setembro 29, 2026

Calor intenso pode derrubar produção de leite em até 20% e exige ajuste no manejo

Estresse térmico reduz consumo de matéria seca e pode afetar desempenho e reprodução; sombra, água, ventilação e ajustes na alimentação ajudam a diminuir os impactos

Foto: Divulgação Cargill

O aumento das temperaturas pode provocar perdas importantes na pecuária leiteira. Em períodos de calor intenso, o estresse térmico altera o comportamento das vacas, reduz o consumo de alimento e pode comprometer tanto o desempenho reprodutivo quanto a produção de leite. Nos momentos mais críticos, a queda na produção pode chegar a 20%.

O problema ocorre quando os animais têm dificuldade para dissipar o calor corporal e passam a utilizar parte de sua energia para tentar manter a temperatura dentro de níveis adequados. Respiração acelerada, procura frequente por sombra, maior permanência em pé e mudanças no comportamento estão entre os sinais que podem indicar desconforto térmico.

Segundo Hilton do Carmo Diniz Neto, médico-veterinário e gerente de produtos para bovinos de leite da Cargill Saúde e Nutrição Animal, quando o controle do estresse térmico não é eficiente, os reflexos econômicos podem ser significativos.

“Quando não há um controle eficiente, os prejuízos podem ser expressivos. No caso da produção de leite, por exemplo, o estresse causado pelo calor pode reduzir a produção em até 20%”, afirma.

Menor consumo afeta produção

Um dos principais efeitos do calor está relacionado à alimentação. Sob estresse térmico, as vacas tendem a permanecer mais tempo tentando perder calor e diminuem o tempo dedicado ao consumo de alimento.

Com a redução da ingestão de matéria seca, também cai a quantidade de energia e nutrientes disponível para manutenção e produção. O fluxo sanguíneo destinado ao úbere também pode ser afetado, contribuindo para a queda no desempenho produtivo.

Algumas condições dentro da propriedade podem intensificar o problema. Superlotação, espaço insuficiente nos cochos, poucos pontos de acesso à água e falhas na manutenção dos equipamentos utilizados para resfriamento aumentam o risco de desconforto.

Sombra e água ganham importância no pasto

Em sistemas de produção a pasto, a disponibilidade de sombra torna-se especialmente importante durante os horários de maior radiação solar. O objetivo é permitir que os animais encontrem locais protegidos para reduzir a carga de calor recebida ao longo do dia.

“Boa circulação de ar, áreas protegidas da radiação solar e sistemas de ventilação e aspersão em condições adequadas de uso ajudam a proporcionar maior conforto ao rebanho. Em propriedades com animais a pasto, a disponibilidade de sombra deve ser considerada principalmente nos horários de maior exposição ao sol”, explica Neto.

A água também passa a ser um ponto crítico do manejo. Os animais precisam ter acesso contínuo a água fresca e limpa, com quantidade e distribuição de bebedouros suficientes para evitar competição, principalmente nas horas mais quentes.

Alimentação pode ser ajustada aos horários mais frescos

O manejo nutricional é outra ferramenta para tentar minimizar os efeitos do estresse térmico. Como o consumo tende a cair nos períodos mais quentes, uma das estratégias é concentrar parte do fornecimento da dieta nos horários de temperatura mais amena.

“É importante trabalhar para preservar o consumo e manter a dieta nutricionalmente equilibrada, já que a redução na ingestão pode comprometer o desempenho das vacas. O horário de fornecimento também pode ser ajustado para os períodos mais frescos do dia, quando a tendência é de maior consumo”, afirma o especialista.

Além da quantidade oferecida, a qualidade do alimento precisa ser acompanhada. Temperaturas elevadas podem acelerar alterações na dieta quando ela permanece exposta por muito tempo. Evitar excesso de sobras e manter o alimento em condições adequadas de consumo ajudam a preservar a ingestão pelo rebanho.

Com a aproximação dos meses mais quentes, acompanhar o comportamento das vacas e antecipar ajustes em sombra, água, alimentação e instalações pode reduzir os impactos do calor sobre a produção. O manejo ganha ainda mais importância em períodos de temperaturas extremas, quando a capacidade dos animais de dissipar calor fica mais limitada.

Fonte: Divulgação
Curadoria: Camila Gusmão para o portal Boi a Pasto

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