Ferramentas baseadas em dados e inteligência artificial começam a apoiar decisões no manejo forrageiro, mas o setor ainda carece de indicadores consolidados que comprovem ganhos médios de produtividade

A digitalização do manejo de pastagens começa a ganhar espaço na pecuária de corte brasileira como ferramenta para apoiar a tomada de decisões nas fazendas. Apesar do avanço tecnológico e das promessas de maior eficiência produtiva, especialistas apontam que o setor ainda carece de métricas consolidadas que comprovem, de forma padronizada, ganhos médios de produtividade por hectare.
Uma das iniciativas nesse campo é o lançamento do sistema JetBov Monitoramento de Pasto Inteligente, desenvolvido pela JetBov. A solução busca ampliar a previsibilidade do manejo forrageiro ao integrar informações sobre pastagem, clima e desempenho animal.
Segundo a empresa, a plataforma utiliza indicadores técnicos já conhecidos da pecuária, como taxa de lotação em unidade animal por hectare (UA/ha), ganho médio diário (GMD) e arrobas produzidas por hectare ao ano. O objetivo é oferecer ao produtor dados estruturados para orientar decisões de manejo e planejamento da produção.
No entanto, até o momento não foram divulgados estudos comparativos ou métricas de mercado que demonstrem, de forma padronizada, o impacto direto da ferramenta sobre o aumento da produtividade.
Resultados dependem do nível de organização da fazenda
Na prática, o potencial de ganhos com tecnologias de monitoramento tende a variar de acordo com o nível de organização produtiva da propriedade.
Fazendas que ainda operam em sistemas extensivos, com menor controle de dados e manejo menos estruturado, costumam apresentar maior margem de evolução ao adotar ferramentas digitais. Já propriedades que trabalham com sistemas rotacionados e acompanhamento técnico mais consolidado podem observar ganhos mais graduais.
Nesse contexto, a tecnologia passa a atuar principalmente como suporte à gestão, permitindo maior previsibilidade na oferta de forragem e melhor ajuste da taxa de lotação ao longo do ano.
Investimento em tecnologia supera R$ 1,8 milhão
O desenvolvimento da solução contou com investimento superior a R$ 1,8 milhão em pesquisa e desenvolvimento, com apoio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), instituição vinculada ao governo federal que financia projetos de inovação tecnológica no país.
Segundo a empresa, o sistema utiliza inteligência artificial para integrar dados vegetativos, climáticos e operacionais, gerando análises que auxiliam o produtor na gestão do pasto e na tomada de decisão.
Consolidação de resultados dependerá de séries históricas
Especialistas avaliam que o avanço observado neste momento é principalmente tecnológico, especialmente na capacidade de integrar diferentes fontes de dados e gerar indicadores de manejo em tempo real.
A comprovação estatística de ganhos médios de produtividade, porém, dependerá da ampliação da base de usuários e da formação de séries históricas comparáveis entre propriedades e regiões.
Enquanto isso, o monitoramento digital de pastagens começa a se consolidar como uma nova camada de gestão na pecuária de corte, com potencial de apoiar decisões cada vez mais baseadas em dados no campo.
Fonte: Adaptado pela redação Portal Boi a Pasto






