abril 20, 2026

Novo sorgo alia precocidade, alta rebrota e tolerância ao estresse hídrico

Segundo a Embrapa, o ciclo da cultivar pode chegar a 125 dias e ultrapassar 80 toneladas de forragem por hectare com apenas um corte

Uma nova variedade de sorgo forrageiro com porte entre 4 e 5 metros de altura começa a chegar ao mercado brasileiro com a promessa de elevar a produtividade nas propriedades rurais. Desenvolvido pela Embrapa Milho e Sorgo em parceria com a Latina Seed, o híbrido BRS 662 — comercializado como LAS6002F — se destaca pelo alto rendimento e pela capacidade de rebrota.

Segundo a Embrapa, o ciclo da cultivar pode chegar a 125 dias e ultrapassar 80 toneladas de forragem por hectare com apenas um corte. Após a colheita, a rebrota pode atingir até 60% do volume inicial, ampliando o aproveitamento da área e reduzindo custos de produção.

Apesar do porte elevado, o material apresenta boa tolerância ao acamamento (tombamento), característica essencial para preservar a produtividade e facilitar a colheita mecanizada. A variedade também produz panícula nas duas safras, o que amplia suas possibilidades de uso.

De acordo com o pesquisador Rafael Parrella, responsável pelo desenvolvimento do híbrido, o BRS 662 apresenta alta sanidade frente a doenças fúngicas severas, como antracnose, helmintosporiose e cercosporiose — consideradas entre as principais ameaças à cultura no Brasil.

Para a safra 2026, o primeiro lote contou com 10 mil sacas de sementes, comercializadas em todas as regiões do País e também exportadas ao Paraguai. A recomendação de cultivo abrange importantes polos produtores, como o Centro-Oeste — Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul — e o Sudeste, incluindo Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo.

Potencial de mercado

Embora o Brasil não disponha de estatísticas consolidadas sobre o consumo de sorgo forrageiro — ao contrário do sorgo granífero —, a expectativa é de crescimento da demanda. A cultura pode ser utilizada na alimentação animal, na produção de biogás e na cogeração de energia, além de apresentar custo competitivo.

Outro diferencial é a resistência ao calor e a tolerância ao estresse hídrico, características valorizadas diante das oscilações climáticas. “Isso é segurança alimentar no campo. O sorgo é uma cultura que contribui diretamente para a pecuária nacional”, afirma Frederico Botelho, chefe de Transferência de Tecnologia da Embrapa Milho e Sorgo.

Fonte:
Redação Boi a Pasto com auxílio de IA
Camila GusmãoJornalista MTB 63035/SP

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