julho 23, 2024

Suplementação na seca: quem não planejou, agora, precisa remediar

O inverno, que n√£o apareceu este ano, exceto na regi√£o Sul, castigou mais ainda, com alt√≠ssimas temperaturas a maioria das regi√Ķes do Brasil, prejudicando (secando, na verdade) ainda mais, as pastagens. (*) Por Marisa Rodrigues O inverno, que n√£o apareceu este ano, exceto na regi√£o Sul, castigou mais ainda, com alt√≠ssimas temperaturas a maioria das regi√Ķes do Brasil, prejudicando (secando, na verdade) ainda mais, as pastagens. O que deve ter causado muitos preju√≠zos para os pecuaristas. Em especial, para aqueles que n√£o planejaram com anteced√™ncia a passagem por esse dur√≠ssimo per√≠odo de estiagem. Todos os anos essa tarefa tem que ser feita como uma li√ß√£o de casa. Tem que entrar na rotina di√°ria das propriedades. O pecuarista n√£o pode dormir em ber√ßo espl√™ndido durante os primeiros quatro meses do ano, enquanto as chuvas em geral s√£o abundantes por todo o Pa√≠s, sem prestar aten√ß√£o na esta√ß√£o da seca, trazida pelo inverno, que, em fun√ß√£o das j√° aceleradas mudan√ßas clim√°ticas, √© cada vez mais rigorosa. O fen√īmeno vem sendo amplamente estudado e divulgado pelas mais s√©rias institui√ß√Ķes de pesquisas cient√≠ficas mundiais, mas parece que a ficha demora para cair justamente entre aqueles que mais precisam dela. Gente que convive com a lida di√°ria em suas fazendas pecu√°rias, atividade estreitamente ligada ao meio ambiente, parece preferir fazer ouvidos moucos aos gritos da m√£e natureza. O resultado √© que as solu√ß√Ķes- sim, elas existem e n√£o s√£o poucas ‚Äď para mitigar o problema, a curto, m√©dio e longo prazos, acabam sempre sendo procrastinadas, empurradas sempre mais um pouquinho para frente, e √≥bvio, o problema n√£o s√≥ persiste como vai se avolumando, n√£o s√≥ no Brasil, mas no planeta todo. √Č s√≥ prestarmos aten√ß√£o nas ondas de calor do ver√£o europeu que passaram dos 40 ¬įC, em diversos pa√≠ses onde o frio se faz sentir, mesmo na esta√ß√£o mais quente do ano, como o Reino Unido, Portugal, Alemanha, Fran√ßa, entre outros. N√£o √© mais uma quest√£o de mito ou verdade. A situa√ß√£o √© bastante s√©ria e a cada ano, s√≥ tende a piorar, elevando cada vez mais os custos de produ√ß√£o, pois o temido efeito do boi sanfona, que quase virou lenda nas propriedades de alta performance, na √©poca da seca, neste ano al√©m de pequenos e m√©dios produtores, atingiu muitos grandes tamb√©m, pois os efeitos da esta√ß√£o foram e ainda est√£o muito intensos, nas diferentes regi√Ķes brasileiras, independentemente do calor exagerado em pleno inverno, do Sudeste para cima, como no Sul, onde as temperaturas muito baixas, at√© com registros de neve, onde esse evento clim√°tico n√£o √© muito comum, castigaram e acabaram com as pastagens. Nessa altura do campeonato, para quem n√£o fez o planejamento nutricional para a preven√ß√£o da seca, com anteced√™ncia de uns quatro meses, pelo menos, agora, no auge dela, a √ļnica coisa a se fazer √© suplementar o rebanho com produtos formulados especificamente para supri-los com vitaminas e sais minerais, al√©m de outros nutrientes que ajudam na manuten√ß√£o do score corporal da vaca. Na verdade, a suplementa√ß√£o mineral √© fundamental para complementar a nutri√ß√£o dos bovinos, e deve acontecer o ano todo, apenas sendo adaptada para cada fase do gado combinada com a ingest√£o das pastagens verdes e cheias de prote√≠na. Pastagens essas que, dentro do planejamento podem ser transformadas em feno ou silagem, e armazenadas para que n√£o faltem no per√≠odo mais cr√≠tico. (*) Marisa Rodrigues, consultora de comunica√ß√£o e marketing especializado para o agroneg√≥cio, com √™nfase em pecu√°ria, √© jornalista, CEO da Taxi Blue Comunica√ß√£o Estrat√©gica e publisher-fundadora do portal Boi a Pasto.

Lucro na seca depende da suplementação adequada

Nesse per√≠odo de transi√ß√£o entre esta√ß√Ķes do clima, o pecuarista deve ficar atento ao manejo nutricional do rebanho Sempre que caminhamos para a √©poca seca do ano, as defici√™ncias minerais das pastagens se acentuam, assim como a energia e prote√≠na na mesma. No entanto, o nutriente que passar√° a limitar a cria√ß√£o dos animais dentro do per√≠odo seco para os animais criados em pastagens √©, de fato, a Prote√≠na (Nitrog√™nio).Como os pastos est√£o maduros e secos, em baixo valor nutricional, o consumo de forragem √© diretamente afetado, principalmente pela queda nos teores de prote√≠na, onde por sua vez, os animais passam a consumir quantidades menores do alimento, o que chamamos de redu√ß√£o na ingest√£o de mat√©ria seca, que ter√° por consequ√™ncia um menor desempenho, chegando em in√ļmeras vezes a perda de peso neste per√≠odo, caracterizando-se pelo efeito sanfona, onde parte do peso adquirido nas √°guas, perde-se na seca. Este fato ocorre, pois os ruminantes (bovinos, ovinos, bubalinos) precisam de, no m√≠nimo, 7% de prote√≠na bruta (PB) presente na mat√©ria seca de seus alimentose, com o caminhar da seca, essa concentra√ß√£o estar√° a baixo desses valores, reduzindo assim as atividades da microbiota ruminal, pois n√£o h√° o m√≠nimo necess√°rio de nutrientes para estimular o crescimento dos microrganismos ruminais. Com a diminui√ß√£o da popula√ß√£o microbiana e das atividades ruminais, a capacidade do r√ļmen em fermentar e digerir forragem fica comprometida, e o tempo de passagem do alimento pelo trato digest√≥rio aumenta, o que logo levar√° o animal em um quadro de subnutri√ß√£o, poisomesmo tem sua capacidade de ingest√£o reduzida.  Em cima dos fatores que mencionamos anteriormente, para que possamos mitigar ou mesmo dar condi√ß√Ķes para que os animais continuem a ganhar peso e se desenvolver zootecnicamente, precisamos compensar as quedas desses nutrientes que limitam a cria√ß√£o de nossos animais. Para isso, devemos ter uma aten√ß√£o especial sobre os suplementos que iremos fornecer, pois al√©m dos Minerais Essenciais, esses produtos devem cont√©m boa fonte de Prote√≠na e Energia, que estimulam a multiplica√ß√£o dos microrganismos ruminais. Para assim aumentar a ingest√£o da forragem que ora estar√° com baixa qualidade, e assim retomar, ou manter seus desempenhos, mesmo de forma mais t√≠mida, quando comparado aos desempenhos no per√≠odo das √°guas.E esta suplementa√ß√£o proteica deve conter fontes de Nitrog√™nio N√£o Proteico (Ureia) e, tamb√©m, fontes de prote√≠na verdadeira (gr√£os) associada, para aumentar a efici√™ncia de sua utiliza√ß√£o, assim como o consumo das forragens pobres em prote√≠na (< 7% de PB). A principal resposta a essas suplementa√ß√Ķes proteicas tem sido pelo atendimento da exig√™ncia microbiana ruminal por prote√≠na, al√©m dos minerais e energia contidos nesses suplementos. A viabilidade econ√īmica de uma atividade √© assegurada pela sua capacidade de gerar lucro, e isso se ressume na capacidade de produ√ß√£o de cada sistema. Por esse fator, o Departamento T√©cnico de Nutri√ß√£o Animal do grupo Matsuda desenvolveu o Programa Desempenho M√°ximo, que visa a produ√ß√£o de mais Arrobas e mais Quilos de Bezerros produzidos ao longo de todo o ano.Para isso, √© preciso ajustar a nutri√ß√£o de tempos em tempos, afim de ajustar a exig√™ncia nutricional dos animais, pois as forrageiras n√£o mant√©m n√≠veis constantes em suas composi√ß√Ķes nutricionais.Vale ainda ressaltar que a suplementa√ß√£o quando feita de forma adequada, serve para ajustar a Defici√™ncia e o Desbalan√ßo Nutricional presente nas Forragens, independente da √©poca do ano ou mesmo aporte de intensifica√ß√£o sobre as corre√ß√Ķes agron√īmicas feitas sobre as mesmas. E toda vez que erramos ou negligenciamos as exig√™ncias dos animais frente ao pouco que nossas pastagens conseguem fornecer em Minerais, Prote√≠na e Energia, estamos tamb√©m retardando o desempenho dos nossos animais, aumentando com isso os custos sobre a produ√ß√£o desses animais por permanecerem maior tempo dentre da propriedade, ou o que √© pior, sendo subprodutivos, ou seja, produzindo muito aqu√©m do que realmente poderiam produzir. Com isso perdemos competitividade para com outras √°reas, ou atividades. Dentro de um Pa√≠s tropical como o Brasil, onde 96% do nosso rebanho √© criado quase que de forma exclusiva, em pastagens tropicais, as forragens s√£o sem d√ļvida, a forma mais barata de produzirmos Carne e Leite de qualidade.Por√©m, desde que a nutri√ß√£o aos animais sejam bem corrigidas, por Suplementos Minerais Proteicos e Energ√©ticos, tecnicamente adequados via cochos, tamb√©m chamados de parto do boi, onde consomem tudo o que os pastos n√£o contemplam em sua composi√ß√£o.A nutri√ß√£o mineral, √© como o alicerce de uma casa, √© a base para todas as demais atividades metab√≥licas, seja para s√≠ntese de prote√≠na ou en√©rgica, Miog√™nese (forma√ß√£o dos m√ļsculos), Adipog√™nese (forma√ß√£o da gordura), Lactog√™nese (forma√ß√£o do Leite), e tantas outras importantes fases de desenvolvimento dos animais. Os tr√™s principais fatores que limitam o desempenho de bovinos em pastagens tropicais no Brasil s√£o o baixo te√īrprot√©ico das gram√≠neas e a baixa disponibilidade de energia devido √† menor digestibilidade das forragens, o que podemos corrigir com o uso de suplementos prot√©icos e energ√©ticos. E a Defici√™ncia e o Desbalan√ßos de Minerais, principalmente P, Cu, Na, Co, Se, Zn,I e S, que podem ser acertados com o uso de Suplementos Minerais com ou sem prote√≠na e energia, de acordo com a √©poca do ano ou mesmo grau de intensifica√ß√£o. Mas principais consequ√™ncias dessas defici√™ncias s√£o, perda da resposta imunol√≥gica acarretando maior susceptibilidade √†s doen√ßas infectocontagiosas e parasit√°ria, que debilitam e elevam a mortalidade dos animais, principalmente animais jovens.

Estiagem antecipa suplementação alimentar para animais

APTA alerta para necessidades de f√™meas em lacta√ß√£o, animais jovens de alto potencialgen√©tico em fase de crescimento ou animais jovens em regime de engorda para o abate. Os criadores de ovinos e bovinos j√° est√£o acostumados a fazer a suplementa√ß√£o alimentar dos animais anualmente. O que eles n√£o esperavam √© que a dieta precisaria ser enriquecida em junho e julho, e n√£o em agosto, como comumente acontece. A antecipa√ß√£o da alimenta√ß√£o suplementar dos animais ocorreu devido √† estiagem que atinge diversas regi√Ķes brasileiras. De acordo com Gabriela Aferri, pesquisadora da Ag√™ncia Paulista de Tecnologia dos Agroneg√≥cios (APTA), houve eleva√ß√£o de 30% na demanda por dias de alimenta√ß√£o de maior custo aos animais. Todos os anos, o produtor de ovinos e bovinos precisa preparar a alimenta√ß√£o animal para o inverno, √©poca em que o capim, por falta de sol e chuva, deixa de crescer.  Com a oferta em baixa, o produtor precisa inserir outros suprimentos na dieta animal, como feno, silagem ou cana-de-a√ß√ļcar. ‚ÄúAcreditar que a suplementa√ß√£o alimentar n√£o ser√° necess√°ria em nenhum per√≠odo do ano √© iludir-se e correr atr√°s do preju√≠zo depois. Quem n√£o se prepara para a √©poca de inverno e primavera, sempre tem preju√≠zos. Neste ano, pela irregularidade das chuvas, a falta de pastagem come√ßou mais cedo‚ÄĚ, afirma a pesquisadora da APTA, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de S√£o Paulo. A suplementa√ß√£o de pastagem √© necess√°ria para animais com maior exig√™ncia de nutrientes, como f√™meas em lacta√ß√£o, animais jovens de alto potencial gen√©tico em fase de crescimento ou animais jovens em regime de engorda para o abate. ‚ÄúQuando utilizamos forrageiras de melhor valor nutricional associada √† aduba√ß√£o eficiente, produzimos, de forma mais barata, um alimento de valor nutricional adequado. Esta situa√ß√£o, por√©m, n√£o se manter√° o ano todo, porque os fatores ambientais e fisiol√≥gicos da planta se alteram, levando √† diminui√ß√£o da produ√ß√£o e do valor nutricional das forrageiras‚ÄĚ, diz. No caso das ovelhas adultas, por exemplo, s√£o necess√°rios de quatro a cinco quilos de alimentos, por dia. A fun√ß√£o dessa suplementa√ß√£o √© manter os animais em boa condi√ß√£o corporal.  De acordo com Gabriela, a escala visual de condi√ß√£o corporal dos animais t√™m cinco graus, do n√ļmero 1, muito magro, ao 5, muito gordo. ‚Äú√Č desej√°vel que a condi√ß√£o corporal fique entre 3 e 4. Se aparecer a condi√ß√£o 2, a luz de alerta se acende. √Č problema √† vista‚ÄĚ, explica a pesquisadora da APTA. Segundo Gabriela, os bovinos t√™m mais resist√™ncia √† falta de nutrientes, o que n√£o acontece com os ovinos. ‚ÄúNa √©poca da seca, at√© vemos vacas, por exemplo, que ficam muito magras e conseguem esperar a √©poca do ver√£o para engordarem. Chamamos isso de efeito sanfona. No caso dos ovinos, isso n√£o ocorre. Eles sentem muito a falta de nutrientes, ocorrendo doen√ßas e at√© mesmo a morte do animal‚ÄĚ, afirma. O primeiro nutriente que deve ser suplementado √© a prote√≠na, pois tem impacto direto na sa√ļde dos animais e os volumosos produzidos em S√£o Paulo s√£o carentes deste elemento.  As formas concentradas de prote√≠na, como os farelos proteicos ou ureia s√£o as mais comumente usadas, por serem de f√°cil comercializa√ß√£o e armazenamento. No mercado, h√° diversos tipos de suplementos formulados para atenderem √†s diversas necessidades da cria√ß√£o. A suplementa√ß√£o energ√©tica via volumoso ou concentrado √© menos desafiadora, pois os animais suportam uma leve perda de peso, caso estejam gordos ao final da esta√ß√£o favor√°vel. ‚ÄúMas ao longo do tempo, ser√° inevit√°vel utilizar um volumoso como fonte de energia‚ÄĚ, explica Gabriela. Segundo a pesquisadora da APTA, os produtores se prepararam para a √©poca da seca, mas como o per√≠odo est√° maior este ano, pode ser que a estimativa de necessidade de alimentos seja menor do que a necessidade real a ser observada. ‚ÄúS√≥ saberemos disso ao final do ano‚ÄĚ, afirma a pesquisadora da APTA.  Gabriela explica que os produtores costumam cultivar os alimentos que ser√£o usados no inverno. A pesquisadora, por√©m, d√° algumas dicas para aqueles que est√£o com estoque em baixa. ‚ÄúH√° duas sa√≠das: comprar volumosos ‚Äď cana e silagem ‚Äď ou de feno de alguma propriedade pr√≥xima e utilizar algum coproduto regional na alimenta√ß√£o. Em casos extremos, de muita dificuldade, o produtor precisa vender parte do seu rebanho‚ÄĚ, diz. No pasto, o capim s√≥ deve voltar a ter condi√ß√Ķes de ser pastejado de 40 a 50 dias ap√≥s o per√≠odo de chuva, que deve ter in√≠cio neste m√™s de outubro. Fonte: APTA

A suplementação para bovinos é essencial no período seco

Entre o per√≠odo de abril e setembro, os pa√≠ses localizados no tr√≥pico sul t√™m sua produ√ß√£o de forragens afetada pela estacionalidade, o que torna praticamente imposs√≠vel conciliar a produ√ß√£o de forragem de alta qualidade, durante o ano todo, com a demanda de nutrientes que os animais precisam. Jos√© Leonardo*  Este fato gera a necessidade de suplementa√ß√£o mineral, proteica e energ√©tica dos bovinos, na √©poca seca, momento em que o objetivo dos pecuaristas deve ser o incremento do ganho de peso dos animais.  Na tentativa de garantir a oferta de forragem aos animais neste per√≠odo, muitos produtores vedam piquetes precocemente, o que resulta em aumento do intervalo entre cortes do capim. Este ato ocasiona altera√ß√Ķes significativas na estrutura e composi√ß√£o do capim, que ser√° pastejado pelo animal. A maior altura do dossel forrageiro ser√° representada por incremento de haste, que apresenta valor nutricional bem inferior √†s folhas.  No momento do pastejo, se o dossel forrageiro estiver muito alto, o animal gastar√° mais tempo para realizar um bocado, o que pode acarretar menor ingest√£o ao longo do dia. Em adi√ß√£o, a forragem consumida apresentar√° menores teores de minerais, prote√≠na bruta e energia, por√©m maior teor de fibra.  √Č comum desempenho insatisfat√≥rio no per√≠odo seco, quando bovinos n√£o s√£o suplementados com fontes proteicas, energ√©ticas e mineral adequadas. Ao suplementar os animais com nutrientes limitantes na forragem, nesta √©poca, haver√° incremento no consumo de forragem e maior digestibilidade do alimento ingerido. A ado√ß√£o desta pr√°tica elimina o chamado ‚Äúboi sanfona‚ÄĚ, animal que perde peso no per√≠odo seco do ano, fato que compromete a efici√™ncia econ√īmica e produtiva de qualquer propriedade.  Ao oferecer aos bovinos o suplemento mineral adequado, a defici√™ncia nutricional ser√° corrigida, proporcionando ganho de peso ao animal.  Para manuten√ß√£o do peso vivo dos animais, no per√≠odo seco, √© necess√°rio o fornecimento de um suplemento mineral ureado, o qual apresenta somente a ureia como fonte de nitrog√™nio. No entanto, o fornecimento de um suplemento mineral proteico, com pelo menos 30% de Prote√≠na Bruta, que propicie o consumo de 100g de proteinado / 100 kg de peso vivo, resultar√° em um ganho de peso que vai variar de 150 a 250 g/animal/dia. J√° o fornecimento de um suplemento mineral proteico/energ√©tico, com pelo menos 30% de Prote√≠na Bruta, que proporcione o consumo de 200g / 100 kg de Peso Vivo, ter√° em um ganho de peso com varia√ß√£o de 300 a 500 g/animal/dia. O ponto fundamental, independente do suplemento, √© a presen√ßa de oferta de forragem suficiente.  Os suplementos minerais proteicos ou proteico / energ√©ticos devem ter em sua composi√ß√£o prote√≠na verdadeira, proveniente principalmente do farelo de soja, bem como fonte de nitrog√™nio n√£o proteico (ureia). A quantidade de prote√≠na verdadeira e ureia depender√° do teor de prote√≠na bruta do proteinado e do valor nutricional da forragem ofertada.  Um bom suplemento proteico e/ou proteico/energ√©tico apresenta teores de s√≥dio, farelos vegetais e ureia adequados para regular o consumo de tais suplementos. N√£o h√° necessidade de abastecer os cochos diariamente. No entanto, a cada tr√™s dias √© fundamental que os cochos disponham de tais suplementos e sejam monitorados. Apesar de serem disponibilizados no per√≠odo seco, os cochos devem ser cobertos, pois chuvas ocasionais podem ocorrer. Al√©m disto, devem apresentar orif√≠cios que permitam o escoamento de √°gua, visto que estes suplementos apresentam ureia em sua composi√ß√£o.  *Jos√© Leonardo √© zootecnista e gerente de Produtos Ruminantes Fonte: LN

O fósforo na alimentação de bovinos

O f√≥sforo (P) √© o segundo elemento mineral mais abundante no organismo. Rafael Achilles Marcelino* A efici√™ncia dos sistemas de produ√ß√£o animal depende, em grande parte, do uso de medidas racionais de manejo, sobretudo no que diz a respeito da nutri√ß√£o dos animais, uma vez que a alimenta√ß√£o representa uma fra√ß√£o significativa dos custos de produ√ß√£o. Neste sentido, o correto balanceamento das dietas possui grande import√Ęncia, sendo necess√°rio para isso o conhecimento das exig√™ncias nutricionais dos animais, assim como da composi√ß√£o bromatol√≥gica e da disponibilidade de nutrientes dos alimentos. Os minerais, embora presentes em menores propor√ß√Ķes do que outros nutrientes, tais como prote√≠na e a gordura, desempenham fun√ß√Ķes vitais e suas defici√™ncias acarretam altera√ß√Ķes de ordem produtiva, reprodutiva e de sa√ļde. Os minerais possuem basicamente tr√™s fun√ß√Ķes no organismo animal: composi√ß√£o estrutural de √≥rg√£os e tecidos, constituintes de tecidos e fluidos corporais e catalisadores de sistemas enzim√°ticos e hormonais. O f√≥sforo (P) √© o segundo elemento mineral mais abundante no organismo. Cerca de 80% est√° presente nos ossos e dentes, al√©m de localizar-se tamb√©m em todas as c√©lulas e em quase toda transa√ß√£o envolvendo forma√ß√£o e quebra de liga√ß√Ķes de alta energia. F√≥sforo tamb√©m est√° intimamente envolvido no equil√≠brio √°cido-b√°sico do sangue e de outros fluidos corporais, sendo componente fosfolip√≠dico, fosfoprot√©ico e do √°cido nucl√©ico. A absor√ß√£o de P ocorre principalmente no intestino delgado. Somente pequenas quantidades s√£o absorvidas no r√ļmen, omaso e abomaso. A homeostase do P √© predominantemente mantida por reciclagem salivar e excre√ß√£o fecal, sendo proporcional a quantidade de P consumida e absorvida (NRC, 2001). F√≥sforo tamb√©m √© requerido pelos microrganismos ruminais para digest√£o da celulose e s√≠ntese de prote√≠na microbiana. A falta de energia e de prote√≠na √©, frequentemente, respons√°vel pelos baixos n√≠veis de produ√ß√£o. Todavia, desequil√≠brios minerais nos solos e forrageiras v√™m sendo responsabilizados pelo baixo desempenho produtivo e reprodutivo de ruminantes sob pastejo em √°reas tropicais. Fontes de suplementos minerais de P (fosfatos monoc√°lcico e bic√°lcico) s√£o adicionadas acima da recomenda√ß√£o, no intuito de se garantir ‚Äúmargem de seguran√ßa resultando em 25 a 35% de excesso do mineral na dieta e o aumento de 30% de sua excre√ß√£o. No r√ļmen, a disponibilidade dos minerais e sua utiliza√ß√£o dependem da taxa de passagem e da intera√ß√£o com a popula√ß√£o microbiana. As disponibilidades do Ca e P podem ser significativamente alteradas em virtude de suas combina√ß√Ķes qu√≠micas ou associa√ß√Ķes f√≠sicas com outros componentes da dieta. O √°cido fitico afeta a absor√ß√£o intestinal do Ca e P, por√©m no r√ļmen, em virtude da produ√ß√£o da fitase microbiana, o fitato √© amplamente utilizado. A absor√ß√£o de P tamb√©m pode ser prejudicada pelo magn√©sio (Mg), AI e Fe, que formam precipitados, bem como pelo molibd√™nio (Mo) e cobre (Cu), que interferem diretamente na absor√ß√£o de P. A vitamina D aumenta a absor√ß√£o e a atividade de transporte de Ca e P. Seu requerimento em bovinos de corte √© de 275UI/kg de mat√©ria seca (MS) para cada dia (d), segundo o NRC. Por√©m, animais que recebem luz solar ou que se alimentam de forrageiras secas ao sol raramente necessitam desta suplementa√ß√£o, a n√£o ser que sejam animais confinados e que recebam dieta conservada. A concentra√ß√£o plasm√°tica da forma ativa da vitamina D (l ,25 OH2 D) √© menor para o gado europeu, atribu√≠da a uma adapta√ß√£o gen√©tica e ambiental, devido √† menor luminosidade. Fatores como esp√©cie, maturidade da planta, clima, o tipo de solo e sua concentra√ß√£o de minerais, n√£o devem ser utilizadas separadamente para predizer a concentra√ß√£o mineral da forrageira.Geralmente, as concentra√ß√Ķes da maioria dos minerais s√£o maiores em leguminosas com rela√ß√£o √†s gram√≠neas. Na tabela 1 pode-se observar as varia√ß√Ķes encontradas entre gram√≠neas e leguminosas, coletadas de suas partes novas e condi√ß√Ķes experimentais. Tabela 1 ‚Äď Concentra√ß√£o de minerais em algumas gram√≠neas e leguminosas forrageiras Com rela√ß√£o √† idade da planta, o efeito da idade da planta sobre a concentra√ß√£o de minerais em capim Panicum maximum pode ser observado na tabela 2. A concentra√ß√£o da maioria dos minerais nas forrageiras tende a decrescer com a idade da planta, e para alguns minerais, a influ√™ncia da maturidade sob suas concentra√ß√Ķes √© maior, como no caso do nitrog√©nio e f√≥sforo, os dois de grande import√Ęncia no planejamento da suplementa√ß√£o dos animais em pastejo. Tabela 2 ‚Äď Concentra√ß√Ķes m√©dias de minerais na forrageira Panicum maximum em diferentes idades O entendimento dos processos que envolvem a utiliza√ß√£o dos minerais pelo ruminante, particularmente o f√≥sforo, √© importante, de modo a possibilitar o desenvolvimento de estrat√©gias que possam adequar o suprimento de misturas minerais para o animal, garantindo uma maior vantagem produtiva e econ√īmica, conciliada a uma menor excre√ß√£o de f√≥sforo, favorecendo uma maior efici√™ncia de utiliza√ß√£o desse mineral. Geralmente a suplementa√ß√£o com P √© superestimada, ocasionando um gasto desnecess√°rio para um melhor desempenho dos animais e menor excre√ß√£o fosfatada no ambiente. Pesquisas feitas n√£o sugerem que o excesso de P na dieta melhore o desempenho produtivo e reprodutivo. Deve-se avaliar o balanceamento da dieta como um todo e eliminar exageros, pois os custos desses excessos certamente pesam no or√ßamento, al√©m de apresentar restri√ß√Ķes ambientais. * Rafael Achilles Marcelino √© da Universidade Federal de Lavras ‚Äď 3rlab Fonte: 3rlab