agosto 12, 2026

ABPA diz que Brasil construiu liderança em proteína animal “com décadas de trabalho”, não por herança

Ricardo Santin destaca décadas de investimentos em genética, sanidade e inovação durante a abertura do maior evento das cadeias produtivas do país

Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). Foto: Alf Ribeiro | ABPA

O Brasil abriu na última terça-feira (4) a maior edição da história do Salão Internacional de Proteína Animal (SIAVS), em São Paulo. O evento reuniu mais de 400 empresas expositoras e visitantes de mais de 60 países e consolidou-se como o principal ponto de encontro das cadeias produtivas de aves, suínos e ovos no país.

Durante o discurso de abertura, o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, atribuiu a liderança brasileira no setor a décadas de investimentos contínuos, e não a uma vantagem natural do país. “Isso mostra que a nossa liderança não foi herdada. Mas construída por gerações de produtores, cooperativas, empresas, pesquisadores e profissionais que fizeram da produção de alimentos uma missão para o Brasil e para o mundo”, afirmou.

Genética, sanidade e inovação sustentam a posição do Brasil

Santin listou os pilares que, segundo ele, garantiram ao país a posição de destaque global: investimentos em genética, sanidade animal, tecnologia, inovação e integração entre produtores e agroindústrias. Essas atividades já geram milhões de empregos e movimentam mais de US$ 33 bilhões em exportações, de acordo com a entidade.

O dirigente também relacionou o cenário internacional à relevância crescente do Brasil no fornecimento de alimentos. “Diante de um cenário internacional marcado por conflitos, barreiras comerciais e insegurança alimentar, o Brasil se tornou um dos poucos países capazes de garantir oferta contínua de proteína animal para os mercados interno e externo”, declarou.

Governo federal aposta na expansão da liderança brasileira

O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, também discursou na cerimônia e reforçou o papel estratégico da proteína animal para a economia nacional. Segundo ele, o crescimento do agronegócio impulsiona diretamente a geração de empregos, renda e oportunidades em todo o país.

De Paula parabenizou a ABPA pela realização da maior edição do evento. E destacou que o SIAVS passou a reunir toda a cadeia produtiva; produtores, indústrias, pesquisadores, investidores, compradores internacionais e representantes do poder público. “O Brasil possui todas as condições para ampliar ainda mais sua liderança global na produção de proteína animal, apoiado em inovação, tecnologia, ciência, genética, sustentabilidade e credibilidade internacional”, afirmou.

O ministro citou ainda os esforços do governo para enfrentar novas exigências regulatórias dos mercados internacionais. E preservar o reconhecimento do sistema brasileiro de defesa agropecuária. “O Brasil assumiu com responsabilidade a missão de alimentar o mundo. A grandeza de um país se mede pela sua capacidade de gerar oportunidades, produzir conhecimento e contribuir para a segurança alimentar global”, completou.

Parlamentares defendem ambiente regulatório favorável ao setor

A senadora Tereza Cristina também participou da abertura e elogiou a condução da ABPA sob a liderança de Ricardo Santin. A parlamentar destacou o esforço diário dos produtores rurais e defendeu que o poder público deve criar condições favoráveis para sustentar o crescimento do setor. “A produção de proteína animal transforma a realidade dos municípios brasileiros, promovendo geração de empregos, renda e melhoria dos indicadores de desenvolvimento”, disse.

O deputado federal Pedro Lupion Mello, presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e representante do Paraná, reforçou o papel das cadeias de avicultura, suinocultura e pescado no desenvolvimento regional. Segundo ele, a FPA trabalha para reduzir entraves burocráticos e garantir um ambiente regulatório que preserve a competitividade dos produtores brasileiros de todos os portes. “Nosso papel é garantir que a legislação não impeça quem produz de continuar gerando empregos, renda e alimentos para o Brasil e para o mundo”, declarou.

Produtividade baixa ainda limita o crescimento da economia brasileira

Na conferência magna do evento, o professor do Insper Fernando Schuler apontou a baixa produtividade como o principal entrave estrutural do país. Ele citou a cadeia de proteína animal como um exemplo de eficiência, já que o setor combina investimento contínuo em tecnologia, inovação e gestão com abertura à competição internacional.

Schuler alertou ainda para os riscos da dívida pública, do alto custo do crédito e da perda de credibilidade fiscal sobre os investimentos produtivos. Para o professor, reformas administrativa, previdenciária e fiscal são essenciais para sustentar as contas públicas. Além de criar espaço para a expansão da atividade econômica, com o agronegócio como referência de geração de riqueza.

Simpósio discutiu expansão do consumo e exportação de ovos

O primeiro dia do SIAVS também recebeu o Simpósio Ovos Brasil, que reuniu especialistas, produtores e empresas para debater o crescimento do consumo interno de ovos, a abertura de novos mercados internacionais e as estratégias de agregação de valor aos produtos.

A coordenadora técnica da ABPA, Tabatha Lacerda, explicou que a programação buscou oferecer um panorama amplo sobre o futuro da avicultura de postura. “O setor precisa estar preparado para compreender as tendências de mercado, identificar oportunidades comerciais, fortalecer suas marcas e estruturar seus negócios para os desafios das próximas décadas”, afirmou.

Por Henrique Rodarte Agro Em Campo

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