setembro 29, 2026

Carne de Mato Grosso busca mercado no Peru e nova rota para exportações à Ásia

Participação na Expoalimentaria mira nichos de maior valor no mercado peruano, enquanto Porto de Chancay amplia perspectivas de conexão do agronegócio brasileiro com países asiáticos

A indústria de carne bovina de Mato Grosso busca ampliar sua presença no Peru e acompanha, ao mesmo tempo, as mudanças na infraestrutura logística do país que podem criar uma nova alternativa para o escoamento da produção brasileira em direção à Ásia. As duas frentes estiveram entre os principais temas da participação mato-grossense na Expoalimentaria 2026, realizada em Lima.

Durante os três dias do evento, realizado entre 23 e 25 de setembro, a carne produzida em Mato Grosso foi apresentada a compradores e profissionais do setor alimentício. Em degustações, o chef Carlos Miranda preparou cortes como ancho, fraldinha, maminha e contrafilé, mostrando diferentes possibilidades de utilização da proteína bovina.

Considerada uma das principais plataformas de negócios da indústria de alimentos da América Latina, a Expoalimentaria reúne empresas, importadores, compradores e profissionais de diferentes segmentos. Na edição de 2025, o evento recebeu mais de 31 mil visitantes e registrou US$ 905 milhões em expectativas de negócios.

Peru pode abrir espaço para cortes de maior valor

Além da participação na feira, o próprio mercado peruano desperta interesse da indústria frigorífica mato-grossense. Com uma população de 34,1 milhões de habitantes, o país ainda apresenta consumo relativamente baixo de carne bovina, o que pode representar espaço para expansão.

Estudos sobre o mercado apontam consumo médio próximo de 6 quilos por habitante ao ano. Em Lima, principal centro econômico e populacional do país, esse volume chega a 8,31 quilos.

Nesse cenário, uma das possibilidades está no atendimento a segmentos específicos, principalmente restaurantes, hotéis e consumidores de maior renda interessados em cortes diferenciados e produtos de maior valor agregado.

Para frigoríficos de pequeno e médio porte de Mato Grosso, o mercado peruano também pode funcionar como alternativa para diversificar destinos e estabelecer novas relações comerciais, sem depender exclusivamente de operações baseadas em grandes volumes.

Porto no Pacífico entra no radar da indústria

O interesse no Peru, entretanto, vai além do mercado consumidor. A localização estratégica do país e os investimentos em infraestrutura logística colocam o território peruano no centro das discussões sobre novas conexões comerciais entre a América do Sul e a Ásia.

Um dos principais projetos nesse processo é o Porto de Chancay, instalado na costa do Pacífico. A estrutura reforça a possibilidade de criação e consolidação de corredores terrestres ligando áreas produtoras da América do Sul aos portos peruanos.

Para Mato Grosso, um dos maiores polos de produção de carne bovina do Brasil, essa alternativa pode ganhar importância no médio e longo prazo. A utilização de corredores até o Pacífico poderia representar uma nova opção logística para produtos destinados aos mercados asiáticos, embora sua competitividade dependa de fatores como infraestrutura terrestre, custos de transporte e integração entre os países.

“Participar da Expoalimentaria nos permite trabalhar em duas frentes. O Peru é um mercado que pode oferecer oportunidades para frigoríficos que buscam atender nichos específicos, especialmente restaurantes e consumidores que valorizam cortes diferenciados. Ao mesmo tempo, precisamos acompanhar essa transformação logística que está ocorrendo no país, com uma estrutura portuária voltada para aproximar a América do Sul dos mercados asiáticos”, afirma o diretor de Projetos do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), Bruno de Jesus Andrade.

A combinação entre a busca por novos compradores no Peru e a discussão sobre rotas pelo Pacífico coloca o país vizinho no radar da cadeia da carne bovina de Mato Grosso, tanto como destino comercial quanto como possível corredor para ampliar a conexão com mercados asiáticos.

Fonte: GT Comunicação
Curadoria: Marisa Rodrigues para o portal Boi a Pasto

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