Pesquisa publicada na New Phytologist alerta que drenagem de veredas pode liberar estoques milenares de carbono, agravando o efeito estufa

Um estudo brasileiro de vanguarda, publicado na última quinta-feira (12/3) na prestigiada revista New Phytologist, rFoto: Guilherme Alencarevela que as áreas úmidas do Cerrado funcionam como depósitos colossais de carbono orgânico. Conduzida por pesquisadores da Unicamp, a investigação mapeou solos de até quatro metros de profundidade, encontrando estoques acumulados ao longo de dezenas de milhares de anos — uma descoberta surpreendente para uma região de clima sazonal e seco.
O mecanismo de preservação dessas “turfeiras tropicais” reside na água: o solo constantemente alagado impede a entrada de oxigênio, inviabilizando a sobrevivência de bactérias aeróbicas que decomporiam folhas e raízes. No entanto, a pesquisadora Larissa Verona alerta para o perigo da drenagem agrícola: ao retirar a água, o oxigênio penetra no solo e inicia um “banquete” bacteriano que decompõe a matéria orgânica rapidamente. Esse processo libera não apenas CO2, mas também metano, cujo potencial de aquecimento global é 28 vezes superior.
Para o professor Rafael Oliveira, a degradação dessas áreas é uma “bomba-relógio” climática e hídrica. A proteção desses ecossistemas é estratégica para que o Brasil cumpra suas metas de emissões. Os especialistas reforçam que proteger apenas o perímetro das veredas é insuficiente se o entorno continuar exaurindo o lençol freático com pivôs de irrigação. A recomendação é o reconhecimento imediato dessas áreas como de proteção permanente e a adoção de um manejo hídrico integrado em escala de bacia hidrográfica.
Fonte: Agência Bori com Cerrado Rural






