Durante o segundo trimestre, a qualidade das pastagens tende a cair e, consequentemente, o pecuarista perde capacidade de retenção dos animais, o que eleva a oferta e intensifica a necessidade de negociação

O mercado físico do boi gordo registrou queda significativa nos preços ao longo da última semana, conforme análise da consultoria Safras & Mercado. Além disso, o movimento reflete mudanças no comportamento da indústria frigorífica e fatores sazonais típicos do período.
De acordo com o analista Fernando Henrique Iglesias, muitos frigoríficos passaram a operar com escalas de abate mais confortáveis. Com isso, as indústrias começaram a testar valores mais baixos nas principais praças de produção e comercialização do país.
Por outro lado, a sazonalidade também exerce forte influência nesse cenário. Durante o segundo trimestre, a qualidade das pastagens tende a cair. Consequentemente, o pecuarista perde capacidade de retenção dos animais, o que eleva a oferta e intensifica a necessidade de negociação.
Outro ponto relevante destacado pelo analista é o avanço da cota chinesa para importações de carne bovina brasileira, fixada em 1,1 milhão de toneladas. Nesse sentido, o excedente desse volume é taxado em 55%, o que traz preocupação ao setor.
Além disso, há expectativa de esgotamento dessa cota entre os meses de junho e julho. Dessa forma, esse fator passa a influenciar diretamente o comportamento do mercado interno, sobretudo nas estratégias de compra da indústria.
Diante desse conjunto de fatores, a tendência para a próxima semana e ao longo do mês de maio é de intensificação das tentativas de compra abaixo de R$ 350 por arroba na praça-base de São Paulo. Assim, o movimento deve se refletir também em outros estados produtores, incluindo Goiás.
Apesar da pressão no mercado interno, as exportações de carne bovina continuam avançando. Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior, o Brasil arrecadou US$ 942,105 milhões em abril até o momento, considerando 12 dias úteis.
Além disso, a média diária foi de US$ 78,508 milhões. O volume total exportado chegou a 153,353 mil toneladas, com média diária de 12,779 mil toneladas. Ao mesmo tempo, o preço médio da tonelada ficou em US$ 6.143,4.
Na comparação com abril de 2025, houve aumento de 29,2% no valor médio diário das exportações. Da mesma forma, a quantidade média diária embarcada cresceu 5,8%, enquanto o preço médio registrou alta de 22,1%, reforçando a forte demanda internacional pelo produto brasileiro.
Fonte: Panorama Por Gessica Vieira






