setembro 10, 2026

Precocidade sexual, touros avaliados e planejamento reprodutivo ajudam a produzir mais com o mesmo número de matrizes e sem ampliar a área de pastagem

Seleção de fêmeas capazes de emprenhar aos 14 meses e uso de reprodutores avaliados permitem antecipar o ciclo produtivo e ampliar a eficiência da cria sem aumentar o número de matrizes ou a área de pastagem

Antecipar a primeira prenhez das novilhas e selecionar animais com maior mérito genético estão entre as estratégias capazes de aumentar a produtividade da pecuária de cria. A combinação dessas ferramentas pode elevar em mais de 30% a produção de bezerros sem necessidade de ampliar o número de matrizes ou a área destinada às pastagens.

O ganho está relacionado principalmente à redução da idade ao primeiro parto e ao aumento da eficiência reprodutiva. Quando uma fêmea emprenha aos 14 meses, em vez de entrar na reprodução somente aos 24 meses, ela começa mais cedo sua vida produtiva e aumenta seu potencial de produzir bezerros ao longo da permanência no rebanho.

Para alcançar esse resultado, porém, genética, nutrição e manejo precisam caminhar juntos. A novilha deve atingir desenvolvimento corporal adequado para entrar precocemente na reprodução sem comprometer seu desempenho futuro.

Genética direciona evolução do rebanho

A chamada genética provada envolve touros e matrizes avaliados pela capacidade de transmitir características de interesse econômico aos descendentes. Na pecuária de corte, informações relacionadas a ganho de peso, fertilidade, habilidade materna e precocidade sexual ajudam o produtor a direcionar os acasalamentos de acordo com os objetivos da fazenda.

A seleção genética teve papel importante na evolução de características produtivas e reprodutivas do Nelore, raça predominante na pecuária de corte brasileira. Um dos instrumentos utilizados para identificar animais superiores é o Certificado Especial de Identificação e Produção (CEIP), criado pelo Ministério da Agricultura em 1995 e concedido dentro de programas de melhoramento genético reconhecidos.

A escolha do touro tem peso significativo nesse processo. Enquanto uma matriz produz um número limitado de descendentes ao longo da vida, um único reprodutor pode gerar dezenas ou até centenas de filhos, especialmente quando associado a biotecnologias reprodutivas.

Por isso, utilizar animais avaliados geneticamente aumenta a previsibilidade sobre as características que podem ser transmitidas às próximas gerações.

Segundo dados do programa Qualitas, um reprodutor avaliado pode custar o equivalente a quatro ou cinco bezerros comerciais. O investimento, entretanto, é diluído pela quantidade de descendentes produzidos e pelo impacto que a genética do animal pode exercer sobre diferentes gerações do rebanho.

Seleção começa cada vez mais cedo

O avanço das ferramentas de avaliação genética também permite identificar animais de maior potencial ainda nas primeiras fases da vida. Bezerras e novilhas pré-púberes podem ser avaliadas antes mesmo de ingressarem no ciclo reprodutivo.

A seleção antecipada reduz o intervalo entre gerações e acelera a incorporação de características desejáveis ao rebanho. A estratégia ganha importância especialmente entre os zebuínos, que tradicionalmente apresentam maturidade sexual mais tardia quando comparados às raças taurinas.

Além da avaliação genética, técnicas de reprodução assistida permitem multiplicar mais rapidamente animais considerados superiores. Pesquisas da Embrapa indicam que uma mesma fêmea pode gerar descendentes a partir de aspiração folicular aos oito e aos 12 meses e, aos 14 meses, estar preparada para reprodução por Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF), desde que apresente desenvolvimento adequado.

Reprodução de animais jovens ainda enfrenta desafios

Apesar dos avanços, a multiplicação genética de fêmeas muito jovens ainda apresenta limitações técnicas. Bezerras e novilhas pré-púberes tendem a fornecer menor quantidade de óvulos viáveis, enquanto os embriões produzidos a partir desse material podem apresentar menor taxa de desenvolvimento até o estágio de blastocisto.

Outro desafio está na criopreservação de embriões produzidos em laboratório, tecnologia importante para ampliar a eficiência dos programas de reprodução e facilitar a comercialização e o transporte de material genético.

Pesquisas buscam combinar estratégias nutricionais, hormonais e fisiológicas para melhorar os resultados da produção de embriões a partir de fêmeas jovens. O objetivo é permitir que animais geneticamente superiores sejam multiplicados mais cedo, reduzindo o intervalo entre gerações.

Estação de monta deve acompanhar oferta de pasto

Além da genética, o planejamento do calendário reprodutivo influencia diretamente os resultados da cria. Em grande parte das regiões pecuárias brasileiras, a estação de monta é organizada para coincidir com o período de maior disponibilidade de forragem.

Com a retomada das chuvas e a recuperação das pastagens na primavera, vacas e novilhas encontram melhores condições nutricionais para reprodução e manutenção da gestação.

A utilização da IATF também permite concentrar as concepções e, consequentemente, os nascimentos em uma janela menor. Para a fazenda, isso facilita práticas como manejo sanitário, formação de lotes e planejamento do desmame.

Outra consequência é a obtenção de grupos de bezerros mais uniformes em idade e peso, característica que pode favorecer a organização das etapas seguintes do sistema produtivo e a comercialização.

Ao combinar genética, precocidade sexual, nutrição, manejo das pastagens e planejamento reprodutivo, a propriedade pode produzir mais bezerros utilizando a mesma estrutura. Nesse cenário, o ganho de produtividade não depende necessariamente de aumentar o rebanho, mas de elevar a eficiência de cada matriz ao longo de sua vida produtiva.

Fonte: Yasmin Henrique / Compre Rural
Curadoria: Camila Gusmão para o portal Boi a Pasto

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