julho 28, 2026

Pesquisa mostra que boas práticas podem reduzir em até 70% a pegada de carbono da carne

Mudanças na alimentação do rebanho, intensificação da produção e sistemas integrados estão entre as estratégias estudadas para diminuir as emissões

A adoção de tecnologias já disponíveis na pecuária brasileira pode reduzir em até 70% a pegada de carbono da carne bovina. O resultado é apontado por pesquisas coordenadas pela Embrapa, que avaliam formas de diminuir as emissões de gases de efeito estufa por meio de melhorias na alimentação dos animais, intensificação dos sistemas produtivos e integração entre lavoura, pecuária e floresta.

O principal desafio da atividade é o metano, gás produzido naturalmente durante a digestão dos bovinos e considerado um dos maiores responsáveis pelas emissões da pecuária. Cerca de 95% desse metano é liberado durante a eructação (o arroto dos animais) e apenas uma pequena parcela é eliminada por outras vias.

Para medir essas emissões, pesquisadores utilizam dispositivos instalados nos animais capazes de captar o metano liberado pelas narinas durante a eructação. As amostras são analisadas em laboratório para quantificar as emissões e comparar diferentes sistemas de produção, dietas, raças e estratégias de manejo.

“A pecuária tem toda a condição de sair de um papel de emissora para um papel de um sistema que remove os gases de efeito estufa da atmosfera. Seja através do carbono do solo, através da melhoria das pastagens, seja pela integração com outras culturas”, destaca o pesquisador da Embrapa Gado de Corte, Rodrigo Costa Gomes.

As pesquisas da Rede Pecus, coordenada pela Embrapa e desenvolvidas em parceria com instituições de todo o país, fornecem a base científica para a criação de protocolos de certificação voltados à produção de carne de baixa emissão de carbono.

Iniciativa

A primeira iniciativa foi a certificação Carne Carbono Neutro, lançada em 2015, destinada a sistemas silvipastoris, nos quais árvores e pastagens convivem na mesma área.

Agora, a Embrapa prepara uma nova certificação para Carne Baixo Carbono, voltada a sistemas intensificados de recria e engorda, com integração lavoura-pecuária, terminação intensiva a pasto e uso de confinamento na fase final da produção.

De acordo com Gomes, o objetivo é estimular a adoção dessas práticas por meio da valorização dos produtores pelo mercado consumidor e pela indústria frigorífica.

Alimentação

A alimentação dos animais também desempenha papel importante na redução das emissões. A substituição da dieta exclusivamente baseada em pastagens por rações com ingredientes como milho e farelos durante o confinamento já reduz a produção de metano.

Além disso, novos aditivos alimentares, que começam a chegar ao mercado, alteram o processo digestivo dos bovinos e diminuem ainda mais a emissão do gás.

Os estudos também apontam que sistemas mais eficientes aceleram o ganho de peso dos animais e reduzem o tempo necessário até o abate. Com isso, além de aumentar a produtividade, diminui-se o período em que o animal permanece emitindo metano.

Um dos exemplos apresentados pela pesquisa compara bovinos criados exclusivamente em pastagem com aqueles terminados em confinamento. Nesse cenário, a pegada de carbono da carne pode ser reduzida em até 70%. Outra estratégia é antecipar a idade de abate de três para dois anos, reduzindo em cerca de 12 meses o tempo de emissão de gases pelo animal.

Por: Vitória Rosendo – Planeta Campo

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