Sobre áreas de pasto degradado, lavouras de grãos avançam no norte de Mato Grosso

√Āreas de pastagens degradadas estimulam o investimento no sistema de integra√ß√£o lavoura-pecu√°ria proporcionando qualidade de solo e rentabilidade A grande disponibilidade de √°reas de pastagens degradadas tem estimulado o investimento no sistema de integra√ß√£o lavoura-pecu√°ria em Marcel√Ęndia, norte de Mato Grosso. O munic√≠pio, que atualmente conta com um rebanho bovino de aproximadamente 200 mil animais, vive a expectativa de tamb√©m tornar-se refer√™ncia na produ√ß√£o de gr√£os no estado. Marcel√Ęndia conta hoje com uma √°rea de 140 mil hectares destinada √†s lavouras. A expectativa, pontua o Sindicato Rural do munic√≠pio, conforme trazido no epis√≥dio 72 do¬†Patrulheiro Agro¬†desta semana, √© que a oleaginosa ganhe espa√ßo significativo nos pr√≥ximos cinco anos e chegue a aproximadamente 300 mil hectares, aproveitando √°reas de pastagens degradadas. Delegado da¬†Associa√ß√£o dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso¬†(Aprosoja-MT) e produtor rural em Marcel√Ęndia, Diego Francisco Bertuol, comenta que o crescimento da produ√ß√£o de soja em cima de √°rea de pastagem, bem como milho e algod√£o, no munic√≠pio √© um¬†conjunto de fatores. ‚ÄúMas, o principal √© o regime de chuvas que n√≥s temos aqui. Isso favorece fazer duas safras, tanto a de soja e a de milho. Aqui mesmos vizinhos j√° est√£o come√ßando a fazer experimentos com o algod√£o. E, claro a rentabilidade, porque hoje o boi deu uma diminu√≠da e o pessoal tem procurado vir para a lavoura‚ÄĚ, comenta Bertuol. Nesta safra 2022/23, Bertuol comenta ter destinado cerca de 700 hectares para a soja em sua propriedade. ‚ÄúO pessoal j√° vem com a parte de conhecimento, a parte t√©cnica, vem investindo em perfil de solo, em calc√°rio, em gesso. A√≠ voc√™ coloca soja em cima e d√° esse soj√£o que est√° dando a√≠‚ÄĚ. Maior produtividade por hectare Uma das pioneiras em Marcel√Ęndia a ingressar no sistema de lavoura-pecu√°ria √© a agricultora Silvania Miranda Garcia Martins. A propriedade da fam√≠lia produz hoje 1,5 mil hectares de soja e contam com um armaz√©m. ‚ÄúAquelas √°reas degradadas que n√£o produzia, que era uma cabe√ßa de vaca por hectare, hoje est√£o produzindo em m√©dia 70 sacas por hectare. Eu sempre falo que temos uma Sorriso dentro de Marcel√Ęndia. Ent√£o, n√≥s temos tudo para daqui a pouco estar ganhando a fama de Sorriso e ser a capital da produ√ß√£o de soja no estado de Mato Grosso‚ÄĚ, diz a agricultora. Conforme o presidente do¬†Sindicato Rural de Marcel√Ęndia, Marcelo Ricardo Cordeiro, muitos produtores est√£o realizando a integra√ß√£o entre lavoura e pecu√°ria no munic√≠pio.‚ÄúE, muitos deles est√£o indo para a lavoura. A pecu√°ria depende da lavoura porque o trato do gado depende da lavoura. O pecuarista cada vez mais, e isso j√° √© feito, est√° investindo em gen√©tica. Ent√£o, aquele gado que dependia de uma √°rea muito maior, hoje faz em uma √°rea menor e com mais qualidade‚ÄĚ, salienta Cordeiro. Log√≠stica √© outro fator para crescimento das lavouras De acordo com o segundo vice-presidente da¬†Associa√ß√£o dos Criadores de Mato Grosso¬†(Acrimat), Agenor Vieira de Andrade Neto, a¬†log√≠stica¬†√© outro ponto que tem atra√≠do os produtores quanto a implanta√ß√£o de lavouras. ‚ÄúO produtor rural de Marcel√Ęndia em virtude da log√≠stica, que ficou bem interessante com o escoamento dos gr√£os pelos Portos do Par√°, passou a ter a op√ß√£o e a viabilidade de agregar as duas atividades, que na nossa maneira de entender se complementam. Elas somam e oferecem a oportunidade de o produtor estar fazendo tanto gr√£o quanto carne ou gen√©tica na sua propriedade‚ÄĚ. Fonte: Canal Rural Curadoria: Boi a Pasto

Per√≠odo de chuvas √© oportunidade para melhorar condi√ß√Ķes de pastagens

O per√≠odo das chuvas √© uma √©poca favor√°vel para a atividade pecu√°ria.¬† O per√≠odo das chuvas √© uma √©poca favor√°vel para a atividade pecu√°ria. Em Mato Grosso, as chuvas t√™m atingido todo o estado e a boa condi√ß√£o clim√°tica proporciona aos criadores a oportunidade de melhorar a qualidade das pastagens para a alimenta√ß√£o dos bovinos. Com isso, os animais passam a ter um melhor aproveitamento dos nutrientes e maior ganho de peso. Al√©m disso, a alimenta√ß√£o a pasto tem menor custo e continua sendo a maneira mais barata e a mais utilizada para alimentar o rebanho. Por isso, o m√©dico veterin√°rio e gerente de rela√ß√Ķes institucionais da Associa√ß√£o dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Nilton Mesquita, explica que a recupera√ß√£o da pastagem √© a principal alternativa para reduzir o custo de produ√ß√£o, t√£o necess√°rio no momento atual. Dados do boletim do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecu√°ria (Imea) desta semana apontam que o custo de produ√ß√£o da pecu√°ria de corte em Mato Grosso em 2022 seguiu com a tend√™ncia de alta observada desde 2018. Os valores m√©dios do Custo de Produ√ß√£o Total (COT) da cria, recria e engorda, e da pecu√°ria de ciclo completo em 2022, foram de R$ 179,70, R$ 279,22 e R$ 151,83 por arroba respectivamente, na estimativa do Imea do 4¬ļ trimestre. Diante deste cen√°rio, o per√≠odo de chuvas deve ser aproveitado pelo pecuarista, segundo Nilton Mesquita, para investir em interven√ß√Ķes no pasto e obter uma boa produtividade nas fazendas. A√ß√Ķes como aduba√ß√£o e uso de herbicidas para limpeza de √°reas de pastagens s√£o alguns exemplos do que pode ser realizado. ‚ÄúEsse per√≠odo de chuvas √© a chance perfeita para os pecuaristas se envolverem em pr√°ticas de manuten√ß√£o dos pastos, visando a aumentar sua produtividade. Para essas atividades que buscam melhorar a qualidade do pasto √© fundamental o planejamento, uma vez que o custo tem um fator preponderante. A realiza√ß√£o desses trabalhos agora, durante a √©poca de chuvas, ajudar√° a preparar o terreno para as pr√≥ximas esta√ß√Ķes, aumentando a probabilidade de obter bons resultados no futuro. Portanto, essa √© uma oportunidade que n√£o pode ser desperdi√ßada pelos pecuaristas‚ÄĚ, afirmou o gerente da Acrimat. Fonte: Gazeta Digital Curadoria: Boia a Pasto

Produtores rurais ensinam como garantir um pasto de qualidade em MT

O manejo incorreto pode causar degrada√ß√£o e perda, al√©m de poder prejudicar o pecuarista com menor rentabilidade. Um pasto bem cuidado √© rico em nutrientes e interfere positivamente na produ√ß√£o animal. J√° um manejo incorreto pode causar perda e degrada√ß√£o, al√©m de menor rentabilidade ao pecuarista. Em Pedra Preta, a 243 km de Cuiab√°, o produtor rural, Jos√© Nogueira de Oliveira, tem uma propriedade em que ele cria gado de leite e de corte. Ele explica que garantir ao gado um pasto de qualidade, faz toda a diferen√ßa. Desde que ele investiu na produ√ß√£o de um pasto de qualidade, com piquetes rotacionados, ele diminuiu os custos com ra√ß√£o. ‚ÄúEu estou mexendo com uma parte de leite e outra de corte, mas eu estou dando prioridade mais para o leite. Resolvi fazer uma rotacionada para abaixar o custo de produ√ß√£o da propriedade e a quantidade de ra√ß√£o comprada‚ÄĚ, disse. A propriedade de Jos√© √© acompanhada por uma equipe da Empresa Mato Grossense de Pesquisa Assistencia e Extensao Rural (Empaer), que tem dado apoio t√©cnico no pasto de qualidade. O engenheiro agr√īnomo, Roklerson Ign√°cio de Souza, conta que esse acompanhamento vem desde a √©poca da seca, e que eles tiveram a preocupa√ß√£o de plantar o capim certo para ter uma boa reprodu√ß√£o na √°rea, al√©m de controlar a quantidade de animais corretos por piquete para ter bons resultados. ‚ÄúEssa propriedade a gente come√ßou por etapas, come√ßamos primeiro trabalhando com a alimenta√ß√£o da seca, que foi meio hectare de capia√ßu com um hectare de milho. E a gente tinha uma preocupa√ß√£o de ter uma √°rea, no per√≠odo das √°guas, de uma pastagem de qualidade que maximizasse a produ√ß√£o aqui na propriedade‚ÄĚ, disse. Al√©m da economia na ra√ß√£o, Jos√© ainda conseguiu aumentar a produ√ß√£o de leite em 51% de um m√™s para o outro, depois que come√ßou a equilibrar os animais no pasto rotacionado. Hoje a propriedade est√° com 29 piquetes divididos em dois hectares. O pecuarista, Marcelo Villas Boas, implementou o sistema de integra√ß√£o de lavoura-pecu√°ria na sua fazenda. Ele, em conjunto com o apoio t√©cnico, decidiu investir cerca de R$ 15 mil para criar um cons√≥rcio entre milho e braqui√°ria em quatro hectares. A veterin√°ria, Raquel Mattos Cazonato, explica que, na fazenda do Marcelo, essa √°rea estava degradada, e que a integra√ß√£o contribuiu para recupera√ß√£o total da √°rea, trazendo benef√≠cios como diminuir o custo na forma√ß√£o do pasto e melhorar a produtividade. ‚ÄúEntre as vantagens do sistema, est√£o a diminui√ß√£o do revolvimento de solo, ent√£o a gente melhora o estoque de carbono, a gente aproveita a aduba√ß√£o residual da lavoura para a pastagem, diminui custo na forma√ß√£o do pasto e a gente aproveita os efeitos sin√©rgicos entre as plantas e melhora a produtividade por √°rea‚ÄĚ, explicou. Fonte: G1 Curadoria: Boi a Pasto

Estudo nacional mostra panorama da resistência de plantas daninhas a herbicidas

Parceria entre Bayer e Embrapa realiza amplo levantamento de plantas daninhas que invadem pastagens e lavouras de algod√£o, milho, soja e trigo. Pesquisadores da Bayer e da Embrapa est√£o avaliando sistemas produtivos como estrat√©gias de resili√™ncia para o manejo de plantas daninhas resistentes aos herbicidas. As atividades est√£o sendo desenvolvidas em diferentes regi√Ķes brasileiras, em lavouras de milho, trigo, soja, algod√£o e em pastagens, desde 2017. Os dados coletados foram reunidos em uma plataforma que traz dados espaciais sobre a ocorr√™ncia de plantas daninhas (leia abaixo). Um dos objetivos do trabalho √© divulgar e fortalecer o conceito da resist√™ncia e dos seus diferentes tipos, para que o produtor entenda como √© importante fazer um manejo mais adequado desse problema.  Al√©m de gerar informa√ß√Ķes sobre a presen√ßa de plantas daninhas em lavouras de diferentes estados do Brasil, o projeto buscou caracterizar os sistemas de produ√ß√£o que contribuem para o manejo de plantas daninhas. A ideia √© mostrar para o produtor que, se o investimento em insumos for feito da forma correta, valer√° a pena e n√£o causar√° preju√≠zos na rentabilidade da lavoura. O trabalho foi estruturado em a√ß√Ķes espec√≠ficas. A primeira foi o levantamento das esp√©cies existentes e a caracteriza√ß√£o da resposta de herbicidas nas popula√ß√Ķes das plantas daninhas, para detectar a resist√™ncia ou n√£o. Em seguida, foram montados experimentos para o desenvolvimento de estrat√©gias de manejo e de preven√ß√£o da resist√™ncia. Levantamento da presen√ßa da resist√™ncia a herbicidas O primeiro passo foi coletar e selecionar as sementes de plantas daninhas que sobreviveram √† aplica√ß√£o de herbicidas. ‚ÄúAs sementes foram levadas para reprodu√ß√£o nas Unidades da Embrapa e, em seguida, colocadas para germinar e emergir. Com as plantas dessas sementes germinadas, foram realizadas triagens (screening) com diferentes herbicidas para identifica√ß√£o da resist√™ncia ou da suscetibilidade‚ÄĚ, relata o pesquisador da Embrapa Milho e Sorgo, D√©cio Karam, l√≠der do projeto. Para aferir a resist√™ncia, os pesquisadores seguiram uma metodologia internacional. ‚ÄúPorque pode haver um n√≠vel alto ou baixo de resist√™ncia ao herbicida. Para o n√≠vel mais alto, a dose para causar o efeito √© maior. Ap√≥s determinada dose de resposta, definimos o fator de resist√™ncia‚ÄĚ, explica o pesquisador.  ‚ÄúCom esses dados do screening e da coleta, n√≥s desenvolvemos os mapas de presen√ßa da resist√™ncia ou da suscetibilidade das esp√©cies por regi√£o no Brasil. Ent√£o, o sistema de manejo p√īde ser diferenciado em cada munic√≠pio, em fun√ß√£o da presen√ßa ou n√£o da resist√™ncia‚ÄĚ, conta Karam. Os pesquisadores est√£o tamb√©m monitorando as novas esp√©cies que t√™m sido questionadas sobre resist√™ncia, que s√£o o capim-p√©-de-galinha (Eleusine indica – foto √† direita) e o caruru (Amaranthus hybridus), al√©m das que j√° eram estudadas. Foram testados 15 herbicidas em 2.050 amostras, em 6.232 screening. Avalia√ß√£o das √°reas As √°reas foram avaliadas de acordo com os investimentos no uso de herbicidas: baixo, m√©dio e alto investimento. ‚ÄúA varia√ß√£o dos custos dos inputs (insumos) √© estabelecida pelo n√ļmero de mecanismos de a√ß√£o de herbicidas que se coloca no sistema de produ√ß√£o. Ou seja, com poucos mecanismos de a√ß√£o de herbicidas, um grupo maior de herbicidas e um alto grupo‚ÄĚ, informa o pesquisador D√©cio Karam. Os mecanismos de a√ß√£o e aplica√ß√£o dos herbicidas s√£o ajustados em fun√ß√£o da regi√£o e do sistema de produ√ß√£o utilizado. ‚ÄúOs inputs para os diferentes sistemas produtivos s√£o: soja-trigo, soja-milho, soja-algod√£o e soja-azev√©m‚ÄĚ. ‚ÄúNosso padr√£o de baixo investimento √© s√≥ com a utiliza√ß√£o de dois mecanismos de a√ß√£o de herbicidas, basicamente com glifosato e atrazina. Observamos que nas √°reas de baixo investimento sempre ocorreu maior infesta√ß√£o, com exce√ß√£o do experimento na Embrapa Milho e Sorgo, em Sete Lagoas (MG), pois aqui na nossa √°rea n√£o h√° a presen√ßa da resist√™ncia. Contudo, ap√≥s quatro anos, j√° podem ser verificadas plantas muito esparsas no campo por causa da sobra da aplica√ß√£o dos herbicidas‚ÄĚ, afirma.  O experimento da pesquisa est√° instalado desde a safra de 2018, com o trigo, e em 2019, com a soja. Foram avaliadas a presen√ßa das plantas daninhas resistentes e a efic√°cia dos tratamentos com os diferentes n√≠veis de a√ß√£o. ‚ÄúNos sistemas avaliados, n√≥s vimos o quanto se gastou de herbicida, e quanto o produtor teve de retorno financeiro. Ao longo de quatro anos, mesmo fazendo um alto investimento, houve maior lucratividade e melhor qualidade do produto. Assim, mesmo investindo muito no sistema de produ√ß√£o e com maior n√ļmero de mecanismos de a√ß√£o utilizados, h√° um retorno econ√īmico comparado ao produtor que faz uso de baixo investimento para o manejo de plantas daninhas resistentes aos herbicidas‚ÄĚ, explica Karam. Segundo ele, a efic√°cia dos diferentes tipos de manejo est√° sendo avaliada por meio do banco de sementes de plantas daninhas no solo. Com essa informa√ß√£o e a an√°lise das plantas emergidas, est√° sendo analisada a din√Ęmica populacional em fun√ß√£o dos sistemas produtivos e do investimento no manejo com herbicidas. Al√©m disso, h√° efeitos indiretos, como diminui√ß√£o do banco de sementes de plantas daninhas no solo e redu√ß√£o da porcentagem de participa√ß√£o da planta daninha resistente na popula√ß√£o de plantas daninhas da √°rea, de acordo com o pesquisador. ‚ÄúCom isso, aumenta a sustentabilidade do sistema produtivo. Depois de quatro anos, constatamos que precisamos de um trabalho de longa dura√ß√£o na √°rea, pois a resist√™ncia n√£o √© um efeito imediato no sistema e sim a consequ√™ncia de v√°rios anos de manejo‚ÄĚ, diz Karam. Esses trabalhos est√£o sendo realizados em parceria entre oito Centros de Pesquisa da Embrapa e a Bayer, em duas √°reas no Mato Grosso, duas √°reas em Minas Gerais, tr√™s √°reas no Rio Grande do Sul e duas √°reas no Paran√°. Participam a Embrapa Algod√£o, Embrapa Agrossilvipastoril, Embrapa Clima Temperado, Embrapa Meio Ambiente, Embrapa Milho e Sorgo, Embrapa Soja, Embrapa Territorial e Embrapa Trigo. ‚ÄúO objetivo agora √© estender a pesquisa por um per√≠odo maior de tempo para demonstrar, realmente, a diferen√ßa dos manejos de plantas daninhas empregados. Queremos mostrar, onde n√£o havia a ocorr√™ncia vis√≠vel da resist√™ncia, quanto tempo o produtor ir√° demorar para perceber o problema na √°rea‚ÄĚ, comenta Karam. Plataforma de dados geoespaciais  Todo esse trabalho de campo realizado gerou um banco de dados in√©ditos sobre a resist√™ncia ou suscetibilidade de plantas daninhas a herbicidas. Essas informa√ß√Ķes est√£o dispon√≠veis publicamente em uma plataforma on-line desenvolvida pela Embrapa, que permite visualiz√°-las

Bioinsumo brasileiro para pastagens vence prêmio mundial

A premia√ß√£o recebeu aproximadamente 100 inscri√ß√Ķes de ind√ļstrias do agroneg√≥cio mundial O pacote tecnol√≥gico Pastomax, lan√ßado em 2021 pela Embrapa Soja e BIOTROP, venceu a 15¬į edi√ß√£o do pr√™mio Crop Science Awards 2022, na categoria Melhor Novo Bioestimulante, em solenidade online realizada em 10 de novembro. A competi√ß√£o √© uma iniciativa da S&P Global, empresa que atua no mercado de dados e an√°lises financeiras, com o apoio da revista Chemical Week. A premia√ß√£o, que reconhece a inova√ß√£o de iniciativas cient√≠ficas e tecnol√≥gicas da ind√ļstria global de prote√ß√£o de cultivos e mercados de produ√ß√£o, recebeu aproximadamente 100 inscri√ß√Ķes de ind√ļstrias do agroneg√≥cio mundial em 11 categorias de premia√ß√£o. ‚ÄúEstamos entusiasmados com o reconhecimento mundial desse bioinsumo que pode aumentar, em m√©dia, em 22% a produ√ß√£o das pastagens brasileiras, al√©m de incrementar a absor√ß√£o de nutrientes. √Č mais alimento para o gado e alimento de melhor qualidade‚ÄĚ, destaca a pesquisadora Mariangela Hungria, da Embrapa Soja. ‚ÄúEssa formula√ß√£o inovadora √© fruto de uma parceria p√ļblico-privada, que envolveu muitos anos de pesquisa e dedica√ß√£o da ind√ļstria para trazer ao mercado um produto biol√≥gico de excel√™ncia que tem potencial para transformar a realidade das pastagens degradas‚ÄĚ, ressalta o tamb√©m pesquisador da Embrapa Soja, Marco Antonio Nogueira. Para Rog√©rio Rangel, engenheiro agr√īnomo e diretor de marketing Brasil e Am√©rica Latina da BIOTROP, a vit√≥ria √© motivo de muita comemora√ß√£o e sinal da consagra√ß√£o de uma importante jornada tecnol√≥gica e de inova√ß√£o da empresa, j√° que o PASTOMAX foi desenvolvido em parceria com a Embrapa Soja. ‚ÄúEsta √© a segunda vez que participamos e novamente sa√≠mos da premia√ß√£o com o reconhecimento de nossas solu√ß√Ķes, sinal de que estamos no caminho certo. Essa conquista marca tamb√©m a importante parceria que possu√≠mos com a Embrapa em prol da agricultura regenerativa‚ÄĚ, destaca. H√° pouco mais de um ano no mercado, o produto apresentou crescimento de 132%, saltando de 6.600 hectares, em 2021, para 15.300 hectares, em 2022. ‚ÄúA proje√ß√£o da Biotrop √© de que o crescimento avance muito mais, devido aos excelentes resultados observados por pecuaristas em todo o Brasil com o uso da tecnologia, e aumente em torno de 250% em 2023‚ÄĚ, afirma Rangel. Solu√ß√£o inovadora – O PASTOMAX √© um inoculante multifuncional que associa dois microrganismos com propriedades multifuncionais, Azospirillum brasilense e Pseudomonas fluorescens. ¬†De acordo com Mariangela Hungria e Marco Antonio Nogueira, foram 11 anos de pesquisas para chegar a esses resultados. Na √ļltima etapa, foram conduzidos ensaios por quatro safras, em duas condi√ß√Ķes de solo e clima distintos, com inocula√ß√£o via sementes e, tamb√©m, em aplica√ß√£o foliar em pastagens j√° estabelecidas.¬† No caso da bact√©ria Azospirillum, os principais processos microbianos envolvidos s√£o a s√≠ntese de fitorm√īnios, promovendo o crescimento das ra√≠zes em at√© tr√™s vezes; e a fixa√ß√£o biol√≥gica do nitrog√™nio. A inocula√ß√£o com essas bact√©rias via sementes ou via foliar em pastagens estabelecidas resultou, al√©m do incremento na biomassa, em aumento m√©dio de 13% no teor de N e de 10% no de K na parte a√©rea. Por sua vez, a Pseudomonas contribui com um conjunto de processos bioqu√≠micos que incluem a solubiliza√ß√£o de fosfatos, a s√≠ntese de fitorm√īnios e de uma enzima reguladora da produ√ß√£o de etileno. A inocula√ß√£o via sementes ou foliar com Pseudomonas resultou em incremento na biomassa, de 11% no teor de pot√°ssio (K) e de 30% no de f√≥sforo (P) na parte a√©rea. Vale destacar que o desenvolvimento da tecnologia procurou viabilizar o sinergismo entre os microrganismos e permite a aplica√ß√£o tanto na fase de estabelecimento de pastagens, quanto em pastagens j√° estabelecidas. Portanto, √© uma conquista para atender tamb√©m a uma demanda dos produtores que precisam melhorar as pastagens j√° estabelecidas‚ÄĚ, comemora a pesquisadora Mariangela Hungria. Recupera√ß√£o de pastagens – No Brasil, cerca 180 milh√Ķes de hectares s√£o ocupados por pastagens, sendo 120 milh√Ķes com pastagens cultivadas, dos quais 86 milh√Ķes com braqui√°rias. De acordo com levantamento da Embrapa, aproximadamente 70% das pastagens brasileiras encontram-se em algum est√°gio de degrada√ß√£o, produzindo abaixo de seu potencial. ‚ÄúN√£o √©, portanto, o momento de diminuir o uso de fertilizantes nas pastagens, mas sim de usar o potencial dos microrganismos para incrementar a efici√™ncia de uso desses fertilizantes‚ÄĚ, destaca Nogueira. Como uma grande contribui√ß√£o dessas bact√©rias ocorre pela promo√ß√£o do crescimento das ra√≠zes, as plantas absorvem mais √°gua e nutrientes, aproveitando melhor os fertilizantes. ‚ÄúHoje o Brasil importa, aproximadamente, 85% do N-P-K que consome, de modo que o aumento na efici√™ncia de uso dos fertilizantes pode promover grande impacto para o setor‚ÄĚ, ressalta Nogueira. Fonte: Agrolink Curadoria: Boi a Pasto

Embrapa usa fungo em pastagem para controlar carrapato

De acordo com a entidade, t√©cnica reduz necessidade de uso de acaricidas qu√≠micos sobre os animais, reduzindo impactos indesejados Uma abordagem in√©dita obteve sucesso no controle do carrapato-do-boi (Rhipicephalus microplus), importante parasita de bovinos de corte e de leite. Em vez de somente aplicar produtos sobre os animais, cientistas testaram formula√ß√Ķes granulares secas com o fungo Metarhizium robertsii que tamb√©m podem ser aplicadas sobre as pastagens. A abordagem inovadora foi feita por pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu√°ria (Embrapa) , da Universidade Federal de Goi√°s (UFG), da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e da empresa norte-americana Jaronski Mycological Consulting. Os experimentos foram bem-sucedidos no controle do aracn√≠deo, uma vez que 95% da popula√ß√£o de carrapatos em um sistema de produ√ß√£o encontra-se no pasto e n√£o nos animais. As f√™meas botam seus ovos no solo, dos quais eclodem as larvas que evoluem √† idade adulta, quando finalmente saltam a fim parasitar os animais. √Č a primeira vez que essa estrat√©gia √© utilizada. Conforme destaca √Čverton Kort Kamp Fernandes, pesquisador da UFG, o controle biol√≥gico por fungos enteropatog√™nicos √© muito explorado na agricultura para o controle de artr√≥podes-praga e a estrat√©gia do estudo foi aproveitar a ampla literatura e aplicar a t√©cnica no controle do carrapato. Ele lembra que o agente de biocontrole n√£o √© uma toxina ou prote√≠na capaz de causar a morte imediata do carrapato, mas um fungo, utilizado vivo para causar uma infec√ß√£o letal no inseto. ‚ÄúIsso cria um desafio para a aplica√ß√£o, uma vez que o manejo de controle deve ser planejado de duas formas distintas e complementares: a aplica√ß√£o do fungo diretamente no animal infestado ou na pastagem, ou em ambos, para o efetivo controle de todo o ciclo de vida do carrapato‚ÄĚ, explica. As aplica√ß√Ķes reduziram significativamente o n√ļmero de larvas de carrapatos sobre a pastagem durante esta√ß√£o mais √ļmida, atingindo pelo menos 64,8% de efic√°cia relativa, porcentagem expressiva e promissora levando em considera√ß√£o o emprego de um inimigo natural. ‚ÄúA utiliza√ß√£o dessas formula√ß√Ķes, combinada a outras estrat√©gias de controle, ajudar√° o produtor a obter animais menos infestados e a diminuir a press√£o de resist√™ncia do carrapato aos acaricidas qu√≠micos, viabilizando a produ√ß√£o de leite e carne de qualidade com animais mais saud√°veis e livres de infesta√ß√Ķes descontroladas‚ÄĚ, comenta Alan Marciano, da UFRRJ. De acordo com os experimentos, a aplica√ß√£o direcionada √† pastagem atinge mais efetivamente a popula√ß√£o de carrapatos do que as realizadas em bovinos infestados, al√©m de prevenir ou minimizar os n√≠veis iniciais de infesta√ß√£o no gado. O estudo tamb√©m detectou persist√™ncia do fungo no solo e a coloniza√ß√£o f√ļngica das ra√≠zes das gram√≠neas cultivadas nas pastagens. Isso garante resultados prolongados com redu√ß√£o da necessidade de novas aplica√ß√Ķes. Os pesquisadores preveem que o fungo possa ser incorporado na manuten√ß√£o e forma√ß√£o de pastagens, algo que depender√° de futuros estudos. Desenvolvimento de forrageira As formula√ß√Ķes granulares de agentes microbianos est√£o ganhando aten√ß√£o especial como tecnologia de baixo custo para uso como biopesticidas ou bioinoculantes na agricultura. Visando atingir as pragas de artr√≥podes que vivem no solo, pequenos gr√Ęnulos levam prop√°gulos de fungos a locais ocupados pelas pragas-alvo. Por se tratar de uma nova formula√ß√£o, nunca testada em condi√ß√Ķes naturais, foi necess√°rio que os cientistas investigassem a persist√™ncia do fungo no solo e a coloniza√ß√£o das ra√≠zes da forrageira Urochloa decumbens. Sabe-se que esse fungo, al√©m de controlar pragas, pode tamb√©m ser um forte aliado no desenvolvimento da planta, e essa variedade √© bastante utilizada para alimentar o ‚Äúgado a pasto‚ÄĚ no Brasil. O experimento ao ar livre revelou que, apesar do controle do carrapato e do envolvimento com a planta forrageira, houve um decl√≠nio significativo na persist√™ncia do fungo no solo ao longo do tempo. Esse fen√īmeno √© esperado e influenciado por fatores intr√≠nsecos ao microrganismo, ed√°ficos, bi√≥ticos, culturais e clim√°ticos. ‚ÄúVari√°veis clim√°ticas desafiadoras ao microrganismo foram registradas durante o experimento, e observamos que as duas esta√ß√Ķes em que ocorreram as aplica√ß√Ķes divergiram em termos de persist√™ncia e efic√°cia do fungo contra o carrapato. Essa informa√ß√£o √© valiosa para futuros protocolos de aplica√ß√£o‚ÄĚ, relata Alan Marciano. O cientista explica que altas temperaturas combinadas com alta incid√™ncia de chuva marcaram o per√≠odo ap√≥s a primeira aplica√ß√£o, na qual foi registrada a melhor efic√°cia de controle do carrapato. Isso evidenciou que o per√≠odo chuvoso foi ben√©fico ao fungo, pois propiciou uma umidade do solo adequada ao seu desenvolvimento, mesmo sob alta radia√ß√£o solar. Contudo, durante a segunda aplica√ß√£o, com temperaturas mais amenas e com menores precipita√ß√Ķes, a efic√°cia relativa do controle de carrapatos foi menor, apesar de a persist√™ncia f√ļngica ter sido menos afetada durante os sete dias iniciais ap√≥s a aplica√ß√£o. Os pesquisadores explicam que a falta de chuva e o solo mais seco impediram a germina√ß√£o de prop√°gulos, esporula√ß√£o e, consequentemente, afetaram o desempenho do fungo em se disseminar e causar a morte dos est√°gios n√£o parasit√°rios do carrapato (f√™meas em per√≠odo de postura, ovos e larvas rec√©m-eclodidas). A equipe de pesquisa j√° trabalha em melhorias da formula√ß√£o para mitigar os efeitos delet√©rios identificados no estudo. Os pesquisadores acreditam que o trabalho √© capaz de gerar um futuro produto no mercado, √ļtil tanto para a pecu√°ria quanto para a agricultura. O analista da Embrapa Gabriel Mascarin enfatiza a necessidade de novos estudos visando a persist√™ncia prolongada do fungo ap√≥s a aplica√ß√£o, em uma gama de condi√ß√Ķes al√©m da situa√ß√£o brasileira, para otimizar as concentra√ß√Ķes de gr√Ęnulos aplicadas ao solo com o objetivo de incrementar as atuais taxas de efic√°cia no controle de carrapatos. Por: Canal Rural com curadoria Boi a Pasto.