setembro 30, 2026

Genética na fazenda influencia qualidade da carne que chega ao consumidor

Seleção de reprodutores e matrizes, aliada à nutrição e à sanidade, pode melhorar o desempenho do rebanho e contribuir para características valorizadas pelo mercado

Foto: Agência Crear/Divulgação

A qualidade da carne bovina que chega à mesa do consumidor começa a ser construída muito antes do abate. A escolha dos reprodutores e matrizes, o planejamento dos acasalamentos e a identificação de características genéticas de interesse estão entre as decisões tomadas dentro da propriedade que podem influenciar o desempenho dos animais e o resultado final da produção.

A relação entre genética, manejo e qualidade da carne esteve entre os temas discutidos durante o Meet da Carne, promovido pela Associação Nacional de Criadores Herd-Book Collares (ANC), na sexta-feira (25), durante o Raízes do Agro, na sede da Sociedade Rural do Noroeste do Paraná.

O encontro reuniu representantes de diferentes etapas da cadeia da carne bovina, desde pecuaristas que trabalham com cria até proprietários de casas de carnes. A proposta foi mostrar como decisões tomadas ainda no início do ciclo produtivo podem repercutir nas etapas seguintes, passando pela recria e terminação até chegar ao consumidor.

Seleção busca características de interesse

Segundo a superintendente de Registro da ANC, Sílvia Freitas, um dos pontos abordados foi a necessidade de identificar características capazes de melhorar o resultado econômico dos rebanhos e utilizar essas informações na escolha dos animais destinados à reprodução.

“Falamos sobre quanto a genética faz diferença no resultado final e sobre a importância de identificar as características que aumentam a lucratividade e multiplicar os indivíduos que possuem essas características”, afirma.

A seleção genética, no entanto, é apenas uma das partes do processo. Para que o potencial dos animais seja aproveitado, fatores como alimentação, sanidade e manejo precisam acompanhar os objetivos definidos pelo pecuarista.

Nesse contexto, informações de desempenho e avaliações genéticas podem auxiliar na identificação de reprodutores e matrizes mais adequados para cada sistema de produção.

Avaliação genética auxilia decisões no rebanho

Durante o encontro também foi apresentado o Programa de Melhoramento de Bovinos de Carne (Promebo), mantido pela ANC. O programa reúne informações de avaliação genética que podem ser utilizadas pelos produtores para orientar a seleção e os acasalamentos de acordo com as características buscadas em cada rebanho.

A utilização desses dados permite direcionar o melhoramento para objetivos específicos da propriedade e acompanhar características relacionadas ao desempenho dos animais ao longo do ciclo produtivo.

O debate percorreu ainda as diferentes fases da pecuária, desde a escolha dos acasalamentos até a cria, recria e o período anterior ao abate. A intenção foi aproximar os diferentes integrantes da cadeia e mostrar que o resultado encontrado no frigorífico e no varejo está relacionado a uma sequência de decisões tomadas ao longo da produção.

“A mensagem que fica é que a carne de qualidade começa muito antes do abate, ainda na tomada de decisão pelo pecuarista dentro da propriedade”, destaca Sílvia.

Realizado pela primeira vez no Paraná, o Meet da Carne buscou, dessa forma, aproximar produtores e demais integrantes da cadeia para discutir como genética, nutrição, sanidade e manejo podem atuar de maneira integrada na produção de carne bovina.
Fonte: Nestor Tipa Júnior/AgroEffective
Curadoria: Marisa Rodrigues para o portal Boi a Pasto

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