utilizado no manejo inicial de doenças foliares, e Sugoy fungicide, que atua formando uma camada protetora sobre as folhas, dificultando a germinação dos esporos do fungo.
Para complementar o manejo, o fungicida Absoluto Fix fungicide também foi destacado por sua performance no controle da ferrugem, tendo obtido bons resultados em avaliações conduzidas pela Embrapa dentro do Consórcio Antiferrugem.
Integração entre químico e biológico ganha espaço
Além das tecnologias químicas, o avanço das soluções biológicas também foi destacado como tendência para os próximos anos.
A aquisição da empresa Inova Biotecnologia, localizada em Foz do Iguaçu, reforça a estratégia da IHARA de ampliar o portfólio com organismos biológicos voltados ao manejo agrícola.
Atualmente, a empresa desenvolve novos produtos baseados em microrganismos que podem auxiliar no controle de pragas e doenças.
Segundo especialistas, o caminho mais promissor é a integração das tecnologias.
“O biológico é uma ferramenta muito importante, mas ele não substitui o químico. O ideal é que os dois trabalhem juntos no manejo”, explica Socolovski.
Tecnologia e manejo definem rentabilidade no campo
Diante da maior pressão de pragas, doenças e plantas daninhas, o uso de tecnologias adequadas tornou-se um fator decisivo para garantir produtividade e rentabilidade.
Para os especialistas, a combinação entre inovação, manejo correto e conhecimento técnico será cada vez mais determinante para o sucesso das lavouras brasileiras.






