junho 30, 2026

Manejo e reposição de nutrientes são decisivos para evitar degradação de pastagens

A degradação de pastagens é um processo gradual, que pode ser evitado quando o produtor acompanha indicadores de produtividade, capacidade de suporte, cobertura vegetal e fertilidade do solo. O alerta é do pesquisador da Embrapa Gado de Corte, Manuel Cláudio Motta Macedo, referência em manejo e recuperação de pastagens tropicais, em palestra durante o Dia de Campo da Expedição Baldan e Embrapa “Recuperação de pastagens degradadas – o futuro do agro passa por aqui”, promovido em Campo Grande (MS).

Tecnologia busca elevar a qualidade das pastagens

A busca por maior eficiência na pecuária passa, cada vez mais, pela qualidade das pastagens. Em sistemas de produção de leite e de corte, forrageiras bem manejadas e com rápida capacidade de recuperação representam um dos principais fatores para ampliar a oferta de alimento ao rebanho, reduzir custos e aumentar a rentabilidade das propriedades. Nesse cenário, cresce o interesse por tecnologias capazes de estimular o desenvolvimento das plantas e torná-las mais resistentes aos desafios climáticos.

Transição águas-seca exige planejamento e suplementação nutricional para o gado

A chegada do período de transição águas-seca é uma das épocas do ano mais difíceis para o rebanho, que sofre com a redução de volume e qualidade do pasto, uma vez que a falta de chuva faz com que o capim reduza o ritmo de crescimento. Com isso, a proteína do pasto pode cair de 8 a 10% para menos de 6%, enquanto a fibra aumenta, reduzindo a qualidade da forragem, com consequente prejuízo para o desempenho do rebanho. O planejamento correto e a suplementação podem evitar os efeitos negativos do período, garantindo a rentabilidade da propriedade.

Alimentação do gado na seca: estratégias para o inverno

Com a aproximação do período de seca na região Centro-Oeste, produtores rurais devem intensificar o planejamento para manter a saúde do rebanho durante o inverno, segundo orientações da Embrapa Gado de Corte. Entre maio e setembro, o clima é marcado por baixa umidade relativa do ar, ausência de chuvas e alta amplitude térmica, o que reduz a quantidade e a qualidade das pastagens disponíveis.

Forragem hidropônica muda o jogo na pecuária e garante alimentação verde o ano todo

A forragem verde hidropônica (FVH) vem ganhando destaque no cenário da pecuária moderna como uma solução inteligente, econômica e sustentável para a alimentação animal. Trata-se de um sistema de produção de alimento vivo, cultivado sem solo, que transforma grãos de cereais como milho, aveia, cevada e trigo em uma massa verde altamente nutritiva, rica em proteínas, vitaminas e minerais. O processo, que dura cerca de sete dias, é feito em ambiente controlado, com temperatura, umidade e luminosidade ajustadas, resultando em um alimento de alta digestibilidade (90 a 95%), ideal para bovinos, equinos, ovinos e caprinos. A forragem hidropônica representa um avanço tecnológico na pecuária, pois permite produzir alimento de alta qualidade durante todo o ano, independentemente das condições climáticas. Em regiões afetadas por secas ou excesso de chuvas, a FVH assegura um fornecimento constante de pasto verde, garantindo autonomia e segurança alimentar ao produtor rural.

Antecipasto resulta em disponibilidade e qualidade de pasto no inverno

Durante Dia de Campo realizado na Estância Retiro do Sertão, em Nova Alvorada do Sul, MS, em abril de 2026 (“Sistema Antecipasto e estilosantes integrando solos arenosos”), o engenheiro agrônomo Carlos Eduardo Barbosa foi enfático em dizer a produtores rurais e técnicos que em área de Sistema Antecipasto “a gente tem segurança de que terá pasto no inverno sem falha”, tanto na Estância Retiro do Sertão, onde os solos são mais arenosos, quanto na Estância Rosa Branca em Rio Brilhante, MS. No sistema, a soja e o capim são consorciados, com uma diferença de 20 dias de plantio: a soja entra primeiro e depois o capim BRS Tamani. Outros pontos positivos são que a forrageira não compete com a oleaginosa; há redução de plantas daninhas, a palha do capim conserva água no solo, além de ser adequado a solos arenosos e argilosos. Os animais na área do sistema têm ganho adicional de 3 a 5 arrobas/ha durante a entressafra da soja, além de maior ganho de peso diário. Segundo o engenheiro, no sistema convencional o período de pastejo é de cerca de 100 dias, já no Antecipasto esse tempo é de 150 dias.

Estratégia alimentar ajuda a manter rebanhos bovinos durante a seca

O período de seca na região Centro-Oeste está próximo, e o pecuarista precisa se programar para manter o gado saudável durante os meses de inverno. Entre maio e setembro, o clima é caracterizado por uma baixa umidade relativa do ar, ausência de chuvas e alta amplitude térmica, com dias quentes e noites frias, o que diminui a quantidade e a qualidade do pasto fornecido aos animais. Dessa forma, a alimentação dos rebanhos precisa ser reformulada, com a adoção de estratégias que evitem a desnutrição e a perda de peso dos bovinos.

Pastejo diferido reduz custos e ajuda pecuária na seca

Com a aproximação do período seco, cresce a preocupação dos pecuaristas com a oferta de alimento para o rebanho sem aumento expressivo dos custos de produção. Nesse cenário, o pastejo diferido vem ganhando espaço como alternativa para garantir forragem durante a estiagem e reduzir a necessidade de volumosos.

A estratégia consiste em vedar áreas de pastagem ainda no período das águas para acumular massa de forragem que será utilizada ao longo da seca. A prática tem sido adotada principalmente em regiões onde a queda das chuvas afeta diretamente a disponibilidade e a qualidade do pasto.

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