Integração produtiva e venda de carbono ampliam ganhos em propriedades rurais

A pecuária regenerativa vem ganhando espaço no Brasil como um modelo de produção de carne e leite que alia produtividade à conservação ambiental. Baseado na recuperação da saúde do solo, no aumento da biodiversidade e no sequestro de carbono, o sistema aposta no manejo estratégico das pastagens para tornar a atividade mais sustentável.
Entre as principais práticas está o pastoreio rotacionado de alta intensidade, no qual os animais são movimentados frequentemente entre piquetes. Essa dinâmica evita o superpastejo, permite o descanso da pastagem e contribui para a regeneração do solo. Solos mais saudáveis, por sua vez, têm maior capacidade de reter água e capturar carbono da atmosfera.
O modelo também incorpora o chamado manejo holístico, que considera de forma integrada os animais, o solo, a vegetação e o ecossistema. Nesse contexto, o uso de cercas elétricas móveis é comum, permitindo maior controle sobre o pastejo e melhor aproveitamento das áreas.
A proposta contrasta com o modelo tradicional de pecuária extensiva, historicamente adotado no país desde o período colonial. Nesse sistema, os animais são criados soltos em grandes áreas, muitas vezes abertas a partir do desmatamento de vegetação nativa. Ao longo do tempo, a prática pode levar à degradação das pastagens, reduzindo a produtividade e pressionando a abertura de novas áreas.

Na pecuária regenerativa, o foco está na intensificação sustentável. O produtor investe na recuperação das pastagens e em sistemas integrados, como a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), que combina atividades agrícolas, pecuárias e florestais na mesma área, em consórcio, rotação ou sucessão. A estratégia busca otimizar o uso da terra, diversificar a renda e melhorar indicadores ambientais e produtivos.
Um exemplo dessa abordagem é a Fazenda Monalisa, no Maranhão. Desde 2015, a propriedade da família do médico veterinário Mauroni Cangussu tem adotado práticas regenerativas em seus 900 hectares, onde mantém cerca de 1.200 animais.
O sistema produtivo da fazenda está estruturado em três frentes: recria e terminação de bovinos, floresta plantada e comercialização de créditos de carbono. “Aqui trabalhamos com ILPF. Comercializamos madeira, atualmente de eucalipto, carne e também créditos de carbono, tudo na mesma área”, explica Cangussu.
O mercado de carbono no Brasil vem ganhando impulso com a regulamentação recente e já movimenta bilhões de dólares globalmente. Os créditos são gerados por projetos que reduzem ou removem emissões de CO₂, permitindo que empresas compensem sua pegada ambiental.
Segundo o produtor, os créditos comercializados na propriedade variam entre US$ 45 e US$ 50 por tonelada de carbono. “Já negociamos com empresas globais, como a Microsoft. O crédito de carbono tende a se consolidar como um ativo relevante no futuro”, afirma.
Na fazenda, o sistema inclui o plantio de árvores em faixas intercaladas com pastagens, garantindo sombra para os animais e contribuindo para o equilíbrio ambiental da área.
Redação Boi a Pasto – Jornalista Camila Gusmão MTB: 63035/SP






