Estudo da FAO aponta que sistemas de produção animal respondem por 33% da proteína consumida globalmente e representam 40% do PIB agrícola mundial

Os sistemas de produção pecuária têm participação relevante na alimentação e na economia mundial. Incluindo a avicultura, o setor fornece 33% de toda a proteína consumida no planeta e responde por 40% do Produto Interno Bruto (PIB) agrícola global, movimentando o equivalente a aproximadamente US$ 1,8 trilhão.
Os dados fazem parte de estudo divulgado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e mostram também a importância da produção local para garantir o abastecimento de alimentos de origem animal.
Isso porque apenas uma parcela relativamente pequena da produção atravessa as fronteiras internacionais. Segundo o levantamento, cerca de 15% da carne, 12% dos produtos lácteos e apenas 3% dos ovos produzidos mundialmente são comercializados no mercado externo.
Dessa forma, grande parte da proteína animal consumida pela população depende das cadeias produtivas estabelecidas dentro dos próprios países e regiões.
Sistemas mistos lideram oferta de proteína animal
O levantamento também mostra como diferentes modelos produtivos participam da oferta mundial de proteína de origem animal.
Os sistemas mistos, que combinam agricultura e pecuária, respondem por aproximadamente 30% dessa produção. A avicultura apresenta participação semelhante, também próxima de 30%.
A suinocultura representa 19% do fornecimento mundial de proteína animal, enquanto os sistemas tradicionais de pastoreio respondem por 12%. Já os sistemas de confinamento correspondem a aproximadamente 3% do total.
Na produção mundial de carnes, as espécies monogástricas, principalmente aves e suínos, concentram 74% do volume anual. Os ruminantes representam os outros 26%.
Bovinos respondem por 81% da produção mundial de leite
A bovinocultura também ocupa posição predominante na cadeia mundial de lácteos. De acordo com o estudo, os bovinos são responsáveis por 81% da oferta global de leite.
A participação dos alimentos de origem animal na dieta, porém, varia significativamente entre as regiões.
Nas Américas, Europa e Oceania, a proteína animal representa mais de 50% do aporte proteico da população. Na África, essa participação fica abaixo de 18%, evidenciando diferenças regionais na disponibilidade e no consumo desses alimentos.
Pastagens e subprodutos ganham espaço na alimentação animal
O estudo também chama atenção para a disputa pelo uso de terras agricultáveis entre a produção de alimentos destinados diretamente às pessoas e o cultivo de ingredientes utilizados na alimentação dos animais.
Esse cenário tem estimulado maior aproveitamento de subprodutos agroindustriais e de fontes alternativas de alimentação, além da utilização de áreas de pastagens com menor aptidão para a produção agrícola.
A estratégia permite transformar materiais e recursos que não seriam diretamente consumidos pelas pessoas em alimentos de alto valor nutricional, como carne e leite.
Nos sistemas baseados em pastagens, essa característica ganha importância porque os ruminantes conseguem converter recursos fibrosos, incluindo forragens produzidas em áreas inadequadas para determinadas culturas agrícolas, em proteína destinada à alimentação humana.
Pecuária também enfrenta desafio das emissões
Ao mesmo tempo em que destaca a contribuição da produção animal para a segurança alimentar e a economia, o relatório aponta os desafios ambientais associados à atividade.
Segundo a FAO, os sistemas pecuários respondem por aproximadamente 12% das emissões de gases de efeito estufa provocadas pelas atividades humanas.
A bovinocultura está entre as principais fontes dentro desse conjunto, especialmente devido às emissões de metano decorrentes da fermentação entérica dos ruminantes.
O cenário reforça o desafio de ampliar a eficiência dos sistemas produtivos ao mesmo tempo em que se busca reduzir a intensidade das emissões. Na pecuária a pasto, estratégias relacionadas ao manejo das pastagens, qualidade da alimentação e produtividade animal estão entre os fatores que podem influenciar a quantidade de produto obtida por área e por animal.
Fonte: Estadão Conteúdo
Curadoria: Camila Gusmão para o portal Boi a Pasto






