setembro 10, 2026

Pecuária pode reduzir emissões de metano com manejo de pastagens e maior eficiência produtiva

Catálogo elaborado pelo SEEG reúne medidas como recuperação de pastagens, sistemas integrados, redução da idade de abate, melhoramento genético e ajustes na alimentação do rebanho para diminuir as emissões do setor

Foto: EFE/Isaac Fontana

A pecuária brasileira tem potencial para reduzir de forma significativa as emissões de metano a partir de mudanças no manejo dos animais e das pastagens, além da adoção de tecnologias capazes de aumentar a eficiência produtiva. As estratégias fazem parte de um catálogo com 37 recomendações elaborado pelo Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG), iniciativa vinculada ao Observatório do Clima.

Do conjunto de propostas, 15 são direcionadas especificamente à agropecuária. Entre elas estão a recuperação e manutenção de pastagens, adoção de sistemas integrados de produção, redução da idade de abate dos bovinos, melhoramento genético, aumento da eficiência alimentar e zootécnica e utilização de aditivos capazes de diminuir a formação de metano durante a digestão dos animais.

As medidas ganham relevância diante da participação da produção agropecuária nas emissões brasileiras do gás. Em 2024, o setor respondeu por 15,7 milhões de toneladas de metano, o equivalente a 75,8% do total emitido pelo país. Mais de 90% das emissões da agropecuária estão relacionadas à pecuária.

No total, as emissões brasileiras de metano passaram de 21,3 milhões de toneladas em 2023 para aproximadamente 21 milhões de toneladas em 2024. Apesar da redução, o Brasil permanece entre os maiores emissores mundiais.

Pastagens melhores podem elevar eficiência

Entre as estratégias apontadas pelo levantamento está a melhoria da qualidade das pastagens. Áreas com maior disponibilidade e qualidade de forragem podem favorecer o desempenho dos bovinos e contribuir para reduzir o tempo necessário para que os animais atinjam o peso de abate.

A lógica está relacionada à chamada intensidade de emissão: quanto maior a eficiência do sistema produtivo, menor pode ser a quantidade de metano emitida por quilo de carne produzida.

Nesse contexto, a recuperação de pastagens degradadas aparece como uma ferramenta que pode combinar ganhos ambientais e produtivos. O manejo adequado da forragem, associado à correção e fertilidade do solo e ao ajuste da taxa de lotação, permite ampliar a capacidade produtiva das áreas já utilizadas pela pecuária.

Os sistemas integrados de produção também são apontados entre as alternativas. A combinação de diferentes atividades em uma mesma área pode melhorar o aproveitamento dos recursos e elevar a eficiência da propriedade.

Redução da idade de abate

Outra recomendação é reduzir a idade de abate dos bovinos. A estratégia depende de um conjunto de fatores, como nutrição adequada, sanidade, genética e manejo, para acelerar o desenvolvimento dos animais sem comprometer o desempenho produtivo.

Ao chegar mais cedo ao peso de abate, o bovino permanece menos tempo no sistema produtivo e, consequentemente, acumula uma quantidade menor de emissões ao longo da vida.

Além disso, melhorias na conversão alimentar e no desempenho do rebanho podem diminuir as emissões por unidade de produto.

“Mitigar o metano na agropecuária é uma grande oportunidade para o setor, por incluir produtividade e eficácia na produção de alimentos”, afirma Gabriel Quintana, coordenador da área de Ciência do Clima do Imaflora, organização responsável pelas recomendações destinadas ao setor agropecuário e integrante do Observatório do Clima.

Alimentação também entra na estratégia

A dieta dos animais é outro ponto considerado estratégico. O catálogo recomenda aumentar a digestibilidade da alimentação e avaliar o uso de aditivos capazes de reduzir a formação de metano durante o processo digestivo dos ruminantes.

O metano entérico é produzido principalmente durante a fermentação dos alimentos no rúmen e eliminado pelos animais. Por isso, estratégias nutricionais que aumentem o aproveitamento dos nutrientes podem contribuir tanto para melhorar o desempenho quanto para reduzir as emissões relacionadas à produção.

O melhoramento genético também integra as recomendações, especialmente pela possibilidade de selecionar animais mais eficientes, precoces e com melhor capacidade de conversão dos alimentos em ganho de peso.

Resíduos podem virar energia

O manejo dos resíduos da produção animal completa o conjunto de alternativas. Entre as soluções estão a compostagem e a biodigestão dos dejetos, permitindo a captura do biogás e evitando que parte do metano seja liberada diretamente na atmosfera.

Além de reduzir emissões, a biodigestão pode transformar resíduos em fonte de energia e gerar biofertilizantes para utilização na própria propriedade.

O metano permanece menos tempo na atmosfera do que o dióxido de carbono (CO₂), mas apresenta elevado potencial de aquecimento. Em um horizonte de 100 anos, seu efeito sobre o aquecimento global é estimado em cerca de 28 vezes o do CO₂.

Por esse motivo, especialistas consideram que medidas capazes de reduzir rapidamente as emissões do gás podem contribuir para desacelerar o aquecimento no curto e médio prazo. Para a pecuária brasileira, parte desse caminho passa por práticas que também estão diretamente relacionadas à produtividade: produzir mais por área e por animal, melhorar as pastagens e encurtar o ciclo de produção.

Fonte: EFE
Curadoria: Camila Gusmão para o portal Boi a Pasto

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