
A multinacional Cargill decidiu redirecionar para o Equador um investimento estimado em US$ 250 milhões — cerca de R$ 1,2 bilhão — que seria aplicado no cultivo de cacau no oeste do Pará. A informação foi divulgada pelo jornalista Élio Gaspari em artigo publicado nos jornais O Globo e Folha de S.Paulo.
Segundo o colunista, a decisão ocorreu após uma série de bloqueios e a invasão ao terminal da empresa em Santarém, no contexto dos protestos contra o Decreto 12.600, editado pelo governo federal em agosto de 2023.
Entenda o caso
O decreto incluiu trechos dos rios Rio Tapajós, Rio Madeira e Rio Tocantins no Plano Nacional de Desestatização, abrindo caminho para estudos sobre eventual concessão de serviços como dragagem e manutenção de hidrovias.
A medida provocou reação de povos indígenas e movimentos sociais, que apontaram possíveis impactos ambientais e classificaram a iniciativa como uma tentativa de “venda dos rios”. Um dos pontos mais controversos foi a previsão de dispensa de licenciamento ambiental para a realização dos estudos, o que elevou a tensão na região.
De acordo com o artigo, a dragagem do leito do Rio Tapajós poderia remexer sedimentos contaminados por mercúrio, resquício de atividades de garimpo ilegal, ampliando os riscos ambientais.
Bloqueios e invasão
Os protestos se intensificaram no início de 2024, com interdições no acesso ao terminal da companhia em Santarém. Em fevereiro, uma decisão do Tribunal Regional Federal determinou o fim dos bloqueios, mas as manifestações continuaram.
Na madrugada de 21 de fevereiro, manifestantes invadiram o terminal. Conforme o relato publicado, 42 funcionários permaneceram abrigados em salas trancadas por aproximadamente três horas. Dois dias depois, o governo federal revogou o decreto.
Investimento transferido
Apesar da revogação da norma, a empresa teria optado por transferir o projeto para o Equador, citando, segundo o artigo, a exposição a um cenário de insegurança jurídica após os episódios registrados em Santarém.
O investimento previa financiamento para o plantio de cacau, inclusive em áreas de pastagens degradadas, com potencial de geração de empregos no oeste paraense. Presente em dezenas de países, a Cargill é uma das maiores comercializadoras de grãos do mundo e, em 2021, exportou cerca de 6 milhões de toneladas por meio do terminal em Santarém.
Até o momento, não houve posicionamento público oficial da empresa detalhando a decisão mencionada no artigo.






