INTEGRA√á√ÉO LAVOURA-PECU√ĀRIA

A cultura do milho na Integra√ß√£o Lavoura-Pecu√°ria A cultura do milho (Zea mays) se destaca no contexto da Integra√ß√£o Lavoura-Pecu√°ria (ILP) devido √†s in√ļmeras aplica√ß√Ķes que esse cereal t√™m dentro da propriedade agr√≠cola, quer seja na alimenta√ß√£o animal na forma de gr√£os ou de forragem verde ou conservada (rol√£o, silagem), na alimenta√ß√£o humana ou na gera√ß√£o de receita mediante a comercializa√ß√£o da produ√ß√£o excedente. Outro ponto importante s√£o as vantagens comparativas do milho em rela√ß√£o a outros cereais ou fibras no que diz respeito ao seu cons√≥rcio com capim. Uma das vantagens √© a competitividade no cons√≥rcio, visto que o porte alto das plantas de milho exerce, depois de estabelecidas, grande press√£o de supress√£o sobre as demais esp√©cies que crescem no mesmo local. A altura de inser√ß√£o da espiga permite que a colheita mecanizada seja realizada sem maiores problemas, pois a regulagem mais alta da plataforma diminui os riscos de embuchamento. Somando-se isso √† disponibilidade de herbicidas graminicidas p√≥s-emergentes, seletivos ao milho, √© poss√≠vel obter-se resultados excelentes com o cons√≥rcio milho + capim, como, por exemplo, no sistema Santa F√©. A cultura do milho tamb√©m possibilita trabalhar com diferentes espa√ßamentos. Atualmente, a tend√™ncia √© reduzir o espa√ßamento entre as fileiras do milho. Isso vai melhorar a utiliza√ß√£o de luz, √°gua e nutrientes e aumentar a capacidade de competi√ß√£o das plantas de milho. No cons√≥rcio com forrageiras, a redu√ß√£o de espa√ßamento tem, ainda, a vantagem de formar um pasto mais bem estabelecido (fechado), quando as sementes da forrageira s√£o depositadas somente na linha de plantio do milho. A decis√£o pelo espa√ßamento do cons√≥rcio a ser estabelecido deve levar em conta a disponibilidade das m√°quinas, tanto para o plantio quanto para a colheita. Vantagens da Integra√ß√£o Lavoura-Pecu√°riaA integra√ß√£o lavoura-pecu√°ria √© a diversifica√ß√£o, rota√ß√£o, consorcia√ß√£o ou sucess√£o das atividades agr√≠colas e pecu√°rias dentro da propriedade rural de forma planejada, constituindo um mesmo sistema, de tal maneira que h√° benef√≠cios para ambas. Possibilita, como uma das principais vantagens, que o solo seja explorado economicamente durante todo o ano ou, pelo menos, na maior parte dele, favorecendo o aumento na oferta de gr√£os, de fibras, de l√£, de carne, de leite e de agroenergia a custos mais baixos devido ao sinergismo que se cria entre a lavoura e a pastagem. Sistemas de Integra√ß√£o Lavoura-Pecu√°ria (SILP), compostos por tecnologias sustent√°veis e competitivas, foram e ainda est√£o sendo desenvolvidos ou ajustados √†s diferentes condi√ß√Ķes edafoclim√°ticas do pa√≠s, o que tem possibilitado a sustentabilidade do empreendimento agr√≠cola, com redu√ß√£o de custos, distribui√ß√£o de renda e redu√ß√£o do √™xodo rural em decorr√™ncia da maior oferta de empregos no campo. Dentre os principais benef√≠cios para o produtor podemos destacar: (i) diversifica√ß√£o de atividades/produ√ß√£o garantindo maior estabilidade de renda, uma vez que o produtor n√£o fica dependente das condi√ß√Ķes favor√°veis de mercado e ou sujeito √† problemas clim√°ticos de apenas um produto, al√©m de possibilitar a obten√ß√£o de receitas em diferentes √©pocas do ano; (ii) associa o baixo risco da atividade pecu√°ria com a possibilidade de alta rentabilidade da produ√ß√£o agr√≠cola; (iii) viabiliza a recupera√ß√£o do potencial produtivo de √°reas j√° desmatas, principalmente pastagens degradadas, aumentando a produ√ß√£o e oferta de gr√£os, fibras, agroenergia, carne e leite, contribuindo para a redu√ß√£o da press√£o por abertura de novas √°reas, principalmente na regi√£o Amaz√īnica; (iv) como alternativa para a recupera√ß√£o de pastagens degradadas, a ILP apresenta viabilidade t√©cnica e econ√īmica, utilizando-se a produ√ß√£o da lavoura (gr√£os, fibras etc) para cobrir os custos de preparo da √°rea e aquisi√ß√£o dos corretivos e fertilizantes, ficando o pecuarista com a pastagem recuperada; (v) otimiza a utiliza√ß√£o de m√°quinas, equipamentos, insumos e m√£o de obra no decorrer do ano, ou seja, as m√°quinas e funcion√°rios que no per√≠odo da safra est√£o ocupados na condu√ß√£o das lavouras, no per√≠odo da entressafra ser√£o utilizados nas atividades pecu√°rias; (vi) redu√ß√£o na incid√™ncia de pragas, doen√ßas e plantas daninhas nas lavouras em fun√ß√£o da rota√ß√£o de culturas, baixando os custos de produ√ß√£o (redu√ß√£o da quantidade de defensivos agr√≠colas e custos de aplica√ß√£o); (vii) maior efici√™ncia de utiliza√ß√£o de corretivos e fertilizantes aplicados por meio de consorcia√ß√£o e/ou sucess√£o de culturas/pastagem em uma mesma √°rea, como exemplo o aproveitamento pelas pastagens do adubo residual utilizado na cultura anterior; (viii) na ILP, com a introdu√ß√£o de capins em determinados per√≠odos nas √°reas de lavoura, t√™m-se a produ√ß√£o de excelente palhada (quantidade e qualidade) para a realiza√ß√£o do Sistema de Plantio Direto na palha. O plantio direto possibilita a redu√ß√£o de custos com opera√ß√Ķes mecanizadas e defensivos, eleva o teor de mat√©ria org√Ęnica no solo, melhora a estrutura f√≠sica do mesmo elevando a velocidade de infiltra√ß√£o da √°guas das chuvas e mant√©m o solo com cobertura vegetal durante todo o ano, protegendo-o da eros√£o e repercutindo em benef√≠cios ambientais significativos. Durante as etapas de convers√£o da propriedade ou parte dela para SILP, o propriet√°rio dever√° ir se qualificando, pois o gerenciamento torna-se mais complexo. A maior dificuldade para ado√ß√£o de SILP, por parte do pecuarista, √© seu parque de m√°quinas geralmente limitado. Por sua vez, o agricultor demandar√° investimentos consider√°veis em cercas e animais. Em raz√£o disso, acordos de parcerias e arrendamentos de terra t√™m sido uma sa√≠da para aqueles que n√£o disp√Ķem de capital para fazer esses investimentos ou n√£o est√£o dispostos a utilizar as linhas convencionais ou especiais de cr√©dito para SILP que est√£o sendo implementadas. Milho consorciado com forrageirasNa pr√°tica, depara-se com as mais variadas situa√ß√Ķes em que o produtor tenta reduzir os custos de recupera√ß√£o ou reforma de seus pastos fazendo plantio de milho + forrageira. Ali√°s, essa pr√°tica √© bastante antiga. Por outro lado, √© raro aquele que faz implanta√ß√£o de pastagens em √°reas agr√≠colas. Existem para estas duas situa√ß√Ķes propostas para inserir as propriedades em SILP de tal forma que elas passem a ser mais sustent√°veis e competitivas. As tecnologias dispon√≠veis s√£o o Sistema Barreir√£o, o Sistema Santa F√© e suas varia√ß√Ķes. Qualquer um desses sistemas √© perfeitamente ajust√°vel a qualquer tamanho de propriedade, desde as pequenas, com alguns hectares e que usam a m√£o-de-obra familiar, at√©

Sustentabilidade: para cada hectare plantado, um ser√° preservado

Com o ‚ÄúCompromisso Um para Um‚ÄĚ, at√© o final de 2025, Bracell prop√Ķe um novo padr√£o de atua√ß√£o para o setor de celulose As planta√ß√Ķes de eucalipto, intercaladas com florestas nativas, formam verdadeiros mosaicos florestais que proporcionam benef√≠cios ambientais para a biodiversidade (Foto: Divulga√ß√£o) As empresas de celulose t√™m na floresta sua mat√©ria-prima. Natural, portanto, que desenvolvam a√ß√Ķes voltadas para a preserva√ß√£o do habitat dos eucaliptos. A Bracell, l√≠der global na produ√ß√£o de celulose sol√ļvel, segue um padr√£o de alto n√≠vel em dire√ß√£o a esta tend√™ncia: atualmente mant√©m, para cada hectare de terra plantada com eucalipto, 0,56 hectare em √°rea nativa conservada. Mas a empresa quer ir al√©m. E acaba de anunciar uma meta ousada e atingir a propor√ß√£o de: um hectare preservado para cada hectare de produ√ß√£o. Resultado de investimentos previstos inicialmente em R$ 12 milh√Ķes a a√ß√£o, chamada Compromisso Um para Um, √© perene e est√° atrelada √† estrat√©gia de sustentabilidade da companhia. ‚ÄúA iniciativa in√©dita √© importante porque amplia a √°rea de atua√ß√£o da empresa na conserva√ß√£o da biodiversidade e dos servi√ßos ambientais prestados pela natureza, para al√©m da nossa √°rea de produ√ß√£o. Adotamos esse compromisso de forma permanente‚ÄĚ, explica M√°rcio Nappo, vice-presidente de sustentabilidade e comunica√ß√£o corporativa da companhia, parte do grupo RGE, que tem mais de 60 mil funcion√°rios e opera√ß√Ķes no Brasil, China, Indon√©sia, Espanha e Canad√°. Como resultado ser√£o conservadas √°reas de Mata Atl√Ęntica, Cerrado e Caatinga, nos tr√™s estados onde a Bracell atua, S√£o Paulo, Mato Grosso do Sul e Bahia. ‚ÄúVamos avan√ßar ainda mais, contribuir com a conserva√ß√£o de √°reas p√ļblicas, como unidades de conserva√ß√£o, promover corredores ecol√≥gicos e manter mananciais em √°reas privadas‚ÄĚ, explica o gerente de meio ambiente e certifica√ß√Ķes Jo√£o Augusti. O compromisso com a conserva√ß√£o de √°reas nativas se estende a um conjunto de a√ß√Ķes, conforme as demandas de cada regi√£o atendida. Inclui, por exemplo, o combate ao desmatamento e furto de madeira nativa e √† ca√ßa ilegal e captura de animais silvestres. E passa tamb√©m pela preven√ß√£o e combate a inc√™ndios flores tais. ‚ÄúEssas s√£o a√ß√Ķes nas quais a empresa tem grande expertise e pode contribuir compartilhando t√©cnicas e metodologias‚ÄĚ, diz Nappo. Conserva√ß√£o de ReservasA Bracell mant√©m Reservas Particulares do Patrim√īnio Natural (RPPNs), onde s√£o permitidas apenas atividades de pesquisa cient√≠fica, educa√ß√£o ambiental e visita√ß√£o tur√≠stica. Atualmente, a companhia possui quatro RPPNs, que somam mais de 3 mil hectares de prote√ß√£o integral de vegeta√ß√£o nativa, fauna e flora. Uma delas, a RPPN Lontra, fica no litoral norte da Bahia e abriga centenas de esp√©cies da fauna e flora silvestres, muitas delas raras e amea√ßadas de extin√ß√£o. O trabalho da empresa levou a Unesco a conceder √† √°rea t√≠tulo de Reserva Avan√ßada da Biosfera da Mata Atl√Ęntica. As parcerias firmadas s√£o elemento fundamental para alcan√ßar a meta um para um, que abrange frentes t√£o diversas quanto a prote√ß√£o da biodiversidade e dos servi√ßos ambientais e a gest√£o do clima e da paisagem. √Č o caso do acordo assinado recentemente com a Funda√ß√£o Florestal de S√£o Paulo, que tem por objetivo patrocinar a√ß√Ķes de prote√ß√£o em 66 mil hectares de matas nativas, que incluem √°reas relevantes da Mata Atl√Ęntica e do Cerrado Paulista. A Bracell tamb√©m firmou um termo de coopera√ß√£o m√ļtua com a Secretaria de Meio Ambiente da Bahia (Sema), para fortalecer a prote√ß√£o da biodiversidade em Unidades de Conserva√ß√£o (UCs) de Mata Atl√Ęntica no estado, como os C√Ęnions do Suba√© e a bacia do rio Suba√ļma ‚Äď assim, contribui para proteger esp√©cies end√™micas, raras e amea√ßadas de extin√ß√£o da fauna e da flora, e os recursos h√≠dricos, garantidos pelas forma√ß√Ķes florestais. ‚ÄúFirmamos tamb√©m uma parceria com a Funda√ß√£o SOS Mata Atl√Ęntica, de forma a apoiar a√ß√Ķes para promover a restaura√ß√£o da floresta em √Āreas de Preserva√ß√£o Permanente (APP) e de Reserva Legal, contribuindo para a forma√ß√£o de corredores ecol√≥gicos, promovendo a conectividade de fragmentos remanescentes e preserva√ß√£o de recursos h√≠dricos‚ÄĚ, detalha Augusti. F√°brica inovadora Localizada em Len√ß√≥is Paulista (SP), nova f√°brica Bracell √© a maior e mais sustent√°vel planta de celulose sol√ļvel do mundo (Foto: Divulga√ß√£o) Ao assumir o Compromisso Um para Um, a companhia fortalece sua posi√ß√£o de vanguarda em prote√ß√£o ambiental. Como fez, tamb√©m, ao investir no Projeto Star, em que construiu a f√°brica de celulose mais moderna do mundo, livre de combust√≠veis f√≥sseis, capaz de produzir fibras renov√°veis ‚ąí a partir do plantio sustent√°vel de eucalipto ‚Äď, al√©m de fornecer energia limpa para o grid nacional. ‚ÄúA planta vai gerar um excedente de energia suficiente para fornecer eletricidade para 3 milh√Ķes de pessoas, o equivalente √† cidade de Bras√≠lia, capital do pa√≠s‚ÄĚ, explica M√°rcio Nappo, vice-presidente de sustentabilidade e comunica√ß√£o corporativa da Bracell. ‚ÄúAssim, aliamos tecnologia de ponta e prote√ß√£o da biodiversidade de forma eficiente‚ÄĚ. Fonte: √Čpoca Neg√≥cios Curadoria: Boi a Pasto

As abelhas e seus mecanismos de defesa

Um estudo realizado por pesquisadores da University of Sussex, do Reino Unido, revelou que, apesar de serem incapazes de ferroar como as abelhas da esp√©cie Apis mellifera por terem o ferr√£o atrofiado, as abelhas sem ferr√£o apresentam diferentes mecanismos de defesa. Pelo senso comum, as melopon√≠neas, chamadas de abelhas sem ferr√£o, ou ASF, s√£o inofensivas, incapazes de se defender. Afinal, n√£o ferroam‚Ķ Ledo engano. Um estudo de universidades paulistas mostrou o oposto. Uma das defesas √© ‚Äúmorder‚ÄĚ o intruso, prendendo-se a ele, e o indiv√≠duo at√© morre para proteger a col√īnia. Na esp√©cie Trigona hyalinata, conhecida como guaxup√©, as oper√°rias chegam ao extremo de ter a cabe√ßa separada do corpo, por n√£o soltar a mand√≠bula, matando ou afugentando o predador ou saqueador. Morre mas salva seus ninhos-col√īnias, onde est√£o o estoque de comida (mel e p√≥len) e a rainha, que coloca os ovos para manter a col√īnia e as larvas que v√£o perpetuar a esp√©cie. Um estudo realizado por pesquisadores da University of Sussex, do Reino Unido, em colabora√ß√£o com colegas da Faculdade de Filosofia, Ci√™ncias e Letras de Ribeir√£o Preto (FFCLRP) e da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) ‚Äď ambas da Universidade de S√£o Paulo (USP) ‚Äď, revelou que, apesar de serem incapazes de ferroar como as abelhas da esp√©cie Apis mellifera (a abelha africanizada) por terem o ferr√£o atrofiado, as abelhas sem ferr√£o apresentam diferentes mecanismos de defesa. D√≥i menos, mas d√≥i! A mordida delas d√≥i menos que a ferroada de uma abelha africanizada, mas pode ser suficiente para defender a col√īnia, afastando o agressor. Os pr√≥prios pesquisadores se transformaram em cobaias, para medir o n√≠vel de dor causado pelo ataque de cada esp√©cie de abelha sem ferr√£o. Para tanto, colocaram seu pr√≥prio bra√ßo na entrada da col√īnia, provocando as abelhas, como se fossem um agressor. Classificaram a dor que sentiram entre 0 (pequena beliscada) e 5, uma mordida que causa uma dor desagrad√°vel, capaz de romper a pele se for persistente. Os pesquisadores observaram que a mordida das abelhas do g√™nero Trigona √© mais dolorida do que as outras esp√©cies de abelhas sem ferr√£o. Observando na lupa, verificaram que elas possuem mand√≠bulas serrilhadas, parecendo possuir cinco ‚Äúdentes‚ÄĚ afiados. Os pesquisadores resolveram testar a persist√™ncia das abelhas em defender sua col√īnia, cujo limite √© o suic√≠dio. Colocaram uma bandeira tremulando na entrada da col√īnia, aparentando um agressor. As abelhas ‚Äúmorderam‚ÄĚ a bandeira, prendendo-se a ela. Ent√£o, tiveram suas asas puxadas com pin√ßas, para ver se largavam o agressor, ou se preferiam ficar sem as asas ‚Äď uma condena√ß√£o √† morte. As oper√°rias de seis esp√©cies de abelhas sem ferr√£o mais agressivas demostraram disposi√ß√£o de sofrer danos fatais e morrer, mas n√£o soltavam a bandeira. Outras formas de defesa J√° sabemos que as abelhas africanizadas utilizam seu ferr√£o, injetando uma toxina nos agressores, afastando-os e, em alguns casos, podendo mata-los. Na natureza, as abelhas escolhem locais bem protegidos, dentro de ocos de √°rvores grossas, numa cavidade entre pedras, ou no alto de √°rvores, dificultando o acesso de predadores naturais como for√≠deos, formigas, lagartos, aranhas, p√°ssaros, sapos, entre outros. Se o perigo for muito grande, as abelhas que percebem o risco ‚Äď normalmente as guardi√£s ou soldados ‚Äď liberam subst√Ęncias vol√°teis, que alertam todos os demais membros da col√īnia. Esse alerta ajuda a formar um grande ‚Äúex√©rcito‚ÄĚ, que se une para combater o invasor. Algumas esp√©cies, como a jata√≠ (Tetragonisca angustula) possuem uma guarda refor√ßada perto do ninho, o que inclui uma ‚Äúfor√ßa a√©rea‚ÄĚ de guardi√£s que sobrevoam permanentemente a entrada do mesmo, para detectar qualquer perigo √° col√īnia. H√° esp√©cies de abelhas que, √† noite, fecham a entrada do ninho com uma esp√©cie de tela, que permite o ingresso de ar, mas impede a entrada de predadores. A teia √© constru√≠da com cerume, que √© uma subst√Ęncia formada pela mistura de cera e resina, que foram coletadas de plantas. As abelhas vedam frestas no ninho com pr√≥polis, o que evita a entrada de predadores ou de microrganismos, como fungos ou bact√©rias. Algumas esp√©cies de abelhas sem ferr√£o se defendem de invasores grudando bolinhas de pr√≥polis, em uma forma bem pegajosa, limitando os movimentos e podendo levar os agressores √† morte. Algumas esp√©cies de abelhas sem ferr√£o possuem comportamento t√≠mido e se escondem ao perceberem movimenta√ß√£o perto do ninho. O objetivo √© dificultar ao agressor a localiza√ß√£o do ninho. J√° outras esp√©cies se defendem atacando os invasores. Voam ao seu redor, enrolam-se nos pelos e cabelos, mordiscando com suas mand√≠bulas. Esp√©cies de abelhas do g√™nero Oxytrigona, produzem uma subst√Ęncia c√°ustica nas gl√Ęndulas mandibulares, que causam dor em contato com a superf√≠cie do corpo, podendo ocasionar queimaduras. O comportamento defensivo das abelhas sem ferr√£o mostra o quanto n√≥s, humanos, temos a aprender com insetos sociais. Eles colocam sua comunidade acima do indiv√≠duo, e sacrificam a pr√≥pria vida para defender o coletivo. (*) Por D√©cio Luiz Gazzoni √© engenheiro agr√īnomo, pesquisador da Embrapa e membro do Conselho Cient√≠fico Agro Sustent√°vel Foto: Divulga√ß√£o / Alfapress Fonte: Revista Rural Curadoria: Boi a Pasto

Mais lucrativa, pecu√°ria sustent√°vel ajuda a reduzir o desmatamento

Com 1,064 milh√£o de toneladas e US$ 7,409 bilh√Ķes em receita, o Brasil √© recordista na exporta√ß√£o de carne bovina, com e Iniciativas que garantem a sustentabilidade da cadeia produtiva abrem mais oportunidades nos mercados internacionais O Brasil √© uma pot√™ncia mundial no segmento de carne bovina, liderando o ranking de pa√≠ses exportadores. De janeiro a julho de 2022 foram 1,064 milh√£o de toneladas e US$ 7,409 bilh√Ķes em receita, respectivamente 17,7% e 45,5% a mais sobre o mesmo per√≠odo de 2021, segundo a Associa√ß√£o Brasileira das Ind√ļstrias Exportadoras de Carnes (Abiec). Chegar a esses n√ļmeros exige n√£o apenas esfor√ßo dos produtores, mas muitas vezes pr√°ticas que s√£o conden√°veis do ponto de vista da sustentabilidade da cadeia produtiva. Embora parte dos questionamentos a esse respeito parta de na√ß√Ķes concorrentes, √© praticamente imposs√≠vel dissociar o avan√ßo da pecu√°ria ao desmatamento. De acordo com o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amaz√īnia (Imazon), no ano passado a floresta amaz√īnica perdeu 10.362 km2 de mata nativa, 29% a mais do que em 2020. E em muitas das √°reas onde antes havia √°rvores, hoje h√° pasto. A pecu√°ria profissional e sustent√°vel pode se descolar dessa imagem de vil√£ se assumir valores como a transpar√™ncia frente ao mercado global. Desde que n√£o fique apenas no discurso, claro. Essa tem sido uma das prioridades do Grupo de Trabalho da Pecu√°ria Sustent√°vel (GTPS), conforme afirmou o vice-presidente da institui√ß√£o, Jo√£o Schimansky Netto, que est√° h√° pouco mais de um m√™s no cargo: ‚ÄúO maior desafio √© despertar essa consci√™ncia de que √© preciso mostrar o melhor da pecu√°ria sustent√°vel com a mesma mensagem‚ÄĚ. O executivo entende bem essa rela√ß√£o, pois tamb√©m √© o respons√°vel pela compra de carne bovina da empresa sueca Norvida na Am√©rica do Sul, sobretudo no Brasil. Segundo Netto, al√©m dos fatores relacionados √† qualidade, os clientes europeus fazem quest√£o de saber como a carne foi produzida. Para ele, falta um instrumento oficial que comprove a origem de um bezerro e por onde esse animal andou. ‚ÄúIsso √© o que a Europa cobra e o setor est√° trabalhando para mostrar. Qualidade sanit√°ria a gente j√° tem, a bola da vez √© a quest√£o do desmatamento‚ÄĚ, disse. Quanto mais alinhado estiver o setor, maiores s√£o as chances de avan√ßar nesse campo. A pecu√°ria sustent√°vel √© baseada em bem-estar animal, conserva√ß√£o do solo e da √°gua, melhor aproveitamento de insumos e mitiga√ß√£o dos gases de efeito estufa. Adotar tais pr√°ticas naturalmente apresenta redu√ß√£o de custos, eleva√ß√£o de margens de lucratividade e pode conquistar mais mercados, o que j√° √© um ganho bem significativo. Al√©m disso, permite aos produtores receber servi√ßos ambientais e entrar no mercado de cr√©ditos de carbono. Assim, todos ganham, especialmente o planeta. Fonte: Isto √© Dinheiro Curadoria: Boi a Pasto

Resultados detectaram monoetilenoglicol em produtos para alimentação animal

O Minist√©rio da Agricultura, Pecu√°ria e Abastecimento (Mapa) informa que os resultados preliminares das an√°lises realizadas nos Laborat√≥rios Federais de Defesa Agropecu√°ria (LFDA) detectaram monoetilenoglicol como contaminante de propilenoglicol em lotes de produtos para alimenta√ß√£o animal al√©m daqueles inicialmente detectados. Dando continuidade √†s a√ß√Ķes de investiga√ß√£o sobre os casos suspeitos de intoxica√ß√£o de animais, o Minist√©rio da Agricultura, Pecu√°ria e Abastecimento (Mapa) informa que os resultados preliminares das an√°lises realizadas nos Laborat√≥rios Federais de Defesa Agropecu√°ria (LFDA) detectaram monoetilenoglicol como contaminante de propilenoglicol em lotes de produtos para alimenta√ß√£o animal al√©m daqueles inicialmente detectados. At√© o momento, as investiga√ß√Ķes ainda n√£o determinaram a origem do aditivo utilizado, em virtude da falta de rastreabilidade dos envolvidos e da mistura de lotes de aditivos nos diferentes estabelecimentos j√° identificados sem registro no Minist√©rio. O propilenoglicol √© um produto de uso permitido na alimenta√ß√£o animal, desde que seja adquirido de empresas registradas no Mapa. Para o maior controle quanto √† conformidade do propilenoglicol comercializado, o Departamento de Inspe√ß√£o de Produtos de Origem Animal determinou que empresas fabricantes de alimentos e mastig√°veis devem indicar os lotes de propilenoglicol existentes em seus estoques e seus respectivos fabricantes e importadores ao Servi√ßo de Inspe√ß√£o de Produtos de Origem Animal (SIPOA) de sua regi√£o, realizar an√°lises em produtos que contenham o propilenoglicol em sua composi√ß√£o, para garantir a seguran√ßa de uso nesses produtos, e indicar os lotes de produtos acabados em estoque e j√° distribu√≠dos que tenham utilizado propilenoglicol em sua composi√ß√£o, incluindo a porcentagem utilizada. Em caso de resultado n√£o conforme, as empresas devem realizar o recolhimento dos produtos e informar ao SIPOA da regi√£o. Aos fabricantes de aditivos que elaborem ou importem propilenoglicol, o Dipoa solicitou que se manifestem quanto √† fabrica√ß√£o, importa√ß√£o ou compra de propilenoglicol em territ√≥rio nacional desde dezembro de 2021, com rela√ß√£o √† identifica√ß√£o dos lotes, o quantitativo adquirido e suas origens. Os fabricantes das demais categorias de produtos para as demais esp√©cies de animais tamb√©m devem indicar se usam o propilenoglicol na composi√ß√£o dos seus produtos e quem s√£o os fornecedores do aditivo. As empresas t√™m o prazo de 10 dias para atender √†s determina√ß√Ķes do Dipoa. A n√£o comunica√ß√£o ao SIPOAS ser√° interpretada como n√£o utiliza√ß√£o do propilenoglicol e as empresas ser√£o fiscalizadas quanto √† veracidade das informa√ß√Ķes prestadas. Fonte: Revista Rural Curadoria: Boi a Pasto

Clima: a pecuária brasileira é o vilão ou a solução?

A pecu√°ria brasileira de ponta √© parte da solu√ß√£o para a diminui√ß√£o da emiss√£o de gases de efeito estufa A pecu√°ria brasileira de ponta √© parte da solu√ß√£o para a diminui√ß√£o da emiss√£o de gases de efeito estufa, seja pelo vigor do sequestro e armazenagem de carbono das pastagens tropicais bem manejadas, seja por conta de seu consistente aumento de produtividade, em que se produz mais quilos de carne e litros de leite com emprego de menor volume de recursos naturais. Adicione a esses elementos a conserva√ß√£o de reservas legais e APPs e ningu√©m conseguir√° competir com a carne brasileira do ponto de vista de pegada de carbono. N√£o h√° mecanismo mais barato e eficaz para se sequestrar carbono da atmosfera do que aquele chamado “fotoss√≠ntese”. √Č precisamente a atividade econ√īmica pecu√°ria que tem a responsabilidade de garantir que esse mecanismo se manifeste em um parcela do territ√≥rio brasileiro maior que as √°reas da Fran√ßa, Espanha, Alemanha, Italia e Holanda, somadas. Sem a presen√ßa do investimento do pecuarista no bom manejo de pastagens, parte consider√°vel dessa √°rea iria se degradar, tornando-se, no limite, deserto. Nesse caso, essas √°reas perderiam sua fr√°gil camada f√©rtil de solo, deixando consequentemente de propiciar condi√ß√Ķes para que carbono seja retirado da atmosfera. O pr√≥prio processo de desertifica√ß√£o √©, ali√°s e por si s√≥, grande emissor de g√°s metano. J√° as Reservas Legais e APPs dessas propriedades, que do mesmo modo contribuem para a remo√ß√£o e armazenamento de carbono, s√£o tamb√©m financiadas pela pecu√°ria. Em outras palavras, combater o consumo e a produ√ß√£o da carne brasileira √© trabalhar, n√£o s√≥ pela fome, mas tamb√©m em prol de verdadeira calamidade ambiental. E por que isso n√£o √© reconhecido? O esfor√ßo multilateral de regula√ß√£o clim√°tica global n√£o passa de uma disputa distributiva entre pa√≠ses e ind√ļstrias. O que est√° em jogo √© a decis√£o de quem pagar√° a trilion√°ria conta da redu√ß√£o das emiss√Ķes l√≠quidas de gases de efeito estufa no mundo. Quem pode mais, chora menos. Mas tamb√©m, de quem se beneficiar√°, evidentemente. Dessa forma, existem essencialmente tr√™s raz√Ķes que levam o Brasil a ter uma imagem ruim no debate clim√°tico global, em franco arrepio √† realidade que se observa na natureza. A primeira √© que, sendo o pa√≠s mais verde do planeta, n√£o interessa a nenhuma na√ß√£o rica do mundo ter o Brasil como modelo, como benchmark. S√£o interesses econ√īmicos e geopol√≠ticos que se manifestam, acima de tudo mas n√£o somente, atrav√©s de metodologias de contabilidade clim√°tica que pretendem desprezar vantagens competitivas como as que temos. A segunda √© o desconhecimento e preconceito da opini√£o p√ļblica, em especial no pr√≥prio Brasil, em rela√ß√£o √† realidade da atividade agropecu√°ria em geral. N√£o cabe a ningu√©m, a n√£o ser ao pr√≥prio setor rural continuar trabalhando em boa comunica√ß√£o para a revers√£o desse quadro. E a terceira, a falta de uma cultura arrojada de rela√ß√Ķes externas no Brasil que privilegie prementemente os interesses nacionais √† luz de nossas vantagens comparativas e competitivas. S√≥ assim poderemos, no futuro, seguir cumprindo nossa miss√£o de alimentar o mundo e conquistar, assim, protagonismo cada vez maior. Cabe ao pecuarista, em suma, seguir perseguindo o equil√≠brio econ√īmico-financeiro e  permanente aumento de efici√™ncia de sua atividade, sempre em respeito ao C√≥digo Florestal. Ao faz√™-lo, estar√° automaticamente incrementado os indicadores ambientais e clim√°ticos de sua propriedade. No entanto, como j√° √© evidente, √© primordial conseguir demonstrar as rela√ß√Ķes de causa e efeito inerentes √† sua atividade de forma clara, primeiro √† opini√£o p√ļblica brasileira, depois √† mundial. Eduardo Lunardelli Novaes, conselheiro t√©cnico da Associa√ß√£o nacional da pecu√°ria intensiva ‚Äď ASSOCON Curadoria: Boi a Pasto