
Por Marisa Rodrigues, para o Portal Boi a Pasto
A poucos meses da realização da COP30 em Belém do Pará, quando os olhos do mundo estavam voltados para o Brasil e para sua capacidade de liderar a transição para uma pecuária de baixo carbono, o setor registrou um marco importante: o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) aprovou a indicação oficial de um aditivo nutricional para redução da emissão de gás metano entérico (CH₄) em bovinos de corte.
A solução é o Zimprova™, da Elanco Saúde Animal, que passa a ser o primeiro produto do país com dupla indicação reconhecida em bula: melhora de desempenho animal e redução comprovada da produção de metano no rúmen. A aprovação consolida a pecuária brasileira entre as mais avançadas do mundo na adoção de tecnologias climáticas — um ponto-chave no debate climático global.
Um marco regulatório para a pecuária de baixa emissão
O novo claim reconhecido pelo MAPA coloca o Brasil na vanguarda mundial. O ingrediente ativo do Zimprova™, a narasina, já tinha eficácia comprovada no aumento de ganho de peso e eficiência alimentar. Agora, entra oficialmente para o rol das tecnologias mitigadoras de gases de efeito estufa.
Estudos da Elanco em parceria com a Esalq/USP, conduzidos sob protocolos in vitro e in vivo, demonstraram que a narasina pode reduzir a formação de metano no rúmen em até 34%, dependendo da dose utilizada.
Para Nuno Rodrigues, gerente de Marketing Premix da divisão Ruminantes da Elanco:
“O Zimprova™ é o único produto do mercado nacional com indicação formal em bula que alia performance e redução das emissões de metano. É uma combinação inovadora e alinhada ao novo momento da pecuária brasileira.”
Metano: o gás do momento nas negociações climáticas
A aprovação chega em um ano simbólico. Segundo a EPA (Agência de Proteção Ambiental dos EUA), enquanto o CO₂ permanece na atmosfera por mais de mil anos, o metano tem vida média de apenas uma década, mas com poder de aquecimento 28 vezes maior.
Por isso, mitigar o metano é visto como uma forma rápida e eficiente de desacelerar o aquecimento global, uma das metas que deve dominar as discussões da COP30.
Reduzir 20% a 30% das emissões de metano entérico pode gerar impacto imediato na taxa de aquecimento do planeta.
Produtividade com responsabilidade ambiental
O Brasil vive um momento estratégico: com mais de 170 milhões de hectares de pastagens em diferentes níveis de degradação, e cerca de 70% dessas áreas precisando de intervenção, cada ponto de eficiência produtiva importa.
Os desafios da pecuária nacional — produção de carne de baixo carbono, rastreabilidade, recuperação de pastagens e redução de emissões — encontram nas soluções nutricionais um caminho direto para resultados.
A narasina, segundo estudo publicado como capa do Journal of Animal Science, pode acrescentar 117 g/dia de ganho de peso adicional por animal, chegando a 1,1 arroba extra por ano, quando combinada a pasto de qualidade.
Para Renata Fernandes, líder de Sustentabilidade da Elanco Brasil:
“A pecuária sustentável abre portas para novos mercados e agrega valor à carne brasileira. Reduzir emissões não é mais tendência: é requisito para competir globalmente.”
Ela ressalta que os mercados mais exigentes — União Europeia, Reino Unido, França e blocos que já exigem comprovação de rastreabilidade e critérios ambientais — tendem a valorizar sistemas com menor pegada de carbono por quilo de carne.
Tecnologia a serviço da COP30 — e do produtor brasileiro
A realização da COP30 no Brasil deve reforçar o debate sobre:
- recuperação e intensificação sustentável de pastagens,
- rastreabilidade e transparência da cadeia da carne,
- tecnologias de mitigação de metano,
- políticas públicas como o Caminho da Governança Climática Verde,
- e a necessidade de provar ao mundo que o país pode crescer sem derrubar novas áreas de floresta.
Segundo Murilo Chuba, gerente técnico da Elanco:
“A narasina altera a fermentação ruminal, favorecendo microrganismos eficientes, liberando mais energia e reduzindo a formação de metano. É produtividade com bem-estar animal e sustentabilidade.”
Com cerca de 4 milhões de animais suplementados somente em 2024, o Zimprova™ demonstra adoção crescente em diferentes regiões do país.
Pecuária sustentável é segurança alimentar
A FAO reforça que proteína animal — carne, leite e ovos — é essencial para o combate à desnutrição no mundo. O desafio global, portanto, não é extinguir a pecuária, mas produzir melhor, com menor impacto ambiental, principalmente em regiões tropicais, onde a pecuária sobre pasto predomina.
Nesse contexto, o Brasil desponta como protagonista: maior exportador de carne bovina do mundo, referência em produção em áreas tropicais e líder em tecnologias de manejo de pastagens e suplementação.
Conclusão: um Brasil que pode liderar a pecuária global de baixo carbono
A aprovação do Zimprova™ como solução oficialmente reconhecida para redução do metano em bovinos de corte sinaliza:
- Evolução regulatória importante;
- Reconhecimento científico de tecnologias nacionais;
- Fortalecimento da narrativa do Brasil na COP30;
- Convergência entre produtividade, eficiência, recuperação de pastagens e sustentabilidade.
A pecuária brasileira mostra, mais uma vez, que inovação e sustentabilidade podem caminhar juntas — e que, com foco, investimento e ciência, o país tem condições reais de ser referência mundial em carne de baixo carbono.
Fonte: Elanco/ Assessoria de Imprensa
Curadoria: Marisa Rodrigues para o portal Boi a Pasto





