outubro 6, 2026

Projeto reduz de 24 para 13 meses tempo de recuperação de pastagem no Tocantins

Experimento em sistema silvipastoril combinou correção do solo e reposição de nutrientes para antecipar o retorno do gado à área

Foto: Divulgação

Um projeto realizado no Tocantins conseguiu reduzir de 24 para 13 meses o período necessário para que o gado voltasse a uma área de pastagem em recuperação. O experimento foi conduzido pelas empresas Massari Fértil e Morro Verde em um sistema silvipastoril, que integra eucalipto, pastagem e criação de bovinos.

Segundo o empresário Sérgio Ailton Saurin, fundador das empresas envolvidas no projeto, o trabalho teve como base a análise das condições do solo, seguida pela correção da acidez e reposição dos nutrientes considerados necessários para o desenvolvimento da pastagem.

A expectativa inicial era de que a área precisasse de aproximadamente dois anos para voltar a receber os animais. Com o manejo adotado, o pastejo foi retomado depois de 13 meses.

A redução desse intervalo pode representar um ganho importante para sistemas pecuários que precisam recuperar áreas degradadas, já que permite antecipar a retomada da produção sem a necessidade de abertura de novas áreas.

Análise do solo orientou recuperação

De acordo com Saurin, o diagnóstico das condições do solo foi o ponto de partida do projeto. A análise permitiu identificar a disponibilidade de nutrientes e definir quais correções seriam necessárias para a implantação e o desenvolvimento da pastagem.

“Tudo começa por uma perfeita análise de solo. Nós precisamos primeiro entender quais as condições que o solo tem. É a premissa principal”, afirmou.

No experimento realizado no Tocantins, foram aplicadas três toneladas por hectare de um produto formulado a partir das características identificadas na área. Segundo o empresário, a composição reúne fontes de cálcio e magnésio, gesso e nutrientes como enxofre, boro, zinco e potássio.

A formulação, porém, varia conforme as condições de cada propriedade. Por isso, a experiência não representa uma recomendação única de aplicação para outras áreas, que precisam ser avaliadas individualmente.

Manejo busca corrigir perfil do solo

Outro objetivo do trabalho foi reduzir a acidez e melhorar as condições do perfil do solo. Segundo Saurin, os produtos utilizados são micronizados e podem ser aplicados superficialmente, sem a necessidade de revolvimento da terra.

A estratégia busca diminuir o número de operações com máquinas e, consequentemente, reduzir riscos de compactação. O manejo considera características químicas, físicas e biológicas do solo.

“Nós precisamos falar de como vai ser esse solo hoje, amanhã, no próximo ano e nos próximos anos. Nós temos que falar em sustentabilidade”, disse Saurin.

Segundo o empresário, os projetos desenvolvidos pelas empresas são baseados em estudos e avaliações técnicas. “Todos os nossos projetos são baseados em estudos, discussões e conhecimento que existem e que nós incorporamos em nossas experiências.”

Recuperação pode ampliar aproveitamento das áreas

A recuperação de pastagens degradadas é um dos principais desafios da pecuária brasileira. Além da perda de produtividade das forrageiras, a degradação pode reduzir a capacidade de suporte das propriedades e elevar os custos de produção.

Nesse cenário, recuperar áreas já utilizadas pela atividade pode aumentar a eficiência do uso da terra e reduzir a necessidade de implantação de novas pastagens.

Saurin afirma que o trabalho das empresas com correção de solos ocorre há mais de 12 anos e já envolveu mais de 80 mil análises. Ele também defende a utilização de fontes nacionais de nutrientes como complemento aos fertilizantes tradicionalmente empregados na agricultura e na pecuária.

“Nós temos que fazer uma troca de uma forma organizada, estudada”, afirmou.

A proposta, segundo ele, não é eliminar o uso dos fertilizantes convencionais, mas combinar diferentes fontes de nutrientes de acordo com as características do solo e as necessidades de cada sistema produtivo.

No caso do experimento no Tocantins, o resultado indica que a correção das condições do solo, associada ao planejamento do manejo, pode encurtar o período de recuperação e antecipar o retorno dos animais à pastagem.

Fonte: Giovanni Porfírio / Giro do Boi
Curadoria: Camila Gusmão para o portal Boi a Pasto

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