Composição do Leite: como utilizar a nutrição a favor de seu rebanho

Quando falamos em leite, lembramos no mais antigo e rico alimento utilizado pelo homem. Li√©ber Garcia* Ao nascer, utilizamos como fonte de alimento, nos primeiros meses de vida, o leite materno. No entanto, com o passar dos anos, com o crescimento da demanda de alimentos no mundo, o homem passou a utilizar outras fontes para suprir a demanda de alguns nutrientes para seu melhor desenvolvimento. Dentre os animais dom√©sticos, os bovinos s√£o os principais fornecedores dessa mat√©ria-prima t√£o apreciada e utilizada na ind√ļstria aliment√≠cia. Contudo, para que o alimento leite tenha seu devido valor, devemos avaliar tanto a sua composi√ß√£o nutricional (prote√≠na, gordura, minerais) quanto a sua composi√ß√£o sanit√°ria (contagem de c√©lulas som√°ticas-CCS, contagem bacteriana total-CBT, presen√ßa de √°gua ou outros compostos qu√≠micos adicionados propositalmente), pois, essa composi√ß√£o poder√° interferir no rendimento dos produtos l√°cteos nas ind√ļstrias. Focaremos na composi√ß√£o nutricional, sendo que o manejo nutricional influi diretamente na maior ou menor composi√ß√£o de nutrientes no leite produzido pela vaca. A composi√ß√£o m√©dia do leite bovino encontra-se no quadro abaixo: √Č de conhecimento geral que a ind√ļstria l√°ctea nacional vem gradativamente aumentando a qualidade do leite adquirido, pagando aos produtores n√£o somente pelo volume, mas tamb√©m pela composi√ß√£o do produto. Sendo assim, √© de suma import√Ęncia econ√īmica para a atividade, que o produtor n√£o seja penalizado, quando for receber pelo leite produzido, ou seja, fornecer leite com n√≠veis de s√≥lidos, abaixo do m√≠nimo permitido. Mas onde a nutri√ß√£o poderia ajudar? Sabemos que o leite produzido √© fun√ß√£o da dieta ofertada aos animais e sua digest√£o por todo o trato gastrointestinal do mesmo. Sabemos tamb√©m que essa produ√ß√£o s√≥ ser√° potencializada ap√≥s os nutrientes ofertados ao animal serem utilizados para a manten√ßa e que somente ap√≥s a exig√™ncia de manten√ßa do animal for suprida √© que o excedente de nutrientes passar√° a ser utilizado para a produ√ß√£o de leite. Portanto, o primeiro passo para potencializar a produ√ß√£o e qualidade do leite √© o fornecimento de alimento (mat√©ria seca), em quantidade e qualidade compat√≠veis com a produ√ß√£o e composi√ß√£o esperada. O segundo passo √© entender que os alimentos dever√£o atender as demandas da vaca propriamente dita e dos microrganismos presentes no r√ļmen, pois a composi√ß√£o do leite depende desses dois indiv√≠duos. Em dietas baseadas em forragens, gr√£os, farelos, vitaminas e minerais, deve-se ter em mente que cada um desses ingredientes ter√° sua digest√£o e absor√ß√£o realizada no r√ļmen (fermenta√ß√£o microbiana) e seus compostos e/ou parte desses alimentos ter√£o a digest√£o no abomaso (est√īmago verdadeiro) para depois serem absorvidos nos intestinos. As forragens, quando fermentadas pelas bact√©rias no r√ļmen, resultar√£o em √°cidos graxos vol√°teis, sendo o principal resultante, o √°cido ac√©tico e, em menor quantidade, o √°cido but√≠rico. Por sua vez, gr√£os ricos em amido resultar√£o em √°cido propi√īnico. Por outro lado, farelos proteicos e/ou ur√©ia, ser√£o as fontes de nitrog√™nio e amino√°cidos para o crescimento dessas bact√©rias, que por sua vez, servir√£o de fontes de prote√≠na ao animal hospedeiro. Para que se obtenha a gordura no leite, o organismo animal se utiliza principalmente de 50% do √°cido ac√©tico resultante da fermenta√ß√£o das fibras e 50% dos lip√≠deos oriundos da dieta ou lip√≠deos circulantes na corrente sangu√≠nea. Portanto, para potencializar a produ√ß√£o de gordura no leite devemos lan√ßar m√£o de alguns cuidados nutricionais e de manejo, para que, essa fermenta√ß√£o da fibra, n√£o fique prejudicada, podendo assim, ocasionar queda nos n√≠veis de gordura no leite. Dentre os manejos, podemos citar: ‚ÄĘ Baixo teor de fibra efetiva (FDNef) na dieta total e alto teor de carboidratos n√£o fibrosos; ‚ÄĘ Dietas muito √ļmidas (>50% de umidade); ‚ÄĘ Fornecer mais do que 3 kg de concentrado por trato para os animais; ‚ÄĘ Fornecimento de gordura poli-insaturada acima do recomendado; ‚ÄĘ Animais sob estresse t√©rmico; Todos esses fatores podem deprimir o teor de gordura no leite, seja porque causam acidose e o animal n√£o consegue o equil√≠brio ruminal desejado para a m√°xima fermenta√ß√£o e crescimento microbiano, ou porque algumas rea√ß√Ķes de biohidrogena√ß√£o de gorduras poli-insaturadas produzem metab√≥litos que inibem a s√≠ntese de gordura na gl√Ęndula mam√°ria. Dessa forma, se quisermos aumentar o teor de gordura no leite, basta respeitarmos esses fatores supracitados, balanceando fibras e carboidratos n√£o fibrosos, dietas com umidade adequada, dividir em maior n√ļmero de vezes o trato ofertado aos animais, respeitar os limites de gordura adicionada na dieta (especialmente as de origem dos gr√£os de soja e algod√£o) e principalmente, dar conforto t√©rmico (sombra, ventila√ß√£o e aspers√£o) aos animais. Quando falamos em teor de prote√≠na no leite, devemos saber que √© o constituinte com menor modifica√ß√£o pela dieta. Mudan√ßas muito significativas, dependendo do mercado, dever√£o lan√ßar m√£o de material gen√©tico, pois h√° ra√ßas que produzem maiores teores de prote√≠na no leite do que outras. No entanto, podem ser potencializados pela nutri√ß√£o. A prote√≠na do leite dentre os alimentos consumidos pelo homem √© a que apresenta um dos melhores perfis de amino√°cidos. Portanto, para que se aumente o teor de prote√≠na basta melhorarmos o aporte e rela√ß√£o de amino√°cidos nas dietas ofertadas. As principais fontes de amino√°cidos ‚Äď e as que mais se comparam com o perfil aminoac√≠tico do leite ‚Äď s√£o as bact√©rias ruminais. Dessa forma, tudo o que for feito para potencializar o m√°ximo crescimento microbiano ruminal tende a melhorar os n√≠veis de prote√≠na no leite. Outra forma √© o fornecimento de amino√°cidos espec√≠ficos, protegidos da degrada√ß√£o ruminal, que complementar√£o os amino√°cidos fornecidos pelas bact√©rias. Dentre esses amino√°cidos protegidos podemos citar a metionina e a lisina. Para que haja um melhor crescimento e melhor aporte de prote√≠na microbiana ruminal, podemos controlar o pH, evitando acidose, que prejudica o crescimento dessas bact√©rias; processar a fonte de amido, para que o mesmo se torne mais eficiente como fonte de energia para essas bact√©rias; quantidade e qualidade da fibra da forragem ofertada tamb√©m impacta no crescimento dessas bact√©rias. Quando o desafio nutricional √© alto, ou seja, animais de alta produ√ß√£o com alimentos de m√©dia a baixa qualidade, podemos lan√ßar m√£o de aditivos que promovem um maior crescimento de microrganismos ben√©ficos no r√ļmen. Dessa forma, haver√°

As vacas falam, estamos ouvindo?

A avalia√ß√£o da alimenta√ß√£o dos rebanhos leiteiros sempre foca nos √≠ndices produtivos e reprodutivos das vacas, mas para fazer uma avalia√ß√£o completa do manejo nutricional, o produtor tem que andar no meio dos animais Alexandre M. Pedroso*  Eu costumo dizer que a vaca √© o melhor ¬īterm√īmetro¬ī para sabermos se as ra√ß√Ķes que formulamos ou o manejo que recomendamos est√£o adequados. Devemos sempre ¬īescutar o que as vacas nos dizem¬ī, mas, muitas vezes, t√©cnicos e produtores n√£o d√£o ouvidos √†s vozes do rebanho. Costumeiramente digo em palestras e treinamentos que a parte mais f√°cil do manejo da alimenta√ß√£o √© a formula√ß√£o da dieta. O dif√≠cil √© fazer com que as vacas comam exatamente aquilo que foi previsto pelo nutricionista e que estejam no ambiente que foi considerado por ele na hora de formular a dieta. Sim, pois o desempenho das vacas n√£o depende unicamente da comida disponibilizada. Lembro-me de uma vez em que fui chamado por um produtor de leite que se queixava da produ√ß√£o de suas vacas. Ele gostaria que eu fizesse uma avalia√ß√£o das formula√ß√Ķes que estavam sendo utilizadas. Fui at√© a fazenda e passei cerca de tr√™s horas visitando as instala√ß√Ķes, avaliando itens de conforto, manejo, e voltei a me reunir com ele. Apresentei uma lista com quinze itens que deveriam ser imediatamente corrigidos para que as vacas pudessem ter melhor desempenho. Uma das √ļnicas coisas em que n√£o vi defeito foi justamente na formula√ß√£o das dietas. A avalia√ß√£o da alimenta√ß√£o dos rebanhos leiteiros sempre foca nos √≠ndices produtivos e reprodutivos das vacas, e tamb√©m os resultados das an√°lises laboratoriais dos alimentos, mas para fazer uma avalia√ß√£o realmente completa do seu manejo nutricional o produtor tem que andar no meio dos animais. Essa intera√ß√£o mais pr√≥xima √© fundamental para que o produtor possa observar seu comportamento, o manejo do cocho, a disponibilidade de √°gua, o conforto, seu escore de condi√ß√£o corporal e muitos outros itens, como rumina√ß√£o, apar√™ncia geral, problemas de casco. Al√©m disso, √© importante que essas visitas sejam feitas em diferentes hor√°rios, para se ter uma ideia melhor das varia√ß√Ķes ao longo do dia. Assim, √© poss√≠vel unir as informa√ß√Ķes do escrit√≥rio com as coletadas entre o rebanho para montar um quadro da situa√ß√£o. Para saber se as coisas v√£o bem na fazenda, h√° uma s√©rie de aspectos que devem ser observados. De cada dez vacas, quantas est√£o ruminando? H√° sinais de que as vacas est√£o selecionando a ra√ß√£o? O que est√° sendo selecionado? As vacas est√£o consumindo dejetos, terra ou areia? Est√£o consumindo minerais de forma exagerada? Essas e outras tantas perguntas que podem ser feitas procuram cobrir pontos importantes relativos ao manejo da alimenta√ß√£o e √†s condi√ß√Ķes de conforto dos quais o rebanho est√° submetido. Por exemplo: como regra geral, caso n√£o estejam comendo, bebendo, dormindo, ou se estiverem sob estresse t√©rmico, quatro a cinco vacas de cada dez devem estar ruminando. As vacas podem ruminar por at√© dez horas por dia e, se isso n√£o estiver acontecendo, √© necess√°rio procurar a causa. Sele√ß√£o de alimentos? Falta de FDN ou Fibra Fisicamente Efetiva? Isso deve ser investigado e corrigido. Fazer a avalia√ß√£o f√≠sica da dieta oferecida √†s vacas e dos alimentos volumosos √© muito importante para saber o que, de fato, os animais est√£o ingerindo e se isso equivale ao que foi formulado pelo nutricionista. Avaliar as fezes das vacas √© uma excelente ferramenta para identificar poss√≠veis problemas. Se as vacas fazem muita sele√ß√£o de alimentos nos cochos, haver√° grande varia√ß√£o nas fezes (de secas √† diarreia) dentro do lote, que supostamente est√° consumindo a mesma ra√ß√£o. E, nesse caso, ficamos sem ter ideia de qual ra√ß√£o cada vaca est√° efetivamente consumindo. Dessa forma, aumentam os casos de acidose ruminal e outros dist√ļrbios digestivos. Para resolver o problema, √© preciso minimizar as possibilidades de sele√ß√£o de alimentos, fazendo formula√ß√Ķes e misturas corretas. Outro ponto a ser observado √© que o aumento no consumo de minerais, bem como a ingest√£o de dejetos, terra ou areia, √© um sinal claro de desordens digestivas ou de que as vacas est√£o sob estresse cal√≥rico. √Č fundamental avaliar muito bem as condi√ß√Ķes de conforto na fazenda. Atualmente, sabemos que, dependendo da umidade relativa do ar, temperaturas acima de 20¬įC j√° s√£o suficientes para causar algum grau de estresse para os animais. H√° sombra dispon√≠vel nos sistemas de pastejo? Os galp√Ķes de confinamento oferecem condi√ß√Ķes adequadas, onde as vacas podem descansar confortavelmente? Se as vacas n√£o conseguem andar ou descansar com conforto, provavelmente produzir√£o menos leite, isso porque o animal n√£o precisar√° destinar energia extra para ¬īsobreviver¬ī ao ambiente. Superf√≠cies lisas, que fazem as vacas escorregarem, superf√≠cies irregulares, que as fazem andar como se estivessem pisando em ovos, ou lama t√£o profunda a ponto de ¬īsugar¬ī as botas de algum desavisado possivelmente v√£o contribuir para que as vacas fa√ßam menos visitas ao cocho ou, no caso de vacas no pasto, para que os ciclos de pastejo sejam reduzidos. Corredores cheios de pedras e buracos aumentam muito a incid√™ncia de problemas de casco no rebanho. Se nem o produtor consegue andar direito pelos corredores destinados √†s vacas, isso significa que elas est√£o sendo obrigadas a gastar mais energia do que deveriam em atividades n√£o produtivas. Observar as vacas enquanto se movimentam √© uma boa maneira de saber se est√£o confort√°veis ou n√£o. A dist√Ęncia entre a sala de ordenha e as √°reas de alimenta√ß√£o e descanso determina quanta energia adicional elas ter√£o que gastar para se locomoverem, acima do que normalmente j√° est√° considerado nas exig√™ncias de manuten√ß√£o. E isso ser√° subtra√≠do da energia l√≠quida dispon√≠vel para produzir leite. Ou seja, quanto mais tiverem que andar, pior. Percursos de mais de 500 metros s√£o indesej√°veis. Proporcionar √†s vacas um lugar confort√°vel para deitarem, ruminarem e descansarem √© fundamental para mant√™-las saud√°veis e produtivas. Em galp√Ķes do tipo Free- Stall, se as vacas n√£o deitam nas baias, √© necess√°rio reavaliar seu desenho e dimens√Ķes, e verificar se as camas est√£o limpas e em quantidade adequada. Os galp√Ķes do tipo Compost

O fósforo na alimentação de bovinos

O f√≥sforo (P) √© o segundo elemento mineral mais abundante no organismo.  Rafael Achilles Marcelino* A efici√™ncia dos sistemas de produ√ß√£o animal depende, em grande parte, do uso de medidas racionais de manejo, sobretudo no que diz a respeito da nutri√ß√£o dos animais, uma vez que a alimenta√ß√£o representa uma fra√ß√£o significativa dos custos de produ√ß√£o. Neste sentido, o correto balanceamento das dietas possui grande import√Ęncia, sendo necess√°rio para isso o conhecimento das exig√™ncias nutricionais dos animais, assim como da composi√ß√£o bromatol√≥gica e da disponibilidade de nutrientes dos alimentos. Os minerais, embora presentes em menores propor√ß√Ķes do que outros nutrientes, tais como prote√≠na e a gordura, desempenham fun√ß√Ķes vitais e suas defici√™ncias acarretam altera√ß√Ķes de ordem produtiva, reprodutiva e de sa√ļde. Os minerais possuem basicamente tr√™s fun√ß√Ķes no organismo animal: composi√ß√£o estrutural de √≥rg√£os e tecidos, constituintes de tecidos e fluidos corporais e catalisadores de sistemas enzim√°ticos e hormonais. O f√≥sforo (P) √© o segundo elemento mineral mais abundante no organismo. Cerca de 80% est√° presente nos ossos e dentes, al√©m de localizar-se tamb√©m em todas as c√©lulas e em quase toda transa√ß√£o envolvendo forma√ß√£o e quebra de liga√ß√Ķes de alta energia. F√≥sforo tamb√©m est√° intimamente envolvido no equil√≠brio √°cido-b√°sico do sangue e de outros fluidos corporais, sendo componente fosfolip√≠dico, fosfoprot√©ico e do √°cido nucl√©ico. A absor√ß√£o de P ocorre principalmente no intestino delgado. Somente pequenas quantidades s√£o absorvidas no r√ļmen, omaso e abomaso. A homeostase do P √© predominantemente mantida por reciclagem salivar e excre√ß√£o fecal, sendo proporcional a quantidade de P consumida e absorvida (NRC, 2001). F√≥sforo tamb√©m √© requerido pelos microrganismos ruminais para digest√£o da celulose e s√≠ntese de prote√≠na microbiana. A falta de energia e de prote√≠na √©, frequentemente, respons√°vel pelos baixos n√≠veis de produ√ß√£o. Todavia, desequil√≠brios minerais nos solos e forrageiras v√™m sendo responsabilizados pelo baixo desempenho produtivo e reprodutivo de ruminantes sob pastejo em √°reas tropicais. Fontes de suplementos minerais de P (fosfatos monoc√°lcico e bic√°lcico) s√£o adicionadas acima da recomenda√ß√£o, no intuito de se garantir ‚Äúmargem de seguran√ßa resultando em 25 a 35% de excesso do mineral na dieta e o aumento de 30% de sua excre√ß√£o. No r√ļmen, a disponibilidade dos minerais e sua utiliza√ß√£o dependem da taxa de passagem e da intera√ß√£o com a popula√ß√£o microbiana. As disponibilidades do Ca e P podem ser significativamente alteradas em virtude de suas combina√ß√Ķes qu√≠micas ou associa√ß√Ķes f√≠sicas com outros componentes da dieta. O √°cido fitico afeta a absor√ß√£o intestinal do Ca e P, por√©m no r√ļmen, em virtude da produ√ß√£o da fitase microbiana, o fitato √© amplamente utilizado. A absor√ß√£o de P tamb√©m pode ser prejudicada pelo magn√©sio (Mg), AI e Fe, que formam precipitados, bem como pelo molibd√™nio (Mo) e cobre (Cu), que interferem diretamente na absor√ß√£o de P. A vitamina D aumenta a absor√ß√£o e a atividade de transporte de Ca e P. Seu requerimento em bovinos de corte √© de 275UI/kg de mat√©ria seca (MS) para cada dia (d), segundo o NRC. Por√©m, animais que recebem luz solar ou que se alimentam de forrageiras secas ao sol raramente necessitam desta suplementa√ß√£o, a n√£o ser que sejam animais confinados e que recebam dieta conservada. A concentra√ß√£o plasm√°tica da forma ativa da vitamina D (l ,25 OH2 D) √© menor para o gado europeu, atribu√≠da a uma adapta√ß√£o gen√©tica e ambiental, devido √† menor luminosidade. Fatores como esp√©cie, maturidade da planta, clima, o tipo de solo e sua concentra√ß√£o de minerais, n√£o devem ser utilizadas separadamente para predizer a concentra√ß√£o mineral da forrageira.Geralmente, as concentra√ß√Ķes da maioria dos minerais s√£o maiores em leguminosas com rela√ß√£o √†s gram√≠neas. Na tabela 1 pode-se observar as varia√ß√Ķes encontradas entre gram√≠neas e leguminosas, coletadas de suas partes novas e condi√ß√Ķes experimentais. Tabela 1 ‚Äď Concentra√ß√£o de minerais em algumas gram√≠neas e leguminosas forrageiras Com rela√ß√£o √† idade da planta, o efeito da idade da planta sobre a concentra√ß√£o de minerais em capim Panicum maximum pode ser observado na tabela 2. A concentra√ß√£o da maioria dos minerais nas forrageiras tende a decrescer com a idade da planta, e para alguns minerais, a influ√™ncia da maturidade sob suas concentra√ß√Ķes √© maior, como no caso do nitrog√©nio e f√≥sforo, os dois de grande import√Ęncia no planejamento da suplementa√ß√£o dos animais em pastejo. Tabela 2 ‚Äď Concentra√ß√Ķes m√©dias de minerais na forrageira Panicum maximum em diferentes idades O entendimento dos processos que envolvem a utiliza√ß√£o dos minerais pelo ruminante, particularmente o f√≥sforo, √© importante, de modo a possibilitar o desenvolvimento de estrat√©gias que possam adequar o suprimento de misturas minerais para o animal, garantindo uma maior vantagem produtiva e econ√īmica, conciliada a uma menor excre√ß√£o de f√≥sforo, favorecendo uma maior efici√™ncia de utiliza√ß√£o desse mineral. Geralmente a suplementa√ß√£o com P √© superestimada, ocasionando um gasto desnecess√°rio para um melhor desempenho dos animais e menor excre√ß√£o fosfatada no ambiente. Pesquisas feitas n√£o sugerem que o excesso de P na dieta melhore o desempenho produtivo e reprodutivo. Deve-se avaliar o balanceamento da dieta como um todo e eliminar exageros, pois os custos desses excessos certamente pesam no or√ßamento, al√©m de apresentar restri√ß√Ķes ambientais. * Rafael Achilles Marcelino √© da Universidade Federal de Lavras ‚Äď 3rlab Fonte: 3rlab

Bom planejamento nutricional de bezerros proporciona seu m√°ximo desenvolvimento

O preparo das vacas para cobertura e reprodu√ß√£o √© uma etapa importante no manejo nutricional do animal, que deve come√ßar j√° no nascimento. Um manejo nutricional correto e bem planejado ir√° assegurar seu crescimento saud√°vel e ir√° contribuir para a produtividade e rentabilidade da fazenda O preparo das vacas para cobertura e reprodu√ß√£o √© uma etapa importante no manejo nutricional do animal, que deve come√ßar j√° no nascimento. Um manejo nutricional correto e bem planejado ir√° assegurar seu crescimento saud√°vel e ir√° contribuir para a produtividade e rentabilidade da fazenda. O manejo do bezerro, desde seu nascimento, visa melhorar seu peso e a idade ao desmame, reduzir a idade ao primeiro parto, reduzir o intervalo entre partos e, aumentar o peso corporal de bezerros desmamados por hectare/ano, ao longo da vida produtiva. Para isso, √© indicado um sistema de fornecimento de suplementos que v√£o do nascimento, passando pela desmama, cobertura e o parto, diferenciando as linhas para esta√ß√£o seca e chuvosa. E tudo come√ßa ao nascimento, com aproximadamente 28 kg (7% do peso de suas m√£es), enquanto este animal √© lactente, seguindo durante o crescimento at√© a desmama. Nesse per√≠odo, o produtor deve fornecer ao animal um suplemento mineral proteico energ√©tico, espec√≠fico para bezerros em amamenta√ß√£o em sistema de creep-feeding, tanto no per√≠odo chuvoso quanto de seca, sendo fornecido do nascimento at√© aproximadamente 15 dias que antecedem √† desmama. Nos 15 dias que antecedem a desmama, deve-se iniciar o fornecimento de um suplemento mineral proteico energ√©tico especifico para a desmama, ainda em sistema de creep-feeding, sendo que este deve continuar a ser fornecido aos animais at√© 30 dias p√≥s desmama, com o objetivo de minimizar o estresse desencadeado pela desmama, favorecendo com que os animais continuem a ganhar peso em uma fase de vida que comumente acabam por perder peso e adoecer com facilidade. O objetivo √© que a desmama seja realizada com peso m√©dio entre machos e f√™meas pr√≥ximo a 50% do peso adulto de suas m√£es. Comumente ap√≥s a desmama, estes animais entrar√£o em um per√≠odo do ano cr√≠tico, a seca, onde h√° uma diminui√ß√£o dos valores nutricionais das forragens, o que contribui para uma diminui√ß√£o da ingest√£o de mat√©ria seca e consequentemente no desempenho dos animais. Desta forma, o produtor deve fornecer um suplemento especifico para este per√≠odo do ano, que al√©m de fornecer todos os minerais essenciais, forne√ßam fontes de prote√≠na, para que haja uma melhor atividade da microbiota ruminal, favorecendo melhor consumo de alimento e evitando a perda de peso que comumente ocorre e que favorece o surgimento do conhecido ‚Äúboi sanfona‚ÄĚ. Com a chegada da esta√ß√£o chuvosa, espera-se que o animal, se f√™mea, esteja com aproximadamente 70% do seu peso adulto, e desta forma encontre-se apto para a cobertura. √Č o momento de fornecer um suplemento espec√≠fico para animais de cria, onde deve-se ter toda a aten√ß√£o voltada n√£o somente a quanto h√° de f√≥sforo no suplemento, mas sim a todos os elementos minerais que constituem o produto, com aten√ß√£o especial voltada aos microminerais, que s√£o minerais extremamente importantes para que se consigam obter bons √≠ndices reprodutivos. Ap√≥s o per√≠odo gestacional, ocorre o parto. Durante a gesta√ß√£o √© extremamente importante que se tenha todo o cuidado frente a nutri√ß√£o dos animais, haja vista que est√° se refletir√° no desenvolvimento fetal. Os microminerais ser√£o importantes durante a gesta√ß√£o para a matriz, para que ap√≥s o parto, seu colostro contenha bons n√≠veis de anticorpos que aumentar√£o a sobrevida do bezerro enquanto este ainda n√£o tem mem√≥ria imunol√≥gica, ou seja, enquanto o seu organismo n√£o consegue combater sozinho os microrganismos patog√™nicos. Programa Desempenho M√°ximo Todas essas orienta√ß√Ķes integram o Programa Desempenho M√°ximo, desenvolvido pelo Grupo Matsuda, como forma de utilizar corretamente os diversos produtos em diferentes √©pocas do ano, considerando o est√°gio de desenvolvimento do animal, se cria, recria ou engorda — e ainda, se gado de corte ou leite, se √† pasto ou confinado — e para n√£o perder a linha de progress√£o do crescimento e desenvolvimento do animal.  S√£o as orienta√ß√Ķes t√©cnicas desse programa que v√£o otimizar a utiliza√ß√£o correta dos suplementos, com informa√ß√Ķes consolidadas em um mapa de comunica√ß√£o visual, onde o produtor l√™ e identifica facilmente os produtos corretos a serem utilizados. A metodologia do Programa Desempenho M√°ximo √© simples, criada exatamente para facilitar o manejo nutricional na fazenda, por meio de todo um processo de informa√ß√Ķes visuais. S√£o banners, disponibilizados para os produtores, com a indica√ß√£o dos produtos a serem utilizados de acordo com a curva de crescimento e √©poca do ano. Para a produ√ß√£o de carne a pasto, por exemplo, s√£o considerados 29 meses de cria√ß√£o, desde o nascimento at√© o abate. Para vacas produtoras de leite, tamb√©m a pasto, √© demonstrado todo o processo de cria√ß√£o, desde o nascimento, passando pela desmama, cobertura, parto, nova cobertura e novo parto. H√° banners tamb√©m para o manejo nutricional de bezerros, de gado de corte confinado e de cria√ß√£o intensiva de gado leite. O Programa Desempenho M√°ximo, se usado corretamente, tamb√©m permitir√° ao produtor antecipar a compra dos produtos indicados, com a devida anteced√™ncia, eliminando a preocupa√ß√£o com a faltas de produto em estoque. Ainda, os respons√°veis pelo fornecimento dos produtos, poder√£o identificar em cada momento da produ√ß√£o, conforme a idade e a √©poca do ano, quais s√£o os produtos que ser√£o utilizados. Fonte: Reda√ß√£o Boi a Pasto

Erros mais frequentes no manejo nutricional de rebanhos leiteiros com vacas confinadas

Assumir que o que foi colocado na frente das vacas √© o que foi balanceado pode ser um grande erro Voc√™ se preocupa com o que suas vacas comem? A dieta delas √© balanceada por um nutricionista ou voc√™ compra o concentrado e ainda est√° na velha rela√ß√£o 1: 3 (1 kg ra√ß√£o : 3 kg de leite)? Mas, independente disso voc√™ acredita que elas est√£o comendo o que voc√™ acha que elas est√£o? Ou s√£o suas vacas que est√£o definindo o que elas comem? Assumir que o que foi colocado na frente das vacas √© o que foi balanceado pode ser um grande erro. E assim, n√£o certificamos as 3 dietas bases dentro de uma fazenda, sendo elas: 1) Dieta do nutricionista (mesmo que voc√™ esteja usando a rela√ß√£o 1:3); 2) Dieta do tratador e 3) Dieta que realmente a vaca ingeriu. √Č muito importante que essas 3 dietas estejam bem pr√≥ximas uma da outra. Uma maneira pr√°tica de avaliar se o que est√° na frente das vacas em termos de nutrientes √© o que voc√™ visualiza na tela do computador √© fazer an√°lises bromatol√≥gicas da dieta. Voc√™ pode pensar ‚Äúesse cara est√° doido, pois n√£o tenho an√°lises das forragens e insumos (2 grandes erros!!!) de minhas vacas quanto mais ter ou fazer an√°lises de dietas‚ÄĚ. A√≠ vai um conselho de quem acompanha dietas de vacas a mais ou menos 10 anos: O custo de uma an√°lise √© muito barato pelo seu benef√≠cio. E dieta √© o item mais pesado da planilha de custo de produ√ß√£o de leite, ou seja, n√£o podemos ser amadores nesse item. Precisamos alimentar as vacas de forma balanceada para que elas expressem todo seu potencial produtivo, independente da ra√ßa. Isso significa dizer, por exemplo, em nunca tirar 10 kg de leite numa vaca com potencial para 15 kg. E na maioria das vezes esses 5 kg de leite a mais n√£o v√™m por voc√™ ter dado mais concentrado para a vaca e sim de fatores como: qualidade da forragem, concentrado bem balanceado que supre as defici√™ncias dessa forragem, mistura bem feita desse e de outros insumos (subprodutos) com a forragem quando o gado est√° confinado (ano todo ou na seca nos sistemas de pasto), linha de cocho adequada, conforto animal, entre outros. Abaixo temos uma tabela com a composi√ß√£o nutricional da dieta de um lote de alta produ√ß√£o balanceada para 32 kg, por√©m a dieta foi feita manualmente. Essa tabela nos mostra que a dieta na frente da vaca (tratador) n√£o √© a dieta balanceada (nutricionista) vista na tela do computador. Como podemos observar a principal diferen√ßa est√° nos carboidratos (FDN e CNF), onde o carboidrato fibroso (FDN) da dieta do tratador est√° muito alto. No ponto onde foi coletada a amostra, provavelmente o tratador deixou cair mais silagem (que tem mais fibra e menos concentrado) que √© de fibra baixa (Foto 1). Qual a implica√ß√£o disso para as vacas que comem desse lado do cocho? E para as vacas que comem do outro lado do cocho, onde caiu mais concentrado e menos forragem? (Foto 2). Na primeira situa√ß√£o (foto 1) teremos o risco da doen√ßa metab√≥lica cetose subcl√≠nica, uma doen√ßa metab√≥lica. As vacas desse lote s√£o de alta demanda de energia e a dieta nesse ponto est√° com baixa densidade energ√©tica, pois a fibra (FDN) est√° muito alta e o carboidrato n√£o fibroso (CNF), que gera mais energia por kg de consumo para a vaca, est√° muito baixo (Tabela1). Essas vacas, principalmente as de baixo DEL (dias em lacta√ß√£o), ir√£o mobilizar muito da sua condi√ß√£o corporal, isto √©, ir√£o emagrecer criando o risco de cetose. Entretanto, no outro lado do cocho (foto 2) teremos o contr√°rio, ou seja, falta de fibra (FDN) e excesso de CNF levando as vacas a um risco de acidose. Al√©m disso, o tratador n√£o misturou bem a dieta, o que permite que a vaca selecione ainda mais o concentrado, agravando a situa√ß√£o. Pode-se dizer ent√£o que na mesma linha de cocho criaram-se dois riscos metab√≥licos: cetose e acidose. A consequ√™ncia ser√° menor efici√™ncia produtiva e reprodutiva das vacas desse lote. √Č importante salientar que para cada 1 kg de leite que as vacas perdem no pico de produ√ß√£o (que normalmente ocorre entre a 4¬™ e 8¬™ semana p√≥s-parto) elas ir√£o perder algo entre 200 a 220 kg de leite na lacta√ß√£o total. A melhor maneira de termos uma dieta bem misturada principalmente em rebanhos grandes √© o uso de uma Totalmix (vag√£o misturador de dieta). No entanto, o uso incorreto dessa m√°quina tamb√©m pode proporcionar dietas de riscos. A tabela dois mostra a an√°lise de uma dieta de vacas tamb√©m de alta produ√ß√£o onde houve erros de mistura. Conforme podemos observar a principal diferen√ßa est√° novamente nos carboidratos (FDN e CNF). Nesse lote o risco metab√≥lico √© acidose, pois a quantidade de fibra (FDN= 25,6%) √© baixa para vacas p√≥s-parto. Essa dieta ca√≠a inicialmente para o lote p√≥s-parto, onde as vacas ficavam por volta de 10 a 20 dias, e as avalia√ß√Ķes de consumo mostravam que as vacas estavam comendo 40 a 50% do recomendado, indicando haver algum problema. V√°rias estrat√©gias foram feitas no sentido de melhorar o consumo sem √™xito e n√£o desconfi√°vamos da dieta, pois visualmente se mostrava bem misturada e com tamanho de part√≠cula adequado. Ap√≥s a an√°lise e com os resultados da tabela 2 mais o dado do baixo consumo identificamos que as vacas realmente estavam com acidose. Nesse caso, foi diagnosticado que o vag√£o n√£o estava misturando bem por excesso de carga. Ap√≥s consertar esse manejo e, por precau√ß√£o, entrar na dieta com uma fibra mais longa (na √©poca tifton picado verde) o consumo desse lote voltou para o recomendado. E foi percept√≠vel que os animais estavam com mais sa√ļde, o que n√£o v√≠nhamos antes. Assim, nem sempre o que est√° na frente da vaca √© aquilo que estamos vendo na tela do computador na hora do balanceamento. Outro erro muito frequente acontece nas fazendas que trabalham com f√≥rmulas de concentrados comerciais,

Estratégias de suplementação auxiliam na desmama precoce e no aumento da rentabilidade do rebanho

A√ß√£o de forma direcionada em animais com √≠ndices reprodutivos mais baixos possibilita incrementar a receita do produtor Com o objetivo de levar ao pecuarista novas tecnologias em nutri√ß√£o para rebanho de corte, a Trouw Nutrition, apresentar√° duas palestras durante a BeefExpo, em Foz do Igua√ßu (PR), no Hotel Recanto Cataratas ‚Äď Thermas Resort & Convention. No dia 21, √†s 11 horas, Supervisor de Treinamento T√©cnico, Jo√£o Marcos Beltrame Benatti, abordar√° sobre ‚ÄúEstrat√©gias de suplementa√ß√£o em fazendas de cria‚ÄĚ. J√° no dia 22, √†s 15h30, a Supervisora de Pesquisa e Desenvolvimento, Josiane Lage, falar√° sobre ‚ÄúDesmama Precoce: vacas mais f√©rteis, bezerros melhores‚ÄĚ. As duas palestras s√£o gratuitas e ser√£o na sala dois, no Painel Beef 360¬į. Os custos crescentes da pecu√°ria de corte e a import√Ęncia econ√īmica do incremento nos √≠ndices reprodutivos incentivam os produtores a utilizar pr√°ticas de manejo que melhorem a efici√™ncia dos sistemas de produ√ß√£o. De acordo com Benatti, uma das problem√°ticas nas fazendas de cria est√° na generaliza√ß√£o dos produtos utilizados. ‚ÄúVacas apresentam exig√™ncias diferentes, tanto pela sua categoria, por serem novilhas, prim√≠paras e mult√≠paras, quanto pelo per√≠odo do ano em que pariu. Assim, cada intera√ß√£o categoria/√©poca de pari√ß√£o, necessita de um tipo de suplementa√ß√£o‚ÄĚ, explica. Para isso, o zootecnista salienta que explanar√° na apresenta√ß√£o sobre a import√Ęncia da separa√ß√£o em lotes, direcionamento da suplementa√ß√£o e impactos na rentabilidade. ‚ÄúIrei explicar qual √© o benef√≠cio econ√īmico de se fazer isso. Tamb√©m abordarei sobre reprodu√ß√£o, que est√° diretamente ligado √† nutri√ß√£o e n√£o somente em apostar em tecnologias isoladas como a IATF‚ÄĚ, ressalta. A cria √© o segmento com rentabilidade mais baixa em bovinos de corte. Isso se d√° principalmente em raz√£o dos baixos √≠ndices reprodutivos das propriedades. Uma forma de melhorar a rentabilidade √© com investimento em nutri√ß√£o. O zootecnista alerta, por√©m, que a cria nem sempre comporta a suplementa√ß√£o com maior inclus√£o de concentrado em todo o rebanho. ‚ÄúAssim, agir de forma direcionada em animais com √≠ndices reprodutivos mais baixos possibilita incrementar a receita do produtor‚ÄĚ, esclarece Jo√£o Marcos. H√° tamb√©m outros fatores de import√Ęncia no sistema de cria. ‚ÄúVacas que emprenham mais cedo desmamam bezerros mais pesados. Por isso, lan√ßar m√£o do uso de tecnologia incrementa o peso dos bezerros‚ÄĚ, orienta Benatti. Com o tema ‚ÄúDesmama Precoce: vacas mais f√©rteis, bezerros melhores‚ÄĚ, a Supervisora de Pesquisa e Desenvolvimento da Trouw Nutrition, Josiane Lage, abordar√° a t√©cnica que auxilia no aumento na porcentagem de prenhez do rebanho e diminui√ß√£o do intervalo entre o parto e a concep√ß√£o. A desmama precoce se baseia na separa√ß√£o do bezerro e da vaca com at√© 90 dias, possibilitando que a energia que seria destinada a produ√ß√£o de leite seja redirecionada para reprodu√ß√£o. ‚ÄúCom isso, a f√™mea supera o balan√ßo energ√©tico negativo de forma mais r√°pida e reduz o impacto em sua perda de massa corporal p√≥s-parto. Assim, as vacas com taxas de prenhez baixas elevam suas taxas, melhorando os √≠ndices do rebanho‚ÄĚ, explica. O grande foco da desmama precoce s√£o as vacas com baixas taxas de fertilidade, principalmente as prim√≠paras. ‚ÄúPodemos considerar tamb√©m as vacas com escore corporal muito baixo e vacas em pastos com condi√ß√£o de forragem ruim. Outro ponto que iremos abordar √© que a desmama precoce possibilita o abate das vacas de descarte que estariam com bezerro ao p√© antes da entrada da seca, pois, a aplica√ß√£o da t√©cnica ajuda na recupera√ß√£o mais r√°pida da condi√ß√£o corporal do animal‚ÄĚ, esclarece Josiane Lage. Mais informa√ß√Ķes: www.trouwnutrition.com.br Fonte: Attuale

A import√Ęncia dos aditivos no desempenho de bovinos

Para que o bovino tenha um melhor desempenho, √© fundamental a inclus√£o de aditivos em ra√ß√Ķes, concentrados, suplementos minerais, n√ļcleos e premixes. De acordo com o Minist√©rio da Agricultura, Pecu√°ria e Abastecimento (MAPA), √© classificado como aditivo toda subst√Ęncia, microrganismo ou produto formulado, adicionado intencionalmente, que tenha ou n√£o valor nutritivo; que melhore o desempenho dos animais e as caracter√≠sticas dos produtos destinados √† nutri√ß√£o dos mesmos, al√©m de atender √†s necessidades nutricionais ou que tenha efeito anticoccidiano. Para que o bovino tenha um melhor desempenho, √© fundamental a inclus√£o de aditivos em ra√ß√Ķes, concentrados, suplementos minerais, n√ļcleos e premixes. Dentre v√°rios, destacam-se: monensina s√≥dica, lasalocida s√≥dica, virginiamicina, bicarbonato de s√≥dio e leveduras Saccharomyces cerevisiae. Todos favorecem o bom funcionamento do r√ļmen. Alguns, quando usados simultaneamente tem efeito simbi√≥tico, como √© o caso da levedura e lasalocisa e monensina e virginiamicina. Para os aditivos propiciarem benef√≠cios, √© imprescind√≠vel que se respeite a quantidade ideal requerida pelo animal. √Č necess√°rio conhecer a categoria do animal, seus est√°gios fisiol√≥gico e produtivo, sua alimenta√ß√£o e a quantidade de ra√ß√£o ou suplemento ingerido diariamente. A partir destas informa√ß√Ķes √© poss√≠vel definir a quantidade de cada aditivo por quilograma de Mat√©ria Seca (MS) ingerida. Os aditivos ion√≥foros atuam selecionando bact√©rias ruminais. Parte das bact√©rias Gram Positivas, sens√≠veis √† a√ß√£o da monensina e lasalocida, s√£o eliminadas e, por consequ√™ncia, permitem que mais substratos sejam utilizados pelas bact√©rias Gram Negativas. Como resultado, haver√° maior s√≠ntese de √°cido propi√īnico, o qual gera mais energia para o animal. Em adi√ß√£o, a produ√ß√£o de metano e g√°s carb√īnico s√£o reduzidos consideravelmente, o que gera mais energia para ganho de peso. Os ion√≥foros ainda contribuem para redu√ß√£o de incid√™ncia de acidose por proporcionarem maior estabilidade do pH ruminal. Em se tratando de bezerros, os in√≥foros tamb√©m auxiliam na preven√ß√£o de coccidiose. Para os bezerros de corte e leite, em fase de aleitamento,  √© recomendada a ingest√£o de pelo menos 60 mg de lasalocida/animal/dia.  Bovinos de corte, quando manejados em regime de pasto, para incremento do ganho de peso √© sugerido de 100 a 15o mg/dia de monensina. Para animais manejados em regime de confinamento, quando o objetivo tamb√©m √© a maior efici√™ncia alimentar, deve-se fornecer de 200 a 300 mg/animal/dia do ion√≥foro.  A virginiamicina √© um melhorador de desempenho de alta efici√™ncia. Assim como os ion√≥foros, atua na sele√ß√£o de bact√©rias ruminais, tornando o metabolismo mais eficiente. O processo de digest√£o √© beneficiado, com menores perdas no processo de fermenta√ß√£o, pois haver√° maior s√≠ntese de √°cido propi√īnico e menor produ√ß√£o de √°cido ac√©tico e l√°tico e, principalmente, metano. Como resultado haver√° mais energia dispon√≠vel para o animal, melhora na convers√£o alimentar e maior ganho de peso di√°rio. A virginiamicina atua inibindo a s√≠ntese prot√©ica de Bact√©rias Gram Positivas. O efeito continua mesmo ap√≥s a remo√ß√£o do aditivo (bacteriopausa), contribuindo para os resultados de ganho de peso observados em animais manejados em regime de pasto. Em regime de pasto, o consumo de suplemento mineral linha branca, de pronto uso, normalmente n√£o √© uniforme. Sendo assim, nos suplementos que cont√™m virginiamicina, o aditivo continua atuando no dia que o animal n√£o ingere o suplemento. Por ter menor influ√™ncia sobre o consumo, √© recomendada em dietas quando o objetivo √© preservar maior ingest√£o de MS. Para bovinos de corte confinados, a recomenda√ß√£o √© de 25 mg/kg MS ingerida, enquanto para aqueles manejados em regime de pasto, de 35 a 45 mg de virginiamicina/100 kg de Peso Vivo (PV). Quando a ingest√£o de fibra √© limitada, a manuten√ß√£o de um pH ruminal adequado √© um desafio. Cepas de leveduras espec√≠ficas, Saccharomyces cereviseae, s√£o ativas no r√ļmen e, por isso, incrementam a anaerobiose. Como resultado haver√° aumento da digest√£o de fibra, maior regula√ß√£o do pH ruminal, o que previne a acidose e a laminite. √Č recomendada para bezerros por propiciar coloniza√ß√£o precoce da flora, r√ļmen e papilas. √Č fundamental adquirir estes aditivos de empresas id√īneas e consultar um t√©cnico, de sua confian√ßa, que conhe√ßa o modo de a√ß√£o e dose correta (rela√ß√£o custo/benef√≠cio). O uso racional destes e outros aditivos ir√£o garantir incremento do desempenho e maior lucratividade.  Fonte: Jos√© Leonardo Ribeiro ‚Äď gerente de produtos ruminantes do Grupo Guabi

Suplementação estratégica pode incrementar resultados na reprodução bovina

Conhe√ßa algumas das alternativas e momentos adequados para maximizar a efici√™ncia do processo. Em um pa√≠s de clima tropical, com varia√ß√Ķes significativas na qualidade e quantidade de forragem produzida durante o ano, a suplementa√ß√£o bovina √©, muitas vezes, essencial para assegurar a efici√™ncia da reprodu√ß√£o do rebanho. Por isso, durante o primeiro Simp√≥sio Repronutri de Reprodu√ß√£o, Nutri√ß√£o e Produ√ß√£o Animal, o m√©dico veterin√°rio Ed Hoffmann ‚Äď professor do curso de medicina veterin√°ria na Universidade de S√£o Paulo (USP) ‚Äď discutiu uma quest√£o de grande import√Ęncia para quem decide atender √†s exig√™ncias nutricionais dos bovinos por meio da suplementa√ß√£o alimentar: quando faz√™-lo? Segundo o professor, alguns fatores devem ser considerados ao tomar essa decis√£o. Ele lembra que a pecu√°ria brasileira √© realizada, em grande parte, por meio do sistema extensivo de cria e que os animais apresentam diferentes exig√™ncias nutricionais durante as fases do ciclo reprodutivo. ‚ÄúUma suplementa√ß√£o, por exemplo, em uma fase de lacta√ß√£o √© diferente de uma fase logo ap√≥s o desmame, que √© diferente do ter√ßo final da gesta√ß√£o. Seria muito c√īmodo se n√≥s peg√°ssemos as exig√™ncias nutricionais das vacas, analis√°ssemos o que o pasto est√° oferendo e d√©ssemos a diferen√ßa como suplementa√ß√£o ‚Äď mas isso n√£o √© economicamente vi√°vel. Ent√£o, n√≥s temos que escolher momentos mais estrat√©gicos‚ÄĚ, diz Hoffmann. Ent√£o, quando? Com essas quest√Ķes em mente, o professor sugere um momento espec√≠fico para suplementar os animais: logo ap√≥s o desmame. ‚Äú√Č um per√≠odo em que a exig√™ncia nutricional da vaca cai bastante. Ela tem todo o metabolismo voltado para si pr√≥pria. Ent√£o, eu alimento a vaca e ela acumula reservas em forma de gordura. √Č essa reserva que ela vai poder utilizar no p√≥s parto com a lacta√ß√£o para compensar o balan√ßo energ√©tico negativo dela‚ÄĚ, afirma. ‚ÄúFa√ßo a suplementa√ß√£o por 75, 90 dias, que √© o suficiente para ela recompor a sua reserva energ√©tica. Em n√ļmeros, ela deve recompor de 45 a 50 kg de reserva para ela poder ter uma lacta√ß√£o e um √ļltimo trimestre de gesta√ß√£o adequados‚ÄĚ. O tipo de suplementa√ß√£o, segundo o professor, tamb√©m varia de acordo com a condi√ß√£o dos animais. ‚Äú√Äs vezes, o balan√ßo energ√©tico negativo √© muito pequeno e a gente pode, por exemplo, suplementar os animais com um pouquinho de prote√≠na ‚Äď porque isso faz com que eles aumentem a ingest√£o de alimentos. Ent√£o, a gente consegue suplement√°-los n√£o dando uma ra√ß√£o, mas estimulando a ingest√£o maior. Com maior ingest√£o, eu consigo superar esses problemas. Isso, √†s vezes, pode ser feito com pequenas quantidades de prote√≠na por dia. Em outras situa√ß√Ķes, eu j√° preciso entrar com ra√ß√Ķes balanceadas‚ÄĚ. O que usar? Para o veterin√°rio, as vacas com uma boa condi√ß√£o corporal ap√≥s o desmame, como a condi√ß√£o corporal 5, podem ser suplementadas com sal mineralizado com ureia, por exemplo, apenas para a manuten√ß√£o do peso. J√° a condi√ß√£o corporal 4 exige uma suplementa√ß√£o um pouco maior, para que os animais recuperem de 40 a 50 kg. Com a pastagem em boas condi√ß√Ķes, √© poss√≠vel suplement√°-los com mineral proteico. ‚ÄúEle tem um pouco de prote√≠na verdadeira, que vai fazer aquele efeito de estimular a aumentar a ingest√£o de alimentos‚ÄĚ, diz. Para regi√Ķes que n√£o t√™m mais pastagem nessa √©poca, o professor recomenda uma suplementa√ß√£o maior, com soja, milho e outros res√≠duos industriais. ‚ÄúO que tiver na regi√£o‚ÄĚ. Somado a esses fatores, a varia√ß√£o entre √©pocas do ano favor√°veis √† pecu√°ria e os per√≠odos que demandam mais esfor√ßos para atender as necessidades nutricionais dos bovinos faz com que seja preciso planejar a suplementa√ß√£o como forma de n√£o perder dinheiro. ‚ÄúPor quatro meses, n√≥s temos que fazer suplementa√ß√Ķes em algumas categorias animais e isso √© inevit√°vel. O planejamento possibilita que a gente fa√ßa isso com alimentos adquiridos na √©poca certa, com custos melhores, administrados nas quantidades corretas‚ÄĚ, afirma. ‚ÄúQuanto mais planejado, melhor √© o custo-benef√≠cio‚ÄĚ. O professor ressalta, ainda, a import√Ęncia de se apostar em tecnologia e profissionaliza√ß√£o para o sucesso da atividade. ‚ÄúTemos que aproveitar o momento para produzir mais, produzir melhor e produzir antes‚ÄĚ. Fonte: Embrapa Pantanal / Foto: √Čriklis Nogueira

A import√Ęncia dos aditivos no desempenho de bovinos

Para que o bovino tenha um melhor desempenho, √© fundamental a inclus√£o de aditivos em ra√ß√Ķes, concentrados, suplementos minerais, n√ļcleos e premixes. De acordo com o Minist√©rio da Agricultura, Pecu√°ria e Abastecimento (MAPA), √© classificado como aditivo toda subst√Ęncia, microrganismo ou produto formulado, adicionado intencionalmente, que tenha ou n√£o valor nutritivo; que melhore o desempenho dos animais e as caracter√≠sticas dos produtos destinados √† nutri√ß√£o dos mesmos, al√©m de atender √†s necessidades nutricionais ou que tenha efeito anticoccidiano. Para que o bovino tenha um melhor desempenho, √© fundamental a inclus√£o de aditivos em ra√ß√Ķes, concentrados, suplementos minerais, n√ļcleos e premixes. Dentre v√°rios, destacam-se: monensina s√≥dica, lasalocida s√≥dica, virginiamicina, bicarbonato de s√≥dio e leveduras Saccharomyces cerevisiae. Todos favorecem o bom funcionamento do r√ļmen. Alguns, quando usados simultaneamente tem efeito simbi√≥tico, como √© o caso da  levedura e lasalocisa e monensina e virginiamicina. Para os aditivos propiciarem benef√≠cios, √© imprescind√≠vel que se respeite a quantidade ideal requerida pelo animal. √Č necess√°rio conhecer a categoria do animal, seus est√°gios fisiol√≥gico e produtivo, sua alimenta√ß√£o e a quantidade de ra√ß√£o ou suplemento ingerido diariamente. A partir destas informa√ß√Ķes √© poss√≠vel definir a quantidade de cada aditivo por quilograma de Mat√©ria Seca (MS) ingerida. Os aditivos ion√≥foros atuam selecionando bact√©rias ruminais. Parte das bact√©rias Gram Positivas, sens√≠veis √† a√ß√£o da monensina e lasalocida, s√£o eliminadas e, por consequ√™ncia, permitem que mais substratos sejam utilizados pelas bact√©rias Gram Negativas. Como resultado, haver√° maior s√≠ntese de √°cido propi√īnico, o qual gera mais energia para o animal. Em adi√ß√£o, a produ√ß√£o de metano e g√°s carb√īnico s√£o reduzidos consideravelmente, o que gera mais energia para ganho de peso. Os ion√≥foros ainda contribuem para redu√ß√£o de incid√™ncia de acidose por proporcionarem maior estabilidade do pH ruminal. Em se tratando de bezerros, os in√≥foros tamb√©m auxiliam na preven√ß√£o de coccidiose. Para os bezerros de corte e leite, em fase de aleitamento,  √© recomendada a ingest√£o de pelo menos 60 mg de lasalocida/animal/dia.  Bovinos de corte, quando manejados em regime de pasto, para incremento do ganho de peso √© sugerido de 100 a 15o mg/dia de monensina. Para animais manejados em regime de confinamento, quando o objetivo tamb√©m √© a maior efici√™ncia alimentar, deve-se fornecer de 200 a 300 mg/animal/dia do ion√≥foro.  A virginiamicina √© um melhorador de desempenho de alta efici√™ncia. Assim como os ion√≥foros, atua na sele√ß√£o de bact√©rias ruminais, tornando o metabolismo mais eficiente. O processo de digest√£o √© beneficiado, com menores perdas no processo de fermenta√ß√£o, pois haver√° maior s√≠ntese de √°cido propi√īnico e menor produ√ß√£o de √°cido ac√©tico e l√°tico e, principalmente, metano. Como resultado haver√° mais energia dispon√≠vel para o animal, melhora na convers√£o alimentar e maior ganho de peso di√°rio. A virginiamicina atua inibindo a s√≠ntese prot√©ica de Bact√©rias Gram Positivas. O efeito continua mesmo ap√≥s a remo√ß√£o do aditivo (bacteriopausa), contribuindo para os resultados de ganho de peso observados em animais manejados em regime de pasto. Em regime de pasto, o consumo de suplemento mineral linha branca, de pronto uso, normalmente n√£o √© uniforme. Sendo assim, nos suplementos que cont√™m virginiamicina, o aditivo continua atuando no dia que o animal n√£o ingere o suplemento. Por ter menor influ√™ncia sobre o consumo, √© recomendada em dietas quando o objetivo √© preservar maior ingest√£o de MS. Para bovinos de corte confinados, a recomenda√ß√£o √© de 25 mg/kg MS ingerida, enquanto para aqueles manejados em regime de pasto, de 35 a 45 mg de virginiamicina/100 kg de Peso Vivo (PV). Quando a ingest√£o de fibra √© limitada, a manuten√ß√£o de um pH ruminal adequado √© um desafio. Cepas de leveduras espec√≠ficas, Saccharomyces cereviseae, s√£o ativas no r√ļmen e, por isso, incrementam a anaerobiose. Como resultado haver√° aumento da digest√£o de fibra, maior regula√ß√£o do pH ruminal, o que previne a acidose e a laminite. √Č recomendada para bezerros por propiciar coloniza√ß√£o precoce da flora, r√ļmen e papilas. √Č fundamental adquirir estes aditivos de empresas id√īneas e consultar um t√©cnico, de sua confian√ßa, que conhe√ßa o modo de a√ß√£o e dose correta (rela√ß√£o custo/benef√≠cio). O uso racional destes e outros aditivos ir√£o garantir incremento do desempenho e maior lucratividade. Fonte: Jos√© Leonardo Ribeiro ‚Äď gerente de produtos ruminantes do Grupo Guabi / LN Comunica√ß√£o

O poder da eficiência alimentar

Identificar os melhores em CAR pode render at√© 30% a mais na pecu√°ria. Daniel de Paula* O que era moda, virou regra. √Č cada vez mais imperiosa a necessidade de se usar tecnologias que mensuram a efici√™ncia alimentar em pecu√°ria. Provas de Consumo Alimentar Residual (CAR) est√£o cada vez mais comuns pelo mundo afora e as estat√≠sticas comprovam o benef√≠cio que isso traz na economia da fazenda. A herdabilidade √© cada vez mais comprovada por g√™nios que estudam esses n√ļmeros e composi√ß√Ķes de f√≥rmulas que transformam os filhos em personagens cada vez melhores que os pais e mais desejados na produ√ß√£o de carne a campo, a grande aptid√£o do Brasil tropical. Acabo de voltar de mais uma semana de grande aprendizado e admira√ß√£o em Piraju√≠/SP. Ali√°s, sou um privilegiado por ter nesse pequeno munic√≠pio do Noroeste paulista dois vizinhos com quem cultivo muita amizade. Um que cria Senepol, a Fazenda da Grama, onde √© realizado desde 2009 o programa Safiras do Senepol, tamb√©m com medi√ß√£o de efici√™ncia alimentar em novilhas que se convertem em doadoras em uma prova premiada internacionalmente. O outro, que divide cerca, √© a Fazenda Perfeita Uni√£o, que est√° cada vez mais segura na sele√ß√£o de um Guzer√° para resultados que se espalha por todo o Brasil, para produ√ß√£o de carne a campo. E √© sobre essa sele√ß√£o de um zebu√≠no milenar que eu quero abordar a import√Ęncia das informa√ß√Ķes que eles geram dentro de casa, onde trabalham os Irm√£os Tonetto, os sobrinhos, os filhos, enfim, a fam√≠lia toda reunida no batente, na lida. Foi l√° que nasceu um programa de melhoramento gen√©tico que identifica os animais no √ćndice Super Precoce Funcional (Ispf) em bezerros desmamados e selecionados para esse desafio de desempenho. 20% da safra ‚Äď em breve ser√£o 100%, mas quando o projeto estiver pronto eu conto aqui ‚Äď vira alvo de medi√ß√£o do CAR a partir dos 12 meses e, aos 15, esses selecionados continuam em avalia√ß√£o com as tecnologias dispon√≠veis e hoje mais acess√≠veis a todos, como ultrassonografia de carca√ßa (para conhecer AOL, EGS, etc.). Desenvolvidos em parceria com a Aval Servi√ßos Tecnol√≥gicos, esses programas j√° descobriram o que o professor doutor Roberto Sainz, da Universidade da Calif√≥rnia, em Davis (EUA), veio constatar na fazenda, em uma de suas recentes e r√°pidas passagens pelo Brasil. Sobre o CAR, ele confirmou que, pelas experi√™ncias mostradas em pa√≠ses como EUA, Austr√°lia, Nova Zel√Ęndia e outras partes, animais mais eficientes nesse fator passam para gera√ß√Ķes futuras, da segunda em diante, at√© 30% dessa caracter√≠stica, que mexe diretamente no bolso do pecuarista. Relat√≥rios que me foram fornecidos pela Perfeita Uni√£o sobre as 12 edi√ß√Ķes da prova (11 delas encerradas) confirmam a efici√™ncia da efici√™ncia. A diferen√ßa, segundo interpreta√ß√£o do doutor Yuri Farjalla, tamb√©m da Aval, pode cegar a 15% entre os animais que comem menos e os que consomem mais mat√©ria seca para ganhar o mesmo peso, que continua tendo o maior peso (40%) na composi√ß√£o do Ispf. E √© nisso que nos atemos, em efici√™ncia alimentar, sem contar os outros fatores que montam o ranking do Ispf, como CE (20%), AOL (20%) e carca√ßa (EGS) + marmoreio + temperamento (os outros 20%). Nas estat√≠sticas do Guzer√° IT e parceiros que deixam os touros mais promissores na prova, a diferen√ßa do menor para o maior CAR foi entre -0,781 a 0,826 ‚Äď quanto menor o CAR, mais eficiente o animal. Isso, levando-se em considera√ß√£o os mais de 200 touros medidos nessa prova desde 2012, dentro da fazenda, sem artificialismos e com dieta balanceada para todos os animais, que antes e depois continuam desafiados na avalia√ß√£o a pasto, com suplementa√ß√£o b√°sica em se tratando de pecu√°ria sustent√°vel. Todo esse processo visa evitar que animais tardios permane√ßam no rebanho, custando mais caro ainda ao pecuarista ‚Äď por isso o teste com um grupo contempor√Ęneo desde muito cedo. A efici√™ncia est√° na diferen√ßa entre o medido e o predito, que s√≥ se conhece ap√≥s a prova de 75 dias, depois de todas as mensura√ß√Ķes (pesagem inicial e final e c√°lculo do desvio padr√£o para defini√ß√£o do ganho com os dados do que cada animal consumiu). Como algu√©m pode saber se isso garante o melhoramento gen√©tico? Bem, para dar apenas um exemplo, um dos primeiros destaques nessa avalia√ß√£o, Ioio OJA, animal equilibrado, apresentou o melhor desempenho em 2012 e j√° teve, aos tr√™s anos de vida, um filho que apresentou desempenho ainda melhor na √ļltima edi√ß√£o, vendido s√°bado por R$ 12 mil (50%). Parece uma engenharia complicada, mas no sumo tem resultado que pode impactar at√© 25% no custo de produ√ß√£o. Levando-se em conta que a dieta leva 70% disso, imaginemos o quanto isso beneficia no caixa da fazenda. E o que √© melhor, muito r√°pido. Esses dias, em Piraju√≠ abriram os meus olhos e os de muitos outros pelo Brasil, tomara que tamb√©m tenham feito o mesmo com os teus. *Daniel de Paula √© publicit√°rio e jornalista, rep√≥rter do Canal do Boi, canal integrante do SBA. Fonte: Enfoque / Rural Centro