Documento avalia programa federal e aponta caminhos para ampliar acesso a crédito, assistência técnica e financiamento climático

A recuperação de pastagens degradadas ganhou protagonismo na agenda do agronegócio brasileiro com o lançamento do Programa Caminho Verde Brasil, em 2025. Diante desse cenário, a Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável apresentou um conjunto de recomendações para aprimorar a política pública, com foco em ampliar sua efetividade e alcance no campo.
O material foi elaborado pelo Grupo de Trabalho de Terra da instituição e traz uma análise técnica sobre o desenho do programa, incluindo avanços, limitações e propostas para fortalecer a implementação junto aos produtores rurais. A iniciativa busca contribuir para que a recuperação de áreas ocorra com maior escala, previsibilidade e acesso.
Avanços e papel estratégico da recuperação de pastagens
Entre os pontos positivos destacados, o documento reconhece a proposta de aumentar a produtividade sem a necessidade de abertura de novas áreas. A recuperação de pastagens aparece como eixo estratégico para elevar a eficiência produtiva, reduzir emissões de gases de efeito estufa e diminuir a pressão por desmatamento.
A análise também ressalta a integração do programa com políticas já existentes, como o Plano ABC+, e o potencial de atrair recursos por meio de instrumentos de financiamento climático. Nesse contexto, mecanismos como créditos de carbono e iniciativas de insetting são apontados como alternativas para mobilizar investimentos ao longo da cadeia produtiva.
Entraves operacionais e desafios de acesso
Apesar dos avanços conceituais, o documento identifica desafios que podem limitar a implementação do programa. Um dos principais pontos é a falta de critérios técnicos claros para conceitos como “pastagens degradadas” e “boas práticas agropecuárias”, o que pode gerar insegurança e dificultar a mensuração de resultados.
Outro aspecto relevante é o risco de concentração dos benefícios em grandes propriedades, o que pode restringir o acesso de pequenos e médios produtores. A ausência de definições mais objetivas sobre regras de adesão, exigências de permanência e oferta de assistência técnica também aparece como entrave para a expansão do programa.
Além disso, questões relacionadas à capacidade operacional, como disponibilidade de insumos, estrutura técnica e sistemas de monitoramento, são apontadas como desafios para o cumprimento das metas estabelecidas.
Propostas para fortalecer a política no campo
Diante desse cenário, a Mesa propõe ajustes voltados à melhoria dos instrumentos técnicos, operacionais e de governança do programa. Entre as recomendações estão a ampliação do acesso ao crédito, o fortalecimento da assistência técnica e a integração com políticas públicas já consolidadas.
A inclusão de pequenos e médios produtores é destacada como prioridade, com a necessidade de revisão de critérios que possam limitar sua participação. O documento também sugere avanços na estruturação de mecanismos de financiamento climático, incentivando a cooperação entre produtores e agentes da cadeia.
No campo da governança, a proposta inclui a criação de espaços permanentes de diálogo entre setor produtivo e sociedade civil, com o objetivo de garantir transparência e evolução contínua da política.
A iniciativa prevê ainda o desenvolvimento de um guia técnico voltado aos produtores, com orientações práticas para facilitar o acesso a crédito e benefícios relacionados à recuperação de pastagens, ampliando a adesão ao programa.
Fonte: Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável, adaptado pela equipe Feed&Food






