Material é voltado principalmente a sistemas silvipastoris e de ILPF; ensaios divulgados pela desenvolvedora indicam produção de matéria seca mesmo com redução da luminosidade

A presença de árvores em áreas de pastagem pode trazer benefícios ao sistema produtivo, mas também impõe um desafio ao pecuarista: manter a produção de forragem à medida que aumenta o sombreamento. A menor incidência de luz interfere no desenvolvimento das plantas e pode reduzir a disponibilidade de alimento para o rebanho.
Para atender a esse tipo de ambiente, um híbrido de braquiária selecionado para tolerância ao sombreamento começa a ser apresentado como alternativa para sistemas silvipastoris, agrossilvipastoris e de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF).
Denominado Okapi, o material foi desenvolvido pelo Centro Internacional de Agricultura Tropical (CIAT) e selecionado pelo Centro de Investigação de Pastos Tropicais (CIPAT). No Brasil, é comercializado pela Papalotla Sementes.
A principal característica avaliada no processo de seleção foi a capacidade de manter a produção de forragem em condições de menor disponibilidade de luz.
Produção sob diferentes níveis de sombra
Dados apresentados pela Papalotla indicam que, em condições de 50% de sombreamento, o híbrido chegou a produzir aproximadamente 20 toneladas de matéria seca por hectare.
Segundo a empresa, nos experimentos comparativos o volume foi até 50% superior ao registrado por outros materiais avaliados nas mesmas condições.
Quando o sombreamento chegou a 75%, a produção informada foi de aproximadamente 13 toneladas de matéria seca por hectare. Nos materiais utilizados para comparação, os resultados ficaram abaixo de 9 toneladas por hectare, conforme os dados divulgados.
Os números devem ser considerados dentro das condições em que os experimentos foram conduzidos. No campo, a produtividade da pastagem pode variar de acordo com ambiente, fertilidade do solo, disponibilidade de água, intensidade do sombreamento, manejo das árvores, adubação e utilização do pasto.
Desafio nos sistemas com árvores
A adaptação das forrageiras à redução da luminosidade ganha importância à medida que cresce a utilização de árvores em sistemas pecuários.
Conforme as árvores se desenvolvem e suas copas aumentam, muda a quantidade e a distribuição da luz que chega ao estrato forrageiro. Dependendo da espécie arbórea, do espaçamento e do manejo, o sombreamento pode comprometer a produção de matéria seca.
Por isso, além da escolha da forrageira, o planejamento desses sistemas precisa considerar o arranjo das árvores e práticas como podas e desbastes para manter condições adequadas ao desenvolvimento do pasto.
Materiais com maior tolerância à sombra podem ampliar as opções disponíveis para essas áreas, mas não eliminam a necessidade de manejo do componente arbóreo e da pastagem.
Qualidade da forragem
Além da produção de matéria seca, a composição da forragem é outro fator relevante para determinar a capacidade do pasto de atender às exigências nutricionais dos animais.
De acordo com as informações apresentadas pela empresa, o Okapi pode alcançar teor de proteína bruta de até 18% e digestibilidade de 62%. A relação folha informada pode chegar a 75%.
A maior participação de folhas é uma característica desejável em pastagens por estar relacionada à qualidade da forragem consumida pelos animais. Esses indicadores, porém, não são fixos e podem variar conforme estágio de desenvolvimento da planta, fertilidade, adubação, época do ano e manejo do pastejo.
Características agronômicas
O híbrido apresenta crescimento decumbente e estolonífero. Inicialmente, o desenvolvimento ocorre de maneira mais ereta e, posteriormente, a planta emite estolões basais que podem se enraizar no solo.
Sem pastejo, a altura pode variar entre 90 e 130 centímetros. A indicação é para solos bem drenados e de fertilidade média, enquanto a tolerância à seca é classificada como intermediária.
O material pode ser utilizado tanto em pastejo direto quanto para corte.
A capacidade de cobertura do solo também pode ser uma característica de interesse em sistemas integrados, principalmente porque a manutenção de uma cobertura vegetal adequada ajuda na proteção contra processos erosivos.
Escolha da forrageira é parte do sistema
A utilização de uma cultivar ou híbrido tolerante à sombra, isoladamente, não determina o desempenho de uma pastagem integrada com árvores.
O resultado depende da interação entre espécie forrageira, quantidade de luz disponível, fertilidade e umidade do solo, densidade do componente arbóreo, clima e manejo do pastejo.
Assim, os resultados apresentados para o novo híbrido indicam uma possibilidade para áreas submetidas ao sombreamento, mas a decisão de implantação deve considerar as condições específicas de cada propriedade e o planejamento de todo o sistema produtivo.
Fonte: Papalotla Sementes
Curadoria: Camila Gusmão para o portal Boi a Pasto






