abril 24, 2026

Mesa da Pecuária propõe ajustes para ampliar recuperação de pastagens no Brasil

Documento avalia programa federal e aponta caminhos para ampliar acesso a crédito, assistência técnica e financiamento climático

Pastagem recuperada contrasta com área degradada, evidenciando o potencial produtivo e ambiental da recuperação de áreas no campo

A recuperação de pastagens degradadas ganhou protagonismo na agenda do agronegócio brasileiro com o lançamento do Programa Caminho Verde Brasil, em 2025. Diante desse cenário, a Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável apresentou um conjunto de recomendações para aprimorar a política pública, com foco em ampliar sua efetividade e alcance no campo.

O material foi elaborado pelo Grupo de Trabalho de Terra da instituição e traz uma análise técnica sobre o desenho do programa, incluindo avanços, limitações e propostas para fortalecer a implementação junto aos produtores rurais. A iniciativa busca contribuir para que a recuperação de áreas ocorra com maior escala, previsibilidade e acesso.

Avanços e papel estratégico da recuperação de pastagens

Entre os pontos positivos destacados, o documento reconhece a proposta de aumentar a produtividade sem a necessidade de abertura de novas áreas. A recuperação de pastagens aparece como eixo estratégico para elevar a eficiência produtiva, reduzir emissões de gases de efeito estufa e diminuir a pressão por desmatamento.

A análise também ressalta a integração do programa com políticas já existentes, como o Plano ABC+, e o potencial de atrair recursos por meio de instrumentos de financiamento climático. Nesse contexto, mecanismos como créditos de carbono e iniciativas de insetting são apontados como alternativas para mobilizar investimentos ao longo da cadeia produtiva.

Entraves operacionais e desafios de acesso

Apesar dos avanços conceituais, o documento identifica desafios que podem limitar a implementação do programa. Um dos principais pontos é a falta de critérios técnicos claros para conceitos como “pastagens degradadas” e “boas práticas agropecuárias”, o que pode gerar insegurança e dificultar a mensuração de resultados.

Outro aspecto relevante é o risco de concentração dos benefícios em grandes propriedades, o que pode restringir o acesso de pequenos e médios produtores. A ausência de definições mais objetivas sobre regras de adesão, exigências de permanência e oferta de assistência técnica também aparece como entrave para a expansão do programa.

Além disso, questões relacionadas à capacidade operacional, como disponibilidade de insumos, estrutura técnica e sistemas de monitoramento, são apontadas como desafios para o cumprimento das metas estabelecidas.

Propostas para fortalecer a política no campo

Diante desse cenário, a Mesa propõe ajustes voltados à melhoria dos instrumentos técnicos, operacionais e de governança do programa. Entre as recomendações estão a ampliação do acesso ao crédito, o fortalecimento da assistência técnica e a integração com políticas públicas já consolidadas.

A inclusão de pequenos e médios produtores é destacada como prioridade, com a necessidade de revisão de critérios que possam limitar sua participação. O documento também sugere avanços na estruturação de mecanismos de financiamento climático, incentivando a cooperação entre produtores e agentes da cadeia.

No campo da governança, a proposta inclui a criação de espaços permanentes de diálogo entre setor produtivo e sociedade civil, com o objetivo de garantir transparência e evolução contínua da política.

A iniciativa prevê ainda o desenvolvimento de um guia técnico voltado aos produtores, com orientações práticas para facilitar o acesso a crédito e benefícios relacionados à recuperação de pastagens, ampliando a adesão ao programa.

Fonte: Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável, adaptado pela equipe Feed&Food

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