julho 28, 2026

Braquiárias funcionam como ‘arados biológicos’ na recuperação de solos compactados

Sistema radicular profundo das braquiárias favorece a descompactação do solo, amplia a infiltração de água e contribui para a produtividade agrícola

A compactação do solo é um dos principais fatores que limitam a produtividade agrícola e pecuária no Brasil. O tráfego intenso de máquinas, a ausência de rotação de culturas e a falta de cobertura vegetal contínua aumentam a densidade do solo, reduzem a infiltração de água e dificultam o acesso das plantas aos nutrientes.

Nesse cenário, as braquiárias têm ganhado espaço como ferramenta de manejo por atuarem na descompactação biológica do solo. Em entrevista, o engenheiro agrônomo e especialista em fertilidade do solo e nutrição de plantas, Maurício Komori, gerente de Pesquisa e Desenvolvimento de Mercado do Grupo Agronelli, afirmou que essas forrageiras possuem um sistema radicular capaz de romper camadas compactadas e melhorar as condições físicas do solo.

Braquiárias ampliam infiltração de água e reciclam nutrientes

Segundo Komori, o sistema radicular robusto das braquiárias funciona como um “arado biológico”, criando canais naturais que favorecem a infiltração da água da chuva, a oxigenação do solo e o desenvolvimento das raízes das culturas.

Além da descompactação, as raízes promovem a reciclagem de nutrientes e contribuem para o aumento da matéria orgânica, fortalecendo a atividade biológica do solo ao longo do tempo.

O especialista explica que solos menos compactados permitem maior armazenamento de água, reduzindo perdas por escoamento superficial e processos erosivos.

Diagnóstico orienta a escolha das estratégias

Komori ressalta que o primeiro passo para identificar a compactação é realizar uma avaliação da área. O diagnóstico pode ser feito por meio da abertura de trincheiras para observar o perfil do solo ou com o uso de um penetrômetro, equipamento que mede o nível de resistência das camadas compactadas.

Segundo ele, a adoção de práticas como plantas de cobertura, rotação de culturas e correção química do solo pode reduzir a necessidade de intervenções mecânicas.

Manejo varia conforme solo e sistema produtivo

O especialista destaca que não existe uma solução única para todas as propriedades. A escolha entre braquiárias, panicuns e outras plantas de cobertura depende das características do solo, das condições climáticas e do objetivo do produtor.

Ele explica que a análise química do solo deve anteceder qualquer decisão de manejo, permitindo definir estratégias de correção e o uso das espécies mais adequadas para cada sistema de produção, seja voltado à pecuária, à produção de grãos ou à integração entre atividades.

Ao final da entrevista, Komori reforçou que o manejo adequado do solo é a base para o desempenho das culturas. “Tudo aquilo que inicia de forma correta, ela vai ter um potencial para finalizar de forma mais inteligente e com mais produtividade”.

Por: Giovanni Porfírio Giro do Boi

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