Enquanto a seca reduz a oferta de forragem em grande parte do país, pecuaristas paranaenses apostam na integração lavoura-pecuária e em pastagens de aveia e azevém para manter o desempenho do rebanho durante os meses mais frios do ano.

Com a chegada do período de frio e estiagem em grande parte do Brasil, muitos pecuaristas que trabalham com sistemas de produção a pasto enfrentam desafios relacionados à redução da oferta e da qualidade das forragens. No Paraná, porém, a realidade é diferente. Graças ao uso da Integração Lavoura-Pecuária (ILP), produtores conseguem manter a produtividade dos rebanhos durante o inverno por meio da utilização de pastagens de inverno.
No sistema adotado por diversas propriedades da região, a mesma área é utilizada para o cultivo de soja durante o verão, entre outubro e fevereiro, e para a formação de pastagens de inverno entre maio e setembro. Na Fazenda Cabanha Caracu Mocho, localizada no município de Reserva (PR), o modelo é utilizado na criação de bovinos da raça Caracu Mocho, garantindo oferta de alimento de qualidade mesmo nos meses mais frios do ano.

“A pastagem de inverno é uma excelente alternativa para a pecuária extensiva. Nesse período, os reprodutores adultos e jovens permanecem em áreas separadas. Os animais adultos são preparados para a estação de monta, que normalmente começa entre agosto e setembro, enquanto os mais jovens seguem em desenvolvimento para futura utilização como reprodutores ou para comercialização”, explica o criador Fábio Castro Loureiro.
Segundo ele, as vacas e novilhas também se beneficiam diretamente do sistema. “Nesse período, elas são preparadas para o parto e, graças à qualidade da pastagem, melhoram o escore corporal, produzem mais leite para os bezerros recém-nascidos e contribuem para o nascimento de animais mais saudáveis e vigorosos”, afirma.

A pastagem temporária utilizada na propriedade é formada pelo consórcio de aveia e azevém, em proporções definidas conforme os objetivos do produtor. O plantio é realizado normalmente em abril, e o pastejo pode começar entre 45 e 50 dias após a semeadura. A entrada dos animais ocorre entre o final de maio e o início de junho, enquanto a saída acontece entre o final de setembro e o início de outubro.
Além de garantir alimentação de qualidade durante o período mais crítico do ano para a pecuária a pasto, o sistema também apresenta vantagens econômicas. De acordo com Loureiro, o baixo custo de produção aliado à elevada disponibilidade de forragem resulta em maior rentabilidade para a atividade.

A produtividade por área também chama atenção. Os animais permanecem nas pastagens durante aproximadamente 120 dias, com ganhos médios diários que variam entre 700 gramas e 1 quilo, dependendo da categoria animal.
“Os animais da Cabanha Caracu Mocho são criados 100% a pasto durante todo o ano, recebendo apenas suplementação mineral. A pastagem de inverno, utilizada por um período de 90 a 120 dias, permite inclusive a terminação de animais de descarte, tanto machos quanto fêmeas, que não serão utilizados como reprodutores. A capacidade de engorda é realmente muito boa”, destaca o produtor.

Localizada na região central do Paraná, a Cabanha Caracu Mocho atua na pecuária de corte nos sistemas de cria e recria, com foco na produção de animais geneticamente superiores e carne de qualidade. O rebanho é submetido a rigorosos critérios de avaliação zootécnica, incluindo exames de ultrassonografia de carcaça certificados pela Associação Brasileira de Criadores de Caracu (ABCC). Atualmente, a propriedade conta com cerca de 100 fêmeas registradas em idade reprodutiva.
Para Loureiro, o sucesso da integração lavoura-pecuária no Sul do Brasil está diretamente ligado à tradição regional e à adoção de tecnologias agrícolas. “A ILP faz parte da cultura da pecuária sulina e proporciona ganhos econômicos ao produtor, além de melhorar significativamente a qualidade das pastagens e o desempenho dos animais”, conclui.
Redação Boi a Pasto – Jornalista Camila Gusmão MTB: 63035/SP






