julho 23, 2024

Como a nutrição pode afetar a eficiência reprodutiva bovina

O sucesso da reprodução bovina passa por uma série de fatores, e a nutrição é um dos mais importantes. Os níveis corretos de nutrientes, vitaminas e minerais mantêm o funcionamento adequado do organismo para as mais diversas funções, inclusive durante o processo reprodutivo. Para entender melhor o assunto, conversamos com o médico-veterinário e doutor em Microbiologia do Rúmen Thomer Durman sobre o impacto direto que a nutrição tem na reprodução de bovinos. Confira!

Reprodução bovina demanda energia oferecida pela nutrição

A importância da nutrição impacta vários aspectos de todo o processo de reprodução bovina, mas a garantia do aporte energético é um dos principais pontos. “A reprodução envolve diversas alterações bioquímicas e fisiológicas no organismo animal, assim como alta dependência de balanços hormonais, sem contar com a forte demanda energética para gerar uma nova vida”, cita o mestre em nutrição bovina.

A nutrição também tem protagonismo na prevenção de doenças e desordens que podem afetar a reprodução, como a hipocalcemia e a cetose. “Já num cenário mais específico, via nutrição também é possível melhorar parâmetros reprodutivos. Por exemplo, utilizando bons antioxidantes, como vitamina E e selênio orgânico, para evitar perdas embrionárias precoces, e a utilização de adsorventes de micotoxinas na dieta, as quais podem causar abortos“, complementa o Dr. Thomer.

Subnutrição e superalimentação são maléficas para a reprodução de bovinos

O médico-veterinário detalha que o organismo segue uma ordem de prioridades para o uso energético, e que a reprodução está no fim da fila, atrás de outras funções vitais, como o metabolismo basal, a atividade física e do pastejo e o crescimento. Na prática, isso explica por que animais com deficiências nutricionais enfrentam dificuldades no processo reprodutivo.

Os dois extremos, tanto a subnutrição quanto a superalimentação, são problemáticos. O doutor em Microbiologia do Rúmen explica: “A subnutrição gera no animal a falta de aporte energético para manter boa função hormonal, e gerar uma célula embrionária com eficiência, o que demanda energia, a qual se estiver em falta, irá limitar a capacidade da vaca manifestar cio ou manter uma prenhez. Já a obesidade, principalmente no momento do parto, pode gerar grandes complicações e desordens metabólicas, como a febre do leite, cetose, parto distócico, os quais vão limitar o pico de produção dos animais e atrasar o reinício do ciclo estral após o parto”.

Como fazer o manejo nutricional das vacas para reprodução bovina

O manejo nutricional durante o processo reprodutivo deve ser feito com o acompanhamento de um profissional especializado. O Dr. Thomer afirma que as vacas têm exigências nutricionais de energia, proteína (aminoácidos), gordura (ácidos graxos), vitaminas e minerais. Durante a gestação, é preciso se atentar ao peso corporal e consumo de matéria seca, pois esses fatores interferem na quantificação dos nutrientes que devem ser ingeridos. “No final da gestação há uma exigência maior de nutrientes para crescimento fetal, e ao se aproximar do parto o consumo de matéria seca tende a cair, por isso é importante repensar as dietas para cada momento da prenhez e procurar sempre por estratégias que evitem as desordens metabólicas”, exemplifica.

A necessidade de suplementação também deve ser avaliada. “Tendo em vista que as pastagens têm deficiências em alguns minerais e vitaminas, esses em quase todos os cenários exigem suplemento. Já para energia e proteína, é necessário avaliar cada nível produtivo. Caso necessário, deve-se utilizar volumosos conservados ou concentrados energéticos e/ou proteicos para aporte das necessidades”, conclui o doutor em Microbiologia do Rúmen.

A maior preocupação com a nutrição para eficiência reprodutiva é com as vacas. Porém, os machos usados para reprodução bovina também devem receber um cuidado nutricional, pelo motivo central da alta demanda energética. Em fazendas que usam técnicas de inseminação artificial com sêmen sexado, o manejo indicado para vacas é o mesmo.

* Thomer Durman é graduado em Medicina Veterinária pela Universidade Estadual do Centro-Oeste, mestre em Nutrição de Bovinos Leiteiros, doutor em Microbiologia do Rúmen e tem pós-doutorado em Ciência do Rúmen pela Universidade Estadual de Maringá.

Fonte: MSD Saúde Animal

Curadoria: Marisa Rodrigues para o Portal Boi a Pasto

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