julho 23, 2024

O olho do dono é que engorda o gado

Com a utiliza√ß√£o de softwares de gest√£o, como o Ideagri, produtores podem gerir seus rebanhos de qualquer lugar, sem precisar estar na fazenda Dizem que √© o olho do dono que engorda o gado. Mas se engana quem pensa que o produtor precisa estar o tempo todo na fazenda para acompanhar de perto a produ√ß√£o. Se com a chegada do novo coronav√≠rus, as empresas nas cidades tiveram que se adaptar para continuarem operando de forma remota, no campo, isto j√° √© uma realidade. Com a chegada de novas tecnologias, esse acompanhamento pode ser realizado a quil√īmetros de dist√Ęncia, permitindo que o fazendeiro tenha acesso a relat√≥rios e outros indicadores de desempenho do rebanho na palma da m√£o, pelo celular, onde ele estiver. Utilizando o software de gest√£o Ideagri, o produtor Fernando Viana, propriet√°rio do perfil @viananalida, do Instagram, saiu de viagem com a fam√≠lia por 25 dias e tem conseguido gerir a sua propriedade, a fazenda Ouro Branco, localizada em Abaet√© (MG), de forma remota, gra√ßas ao software. “Os funcion√°rios enviam constantemente fotos, v√≠deos de tudo que acontece na fazenda e eles sentem necessidade de me perguntar”, explica. Segundo o produtor e influenciador, antes da viagem, ele deixou prontos relat√≥rios de secagem e pr√©-parto, o que facilita o processo. “A confian√ßa √© essa, a gente tira a lista do sistema e fica todo mundo instru√≠do. Eles j√° sabem o que fazer”, garante. Se alguma vaca adoecer, os funcion√°rios mandam mensagens para saber informa√ß√Ķes sobre o animal, dispon√≠veis no sistema, como data de parto prevista, por exemplo, para verificar a viabilidade de secagem, ou se deve aplicar rem√©dio e esperar a car√™ncia. Viana conta que eles t√™m todas as informa√ß√Ķes no sistema, mas n√£o √© necess√°ria a confer√™ncia di√°ria. “A partir do momento que eu tirei os relat√≥rios do que vai nascer e do que tem que secar, a gente vai rodando tranquilo. √Ä medida que surge uma necessidade, eles me ligam, eu consulto e est√° tudo certo.” Para o produtor, a funcionalidade mais utilizada do sistema √© lan√ßamento de parto. “Quando um animal pare, os funcion√°rios lan√ßam via aplicativo, ou mandam no pr√≥prio WhatsApp. Eu j√° lan√ßo aqui, j√° atualizo os dados zoot√©cnicos, qualquer lan√ßamento de medicamento”, afirma. Para Heloise Duarte, COO da Ideagri, o sistema foi pensado justamente para dar ao produtor esta mobilidade, permitindo √† fazenda produzir mais, desde a gest√£o dos animais at√© a administra√ß√£o financeira da propriedade. “Sabemos bem os desafios enfrentados pelos produtores brasileiros. Mas com uma gest√£o eficiente, voc√™ ganha mais e controla melhor, com indicadores simples, mas essenciais para auxiliar voc√™ na tomada de decis√Ķes.” Por Divulga√ß√£o com curadoria Boi a Pasto.

A revolução começa com uma pequena semente

A diversidade de solo, clima e cultivares faz do nosso pa√≠s uma esp√©cie de imenso laborat√≥rio a c√©u aberto. Por tr√°s de sementes, mudas e manejo, est√£o jovens e gera√ß√Ķes maduras, que viram e veem na tecnologia a pedra de toque para redimensionar o agroneg√≥cio. Mais que isso: revolucionar produ√ß√£o e produtividade, respeitando o meio ambiente e as pessoas √© o que h√° de mais oportuno nos dias de hoje. E as agritechs, startups com solu√ß√Ķes tecnol√≥gicas para o agroneg√≥cio, s√£o a grande atra√ß√£o para acelerar este ambiente de revolu√ß√£o digital no campo. At√© 2050, seremos 9 bilh√Ķes de pessoas no mundo. Teremos de aumentar em 70% a produ√ß√£o de alimentos, para suprir essa demanda. Dados da Fao – Organiza√ß√£o das Na√ß√Ķes Unidas para Alimenta√ß√£o e Agricultura. E o Brasil tem tudo para ser o grande protagonista deste desafio. Pa√≠s √© campe√£o mundial de crescimento em produ√ß√£o e exporta√ß√£o de alimentos nos √ļltimos 10 anos. Tem √°gua, terra e clima para continuar crescendo e atender ao chamado da Fao. O que falta para o pa√≠s assumir, de vez, este protagonismo e ser o celeiro do mundo? Aumento de produtividade com uso de tecnologia. Segundo dados da CNA, mais de 70% dos produtores brasileiros s√£o pequenos e t√™m mais dificuldade de acesso √† tecnologia. √Č neste cen√°rio que ganha ainda mais relev√Ęncia o prop√≥sito de se associar √†s startups de agritech para fazer com que estes neg√≥cios escalem de forma estruturada. E em conex√£o direta com o produtor rural e com a agroind√ļstria √Č preciso incentivar startups que resolvam as dores do produtor rural. Precisamos de ideias inovadoras e empreendedores engajados para fazer com que o agroneg√≥cio cres√ßa ainda mais e de forma saud√°vel. Por iniciativa do SISTEMA FAEMG, maior federa√ß√£o de agricultura e pecu√°ria do pa√≠s que tem em sua base de associados mais de 400 mil produtores rurais, das mais diversas cadeias produtivas, e 380 Sindicatos espalhados pelo estado de Minas Gerais, foram mapeadas as dores que demandam solu√ß√Ķes inovadoras. Come√ßamos a conex√£o dos produtores rurais de Minas Gerais, que √© o Estado que tem a maior diversidade agr√≠cola do pa√≠s. Ap√≥s esta valida√ß√£o em terras mineiras, j√° estamos replicando o processo no pa√≠s todo. Como √© o caso da Leda, produtora de caf√© de Lambari-MG, que nunca imaginou exportar seu caf√© especial para o exterior e agora, por meio da plataforma digital da Agrorigem – uma das startups do cast da NovoAgro Ventures, vende mensalmente seu caf√© para compradores na Austr√°lia. Exemplos como o da Leda, que retratam a supera√ß√£o da dificuldade de acesso ao mercado por parte dos pequenos produtores rurais, sinalizam a mudan√ßa em curso. Ou seja: utiliza√ß√£o de plataformas digitais presentes em nosso portf√≥lio ‚Äď as quais, al√©m de encurtar o caminho entre vendedores e compradores no Brasil e no exterior, oferecem solu√ß√Ķes inovadoras, voltadas para compra coletiva de insumos; controle ambiental; monitoramento e comercializa√ß√£o. Por: L√©o Dias, CEO da NovoAgro Ventures, formado em engenharia el√©trica pela UFMG, Universidade Federal de Minas Gerais; foi subsecret√°rio de ci√™ncia tecnologia e inova√ß√£o do Governo de Minas Gerais (2015/18) e ajudou a liderar programas de fomento ao empreendedorismo e inova√ß√£o como o projeto de acelera√ß√£o de startups Seed, o portal Simi; a Finit (Feira internacional de neg√≥cios, inova√ß√£o e tecnologia) e o Hub Minas Digital.

Como a tecnologia irá ajudar na adoção da pecuária de baixo carbono?

Thiago Parente, fundador e CEO da iRancho, destaca a demanda cada vez maior dos consumidores por “produtos verdes” A demanda cada vez maior dos consumidores por ‚Äúprodutos verdes‚ÄĚ √© tamb√©m uma grande oportunidade para a pecu√°ria brasileira. Os n√ļmeros de 2020 j√° mostram isso. As exporta√ß√Ķes de carne bovina bateram recorde no ano passado, com alta de 11,8% no faturamento, que chegou a US$ 8,53 bilh√Ķes, segundo a Associa√ß√£o Brasileira das Ind√ļstrias Exportadoras de Carnes (Abiec). Foram 2,02 milh√Ķes de toneladas de carne embarcadas, o que representa 8,8% a mais do que em 2019. A alta nas vendas para o mercado externo teve um anabolizante que seguir√° impactando a produ√ß√£o nacional: as press√Ķes internacionais crescentes por boas pr√°ticas ambientais. As exig√™ncias dos frigor√≠ficos em rela√ß√£o aos fornecedores tamb√©m acompanham o desejo dos consumidores por uma carne mais sustent√°vel ambientalmente. E a√≠ temos um novo cen√°rio j√° desenhado para o setor que est√° incentivando os produtores a criarem novos produtos que atendam consumidores agora mais exigentes e conscientes. Em uma parceria com a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu√°ria), um dos maiores frigor√≠ficos do pa√≠s, a Marfrig lan√ßou uma linha de carne carbono neutro, uma carne que no processo de produ√ß√£o deixa um saldo zero de emiss√Ķes de carbono. A carne carbono neutro (CCN) √© uma certifica√ß√£o do gado criada pela Embrapa em sistemas de integra√ß√£o do tipo silvipastoril (pecu√°ria-floresta) ou agrossilvipastoril (lavoura-pecu√°ria-floresta, ILPF). Estudo realizado na Embrapa Gado de Corte (Campo Grande-MS) mostra que cerca de 200 √°rvores por hectare seriam suficientes para neutralizar o metano exalado por 11 bovinos adultos por hectare ao ano. Como a taxa de lota√ß√£o usual no Brasil √© de 1 a 1,2 animal por hectare, a quantidade de √°rvores √© mais do que suficiente para produzir uma redu√ß√£o das emiss√Ķes. O c√°lculo √© feito com a convers√£o do metano gerado pela digest√£o dos animais, que tamb√©m √© um dos gases do efeito estufa, em toneladas de carbono equivalente. O carbono retirado da atmosfera com o crescimento das √°rvores √© o que fica fixado no tronco das √°rvores. Para se saber a quantidade, basta estimar o volume de madeira e, consequentemente, a quantidade de carbono fixada pela floresta. Pelos crit√©rios da Embrapa, o sistema ideal deve ter entre 200 e 400 √°rvores por hectare. Al√©m do carbono fixado, a presen√ßa de √°rvores influencia ainda no bem-estar animal. A sombra natural, al√©m de bloquear a radia√ß√£o solar, cria um microclima com sensa√ß√£o t√©rmica mais agrad√°vel. Com o conforto t√©rmico, o animal apresenta maior ganho de peso e a produ√ß√£o fica mais eficiente, consumindo menos recursos naturais ao longo do ciclo de vida para gerar a mesma quantidade de carne. T√©cnicas de manejo sustent√°veis reduzem emiss√Ķes em at√© 90% Al√©m da integra√ß√£o da pecu√°ria com floresta e lavoura, h√° outras boas pr√°ticas a seguir na pecu√°ria para reduzir a emiss√£o de gases do efeito estufa. Outro estudo desenvolvido pela ONG Imaflora no Mato Grosso mostrou que a ado√ß√£o de t√©cnicas de manejo sustent√°veis na produ√ß√£o de gado, com suplementa√ß√£o alimentar, recupera√ß√£o de pastagens degradadas, aumento da lota√ß√£o de cabe√ßas por hectare e redu√ß√£o do ciclo de engorda, pode reduzir em quase 90% as emiss√Ķes de g√°s carb√īnico. Para a realiza√ß√£o do estudo, os pesquisadores compararam duas √°reas com pecu√°ria intensiva sustent√°vel no nordeste do Mato Grosso aos √≠ndices m√©dios de emiss√£o da atividade no Estado onde, estima-se, mais da metade das pastagens tem algum grau de degrada√ß√£o. Os pastos degradados s√£o justamente um dos vil√Ķes em rela√ß√£o √†s emiss√Ķes de gases do efeito estufa e a recupera√ß√£o dessas √°reas ajuda a reter carbono no solo. Os solos brasileiros, se estiverem com uma boa forrageira (tipo de pastagem), t√™m grande potencial para sequestrar esse carbono. Entretanto, o pasto degradado acaba provocando um volume maior de emiss√£o de gases do efeito estufa. A ideia de sequestro do carbono pelo solo como uma das estrat√©gias para combater as mudan√ßas clim√°ticas foi lan√ßada em 2015, durante a COP 21, a confer√™ncia do clima realizada em Paris. No painel internacional, a Fran√ßa apresentou a chamada Iniciativa ‚Äú4 por 1000‚ÄĚ, que prop√Ķe que os pa√≠ses busquem um crescimento anual do estoque de carbono nos solos de 0,4% (da√≠ o nome ‚Äú4 por 1000‚ÄĚ), que, segundo os estudos cient√≠ficos, permitiria frear o aumento da concentra√ß√£o de CO2 na atmosfera e, consequentemente, o aumento da temperatura global. Al√©m de ajudar a fixar o carbono no solo, a recupera√ß√£o das pastagens tamb√©m aumenta a produtividade da pecu√°ria. O estudo da Imaflora mostrou na fazenda avaliada, uma unidade da Pecsa (Pecu√°ria Sustent√°vel da Amaz√īnia) em Alta Floresta, uma taxa de lota√ß√£o de at√© cinco animais por hectare, mais de cinco vezes superior √† m√©dia do Mato Grosso. Aliada ao uso de suplementa√ß√£o alimentar aos animais, o sistema obteve um ciclo de engorda de apenas 12 meses (ante 36 na pecu√°ria extensiva). Vale refor√ßar que, quanto mais curto o ciclo de produ√ß√£o da carne, menores as emiss√Ķes de gases do efeito estufa. A produtividade registrada no estudo foi de at√© uma tonelada equivalente de carca√ßa por hectare ao ano, uma marca 17 vezes superior √† m√©dia do Estado. A suplementa√ß√£o alimentar oferecida aos animais tamb√©m tem papel fundamental n√£o s√≥ no ganho de peso, mas tamb√©m no balan√ßo de emiss√Ķes da atividade pecu√°ria ao reduzir a quantidade de metano gerada pela digest√£o dos animais. A necessidade da sustentabilidade ambiental em qualquer atividade humana √© uma realidade. A chamada pecu√°ria de precis√£o, que usa a tecnologia para melhorar a produtividade e a sustentabilidade ambiental, √© uma forte aliada para os produtores aproveitarem essa oportunidade. Adotar novas pr√°ticas com o uso das novas tecnologias nas fazendas de corte √© um caminho sem volta para que a pecu√°ria brasileira continue a ganhar mercado mundo afora. Voc√™, pecuarista, j√° come√ßou a olhar para isso? Por: Thiago Parente – DBO com curadoria Boi a Pasto.

Carência zero no combate a verminoses é o segredo do sucesso na pecuária leiteira

Cerca de 35 bilh√Ķes de litros de leite/ano s√£o produzidos por 16,3 milh√Ķes de vacas em 99% dos munic√≠pios brasileiros, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat√≠stica (IBGE). Esse volume coloca o pa√≠s entre os quatro maiores produtores do mundo. Por√©m, a pecu√°ria leiteira enfrenta uma s√©rie de desafios para avan√ßar em termos de produtividade. A quest√£o sanit√°ria √© um dos mais importantes pontos de aten√ß√£o. Entre os v√°rios problemas de sa√ļde do rebanho est√£o os vermes, que podem causar 20% de queda na produ√ß√£o, com preju√≠zo de 7 bilh√Ķes de litros ‚Äď equivalente a R$ 8,6 bilh√Ķes ‚Äď, comprometendo a sustentabilidade da cadeia. E n√£o √© s√≥ isso. Estudos indicam que as verminoses tamb√©m provocam perda de peso nas f√™meas, que varia de 30 a 40 quilos. Essa defici√™ncia, muitas vezes repentina, causa fraqueza nos animais, al√©m de edemas e doen√ßas pulmonares. T√£o grave quanto esses efeitos s√£o os problemas reprodutivos decorrentes dessa condi√ß√£o corporal deficiente. Com isso, em muitos casos as verminoses impedem que as vacas entrem no per√≠odo do cio no momento esperado, colocando em risco a reprodu√ß√£o e consequente viabilidade econ√īmica do neg√≥cio. As verminoses em vacas de leites s√£o particularmente preocupantes, principalmente no per√≠odo pr√© e p√≥s-parto.  Pesquisas tem demonstrado que a queda de imunidade tempor√°ria nesse per√≠odo pode ser a causa de aumento na elimina√ß√£o de ovos nas fezes por f√™meas adultas, aumentando assim a contamina√ß√£o do ambiente e, consequentemente, o aumento da infesta√ß√£o dentro de um rebanho. Alguns trabalhos relacionam a eleva√ß√£o da prolactina, horm√īnio ligado √† produ√ß√£o de leite, com o aumento do parasitismo e tamb√©m com a diminui√ß√£o da imunidade dos animais. Assim, √© poss√≠vel pressupor que animais de alta produ√ß√£o leiteira em seu pico de lacta√ß√£o est√£o mais suscet√≠veis aos efeitos patog√™nicos dos vermes. Trabalhos realizados pelo mundo demonstram respostas de incremento de produ√ß√£o de leite de 1,5 a 2,0 litros por vaca ao dia, em f√™meas com parto na primavera que foram tratadas com eprinomectina quando comparadas com animais n√£o tratados. Assim, ao longo de uma lacta√ß√£o completa, a melhoria no rendimento alcan√ßada em animais tratados chega em torno de 450 a 600 quilos de leite por vaca, mostrando um retorno financeiro consider√°vel quando se adota o controle de vermes dentro do rebanho. Entretanto, o principal diferencial da eprinomectina √© a car√™ncia zero no leite. Esse √© o segredo para o sucesso da pecu√°ria leiteira. Afinal, car√™ncia zero significa que o produtor pode ordenhar sua vaca imediatamente ap√≥s o uso do produto, sem que haja res√≠duos no leite e com garantia de efic√°cia contra vermes. Esse recurso beneficia o bem-estar animal e a produ√ß√£o de alimentos de origem animal de qualidade para as pessoas, favorecendo o crescimento constante da cadeia. Por Guilherme Moura, doutor em ci√™ncia animal e gerente t√©cnico de bovinos da Vetoquinol Sa√ļde Animal, e Humberto Moura, m√©dico veterin√°rio e gerente de produtos de animais de produ√ß√£o da Vetoquinol com curadoria Boi a Pasto.

Suplementação mineral para época das águas: devemos fazer ou não?

Com a aproxima√ß√£o da esta√ß√£o chuvosa, volta ao debate a quest√£o da suplementa√ß√£o mineral dos bovinos na √©poca das √°guas: deve-se ou n√£o fazer? A suplementa√ß√£o mineral para √©poca das √°guas apresenta diverg√™ncia por parte dos criadores, onde alguns acham que nessa √©poca, devido √† boa disponibilidade de MS (mat√©ria seca) das forragens, pastos verdes e cochos na maioria das vezes sem cobertura, s√£o os fatores primordiais para n√£o se utilizar suplementos nessa √©poca. Essas condi√ß√Ķes levam h√° um baixo consumo dos suplementos pelos animais e com isso os criadores acreditam n√£o haver necessidade de fornecer suplementos. S√≥ que, infelizmente para os defensores dessa vers√£o, √© a√≠ que mora o perigo, pois √© justamente nessa √©poca que os animais aumentam o seu metabolismo, onde muitas enzimas (METALOENZIMAS) dependem dos minerais para serem ativadas. Devemos lembrar que mesmo nessa √©poca das √°guas os pastos, que s√£o a base nutricional dos animais, n√£o fornecem todos os nutrientes necess√°rios, dentre eles os microminerais (Se, Zn, Cu, Mn, Co e I) e os macrominerais (P, Na, Mg e S), para atender as suas exig√™ncias. Atualmente estamos tendo uma crescente demanda do mercado mundial, por carne bovina de qualidade, proveniente de animais criados a pasto, logo as perspectivas para pecu√°ria brasileira s√£o imensas. Segundo dados da FAO, √≥rg√£o da ONU, que acompanha a agricultura e pecu√°ria, apontam que em 2040, 60% da carne comercializada para abastecer o mercado mundial, ser√° brasileira. Isso exigir√° dos produtores brasileiros profissionalismo e somente com uso de tecnologias pr√°ticas e economicamente vi√°veis, esse crescimento sustent√°vel da pecu√°ria brasileira ser√° poss√≠vel. Essas tecnologias s√£o: Nutri√ß√£o Correta; Controle Sanit√°rio Eficiente; Melhoramento Gen√©tico; Diante disso, devemos adotar medidas para suplementar corretamente os animais nessa √©poca visando atender o aumento desse metabolismo e, consequentemente, tendo melhores resultados na produtividade (carne e leite). A pecu√°ria s√≥ se torna competitiva se usarmos tecnologias pr√°ticas e economicamente vi√°veis. Lembrando ainda que o uso correto das t√©cnicas de nutri√ß√£o, manejo e da sanidade, al√©m de aumentar a produtividade em n√≠vel animal e de rebanho, contribui significativamente para redu√ß√£o da emiss√£o de GEE (gases de efeito estufa), uma das principais preocupa√ß√Ķes quando falamos em sustentabilidade ambiental. Import√Ęncia da suplementa√ß√£o mineral Devemos lembrar que os bovinos, assim como os caprinos e ovinos s√£o ruminantes, possuem pr√©-est√īmagos (r√ļmen, ret√≠culo e omaso) e um est√īmago verdadeiro (abomaso). O processo digestivo nesses animais se inicia com a ingest√£o dos alimentos, seguido de: mastiga√ß√£o, rumina√ß√£o, fermenta√ß√£o microbiana, digest√£o √°cida e digest√£o enzim√°tica (ver figura 1). A microbiota ruminal √© composta por fungos, leveduras, bact√©rias e protozo√°rios, que s√£o respons√°veis em transformar as forragens ingeridas em energia, prote√≠nas e vitaminas que v√£o nutrir bovino, caprino ou ovino. Por isso √© de fundamental import√Ęncia manter esse ambiente ruminal o, mas sadio poss√≠vel, onde segundo (CARVALHO F.A, BARBOSA F.A, MACDOWELL LEE R. 2003) as condi√ß√Ķes ideais seriam: Temperatura (38 a 41¬įC). Umidade (85 a 90 %). Ph (oscila√ß√£o de 5,5 a 7,2, ideal 6,4 a 6,8). Mat√©ria seca de 10 a 18%. Substratos: Nitrog√™nio, amino√°cidos, minerais, carboidratos.  Anaerobiose: muito pouco Oxig√™nio (< 0,6% – fermenta√ß√£o aer√≥bica) e bem mais di√≥xido de carbono (> 60 ‚Äď 70% – fermenta√ß√£o anaer√≥bica). O suplemento mineral √© o complemento da dieta dos animais (pasto). Mas o pasto n√£o fornece todos os nutrientes necess√°rios (energia, prote√≠na, vitaminas e minerais) para manten√ßa e produ√ß√£o, inclusive nas √©pocas das √°guas, j√° que sofrem varia√ß√£o nutricional durante todo o ano (ver figura 3 abaixo).  As condi√ß√Ķes m√≠nimas que microbiota ruminal precisa para ter um bom desenvolvimento √© de 10% de PB (prote√≠na bruta), 70% de NDT (energia) e 2% de minerais na MS. Se o n√≠vel de PB na MS ficar abaixo dos 7%, compromete todo o processo fermentativo por parte da micribiota ruminal e isso se resume em perda de peso e / ou produtividade (CARVALHO F.A, BARBOSA F.A, MACDOWELL LEE R. 2003). Por isso, hoje em dia tem se dado muita import√Ęncia em uma suplementa√ß√£o mineral enriquecida de prote√≠na e energia, pois essa vari√Ęncia nutricional que ocorre acaba levando a um desbalan√ßo e consequentemente perda de nutrientes, j√° que o sistema de produ√ß√£o de energia e prote√≠na da microbiota ruminal √© mais r√°pido do que a capacidade do animal em aproveit√°-las. A suplementa√ß√£o m√ļltipla na √©poca das √°guas tem sido usada com maior √™nfase, ap√≥s o sucesso do seu uso na √©poca da seca. Nos pastos, durante a √©poca chuvosa, h√° um aumento das concentra√ß√Ķes proteicas das gram√≠neas e maiores degrada√ß√Ķes do nitrog√™nio no r√ļmen pela microbiota ruminal (bact√©rias, fungos, leveduras e protozo√°rios). Com isso, ocorre um desequil√≠brio na rela√ß√£o de prote√≠na e energia, que deveria ser mais pr√≥xima de um para sete, uma parte de prote√≠na para sete partes de energia. (Guia Pr√°tico do Uso da Ur√©ia na Suplementa√ß√£o de Bovinos ‚Äď ASBRAM, 2011). O consumo de energia e prote√≠na deve ser balanceado, para aperfei√ßoar a fermenta√ß√£o e maximizar a produ√ß√£o de prote√≠na microbiana. Consumo excessivo de prote√≠na, sem quantidade adequada de energia, resulta em perda de Nitrog√™nio na urina e nas fezes. (CARVALHO F.A, BARBOSA F.A, MACDOWELL LEE R. 2003). De acordo com a Associa√ß√£o Brasileira das Ind√ļstrias de Suplementos Minerais, entre os diversos fatores existentes que s√£o respons√°veis pela baixa produtividade do rebanho brasileiro, as car√™ncias de minerais e de prote√≠na ocupam lugar de destaque. Acredita-se que n√£o exista um fator isolado, com potencial t√£o elevado, para aumentar os √≠ndices de produtividade bovina, criados a pastos, a um custo relativamente baixo, como a suplementa√ß√£o mineral e prote√≠nas adequadas. Existem v√°rios trabalhos que demonstram a import√Ęncia de se utilizar suplementos minerais contendo energia e prote√≠na na sua composi√ß√£o. De acordo com alguns trabalhos de pesquisas que mostram o ganho de peso m√©dio di√°rios de bovinos, na fase de recria, variando de 0,543 a 1,380 kg / cabe√ßa / dia, para consumo de suplemento de 0,2 a 0,5% do peso vivo (ver tabela 1) (CARVALHO F.A, BARBOSA F.A, MACDOWELL LEE R. 2003)., Outro fator de fundamental import√Ęncia para suplementa√ß√£o mineral para √©poca das √°guas √© a quest√£o relacionada aos cochos. Os

Agronegócio X Meio-Ambiente

Podemos acabar com a fome sem acabar com o planeta? Por Marisa Rodrigues – Jornalista A Degrada√ß√£o da natureza visando o aumento na produ√ß√£o de alimentos de um lado, com o planeta chegando a mais de 7,5 bilh√Ķes de pessoas, e de outro, o aumento da fome, principalmente na √Āfrica Subsaariana, √Āsia, Oceania, √Āfrica, entre outros, traz uma quest√£o a se considerar. Como produzir mais alimentos sem prejudicar ainda mais o meio ambiente? Esse cen√°rio coloca os pa√≠ses em uma situa√ß√£o conflitante. De um lado t√™m que produzir mais, para vencer a fome, que se alastra pelo planeta e de outro, n√£o pode mais desmatar para aumentar as √°reas de plantio, pois o planeta est√° numa rota, cada vez mais acelerada de autosuic√≠dio. Nos √ļltimos anos, o planeta produz at√© o m√™s de agosto tudo o que dever√≠amos produzir em um ano. Isto √©, todos os anos temos ficado em d√©ficit com a Terra, que n√£o consegue mais repor essa diferen√ßa para come√ßar o ano seguinte, zerada, no azul. Nossa Terra √© azul, mas h√° muito tempo os homens t√™m causado, em nome do capitalismo selvagem, uma  devasta√ß√£o sem precedentes, o que ocasionou as mudan√ßas clim√°ticas, que por sua vez, s√£o uma resposta do planeta para tentar se proteger e sobreviver a este massacre. Ainda que isso custe a vida da humanidade como a conhecemos. Est√° claro que os n√ļmeros de produ√ß√£o de alimentos s√£o enormes, por√©m maior ainda √© o n√ļmero de pessoas passando fome no mundo. Em apenas um ano, esse n√ļmero na Am√©rica Latina aumentou em 13,8 milh√Ķes, de 45,9 milh√Ķes para 59,7 milh√Ķes, segundo o Panorama Regional de Seguran√ßa Alimentar e Nutricional 2021, da ONU. Isso equivale a 9,1% da popula√ß√£o da Am√©rica Latina e do Caribe – √© a maior preval√™ncia da fome dos √ļltimos 15 anos. Diante desse quadro, algo pode ser feito para mudar o rumo? A boa not√≠cia √© que o sistema alimentar global est√° amadurecendo para mudan√ßas e quem era visto como a maior amea√ßa √† natureza pode se tornar sua melhor aliada. At√© o momento, a agricultura e o meio ambiente t√™m sido vistos como antagonistas.  O pensamento at√© agora tem sido que alguns danos ambientais s√£o uma contrapartida infeliz, mas necess√°ria para aumentar a produ√ß√£o de alimentos e nutrir a humanidade e nada pode se fazer contra isso. Mas as coisas n√£o precisam ser assim, hoje j√° sabemos como alimentar uma popula√ß√£o crescente sem destruir o planeta. Mas precisamos pensar al√©m disso, queremos n√£o s√≥ produzir mais, mas reduzir os danos. Precisamos investir em um sistema alimentar que restaure a natureza em vez de esgot√°-la. Todo desafio √© uma oportunidade de crescimento A produ√ß√£o de alimentos alterou nosso planeta mais do que qualquer outra atividade humana. Ela √© respons√°vel por 24% das emiss√Ķes de efeito estufa e 70% do uso total de √°gua doce; √© talvez a maior causa da perda da biodiversidade no mundo, al√©m disso a produ√ß√£o de alimentos tamb√©m √© a causa de 80% da perda global de habitat, uma tend√™ncia que est√° acelerando a cada dia. Com certeza os n√ļmeros n√£o s√£o animadores, por√©m uma amea√ßa crescente, pode se tornar uma oportunidade ainda maior. Por essas raz√Ķes que a preserva√ß√£o do meio ambiente √© um dos pilares do agroneg√≥cio nos dias atuais. Al√©m de ser mais rent√°vel ao produtor, os pa√≠ses compradores exigem essa medida mais ecol√≥gica. Segundo  o chefe-geral da Embrapa Meio Ambiente, Marcelo Morandi: ‚ÄúAgricultura e a conserva√ß√£o do meio ambiente andam juntos. A boa produ√ß√£o de alimentos depende desses servi√ßos que a natureza nos oferece, como um bom regime de chuvas, controle biol√≥gico, fertilidade do solo e controle de pragas. Tudo isso √© que faz a produ√ß√£o agr√≠cola acontecer. O bom agro n√£o √© predador, ele √© parceiro da natureza‚ÄĚ. S√≥ no Brasil s√£o mais de 180 milh√Ķes de hectares de  pastos e setenta por cento disso est√£o com algum tipo de degrada√ß√£o. E √© pensando nisso que a sociedade agr√≠cola hoje disp√Ķe de v√°rias t√©cnicas e tecnologias para que seu neg√≥cio ande de bra√ßos dados com a preserva√ß√£o do meio. Dentre esses podemos destacar: Novas metodologias: Forma de atingir conhecimento ou resultado. Nesta categoria est√£o m√©todos de an√°lise, procedimentos de laborat√≥rio, formas de diagn√≥stico, m√©todos de pesquisa, entre outros. Como por exemplo o mapeamento digital de solos e Equa√ß√Ķes para predi√ß√£o de emiss√£o de metano ent√©rico de ruminantes criados em condi√ß√Ķes tropicais Novos servi√ßos: de natureza de pesquisa ou de transfer√™ncia de tecnologia, oferecidos pela Embrapa √† sociedade, como treinamentos, capacita√ß√Ķes, an√°lises e monitoramentos. Podemos citar o Centro de Intelig√™ncia e Mercado de Caprinos e Ovinos (Plataforma CIM) e Planilhas para estimativa da necessidade h√≠drica e manejo da irriga√ß√£o de videiras. Novos produtos: S√£o as solu√ß√Ķes tecnol√≥gicas de natureza f√≠sica e digital, como softwares, aplicativos, cultivares (sementes e mudas), animais, m√°quinas, equipamentos, bebidas, fertilizantes, vacinas e outros. Alguns exemplos s√£o o SisILPF_Cedro – Software para manejo do componente florestal de ILPF – Cedro-australiano e o SisILPF_Elliottii – Software para manejo do componente florestal de ILPF – Pinus elliottii Novos processos: S√£o os procedimentos para gera√ß√£o de produtos, como processos para obten√ß√£o de embalagens, alimentos, bebidas, ra√ß√Ķes, produtos qu√≠micos, biol√≥gicos, industriais e mais. Como os Imunoestimulantes em ra√ß√Ķes para peixes e o Beneficiamento da casca de coco verde para a produ√ß√£o de fibra e p√≥. Novas Pr√°ticas agropecu√°ria: S√£o t√©cnicas de produ√ß√£o agropecu√°ria e de manejo de recursos naturais, como aduba√ß√£o, plantio, controle de doen√ßas e pragas, conserva√ß√£o de solo e √°gua, entre outros. Alguns exemplos s√£o o uso do amendoim forrageiro (Arachis pintoi cv. Belomonte) em pastagens consorciadas com gram√≠neas no Acre e a manuten√ß√£o e recupera√ß√£o de pastagens, e as t√©cnicas de manejo de pastos para a obten√ß√£o de maiores produtividades sem que haja aumento de territ√≥rio de plantio. Novos sistemas: S√£o conjuntos de pr√°ticas de manejo para produ√ß√£o vegetal ou animal. Inclui sistemas de cria√ß√£o, sistemas de produ√ß√£o em rota√ß√£o, sucess√£o ou consorcia√ß√£o, sistemas integrados e outros. Como por exemplo Sistemas modulares para produ√ß√£o de plantas irrigadas com √°gua salobra e Sistema de produ√ß√£o

Nutrição de rebanho: Como escolher a ração apropriada?

Escolher a melhor ra√ß√£o est√° entre os pontos cruciais que far√° toda a diferen√ßa garantindo a qualidade do produto final Muito do que vai definir a qualidade da carne que ser√° comercializada, tem in√≠cio na alimenta√ß√£o do gado. Uma alimenta√ß√£o rica em nutrientes, e com produtos de alta qualidade reflete no resultado final da carne e do leite como produto. A alimenta√ß√£o do rebanho ocupa um grande espa√ßo na produ√ß√£o como um todo; e escolher a melhor ra√ß√£o est√° entre os pontos cruciais que far√° toda a diferen√ßa garantindo a qualidade do produto final que √© a carne ou o leite. As melhores pr√°ticas de alimenta√ß√£o de bovinos come√ßam com um bom planejamento, assim como qualquer outro neg√≥cio. √Č preciso estabelecer as metas e quais caracter√≠sticas se deseja encontrar no produto final, (teor de gordura no leite, maciez da carne, por exemplo). Feito isso, √© preciso fazer uma sele√ß√£o criteriosa dos alimentos, avaliando os atributos e a qualidade da mat√©ria-prima, e garantindo tamb√©m sua correta armazenagem. Sabe-se que o uso de suplementa√ß√£o concentrada √© essencial √† medida que o manejo do pasto √© menos intensivo, tendo em vista que o valor nutricional da forragem diminui. Na esta√ß√£o seca, per√≠odo em que h√° menor crescimento do pasto, a suplementa√ß√£o volumosa tamb√©m √© necess√°ria. E por fim, quando o rebanho √© de vacas leiteiras, de alta produ√ß√£o, faz-se tamb√©m necess√°rio √† suplementa√ß√£o, mesmo quando o pasto √© vasto e de boa qualidade. O que a composi√ß√£o da ra√ß√£o animal deve atender? Produtores e t√©cnicos que trabalham ligados ao setor de sa√ļde, se preocupam com a composi√ß√£o da ra√ß√£o animal, mas no fim n√£o existe uma f√≥rmula espec√≠fica que atenda a todos os casos. Embora n√£o haja uma composi√ß√£o √ļnica que garanta desempenho para a produ√ß√£o animal, podemos dizer que existe sim um padr√£o. Uma linha que faz sentido quando o assunto √© desempenho. O que procurar nas ra√ß√Ķes para gado Nutrientes! Esse √© o primeiro ponto a ser considerado ao escolher a ra√ß√£o para seu gado. Pois a fase da engorda dos bovinos precisa de todos os nutrientes necess√°rios para se chegar ao ponto ideal. As ra√ß√Ķes para gado, que mais trazem benef√≠cios s√£o aquelas com valor nutricional elevado. Os melhores ingredientes para compor as ra√ß√Ķes s√£o: ‚ÄĘ Farelo de soja;‚ÄĘ Milho integral mo√≠do;‚ÄĘ Sal comum;‚ÄĘ Ur√©ia pecu√°ria; Com uma ra√ß√£o de alta qualidade e rica com tudo aquilo que o que seu rebanho mais necessita, o produtor garante a sa√ļde dos animais e a qualidade do corte final ou do leite n√£o ser√° afetada de forma negativa. Como voc√™ pode perceber ao final dessa pequena an√°lise, nutri√ß√£o do gado deve ser um dos grandes focos na cadeia produtiva. Ap√≥s a execu√ß√£o das estrat√©gias do seu negocio, √© fundamental fazer o balan√ßo da produ√ß√£o para, ent√£o, alterar as t√°ticas ou prosseguir com elas. Assim, se garante uma produ√ß√£o de alimentos seguros e com as qualidades que atendam aos interesses do mercado. √Č claro que al√©m de ra√ß√£o de qualidade o seu rebanho tamb√©m precisar√° de pasto e √°gua adequados, mas isso √© assunto para outro dia. Este conte√ļdo foi elaborado a partir de uma curadoria sobre nutri√ß√£o de bovinos. Reda√ß√£o ‚Äď Boi a Pasto

Estresse calórico em bovinos gera queda de produtividade

Nos √ļltimos dias, a onda de calor extremo, tem preocupado os produtores brasileiros. Diversos ve√≠culos de informa√ß√£o noticiaram a perca de lavouras e galinhas em v√°rias regi√Ķes do Brasil, e com os rebanhos de bovinos n√£o √© diferente. O estresse cal√≥rico √© definido por Silva (2000) como, a for√ßa exercida pelos componentes do ambiente t√©rmico sobre um organismo, causando nela uma rea√ß√£o fisiol√≥gica proporcional √† intensidade da for√ßa aplicada e a capacidade do organismo em compensar os desvios causados pela for√ßa.O termo estresse pode ser aplicado a qualquer mudan√ßa ambiental suficientemente severa para introduzir respostas que afetam a fisiologia, comportamento e produ√ß√£o dos animais. O estresse t√©rmico em vacas leiteiras, por exemplo, ocorre quando a taxa de ganho de calor do animal excede a de perda, fazendo com que o mesmo saia de sua zona de conforto. Desta forma, s√£o necess√°rios ajustes no comportamento e/ou fisiologia do animal.Esse estresse cal√≥rico, especialmente nas regi√Ķes tropicais, consiste em uma importante fonte de perda econ√īmica na pecu√°ria, tendo efeito adverso sobre a produ√ß√£o de leite, produ√ß√£o de carne, fisiologia da produ√ß√£o, reprodu√ß√£o, mortalidade de bezerros e sa√ļde do √ļbere.Como identificar animal com estresse t√©rmico‚ÄĘ Diminui√ß√£o na produ√ß√£o de leite de 10 a 20%‚ÄĘ Frequ√™ncia respirat√≥ria acima de 80 movimentos por minuto em 70% dos animais do lote‚ÄĘ Temperatura retal maior que 39,2¬ļC em 70% dos animais do lote ou acima de 39¬ļC por mais de 16 horas seguidas‚ÄĘ Redu√ß√£o de pelo menos 10 a 15% na ingest√£o de alimentos‚ÄĘ Aumento do consumo de √°gua Como reduzir o estresse cal√≥rico em bovinos?Garantir uma dieta de acordo com as necessidades nutricionais do animal, e adapt√°-la quando poss√≠vel para reduzir a produ√ß√£o de calor metab√≥lico, por exemplo, s√£o formas de promover o bem-estar.Outra forma mais simples √© prover aos animais um abrigo, ou seja, garantir espa√ßos com sombra para que eles possam se proteger e evitar o contato direto com a radia√ß√£o solar.O sombreamento de √°rea pode ser tanto natural, composto por vegeta√ß√£o, quanto artificial, com a constru√ß√£o de sombrite de no m√≠nimo 80% de reten√ß√£o da radia√ß√£o (coberturas normalmente feitas com redes pl√°sticas ou telas de polietileno). Essa t√°tica reduz a incid√™ncia dos raios solares sobre os animais, mas √© insuficiente para regularizar a temperatura corporal, caso se mantenham as condi√ß√Ķes clim√°ticas e atmosf√©ricas adversas. Assim, outra op√ß√£o √© investir em aspersores de √°gua e ventila√ß√£o autom√°tica sempre que poss√≠vel, pois s√£o capazes de reduzir bastante os efeitos do calor sobre os animais.Tome nota | Animais em estresse t√©rmico apresentam respira√ß√£o ofegante, boca aberta e l√≠ngua para fora na tentativa de trocar calor com o ambiente.Levar em considera√ß√£o os efeitos das altas temperaturas, na hora de elaborar as melhores estrat√©gias de manejo, √© um dos detalhes que caracterizam o bom produtor.Uma op√ß√£o, na redu√ß√£o do estresse t√©rmico em bovinos, seria adotar o sistema Silvipastoril, que al√©m de sustent√°vel, por integrar pastagem com arboriza√ß√£o, tamb√©m, pode servir como forma alternativa de renda para o produtor, com a produ√ß√£o de madeira ou fornecimento de frutas. Por: Boi a Pasto

Solução para fertilizante sustentável e disponível no Brasil

A tens√£o se avolumava desde novembro de 2021. H√° quem diga que desde 2014 um poss√≠vel conflito entre R√ļssia e Ucr√Ęnia era posto como algo que se aproximaria a uma terceira guerra mundial. No dia 24 de fevereiro, contudo, enquanto muitos acreditavam que o di√°logo entre as pot√™ncias seria o suficiente para evitar o embate, a invas√£o aconteceu. “A suspens√£o das entregas do fertilizante cloreto de pot√°ssio, origin√°rio da R√ļssia, comprometer√° nossa produ√ß√£o e produtividade agr√≠cola”, disse a Associa√ß√£o Brasileira do Agroneg√≥cio (Abag) ap√≥s suspens√£o ordenada pelo Kremlin. Atualmente, o Brasil importa mais de 90% do pot√°ssio que consome, e cerca de 30% v√™m da R√ļssia. Al√©m da planta√ß√£o de commodities destinadas √† exporta√ß√£o, os alimentos para consumo interno tamb√©m ser√£o afetados. A subida de pre√ßos, que j√° vinha ocorrendo ao longo da pandemia, deve se intensificar. Tudo ficar√°, mais uma vez, mais caro. Por√©m, a solu√ß√£o para o agroneg√≥cio driblar a queda na importa√ß√£o de fertilizantes pode estar dentro do pr√≥prio Brasil. Nesta reportagem, Ecoa conta sobre uma solu√ß√£o mais barata, mais sustent√°vel e nacional. O p√≥ que vem das rochas “S√£o materiais j√° dispon√≠veis, s√£o eficientes, n√£o trazem problemas ambientais como contamina√ß√£o do solo e da √°gua e ainda podem sequestrar CO2 e armazen√°-lo”. √Č assim que Suzi Huff Theodoro, ge√≥loga e professora da Universidade de Bras√≠lia, define o p√≥ de rocha. Como o pr√≥prio nome j√° diz, o p√≥ de rocha √© um composto de rochas mo√≠das que, quando acrescentadas ao solo, funciona como fertilizante, ou seja, oferece nutri√ß√£o √†s planta√ß√Ķes. O com√©rcio desses remineralizadores, como tamb√©m s√£o conhecidos, foi viabilizado pela lei n¬ļ 12.890, de 10 de dezembro de 2013. “Como a rocha √© um bem natural, ela precisa passar por um processo de extra√ß√£o, e n√£o √© qualquer rocha que pode ser utilizada. Ela precisa ser rica em uma s√©rie de nutrientes”, explica a ge√≥loga. “Assim, os remineralizadores atendem do agroneg√≥cio √† agricultura familiar porque os pre√ßos s√£o mais acess√≠veis e porque √© mais f√°cil de extrair”, completa. A pesquisadora diz que pequenas e m√©dias empresas de minera√ß√£o que j√° exploram rochas que servem como remineralizadores de solo podem atuar no ramo, basta obter registro no Minist√©rio da Agricultura, Pecu√°ria e Abastecimento (MAPA). Isso impediria, por exemplo, o risco ambiental de novas extra√ß√Ķes de rocha. “A ideia de juntar o setor mineral ao setor agr√≠cola √© uma excelente sa√≠da. Enquanto que, para o setor mineral, esses materiais representam um problema ambiental em seu armazenamento, eles podem servir de insumos para a agricultura. O problema de um vira solu√ß√£o do outro.” Suzi Huff Theodoro, ge√≥loga e professora da Universidade de Bras√≠lia. Benef√≠cios do p√≥ de rocha1. Pre√ßoOs custos de aquisi√ß√£o s√£o muito menores e seu efeito pode se estender por at√© quatro ou cinco anos consecutivos; 2. FertilidadeOs n√≠veis de fertilidade nos solos s√£o crescentes ap√≥s a aplica√ß√£o 3. RendimentoA produtividade mostra-se equivalente ou superior √†s obtidas pela fertiliza√ß√£o convencional (em alguns casos, o rendimento pode ser at√© 30% superior); 4. CrescimentoAs ra√≠zes das plantas s√£o mais desenvolvidas do que nas plantas que recebem a aduba√ß√£o qu√≠mica; 5. √ĀguaO teor de umidade √© maior nas √°reas onde se aplicam os remineralizadores, mostrando que os mesmos possuem grande capacidade de reten√ß√£o de √°gua; 6. Exuber√ĘnciaAs plantas apresentam maior quantidade de massa verde e s√£o mais exuberantes; 7. Produ√ß√£oH√° acelera√ß√£o do ciclo produtivo da planta em alguns casos; 8. Meio ambienteN√£o ocorre contamina√ß√£o ou eutrofiza√ß√£o (polui√ß√£o devido ao excesso de algas que deixa a √°gua turva e provoca morte de animais) dos recursos h√≠dricos; 9. Org√ĘnicoAtende aos padr√Ķes de garantias exigidos de insumos utilizados pela agricultura org√Ęnica. Para que serve esse tal pot√°ssio?O dado de que o Brasil √© o quarto maior importador de NPK do mundo pode n√£o significar muita coisa para boa parte dos brasileiros. Afinal, como isso afeta a vida de quem v√™ o p√£ozinho na padaria cada vez mais caro? Pois as duas coisas – a alta nos pre√ßos de produtos agr√≠colas e importa√ß√£o de NPK ‚ÄĒ tem tudo a ver. A sigla que mais parece o nome de um bra√ßo da S.H.I.E.L.D., ag√™ncia governamental fict√≠cia do universo Marvel, faz refer√™ncia ao trio de macronutrientes nitrog√™nio-f√≥sforo-pot√°ssio. Esses compostos s√£o bastante usados na agricultura para a nutri√ß√£o do solo num processo chamado fertiliza√ß√£o qu√≠mica. E √© para essa mistura que o Brasil precisa de pot√°ssio. A produ√ß√£o desse macronutriente no pa√≠s se restringe a uma s√≥ mina localizada em Sergipe. Com a vida √ļtil j√° chegando ao fim, a mina abastece apenas 4% da demanda nacional. Os outros 96% s√£o importados. “Para esse modelo de agricultura que temos no Brasil envolvendo a produ√ß√£o de commodities para exporta√ß√£o, o pot√°ssio √© muito importante, j√° que esses produtos demandam uma ‘recarga’ do solo”, explica a ge√≥loga Suzi Huff Theodoro. O pa√≠s √© campe√£o em produ√ß√£o e exporta√ß√£o de soja, por exemplo, uma commodity, ou seja, um produto b√°sico n√£o industrializado. “Nos acostumamos a escutar que os solos tropicais, que representam grande parte do nosso pa√≠s, s√£o solos pobres. Mas que pobreza √© essa? Se voc√™ considerar o plantio da soja, o solo √© pobre, mas, por outro lado, a gente sustenta a floresta mais exuberante do planeta, o que mostra que o nosso solo tamb√©m √© rico”, comenta Theodoro. Estamos todos conectadosSe tudo posto at√© agora j√° n√£o fosse complexo o suficiente, as san√ß√Ķes econ√īmicas impostas √† R√ļssia ap√≥s a invas√£o da Ucr√Ęnia tamb√©m atingiram o Brasil, mesmo o pa√≠s estando fisicamente distante do conflito. “A decis√£o das maiores empresas mundiais de log√≠stica mar√≠tima de suspenderem suas opera√ß√Ķes de transporte de mercadorias, de e para a R√ļssia, dever√° ampliar as dificuldades que o com√©rcio exterior brasileiro ter√° at√© que a guerra contra a Ucr√Ęnia seja superada”, explica a nota da Associa√ß√£o Brasileira do Agroneg√≥cio. O grupo alerta: “isso trar√° s√©rias consequ√™ncias √† produ√ß√£o e custo dos alimentos, tanto para atender a demanda do mercado interno quanto √†s nossas not√°veis exporta√ß√Ķes de commodities agr√≠colas”. Tudo isso fora o comando de suspens√£o de exporta√ß√£o de pot√°ssio. Uma das justificativas

Como seria se existisse um Oscar da sustentabilidade?

Assim como no cinema, √© preciso muito trabalho e muita gente qualificada para produzir momentos de encantamento, reflex√£o e transforma√ß√£o E se existisse um Oscar da sustentabilidade? Acho que muita gente j√° se fez essa pergunta, pois existem incont√°veis premia√ß√Ķes, rankings e mecanismos de avalia√ß√£o, no Brasil e no mundo, sobre ado√ß√£o de boas pr√°ticas ESG. Algu√©m dir√° que talvez existam at√© demais e que o excesso pode confundir e dificultar o entendimento sobre o que realmente importa. Seria dif√≠cil discordar de tal afirma√ß√£o. ‚ÄúMas e se existisse um Oscar da sustentabilidade? Porque voc√™ n√£o escreve sobre isso?‚ÄĚ, pergunta meu lado sem medo do rid√≠culo e desejoso por fazer um exerc√≠cio de imagina√ß√£o pretensamente divertido e possivelmente doloroso. Desta vez, cedo √† tenta√ß√£o. Por√©m, ao inv√©s de cometer a insensatez de apontar vencedores(as), ficarei restrito √†s poss√≠veis categorias e crit√©rios de avalia√ß√£o. Categorias t√©cnicas (gest√£o e estrat√©gia)Engajamento de stakeholders: premia a organiza√ß√£o que se destaca por mapeamento e classifica√ß√£o de p√ļblicos estrat√©gicos, processos estruturados de engajamento e relacionamento, iniciativas de cria√ß√£o de valor compartilhado e mecanismos para considerar as contribui√ß√Ķes de stakeholders na tomada de decis√£o. Representatividade no conselho de administra√ß√£o ser√° considerado um diferencial capaz de definir a vencedora. Estrat√©gia de Sustentabilidade: valoriza a exist√™ncia de uma estrat√©gia integrada de gera√ß√£o de valor, que considere os diversos capitais consumidos e produzidos pela organiza√ß√£o (financeiro, humano, ambiental, social, entre outros), bem como suas externalidades. Mapeamento de riscos socioambientais, conex√£o do neg√≥cio com os ODS s√£o outros crit√©rios avaliados. Al√©m disso, desenvolver solu√ß√Ķes regenerativas de alto impacto ser√° decisivo para o j√ļri. Gest√£o ESG: al√©m de estruturas espec√≠ficas, como comit√™s ou √°reas dedicadas, ser√£o valorizadas a ado√ß√£o de ferramentas como matriz de materialidade (com participa√ß√£o dos stakeholders), avalia√ß√£o de impactos na opera√ß√£o e na cadeia de valor, indicadores e mecanismos de gest√£o de temas materiais. Aqui, a exist√™ncia de metas ESG atreladas √† remunera√ß√£o (em porcentagem relevante) √© a diferen√ßa entre finalistas e vencedoras. Relev√Ęncia interna: nesta categoria, tudo depende do envolvimento da lideran√ßa com o tema. O envolvimento √© pontual, eventual ou permanente? T√°tico, gerencial ou estrat√©gico? O tempo dedicado e a disponibilidade para tratar do tema ser√£o indicadores importantes. Governan√ßa: a pontua√ß√£o aqui vai de acordo com a ades√£o a boas pr√°ticas bem conhecidas, como as recomendadas pelo Instituto Brasileiro de Governan√ßa Corporativa (IBGC), que disponibiliza o C√≥digo das Melhores Pr√°ticas de Governan√ßa Corporativa. Transpar√™ncia: como na dire√ß√£o de arte e fotografia, esta categoria √© sobre mostrar o que realmente importa. As organiza√ß√Ķes finalistas ser√£o aquelas que utilizam frameworks reconhecidos para disponibilizar de forma simples, acess√≠vel e pr√°tica dados sobre seu desempenho em temas materiais. Sem enrola√ß√£o, sem informa√ß√Ķes escondidas no canto escuro da tela e sem dar foco naquilo que √© de menor import√Ęncia. Comunica√ß√£o de verdade. Categorias de atua√ß√£o (desempenho)Aqui, falar de crit√©rios ficaria mais complicado, pois os temas s√£o muito diversos (uma boa r√©gua s√£o os indicadores da GRI (Global Reporting Initiative), reconhecidos por mercado e stakeholders em geral. Com essa  refer√™ncia, algumas categorias poss√≠veis seriam: Categorias econ√īmicas: Desempenho Econ√īmico; Compras e Gest√£o da Cadeia de Valor; Conformidade, Combate √† Corrup√ß√£o e Concorr√™ncia Desleal; Pr√°ticas tribut√°rias. Categorias ambientais: Mudan√ßas Clim√°ticas e Emiss√Ķes; Gest√£o H√≠drica e Uso da √Āgua; Gest√£o Energ√©tica; Recursos Naturais; Biodiversidade; Res√≠duos e Economia Circular. Categorias sociais: Emprego e Renda; Rela√ß√Ķes Trabalhistas (com subcategorias como Trabalho Infantil, Trabalho Escravo e Liberdade de Associa√ß√£o); Sa√ļde e Seguran√ßa (de trabalhadores e de consumidores); Diversidade, Equidade e Inclus√£o; Combate √† Discrimina√ß√£o; Direitos de Povos Origin√°rios; Direitos Humanos; Comunidades Locais; Marketing Respons√°vel; Privacidade. Como se v√™, a brincadeira ficou extensa. Isso porque n√£o listei os ODS em cada frente tem√°tica. Fica como mais um lembrete de que a agenda da sustentabilidade n√£o se limita ao tema quente do momento. E de que, assim como no cinema, √© preciso muito trabalho e muita gente qualificada para produzir momentos de encantamento, reflex√£o e transforma√ß√£o. Fonte: Revista Exame