abril 20, 2026

Construção da fertilidade do solo é chave para recuperar pastagens degradadas, destacam especialistas

Evento em Minas Gerais apresenta práticas técnicas que elevam produtividade e sustentabilidade no campo

O pesquisador Álvaro Resende, da Embrapa Milho e Sorgo destacou os principais cuidados em relação ao condicionamento do perfil de solo para conversão de pastagens degradadas em ambientes de produção agropecuária intensiva, como este da foto ao lado, mostrando o desenvolvimento do sorgo forrageiro BRS 662 consorciado com capim Zuri.

A adoção de boas práticas na construção do perfil de fertilidade do solo é fundamental para a recuperação de pastagens degradadas e para o avanço de sistemas agropecuários mais intensivos e sustentáveis. O tema foi destaque no IV Dia de Campo “Intensificação Agropecuária Sustentável para a Região Central de Minas Gerais”, realizado no dia 6 de março, na Fazenda Lagoa dos Currais, em Cordisburgo (MG).

Durante o evento, o pesquisador Álvaro Resende, da Embrapa Milho e Sorgo, apresentou os principais cuidados no condicionamento do perfil do solo, etapa essencial para transformar áreas degradadas em ambientes produtivos. Um dos exemplos exibidos foi o desempenho do sorgo forrageiro BRS 662 consorciado com capim Zuri.

Segundo Resende, o sucesso produtivo depende da correção da acidez e do aumento da fertilidade do solo. “Esses resultados só são possíveis com investimentos em práticas adequadas, como a calagem e as adubações corretivas, já que áreas degradadas geralmente apresentam baixa fertilidade”, explicou.

Correção do solo é ponto de partida

Em regiões de Cerrado, a acidez do solo é um dos principais entraves à produção. A baixa disponibilidade de cálcio e o excesso de alumínio — elemento tóxico para as plantas — comprometem o desenvolvimento das raízes. A aplicação de calcário é uma das estratégias para corrigir esse problema, ao fornecer cálcio e magnésio e reduzir a toxicidade do alumínio.

No entanto, o pesquisador alerta que a eficiência da calagem depende de sua correta distribuição e incorporação ao solo. Como o calcário possui baixa mobilidade, seus efeitos ficam restritos à camada onde é incorporado.

Para complementar esse processo, Resende recomenda a gessagem. O gesso agrícola, por ser mais solúvel, alcança camadas mais profundas do solo, fornecendo cálcio e enxofre e reduzindo a toxicidade do alumínio em subsuperfície. “Isso favorece o crescimento das raízes em profundidade, aumentando a capacidade das plantas de absorver água e nutrientes, especialmente em períodos de seca”, destacou.

Fósforo e sequência técnica exigem atenção

Outro ponto crítico na construção da fertilidade é a correção dos níveis de fósforo. De baixa mobilidade no solo, o nutriente exige incorporação mecânica para maior eficiência. A recomendação é realizar a fosfatagem corretiva com gradagem, incorporando o fertilizante entre 10 e 15 centímetros de profundidade.

Resende ressaltou ainda que o sucesso das práticas não depende apenas do cálculo das doses de insumos, mas também da execução correta das operações no campo. “Detalhes simples, especialmente nas etapas iniciais, podem fazer toda a diferença para garantir competitividade e sustentabilidade no longo prazo”, afirmou.

Manejo do solo e tecnologia ampliam resultados

Complementando o tema, o engenheiro-agrônomo Daniel Schiavetto, da Baldan, destacou a importância da integração entre gradagem e subsolagem no processo de recuperação de pastagens.

Enquanto a gradagem atua na preparação superficial do solo, a subsolagem rompe camadas compactadas em maior profundidade, favorecendo o crescimento radicular e a infiltração de água. O uso de plantas de cobertura durante esse processo, segundo ele, potencializa a ciclagem de nutrientes e melhora o ambiente produtivo.

Já a engenheira agrônoma Taís Torres, da Multitécnica, chamou atenção para o papel dos micronutrientes no aumento da produtividade. “Muitas vezes, o fator limitante não está nos macronutrientes, mas em elementos exigidos em menor quantidade, que são essenciais para o metabolismo das plantas”, explicou.

Ela destacou ainda a importância de combinar a adubação no solo, que promove ganhos estruturais de longo prazo, com a aplicação foliar, que permite ajustes rápidos durante o ciclo das culturas.

Evento integra agenda comemorativa

O Dia de Campo foi promovido pela Embrapa, em parceria com empresas e instituições do setor, e marcou o início das comemorações pelos 50 anos da Embrapa Milho e Sorgo, celebrados em 2026. A programação inclui uma série de eventos técnicos ao longo do ano, com foco na difusão de tecnologias para o desenvolvimento sustentável da agropecuária brasileira.

Fonte: Embrapa com adaptação da redação Boi a Pasto

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