Terceira Prova Top Brangus contará com 48 touros

Testes realizados pela ABB e a Ufrgs avaliam a seleção por eficiência alimentar de machos Brangus no Sul A Associação Brasileira de Brangus (ABB) confirmou na última quinta-feira (1º/7) que 48 terneiros foram inscritos para a terceira edição da Prova Top Brangus Ufrgs. Eles se juntarão a outros cinco da própria Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), totalizando 48 animais. Os testes terão uma duração de 91 dias e serão realizados na Estação Experimental Agronômica da instituição de ensino, em Eldorado do Sul (RS). A entrada dos animais está prevista para o dia 6 de julho. Participam da prova machos nascidos entre 1º de agosto e 30 de outubro de 2020. A atividade contará com 17 criatórios do Rio Grande do Sul. Quatro deles são de Uruguaiana – La Reina, Basca, BT Junco e GAP – dois de Quaraí – Paipasso e Brangus GR – dois de Santa Maria – Condomínio Rocha Sartori e São Manoel – e outros dois de Rosário do Sul – VPR Brangus e Tradição Azul. Também estão inscritas as cabanhas Guarita, de Alegrete, São Rafael, de São Borja, São Carlos, de Protásio Alves, Madrinha, de Dom Pedrito, Condomínio Rural Wailler, de Lavras do Sul, São Xavier, de Tupanciret&ã , e a JMT, de São Gabriel. O presidente do Conselho Deliberativo Técnico da ABB, Antônio Carlos Corrêa Osório, diz que o teste tem como objetivo medir a eficiência alimentar e também analisar o ganho de peso, as características de carcaça avaliadas por ultrassom e o perímetro escrotal dos animais. Ao final é gerado um Índice (TOP Brangus) com ponderações de todas essas medições. A avaliação será coordenada pelo Professor Doutor Jaime Urdapilleta Tarouco, da Ufrgs, profissional de referência internacional em avaliação de carcaça por ultrassom e maior autoridade brasileira nesse tema. O objetivo da prova Top Brangus é ranquear os animais mais bem avaliados e com características produtivas e equilibradas que o mercado da pecuária de corte busca, conforme Osório. “A eficiência alimentar não deve ser medida de forma isolada, mas junto com outras características de produção, como qualidade da carcaça, ganho de peso e fertilidade”, sublinha. E lembra que a seleção por eficiência alimentar é a ferramenta de maior impacto econômico na pecuária de corte e é usada em larga escala Estados Unidos e em países com pecuária de corte desenvolvida na seleção genética para melhorar os animais. “As principais centrais de inseminaç&atil de;o estão buscando animais superiores que são provados com essas ferramentas de avaliação de desempenho”, frisa. Julgamento  Os pesquisadores também avaliarão o temperamento dos animais, no início, no meio e no final dos testes. A Ufrgs usará um equipamento formado por dois pares de células fotoelétricas, instalados na saída do tronco de contenção a uma distância de 2 metros entre eles e a uma altura de 0,60 a 0,80 centímetros do piso. A velocidade de fuga é calculada pelo tempo que o animal percorre determinada distância, após o manejo. Ainda será feito um julgamento morfológico. Os animais ainda serão avaliados por três técnicos da ABB, entre eles a zootecnista Renta Pereira, Superintendente do Serviço de Registro Genealógico da entidade. “O teste de temperamento e o julgamento morfológico, no entanto, não serão considerados para o Índice da Prova Top Brangus”, destaca o presidente do Conselho Deliberativo Técnico da ABB.  Fonte: Divulgação Associação Brasileira de Brangus com curadoria Boi a Pasto.        

A expansão do Brangus no Brasil

Raça sintética já é a terceira mais que mais vende sêmen no País, atrás apenas das raças mãe, Nelore e Angus Por Gustavo Paes, especialmente para o portal Boi a Pasto A Brangus é uma das raças bovinas de corte que mais cresce no País. Durante os leilões se observou um maior interesse Das principais centrais de inseminação por reprodutores Brangus, com grande destaque pela alta demanda de sêmen de touros da raça para cobrir fêmeas F1, uma excelente alternativa de cruzamento focado na produção de carne de qualidade.Esse aumento da procura por sêmen Brangus comprova a expansão da raça em todo território brasileiro, posicionando o Brangus como uma importante ferramenta de produção da pecuária competitiva. “Nos últimos quatro anos o Brangus cresceu em torno de 20% e já é a terceira raça em venda de sêmen, atrás apenas das raças mãe, Angus e Nelore”, salienta o presidente da Associação Brasileira de Brangus (ABB), Ladislau Lancsarics Jr, titular da Agrícola Anamélia – Brangus HP, de Martinópolis (SP).O número de registros na ABB foi recorde em 2020. Até dezembro foram realizados 22.409 serviços de registros genealógicos na entidade, o que representa uma alta de 22%. Em 2019, foram feitos 18.301 serviços de registros. E a tendência é de crescimento também neste ano. “De janeiro a junho deste ano foram realizados 9.297 serviços de registros”, destaca o vice-presidente da ABB, João Paulo Schneider da Silva, da GAP Genética, de Uruguaiana (RS). Outro número que apresentou alta no ano passado foi o da quantidade de sócios, com um incremento de 13%. Segundo a ABB, a raça abrangeu novos associados em 12 Estados brasileiros – Alagoas, Distrito Federal, Goiás, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo. A história A raça Brangus Ã© o resultado de um experimento entre o cruzamento da raça taurina britânica Aberdeen Angus e a raça zebuína Brahman. As primeiras experiências que resultaram no Brangus foram realizadas por técnicos norte-americanos do Departamento de Agricultura de Jeanerette em 1912, no estado de Louisiana. Na mesma época, pecuaristas de Oklahoma, no Texas, e do Canadá também passaram a fazer acasalamentos semelhantes. O objetivo dos cruzamentos era a criação de um animal que aprese ntasse altos índices de produtividade mesmo criado em condições de clima e meio-ambiente adversas, típicas das regiões tropicais e subtropicais.No Brasil, os cruzamentos começaram a ser feitos na década de 1940 por técnicos do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), em Bagé (RS). Inicialmente, o resultado do cruzamento foi batizado de raça Ibagé pelos técnicos da época. Alguns anos depois, em função do cruzamento ser o mesmo alcançado nos Estados Unidos, o nome da raça passou a ser Brangus Ibagé, até que se tornou apenas Brangus, anos mais tarde. O Brangus é uma das raças sintéticas que mais possui diversidade de selecionadores dentro de outros países além do Brasil, como a Argentina, o Paraguai, os Estados Unidos, o México, o Uruguai, a Bolívia, o Panamá, a África do Sul, o Canadá, a Colômbia e a Austrália.No Brasil, o maior número de criadores está concentrado na Região do Sul, pincipalmente no Rio Grande do Sul, mas a raça também vem ocupando espaços com uma expansão vertiginosa para as Regiões Sudeste, Centro-Oeste e Norte do Brasil, entre outras. “O Brangus está presente em todos os biomas brasileiros. A gente encontra a raça desde o Rio Grande do Sul até Roraima, Pará”, observa Lancsarics. “Ele vai bem no bioma amazônico, no Cerrado, na Mata Atlântica e no Pampa”, acrescenta. A raça Brangus reúne inúmeras vantagens como a rusticidade, a docilidade, a tolerância ao calor, a habilidade materna, a marmorização da carne (concentração de gordura), a padronização e rendimento de carcaça, a precocidade sexual (machos e fêmeas) e a fertilidade, além da grande resistência à infestação de ectoparasitas. Entre os benefícios do Brangus estão a facilidade de parto, os pelos curtos, os elevados pesos na desmama e no sobreano, o entoure mais cedo e bom desempenho de ganho de peso, tanto a pasto quanto no confinamento.Além disso, os animais se adaptam bem aos diferentes micros ou macros climas existentes no Brasil. Eles suportam tanto as temperaturas que passam dos 35°C no sol durante o verão no Brasil Central e no norte do País, como as temperaturas congelantes no inverno da Região Sul. “O Brangus traz a rusticidade do zebu junto com a qualidade da carne, fertilidade, habilidade materna e precocidade do Angus”, assinala o presidente da ABB. “É a raça que o mercado está buscando”, completa o dirigente. A ABB – A Associação Brasileira de Ibagé, nome que foi dado originalmente à raça, foi fundada em janeiro de 1979 por um grupo de criadores reunidos na sede da UEPAE de Cinco Cruzes de Bagé. Com o desenvolvimento do criatório e a introdução de animais de cruzamento de sangue Brahman, em 1989, passou a se denominar Associação de Brangus Ibagé. Em 1998, acompanhando as políticas de globalização e em função do Mercado Comum do Sul (Mercosul), com a homologação do Mapa, mudou o nome para Associação Brasileira de Brangus, usado até os dias de hoje. A entidade está sediada em Campo Grande (MS). * Gustavo Paes é jornalista do Grupo Futura-RS

Brangus invade o Nordeste

A raça Brangus, resultado do cruzamento do Aberdeen Angus com o Zebu, é uma das que mais cresce no Brasil. O maior número de criadores está concentrado na Região do Sul, pincipalmente no Rio Grande do Sul, mas a raça também vem ocupando espaços com uma expansão para as Regiões Sudeste, Centro-Oeste, Norte e Nordeste, entre outras.As principais centrais de inseminação estão buscando por reprodutores Brangus, com grande destaque pela alta demanda de sêmen de touros da raça para cobrir fêmeas F1, uma excelente alternativa de cruzamento focado na produção de carne de qualidade. Esse aumento da procura por sêmen Brangus comprova a expansão da raça em todo território brasileiro, posicionando o Brangus como uma importante ferramenta de produção da pecuária competitiva.Nos últimos quatro anos, o Brangus cresceu em torno de 20% e já é a terceira raça em venda de sêmen, atrás apenas das raças mãe, Angus e Nelore. O número de registros na Associação Brasileira de Brangus (ABB) também vem crescendo. De janeiro a junho deste ano foram realizados 9.297 serviços de registros.  Outro número que apresentou alta foi o da quantidade de sócios. Segundo a ABB, a raça conta com associados em 15 Estados brasileiros – Alagoas, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraná, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Sergipe – além do Distrito Federal.A raça vem conquistando mais espaço no Nordeste, onde estão cinco associados. O rebanho total da raça ainda é pequeno, mas criadores e especialistas acreditam no potencial de crescimento e adaptação da raça na região. Um dos investidores é o criador gaúcho Luiz Paulo Malmann Filho, proprietário da Fazenda Fernanda, que, nesta semana, realizou o seu 4º Dia de Campo, o primeiro deles com a participação de 15 fêmeas e 10 touros Brangus. A propriedade, localizada em Balsas (MA), também seleciona animais das raças Nelore e Braford e faz Integração Lavoura-Pecuária (ILP) com o cultivo de soja e milho.O evento serviu para Mallmann Filho fazer contato com produtores da região e mostrar os diferenciais da raça, tanto para a genética como para a produção de carne de qualidade. Balsas integra o Matopiba, considerada a grande fronteira agrícola nacional e que responde por aproximadamente 10% da produção brasileira de grãos e fibras, principalmente soja, milho e algodão.Malmann iniciou o plantel há cerca de três anos. Em 2020, ele adquiriu touros e novilhas da GAP Genética, de Uruguaiana (RS), um dos principais criatórios da raça sintética no País. E depois comprou reprodutores da Cia Azul, de Alegrete (RS), e da JMT Agropecuária, de São Gabriel (RS). Atualmente, o rebanho é formado por 250 animais, considerando as 180 fêmeas em produção, touros e terneiros. “O Dia de Campo foi para mostrar as qualidades da raça Brangus, que está muito bem adaptada e tem u m grande potencial para se desenvolver na região”, afirma Malmann Filho.O Dia de Campo contou com a presença do técnico e diretor da ABB para o Nordeste, Roberto Maciel, e do especialista em cortes e preparo de carnes, Marcelo Bolinha, de Porto Alegre. O expert destrinchou meia novilha – dianteiro, costela e traseiro – e preparou um churrasco para mais de 300 pessoas. Os convidados ainda assistiram a palestras sobre as raças Brangus e Braford, cruzamento industrial e as vantagens da Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), além de carne de qualidade.        Por: Gustavo Paes (jornalista) – Associação Brasileira de Brangus (ABB) com curadoria Boi a Pasto.

O melhoramento genético do futuro já começou

Seminário da ANCP mostra sintonia com a pauta internacional e não se omite na hora de provocar os pecuaristas pelas mudanças inevitáveis Em um futuro do melhoramento animal que começou, ontem, não há espaço para dar as costas a dois sustentáculos: sustentabilidade e qualidade do produto final carne. Essa foi a tônica das palestras e debates do “26º Seminário Nacional de Criadores e Pesquisadores”, realizado em 22 de julho, em Ribeirão Preto (SP). O tema central do encontro, “Genética de excelência para a lucratividade”, olhou a conjuntura da pecuária seletiva sob aspectos técnicos e mercadológicos. Carlos Viacava, pecuarista e vice-presidente da entidade organizadora, a Associação Nacional de Criadores e Pesquisadores (ANCP), parte do princípio que “toda a evolução genética que se promover deve estar alinhada com as necessidades do meio ambiente”. Ele se refere a uma demanda dos consumidores mais exigentes, dentro e fora do País, que querem um produto com baixa emissão de gases efeito estufa (GEE), considerando o bem-estar animal, da melhor qualidade e com custo acessível, principalmente no mercado interno. “Para isso, a tecnologia deve nos ajudar a produzir mais com menos recursos e em um ciclo menor”, pondera. A coordenadora da Área Técnico Comercial da ANCP, Lilian Roberta Matimoto Nakabashi, médica veterinária, sustentabilidade é um tema internacional e o Brasil precisa ocupar um papel de protagonismo nesse cenário, com prática certeira e investimentos. A coordenadora da Área Técnico Comercial da ANCP, Lilian Nakabashi (Foto: Arquivo pessoal) “Da nossa parte, a ANCP, por exemplo, nesse momento reformula suas ferramentas de avaliação (certificações) para meio ambiente”, reforça. Nakabashi entende que este “é um diálogo sério e que a pecuária de vanguarda precisa provocar entre seus pares”. Um dos pontos é buscar “unidade para se construir voz ativa diante dos fatos verdadeiros sobre a produção bovina de corte”; ou seja, dar nome aos bois de quem trabalha bem ou mal à sociedade. Para Viacava, essa visão já prevalece, pois “há inúmeros trabalhos e experiências de campo reduzindo ainda mais o ciclo pecuário, promovendo precocidade e o consequente aumento da taxa de desfrute”. “Dessa forma, emite-se menos GEE e até torna a fixação de carbono positiva. Então, o futuro do melhoramento está atrelado à preservação ambiental”, ratifica. Carne de melhor qualidade – Outra diretriz importante é a qualidade da carne que produzimos, destaca o criador. Além das DEPs existentes, outras ligadas a essa característica devem surgir como, por exemplo, a da maciez, do marmoreio, entre outras, somando-se às existentes como área de olho de lombo (AOL) e espessura de gordura subcutânea (EGS), mensuradas a partir de ultrassonografia de carcaça. Muitas palestras e questionamentos trouxeram à baila a carne que produzimos e a que queremos produzir. O boi-China é o limite ou a atenção aos pequenos nichos de mercado é tudo? Como a pecuária seletiva, com a genômica, pode ajudar a responder às demandas por qualidade. Nesse sentido, Viacava enfatiza que o avanço na genômica está permitindo saltos importantes na identificação de animais superiores para carne de qualidade, para o Nelore e em uma frente multirracial; isto é, no apontamento de quais são os melhores bovinos entre as várias raças que disputam o mercado. Pelo lado de desempenho zootécnico, novas também são esperadas, como para o caráter mocho (importante no manejo e na redução de estresses na fazenda), para facilidade de parto e para lucratividade, procurando traduzir o ponto ideal para abate de um bovino terminado em confinamento. Nakabashi ainda salienta as novas Diferenças Esperadas de Progênie (DEPs) integrantes de índices bioeconômicos como MGTe de cria, recria, confinamento e F1, todas para auxiliar o produtor em diferentes sistemas de produção, na hora de escolher machos e fêmeas mais produtivos para deixarem suas genéticas no rebanho. Mais de 250 participantes – Após três anos de interrupção por conta da pandemia, o tradicional evento retornou no formato presencial reunindo criadores, pesquisadores, técnicos agropecuários, empresas da área de genética, professores e estudantes de ciências agrárias. A palestra de abertura do encontro foi apresentada pelo professor e pesquisador da Universidade de Wisconsin, em Madison (EUA), Daniel Gianola, que falou sobre a história das avaliações genéticas, abordando sua evolução desde Henderson até a Avaliação Multirracial. Na sequência, dentro do tema do “Painel 1 – O mercado pecuário e a sustentabilidade”, o pecuarista e ex-secretário de Produção e Comércio do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), Pedro de Camargo Neto, apresentou palestra sobre “Desafios Regulatórios da Pecuária: Ontem e Hoje”. Ainda no Painel 1, “Incrementos na produtividade pecuária de corte com o uso de protocolos de Baixo Carbono”, foram trazidos pelo pesquisador da Embrapa Gado de Corte, Roberto Giolo de Almeida, que ressaltou a forte pressão internacional sofrida pela pecuária de corte brasileira por causa da pegada de carbono. Abrindo o “Painel 2 – Seleção de zebuínos para qualidade da carne”, o gerente de Treinamento e Projetos Corte da ABS Pecplan, Cristiano Ribeiro, falou sobre “Mudança da demanda do mercado de genética da última década”, abordando a evolução das tecnologias e práticas que constituem o melhoramento genético voltado para rebanhos de corte. “Seleção genética para melhoria da qualidade da carne brasileira” foi o tema da segunda palestra do Painel 2, apresentada pelo pesquisador da Embrapa Cerrados e 2º vice-presidente da ANCP, Cláudio Magnabosco, que traçou um panorama da pecuária de corte do Brasil situando os principais players no mercado, tanto produtores quanto exportadores. Da esq. p/ dir.: Claudio Magnabosco, Carlos Viacava, Raysildo Lôbo e Fernando Baldi (Foto: Divulgação) Magnabosco abordou os principais gargalos da pecuária de corte, como a produção de carne de qualidade em uma pecuária pautada majoritariamente a pasto, sistemas de integração lavoura-pecuária, boi de ciclo curto, entre outros. Também apresentou os métodos de avaliação e os progressos já obtidos, seleção genômica, além de sugerir inclusão da maciez da carne e outras características relacionadas à qualidade da carne como critérios de seleção. Na última palestra do evento, o gerente Global de Tecnologia de Bovinos de Corte da Cargill, Pedro Veiga, falou sobre “Quais são os desafios para a produção de carne de qualidade”,

Estudo sugere criar programa para controlar tuberculose bovina entre animais silvestres

O Brasil não possui uma legislação específica para o controle da doença, à qual os animais silvestres são suscetíveis A partir de uma pesquisa realizada no parque temático Pampas Safari, que funcionou no município de Gravataí, no Rio Grande do Sul, até 2017, pesquisadores do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) compreenderam a extensão do surto de tuberculose bovina em animais silvestres, como cervos. Os resultados servem como um alerta para a necessidade de um programa de controle da doença entre esses animais, seja na natureza, em zoológicos ou parques. Desenvolvida com o apoio da Fapesp e a colaboração de equipes da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural do Rio Grande do Sul e da Faculdade de Medicina Veterinária da USP (FMVZ-USP), o resultado da pesquisa mostra que a doença foi provavelmente transmitida através dos bois para ao menos 16 espécies diferentes de animais, em sua maioria da espécie cervídeos. Foram encontradas três variantes genéticas da bactéria causadora da doença, a Mycobacterium bovis. Os resultados foram publicados na revista Transboundary and Emerging Diseases. Segundo os autores, trata-se do primeiro estudo que mostra a prevalência da doença em um ambiente que não é totalmente fechado, como um zoológico. Daiane Lima, pesquisadora do Grupo de Pesquisa Animal da Embrapa e primeira autora do estudo, afirma que “esses números, tanto de variantes como de espécies de animais infectados, provavelmente são maiores, pois não há um teste de diagnóstico específico para a tuberculose bovina em animais silvestres”. Flábio Ribeiro de Araújo, também da Embrapa, acrescenta que “o problema certamente foi muito maior do que o relatado. Nós só pegamos um fragmento do que aconteceu lá, com testes em animais mortos”. ZoonoseA tuberculose bovina é uma enfermidade infectocontagiosa que acomete animais domésticos, silvestres e também humanos. A transmissão para o homem se dá principalmente pela ingestão (leite cru não pasteurizado, na maioria das vezes) ou inalação de aerossóis por meio do contato com animais doentes. Não existe tratamento nem vacinas para os animais, somente medidas de prevenção e contenção do espalhamento de focos, que envolvem o abate após o diagnóstico. De caráter crônico, a doença causa prejuízos econômicos para a pecuária de corte e de leite, além de barreiras sanitárias. “Mundialmente, a notificação de tuberculose bovina à Organização Mundial da Saúde Animal é obrigatória. Mas, no Brasil, os casos em animais silvestres não precisam ser reportados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Queremos que esse trabalho ajude a corrigir esse vácuo legal, tendo em vista que o Programa Nacional de Controle da Tuberculose Bovina do ministério não leva em conta os animais silvestres”, afirma Ana Márcia de Sá Guimarães, coordenadora do Laboratório de Pesquisa Aplicada a Micobactérias do ICB-USP, onde foi feito parte dos testes. Diagnóstico e sequenciamentoOs cientistas analisaram amostras de animais sacrificados, coletadas entre os anos de 2003 e 2018. Além de amostras de lhamas que vieram a óbito, foram também incluídas amostras oriundas do diagnóstico de cervídeos realizado pela equipe veterinária do SEAPDR, seguindo orientações de pesquisadores, e o protocolo diagnóstico do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que também cuidou das eutanásias dos animais diagnosticados clinicamente. Com o decorrer dos anos, as amostras desses animais foram enviadas à Embrapa e à FMVZ-USP, que ficaram responsáveis por realizar o diagnóstico por meio de cultivo bacteriano. As amostras positivas foram submetidas ao sequenciamento genômico. Sendo possível entender se existia transmissão entre os animais e se houve múltiplas introduções da bactéria ao longo do tempo. No ICB-USP as amostras passaram por análises de bioinformática, onde foram captados todos os DNAs e comparados para avaliar se houve mutações da bactéria. “Tentamos ver quais genomas seriam mais próximos entre si e quais estariam mais distantes e que poderiam ser de origens diferentes”, explica Cristina Zimpel, aluna de doutorado. “Com o estudo, conseguimos mostrar, pelas três variantes encontradas, que houve ao menos três introduções diferentes da doença no parque no período”, acrescenta. Tudo indica que o surto no Pampas Safari se deu em função de dois fatores: alimentação inadequada dos animais, que compromete sua imunidade e habilidade de lutar contra o patógeno; superlotação de indivíduos de espécies diferentes em um espaço pequeno. “Os cervídeos que se infectaram foram sacrificados. Mas como o Pampas Safari é um local privado e a fazenda onde ele ficava situado ainda existe, não dá para dizer que o surto terminou”, diz Ana Márcia de Sá Guimarães. Os pesquisadores estimam que a doença pode ter se espalhado para outros Estados, pois no parque havia uma atividade intensa de venda de animais vivos para outras fazendas. Rastreamento de casosA busca por novas parcerias para analisar outros casos de transmissão de tuberculose bovina em animais silvestres. “Queremos conversar com pessoas responsáveis por zoológicos em diferentes regiões do país para ver se elas já presenciaram casos da doença e o que foi feito. E então analisá-los a fim de ter a real noção de sua prevalência no Brasil”, afirma Guimarães. Paralelamente, o grupo seguirá fazendo estudos sobre transmissão e diagnóstico da tuberculose nos bovinos e bubalinos. Na avaliação dos pesquisadores, é imprescindível um programa de controle da doença voltado aos animais silvestres, com notificação obrigatória dos casos e estabelecimento de critérios claros de diagnóstico. Sem essas medidas, o risco de disseminação da doença no Brasil, por meio dos animais silvestres, tende a aumentar. Fonte: Canal Rural Curadoria: Boi a Pasto

Resposta imunológica de novilhas Nelore é maior em sistemas ILPF

A resposta imunológica de novilhas Nelore em integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) a um antígeno foi maior do que a resposta de animais em pastagem solteira. O resultado obtido em pesquisa realizada na Embrapa Agrossilvitoril (MT) a entender a dinâmica de verminoses no rebanho em diferentes sistemas produtivos. Além disso, pode ser extrapolado para outras doenças e parasitoses. O trabalho, feito em parceria com a Associação dos Criadores de Mato Grosso ( Acrimat ) e a Associação dos Criadores do Norte de Mato Grosso ( Acrinorte ), fecha um ciclo de pesquisas sobre a sanidade animal relacionada aos nematoides. Além disso, abre novas perspectivas sobre o manejo do rebanho nas propriedades rurais. “A fazenda pode ter módulos diferentes, para categorias de animais. Se não houver interesse em arborizar a fazenda hoje, que tenha uma área com árvores onde pode-se deixar os animais mais jovens”, afirma o pesquisador da Embrapa Luciano Lopes. Resultados anteriores no mesmo experimento já realizados que novilhas Necessidades ILPF anteriores tiveram mais peso e possuem maior precocidade sexual. “Na parte reprodutiva, observa que há diferença entre os sistemas. Então é um ganho triplo. O ganho de peso por si só, o ganho de peso influenciando a precocidade sexual e, paralelamente, a melhor resposta imunológica. Para as novilhas, principalmente, seria bem interessante usar o ILPF”, avalia o sistema pesquisador. Benefícios de novilhas em ILPF – Uma série de pesquisas comprovou vantagens importantes na criação de novilhas em sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta: Maior ganho de peso; Maior precocidade sexual; Melhor resposta imunológica. O estudo mostrou que há embora mais larvas de nematoides na vida livre nos sistemas silvipastoris, já que nenhuma dessas locais mostrou menor infestação de parasitos. Além disso, foi constatado que, quando ocorre a ocorrência de verminoses ao longo do ano, uma alta ou baixa incidência sem diferença significativa significativa pelo sistema produtivo. Dessa forma, os animais criados em pasto em pleno receberão sol em sistemas sombreados com árvores não precisam de protocolos diferentes de vermifugação. Caminho da pesquisa – O resultado obtido sobre uma resposta imune do gado foi a última etapa de trabalho que teve início analisando a ocorrência de nematoides (vermes) em pasto único e em integração pecuária-floresta. A primeira constatação de que a melhoria da fase de microclima pela vida livre das árvores favorece a ocorrência de larvas de nematoides em passado. Porém, ao contrário do esperado, as novilhas que pastejavam sombreados apresentados menor para sistemas do que estavam em pastagem com menor parasitas. Essa comprovação foi feita por meio da contagem de ovos dos nematoides apresenta nas amostras dos animais. De acordo com Lopes, duas hipóteses foram cogitadas para explicação. A era que a ocorrência de colete favorecia a ocorrência de colete favorecia, como o besosta-bobo, que predam as larvas as larvas depositadas no chão, nas imagens a primeira foto também importante de um hospedeiro. A segunda está à resposta imune dos animais. A primeira hipótese foi refutada em pesquisas feitas no mesmo experimento da Embrapa Agrossilvipastoril, não qual foi encontrada diferença na ocorrência de coleópteros nos sistemas. “Como as passadas foram bem manejadas, a maior carga de suporte de bovinos no passado e a maior quantidade de carne. Isso Favorece a ocorrência de coleópteros nesses locais. Além disso, a própria pastagem bem manejada já faz uma proteção, gerando melhor ambiência para os insetos. Assim, a maior população tem impacto sobre a abundância da comida, a questão ambiental na coleópteros”, explica o pesquisador. Para avaliar a hipótese da resposta imune, parte das novilhas em três tratamentos diferentes (pasto solteiro, IPF com linhas simples de eucalipto IPF com linhas triplas de eucalipto) foi desafiada por meio de uma vacina contra carrapatos. O objetivo era verificar a resposta imunológica aos antígenos entre os grupos de animais em sistemas diferentes e compará-los com as novas que não receberam o imunizante. Por meio de células, o exame de resposta de células mais eficaz, o exame de resposta de células mais eficaz, com maior eficiência de operação em pastagem sem sombra. “Linfócitos células de defesa que produzem aparelhos específicos para combater o antígeno. No caso de parasita, a resposta celular é mais importante. Por isso, a gente descobriu a vacina dos linfócitos do antígeno por meio da vacina”, contaLopes. De acordo com o pesquisador, a melhor resposta imune é o que explica a menor infestação de parasitos nas novilhas que pastejam no sistema silvipastoril. Verminoses – As verminoses são responsáveis por grandes perdas na pecuária de corte, seja pela perda de peso ou pelo atraso no período reprodutivo. Dessa forma, o entendimento do ciclo dos parasitos em sistemas diferentes e das estratégias de controle são informações importantes para auxiliar o pecuarista. Nas pesquisas realizadas de bovinos em vida em Agrospastor, observou-se que os meses de bovinos do emvi são mais adequados para 6º mês de vida. Após os 18 meses do sistema imunológico já está mais bem desenvolvido e o animal, embora apresente o parasita, sofre menores. A comprovação foi a de uma variância ao longo do ano na cargasitária dos animais, com maior probabilidade nos meses de fevereiro e março, fase final do período chuvoso para outra, e em setembro, no fim da seca. Tal foi observado com o mesmo comportamento em todos os sistemas produtivos. Essa constatação de planejamento e não a determinação de se fazer o controle estratégico, com vermifugação somente nos meses 5, 7 e 9, em todas as operações de planejamento do rebanho no curral. “O pecuarista deve manter o controle estratégico, pois este é eficiente para manter o rebanho protegido. Assim ele evita vermifuga ativações usadas no combate, reduz custos e atraso no processo de criação de resistência dos vermes ao princípio”, recomenda Lopes ao princípio. Pela estratégia de controle, as vermifugações dos meses 5 e 7 ajudam a reduzir a parasitose, cujo pico se dá no fim das águas. Já a partir do mês de diminuição9 tem a função de carga para o início, fazendo com que a população vá de mês a diminuir ao longo do tempo. Publicação científica –