maio 5, 2026

Só 34% dos produtores conhecem crédito de carbono

Pesquisa da ABMRA, mostra que só um quarto dos produtores participa do tema e apenas com proteção ambiental

Árvores em sistemas integrados acumulam 8 t de carbono por hectare a cada ano

O crédito de carbono começa a ganhar espaço no agronegócio brasileiro, mas ainda está longe de ser um tema amplamente disseminado entre os produtores rurais. Segundo a 9ª edição da Pesquisa Hábitos do Produtor Rural, realizada pela ABMRA (Associação Brasileira de Marketing Rural e Agro) e divulgada com exclusividade pela CNN, 34% dos produtores afirmam saber do que se trata o mecanismo

Dentro desse grupo, 33% dizem possuir algum nível de conhecimento mais estruturado, enquanto apenas 24% participam efetivamente de iniciativas ligadas ao crédito de carbono. Os dados sugerem que, embora o assunto tenha ganhado visibilidade, a conversão em práticas concretas ainda é limitada.

Entre os produtores que já adotam ações relacionadas ao tema, a conservação de áreas naturais aparece como principal iniciativa, citada por 66% dos entrevistados. Outras práticas incluem o uso de técnicas agrícolas sustentáveis (42%) e projetos de reflorestamento (34%).

Para Ricardo Nicodemos, presidente da entidade, os números evidenciam uma oportunidade clara de avanço na comunicação. “Há espaço para ampliar o entendimento do produtor sobre como práticas que já fazem parte da rotina podem se conectar a agendas emergentes, como o crédito de carbono”, afirma.

Clima preocupa, mas adoção ainda esbarra em desafios

A pesquisa também mostra que a preocupação com o clima já está consolidada no setor: 86% dos produtores acreditam que as mudanças climáticas irão impactar a produção agrícola. Apesar disso, apenas 31% consideram altas ou muito altas as barreiras para adoção de práticas sustentáveis.

Esse aparente paradoxo reflete um cenário em que a percepção de risco convive com dificuldades práticas. Entre os principais entraves estão a falta de informação clara, a carência de apoio técnico, o acesso restrito a recursos e a incerteza sobre o retorno financeiro dessas iniciativas.

Nesse contexto, a comunicação surge como um fator-chave para acelerar a transição. “Dar visibilidade ao que já está sendo feito no campo é essencial para fortalecer a imagem do produtor e ampliar a adesão a essas práticas”, diz Nicodemos.

Perfil do produtor combina tradição e profissionalização

O levantamento traça ainda um retrato do produtor rural brasileiro, marcado por uma combinação de tradição familiar e crescente profissionalização. A idade média é de 48 anos, e 61% afirmam ter ingressado na atividade por herança familiar.

Ao mesmo tempo, o nível de conhecimento técnico tem avançado: passou de 24% em 2021 para 43% em 2025. O estudo também destaca a importância da diversidade na gestão rural — 98% dos entrevistados consideram a participação feminina vital ou muito importante na condução das propriedades.

Para a ABMRA, os dados reforçam a necessidade de estratégias de comunicação mais segmentadas no agronegócio. “O campo é heterogêneo, com diferentes perfis e níveis de formação. Entender essa diversidade é essencial para construir mensagens mais eficazes e conectadas à realidade do produtor”, afirma o executivo.

A Pesquisa ABMRA Hábitos do Produtor Rural ouviu 3.100 produtores em 16 estados. O estudo abrangeu 14 culturas agrícolas, quatro tipos de rebanhos e aplicou um questionário com 280 perguntas, oferecendo um panorama abrangente sobre comportamento, gestão e percepção no campo.

Por: Fernanda Pressinott, da CNN Brasil, São Paulo

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