dezembro 16, 2025

COP30 no Brasil: por que a recuperação de pastagens é o maior legado do evento

Por MARISA RODRIGUES,publisher do Portal Boi a Pasto (*) com auxílio de IA

Em novembro de 2025, Belém (PA) sediará a COP30, a conferência climática mais simbólica já realizada na Amazônia. O Brasil chega a esse palco com uma oportunidade única: mostrar ao mundo que a recuperação de pastagens é o “pulo do gato” para aumentar produção de alimentos, cortar emissões e atrair financiamento climático — sem abrir novas áreas. Segundo o Planalto, a COP30 ocorre em Belém em novembro de 2025, consolidando o país no centro das discussões sobre clima e produção sustentável. Serviços e Informações do BrasilSerasa Experian

O tamanho do problema (e da oportunidade)

Estudos recentes indicam que cerca de dois terços das pastagens brasileiras apresentam algum grau de degradação — algo na casa de 100 milhões de hectares. O dado, compilado pela Climate Policy Initiative com base no MapBiomas, reforça que não falta terra: falta recuperar produtividade e reconverter áreas já abertas. CPI

A Embrapa, por sua vez, mapeou 28 milhões de hectares com degradação intermediária e severa aptos para conversão agrícola — um estoque de terra já aberta para intensificar a produção com menor impacto ambiental. Embrapa

O próprio governo federal tem reconhecido publicamente a ordem de grandeza: entre 90 e 100 milhões de hectares de pastagens degradadas, onde deve ocorrer o crescimento da agropecuária brasileira. UOL Notícias

Por que pastagem vem antes de tudo na agenda climática

  1. Clima: pastagens bem manejadas acumulam carbono no solo, reduzem emissões por unidade de produto e aliviam a pressão por desmatamento. (Debates recentes no Brasil — inclusive à luz da COP30 — têm enfatizado mensuração correta das emissões da pecuária e o papel do manejo de solo.) Forbes Brasil+1
  2. Produtividade: recuperar capim degradado duplica ou triplica a lotação em muitos sistemas, reduzindo custo por arroba/leite e aumentando renda. (A literatura técnica da Embrapa e avaliações setoriais colocam a recuperação como “estratégia fundamental” para produzir mais sem abrir novas áreas.) Infoteca
  3. Mercado: cadeias globais e regras como a lei europeia antidesmatamento elevam a régua. Mostrar rastreabilidade e intensificação sobre área já aberta é diferencial competitivo — e urgente. Agro Estadão

O que o Governo já colocou na mesa (e como isso ajuda o produtor)

1) Plano Safra 2025/26
O governo anunciou R$ 516,2 bilhões para a agricultura empresarial, com reforço de instrumentos de transformação ecológica. No BNDES, há R$ 70 bilhões para financiar investimentos (2025/26), o maior orçamento histórico do Banco para o agro. Na agricultura familiar, o Plano Safra específico aporta R$ 89 bilhões. Esses volumes dão “músculo” para crédito de investimento e custeio, inclusive para recuperação de pastagens via linhas como RenovAgro/ABC+. Serviços e Informações do Brasil+1Agência BNDES de Notícias

2) RenovAgro (ex-ABC+)
As linhas de Recuperação e Conversão de Pastagens seguem elegíveis no RenovAgro. Documentos públicos indicam limites e taxas favorecidas para projetos de recuperação ambiental e conversão de pastagens degradadas; é o caminho clássico para intensificação com menor pegada. BBPoder360

3) Eco Invest Brasil (Tesouro Nacional)
Para destravar capital privado, o governo lançou o segundo leilão do Eco Invest (abr/2025), com a meta de restaurar 1 milhão de hectares e atrair até R$ 10 bilhões de recursos privados para projetos verdes — entre eles, recuperação de terras degradadas para produção sustentável. (Relatos mais recentes falam em resultados superiores, mas as metas oficiais confirmadas são as do anúncio de abril.) ResetSeu Dinheiro

E a verba específica de “divulgação e acesso” ao crédito?
Até o momento, não há, em fontes oficiais, um valor único e explícito dedicado exclusivamente à campanha de comunicação/difusão de crédito para recuperação de pastagens. Há, sim, montantes robustos de crédito e instrumentos financeiros (Plano Safra, BNDES, Eco Invest) e iniciativas de mobilização ligadas à COP30. Sempre que o governo publicar um número específico para comunicação, atualizamos. Serviços e Informações do BrasilAgência BNDES de NotíciasSeu Dinheiro

Pará e a “vitrine” Amazônica da COP30

O Governo do Pará vem posicionando a COP30 como legado de desenvolvimento sustentável, com investimentos estruturantes e narrativa de bioeconomia, regularização e combate ao desmatamento. BNDES já anunciou mais de R$ 1 bilhão em obras estruturais em Belém, e autoridades locais falam em usar a COP para atrair investimentos duradouros — ambiente fértil para programas de recuperação de áreas e intensificação pecuária de baixo carbono. O Liberal+1Agência Pará

Como transformar discurso em resultado na fazenda

  • Diagnóstico de solo e vigor do pasto: começar medindo fertilidade, densidade de plantas e cobertura; priorizar as áreas “meio-termo”, onde a resposta econômica é mais rápida. (MapBiomas mostra que grande parte do que migra para agricultura tinha vigor médio/baixo — sinal de subaproveitamento crônico.) brasil.mapbiomas.org
  • Plano técnico + crédito certo: estruturar projeto técnico (calagem, adubação, regrada de pastejo, reforma parcial, ILP/ILPF) e enquadrar no RenovAgro/ABC+ via banco parceiro (BB, cooperativas, BNDES repassado). BBBNDES
  • Governança e comprovação: manter mapas, CAR, notas de insumos, laudos e imagens (drones/satélite) para provar intensificação sem abrir área nova, reforçando acesso a mercados e eventuais prêmios. (Pressões regulatórias e de mercado estão escalando.) Agro Estadão

Comunicação que o Governo precisa fazer (e o setor quer ouvir)

  1. Mensagem simples: “Produzir mais onde o pasto já existe.”
  2. Portas de entrada claras: um hub COP30–Agro de Baixo Carbono para localizar, por município, as linhas de crédito (RenovAgro/ABC+), bancos habilitados, assistência técnica e exemplos de projetos bem-sucedidos.
  3. Casos farol: demonstrar, na Amazônia oriental e no Cerrado, aumentos de lotação/UA e redução de emissões por kg de carcaça/leite após a recuperação. (A imprensa de negócios e agro já está aquecendo esse debate.) Forbes Brasil+1

Box de serviço (para o seu leitor)

  • Onde buscar crédito: RenovAgro/ABC+ (BB e bancos repassadores do BNDES) e linhas do Plano Safra 2025/26. Serviços e Informações do BrasilAgência BNDES de NotíciasBB
  • Projetos âncora: fique de olho nos editais do Eco Invest e em chamadas estaduais ligadas ao legado da COP30 no Pará. Seu Dinheiro
  • Por que agora: a lei europeia antidesmatamento aperta regras e a COP30 coloca holofotes na intensificação sobre área aberta — quem se adiantar, vende melhor. Agro Estadão

Referências-chave

Planalto (agenda COP30) Serviços e Informações do Brasil • Serasa Experian (datas 10–21/nov/2025) Serasa Experian • Embrapa (28 mi ha aptos) Embrapa • CPI/MapBiomas (≈ 100 mi ha com degradação) CPI • Declaração de Fávaro (90–100 mi ha) UOL Notícias • Plano Safra 2025/26 (R$ 516,2 bi) Serviços e Informações do Brasil • BNDES (R$ 70 bi ao agro) Agência BNDES de Notícias • RenovAgro/ABC+ (linhas e condições) BBPoder360 • Eco Invest (meta de R$ 10 bi e 1 mi ha) ResetSeu Dinheiro • Governo do Pará/BNDES (legado COP30) O Liberal+1Agência Pará • MapBiomas (dinâmica das pastagens) brasil.mapbiomas.org • Lei europeia e pressão de mercado (Estadão) Agro Estadão

MARISA RODRIGUES é jornalista, assessora de comunicação há mais de 30 anos no mercado nacional e internacional, e nos ultimos 22 anos assessorou o Grupo Matsuda, líder em sementes de pastagens no Brasil e em mais 21 países, especificamente no segmento de nutrição e pastagens. Em 2008, fundou o portal Boi a Pasto, com esse propósito: ajudar o pecuaristas brasileiros a aprenderem a importância de recuperar suas áreas de pastagens degradadas, aumentando sua produtividade, sem ter que ampliar suas fronteiras agrícolas ou, derrubar mais nenhuma árvore.

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